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Café: extra-forte

Olá, amantes do cinema! Fechando agosto com chave de ouro, terminamos nossa visita com o artista de cinema do mês, Wes Anderson e seus vários desdobramentos para além do cinema. Inspirador e inspirado, o diretor e roteirista deixa sua marca na sétima arte, mas também no mundo próprio da Arte e da Comunicação. Trago aqui alguns links interessantes para falarmos um pouco mais sobre este rapaz e nos despedirmos dele em grande estilo.

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Wes Anderson, nosso artista de cinema de agosto
Para começar, o filme que estamos aguardando: The French Dispatch já tem trailer, mas segue sem previsão de lançamento no Brasil. Dá uma olhada, só para ficar na vontade, como todos nós.


A turma do Criterion Collection, esta 'locadora' internacional e fantástica que me dá vontade de ter absolutamente tudo, fez um especial com toda a carreira do diretor. Você confere aqui, pode comprar, só fica um pouco salgado, porque é tudo importado mesmo. Aproveita e dá uma passadinha no site da Criterion e olha o acervo deles. É impressionante e eu queria trabalhar lá. <3  
grand-hotel-budapest
Jude Law e Jason Schwartzmann em um estudo do storyboard no Grande Hotel Budapeste.
A Studio Binder, um software / empresa produtora de conteúdo ama tando Wes Anderson, que fez um estudo aprofundado, uma aula quase, por tópicos, do que torna o diretor tão fantástico e especial. Confere aqui!

No instagram, há uma febre. O Accidentally Wes Anderson é uma espécie de coletivo de seguidores que postam locações da vida real que têm a ver com o estilo, a estética das obras do diretor. O negócio ficou tão famoso e sério, que virou livro e é lindo mesmo!

airbnb-wes-anderson
mr. anderson's house / instagram

Mr. Anderson's House é apenas uma casa para hospedagem via AirBnb toda decorada ao estilo do diretor. É claro que há um perfil no instagram desse lugar inusitado e dá uma vontade doida de ficar lá, só para ter a experiência. Esta maravilha fica em Ontário, Canadá.

E, para encerrar bem, há um estudo da paleta de cores e luz dos filmes do diretor neste Tumblr delicado e cuidadoso, o Wes Anderson Palettes. É um deleite para os olhos, além de ser um bom estudo sobre cinema. Passa lá!

O diretor tem infinitas ótimas referências na internet, nosso artista de cinema é, por si só, fonte de curiosidade para todo mundo que o acompanha ou vê, pelo menos, dois de seus filmes. Com estilo próprio e já comentado aqui, com um trato narrativo cuidadoso e de humor refinado entre a acidez e a ingenuidade, é sempre um deleite acompanhar sua trajetória dentro e fora do cinema. Não é à toa esse volume de referências, homenagens e estudos sobre o homem. Com isso, nos despedimos dele e no aguardo de seu último filme. 

Agora, vamos pensar... quem poderia ser o Artista de Cinema de Setembro? Sugestões?
E, se gosta do que vê por aqui, passa no buy me a coffee e me ajuda a manter este site em pleno funcionamento! :)
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cary-grant-randolph-scott
um verbete em alemão para “alegre”
derivou ao francês como “gai”
e ganhou o mundo em inglês.

antes do acrônimo+, “gay” era ainda mais extenso:
alegre, espontâneo, entusiástico, despreocupado, hedonista, feliz.

uma franciscana sede gay se criou só 
durante o “That '70s Show”.
muito antes do Pink Money,
Gay saiu do armário junto com o Lysergsäurediethylami

1938
o LSD foi descoberto!
justo seu grande entusiasta 
- o galã de Hollywood que recomendava o uso terapêutico do LSD às donas de casa -
sexualizou o gay.

Gay se assumiu sexo na boca de Cary Grant 
aos saltos, travestido de mulher.
a cena é do filme “Bringing Up Baby”*,
incessantemente adiado devido os
ataques de Hepburn e Grant - de risos.

entre 1932-1944, Grant riu com Randolph Scott
as fotos caseiras da dupla nos despertam romance.
reputação vendida às revistas como “salão dos solteirões”
cobiça às mulheres. virilidade.

Cary Grant
atraído ou não pelo mesmo sexo 
seguiu a vida despreocupado 
em busca de suas próprias alegrias 


*Cary Grant em Bringing up baby, com Katherine Hepburn (1938)
**Na foto: Randolph Scott e Cary Grant.

***
Quem escreve
Nasci paranaense, mas sou santista - de traços cariocas e pontos em SP. Amo prosear com alvitre de verdade. O Mercúrio é mesmo em Áries… mas quem rege é o ascendente em vô de Minas. Você me acha no instagram.
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Semana começando, o mês já cruzando a metade - parece que agosto nunca passou tão rápido (ou todos os outros meses passaram devagar e nosso ritmo mudou?) Seguimos com nosso #artistadecinema, Wes Anderson, sempre festejado por onde passa.

wes-anderson-filmes
Wes Anderson
Por aqui já falamos um pouco sobre o diretor e sua relevância para o Cinema. Também indiquei cinco filmes para nos aprofundarmos em sua filmografia e agora estamos aguardando o mais novo, The French Dispatch estrear em algum streaming. Os cinemas ainda não abriram aqui no Brasil e mesmo se abrissem, não sei se estamos no melhor momento para investir neles, mesmo com toda a saudade batendo forte. Enquanto desenvolvem a vacina e ficamos na expectativa da redução de contaminados dessa pandemia, trouxe as críticas de dois filmes que assisti quando foram lançados para apurarmos nosso olhar sobre as produções de nosso artista de cinema do mês.

filme-wes-anderson
Moonrise Kingom (2012)
Quero ser criança novamente!, gritou o meu coração. Quando somos jovens, ouvimos nossos pais e tios nos dizerem isso e quase não acreditamos. Eu sentia naquela época – porque tive uma infância muito legal, por sorte – que isso era verdade e que em algum momento eu ia querer um revival. Acabei de sair de Moonrise Kingdom e minha infância voltou com força total.

Sabe aqueles filmes fantásticos da Sessão da Tarde que nos marcaram para sempre? Pessoas da minha geração e de gerações próximas sabem do que estou falando: Conta Comigo, Goonies, História sem Fim, Labirinto, ET, Lagoa Azul. Lembram o filme lindo do ano passado Onde vivem os monstros? O filme desse ano traz a história de um escoteiro mirim e uma garota que se correspondem por carta e decidem fugir: o garoto do acampamento, a garota, de casa. Encontram-se no meio do caminho e partem para um pedaço da costa da pequena ilha em que vivem. E a partir daí, vivemos uma aventura deliciosa, inocente e um pouco sarcástica como só um filme de criança poderia ser. Continua aqui.

O Grande Hotel Budapeste (2014)
Numa aula de ética voltada para o trabalho, o professor falava que um certo filósofo entendia que só poderia considerar alguém ético, depois de sua morte. Aí faríamos um apanhado de sua vida, como um currículo pessoal, levantando seus dilemas e resoluções tomadas. Então, poderíamos qualificá-lo como qualquer coisa. Assim, passamos a vida acima de qualquer suspeita, sem sabermos como definir-nos, mas com isso, carregando uma ‘culpa’ de estar sempre tentando fazer o bem, para que no fim, ganhemos um atestado de boa conduta post-mortem. 

Falo disso, porque tenho uma dificuldade em estabelecer ídolos. Grandes músicos, políticos, homens e mulheres das artes e esportes perderam um pouco desse glamour, dessa aceitação pelo que produzem e eu mesma fico pensando se aqueles que acho incríveis são realmente assim. Não sei se podemos chamar isso de perda da inocência, da ingenuidade que é essa facilidade em acreditar no outro, mas hoje contamos nos dedos quem admiramos fortemente. Pensando no cinema e nos diretores vivos, um que me ganhou e que espero que produza na mesma frequência do atualmente execrado, mas diretor de grandes filmes Woody Allen é Wes Anderson. Continua aqui.

***

Semana que vem teremos nosso último encontro com Wes Anderson, nosso artista de cinema de agosto e fiquem ligados para saber quem vai brilhar por aqui em Setembro! Agora que chegamos por aqui, já conhece o Buy me a Coffee? :)
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Mudança feita, móveis em casa, vida nova em Salvador por uns tempos, minha cidade de nascimento e da vida que havia deixado doze anos atrás para fazer uma pós-graduação de dois anos no Rio de Janeiro. Dos inesperados da vida, trago um pouco do que acontece agora, do lado de cá.

vem que tem
Na entrada do apartamento há um lembrete para quem passa por aqui. Em 2019, morava em Copacabana e vim a Salvador para o Natal e Ano Novo. Como sempre acontecia todos os anos, aproveitava que estava a passeio para passear. Era turista na minha própria cidade e já amava, como sigo amando, percorrer novos caminhos, conhecer ruas, casas, praias, atrações. Engana-se quem acha que tem sua cidade na palma da mão, há sempre uma novidade à espera ou aquela velha frase: 'ainda vou neste lugar'. 
 
A Casa do Rio Vermelho, onde comprei a cerâmica que estampa o texto, foi casa de Jorge Amado e Zélia Gatai por muitos anos. Hoje, como as casas de Pablo Neruda no Chile ou de Frida Kahlo no México, virou museu, para visitarmos um pouco da morada destes escritores e artistas em seus quintais, cozinha, quartos. A casa é incrível, dá vontade de morar nela e tem muito deste casal especial - vale a visita, nem que seja para ficar à sombra das árvores do quintal, nos banquinhos - uma delícia.

Comprei a cerâmica com a certeza quase mística de que ela não iria ao Rio. Quando decidi por este apartamento, fiquei no meio do caminho mais uma vez, na ponte-aérea entre fincar os pés na minha cidade de origem e ver como reagiríamos - uma à outra - em uma nova convivência ou seguir na minha cidade de adulta, de trabalho, de novos amigos e das maravilhas que todo o mundo grita por aí - um tanto exageradamente. O mundo mudou, pandemia, tudo o que já sabemos neste cinco meses de ficar em casa e, como já contei antes aqui, também mudei e vim, de fato morar na Bahia. A cerâmica foi para a parede certificando que quem passa por minha porta é sempre boa gente e encontra aqui um caminho sossegado e gostoso.

uma folhinha de cada vez
Os móveis chegaram, a casa vai tomando a minha forma, estamos nos apaixonando e à espera da abertura lenta e gradual - sempre que penso na expressão, lembro da perestroika e glasnost - da cidade, o que já vem acontecendo. Os números da pandemia assustam, mas os avanços das vacinas dão um sopro de esperança a uma suposta normalidade futura. Enquanto isso, cultivo minhas plantinhas, busco trabalho e ativo este blog com prazer, cultura e informação.

Em meio à mudança, recebi muita coisa que estava guardada na casa dos meus pais e encontrei minhas agendas antigas, os diários da adolescência e dos vinte anos - reconheci uma Tati super firme e decidida, mas também melodramática e volta e meia apaixonada por algum mocinho - de Keanu Reeves aos garotos da escola. Tenho trazido algumas destas histórias por aqui, como um resgate íntimo de uma escrita crescente e divertida. E as calças jeans que não cabem mais e insistia que um dia entrariam em mim (da viagem de quando eu tinha 15 anos), finalmente doei - vida nova e de desapego! 

Mês que vem eu volto aqui, para, com sorte, contar o maravilhoso dia que em que voltarei à praia, que segue fechada. Mal posso esperar.
***

E você, como anda a vida por aí? Me conta?
Para ajudar a manter o Café, me paga um? =)
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Uma história de maio de 2007, cheia de atitude, crises existenciais, muita amizade e um pouco de infância. Tudo isso em muito poucas palavras. 
escrita-criativa
algumas das amigas de sempre

***
Salvador, 27 de maio de 2007

Amêndoas. É o sabor do novo chocolate lançado pela Garoto - Talento. Refinado, meio amargo, tem um sabor sutil e de personalidade. Como um café gostoso.

Um encontro com amigos de verdade no fim de semana. Conversa franca, as perguntas de sempre e novas discussões e a permissividade de participar de suas vidas. São os louros da curiosidade sincera e da preocupação com o outro.
Queria ter fins de semana de quatro dias. Queria poder encontrar mais pessoas e passar um monte de momentos longos. Queria esquecer cem por cento das preocupações e me garantir toda para a curtição e para os planos de dominação do mundo. Queria ser, ao mesmo tempo, Pink e Cérebro ou ter mais tempo para escolher quem eu quero ser. 

Mas não hoje. Porque hoje não dou ousadia a ninguém. Só dou silêncio e o trabalho de toda nova segunda-feira.
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Sabe aqueles livros que sempre falamos 'um dia vou ler' ou que figuram nas principais listas e mesmo assim, deixamos passar? Vim te ajudar com isso! Fiz uma lista com dez livros fundamentais, para começarmos do jeito certo e depois vamos ampliando. Topa? 


Os livros da lista são de tempos diferentes, países diferentes. A ideia era fazer um apanhado inicial de grande obras - não por tamanho, mas por qualidade - e que fossem gostosas de ler. Assim, ainda quem não tem o hábito da leitura tão vivo, consegue ir pegando o jeito. Aproveitei e, para facilitar ainda mais a vida, criei uma lista com os livros citados aqui, na Amazon. Então, se se animarem, está bem fácil! 

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Macbeth, William Shakespeare (1606)
Em algum momento dos anos anteriores, entrei em um curso sobre Shakespeare. Era um curso livre, desses de passar tempo e, como só conhecia a superfície de suas histórias, resolvi investigar. Porque não conseguia chegar no horário, que era próximo ao de saída do trabalho, abandonei as aulas, mas comprei os livros. Macbeth é o que mais me impressiona e dá medo. Dá medo, porque há um caráter realista nesta tragédia de ambição e cobiça. A traição que comete Macbeth e o faz subir ao poder pelo assassinato parte da mesma raíz da maldade que leva, na história, ao seu descalabro. Os seres humanos não psicopatas, não perversos, ao cometerem quaisquer atos dessa ordem, não retornam ao que eram antes. Algo resvala e se imprime com força em suas carnes. É o que acontece aqui. E é este resvalar, nos fantasmas e nos delírios, que me mete medo, porque é psicológico, ainda que visível. Macbeth foi escrito no século XVII e é atemporal, além de ser uma das maiores obras da literatura e do teatro já escritas. Curta, mas que nos marca assim, como a mim aconteceu, para sempre. Esta edição da finada Cosac Naify é esplêndida - com posfácio de William H Auden e tradução de Manuel Bandeira.

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Orgulho e preconceito, Jane Austen (1813)
Elisabeth Bennet é uma aspirante a escritora em uma família grande, com muitas irmãs e pouca relevância social. A intenção de seus pais é que ela, assim com suas irmãs, se case para que consigam se manter e evitem a ruína. Por outro lado, nossa heroína tem dificuldades em encontrar alguém à sua altura e seu par romântico guarda preconceitos de classe e sociedade. O texto de Jane Austen é brilhante, trazendo os costumes e comportamentos da Inglaterra do século dezenove de forma crítica e sem perder seu humor irônico e elegância em uma escrita supostamente simples. Ela foi uma das vozes primordiais a tratar sobre gênero e suas desigualdades da era georgiana e Orgulho e Preconceito é seu livro mais famoso, conhecido em todo o mundo e que serviu de influência para grandes autores e outras obras. Virou filme em 2005, ótimo, por sinal, com Keira Knightley. Leia o livro antes.

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Frankenstein, Mary Shelley (1823)
Mary Shelley tinha 16 anos quando conheceu seu marido, com então 21, o poeta Percy Shelley. Naquela altura ela apenas convivia no meio literário, mas anos depois, após uma viagem à casa de Lorde Byron, ganhou inspiração e escreveu Frankenstein, lançado em 1823. O livro é tido como terror e também como ficção científica - em tese, o primeiro do gênero no mundo, mas vai além. Frankenstein é sobre solidão, adaptação a um mundo enquanto renegado, um órfão que vive à margem, no desprezo e escárnio social. É um livro brilhante, um clássico que ultrapassa séculos e se mantem atual. Uma delícia de ler, uma escrita rica e vibrante. Se puder, leia em inglês.

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Madame Bovary, Gustave Flaubert (1856)
Um livro que eu não sabia que me prenderia tanto. Uma história sobre uma mulher em desencanto que busca uma saída para viver de acordo com o que considerava útil e prazeroso, para além das obrigações e deveres impostos desde sempre. Madame Bovary queria viver uma vida de emoções, de cidade grande e não do interior rural onde sempre esteve. Ao casar-se com o sr. Bovary, acreditou que teria seu sonho de romances sentimentais lidos ao infinito, realizado. Sendo mulher, vivendo à mercê do marido satisfeito com quase nada, o oposto, a desilusão, os encantamentos esporádicos, as traições de muitos vão transformando e transtornando nossa heroína. O livro é imenso em qualidade, nos traz a qualquer época: as dores e alegrias desta madame são universais. O livro gerou tanta controvérsia por seu realismo nas décadas finais do romantismo, que o autor teve que ir em defesa dele, junto com ninguém menos do que Charles Baudelaire. Nesta edição da Penguin tem tudo isso e ainda o prefácio de Lydia Davis. Uma obra impressionante. 

alienista
O alienista, Machado de Assis (1882)
Não tem nem cem páginas e é uma das maiores obras da literatura mundial. É com essa frase de efeito que começamos a conversa aqui. Machado de Assis é um dos autores brasileiros mais celebrados que existe. Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro são apenas dois exemplos de sua vasta e célebre carreira. Contista, cronista e ficcionista, o homem sabia muito como transpor sua visão da sociedade da época em texto. Neste conto ou história curta, conhecemos Simão Bacamarte, um médico que funda a Casa Verde em Itaguaí, um manicômio. Com o andar da descrença e dos exageros  de uma sociedade que se perde, não sabemos mais se os doentes são os internados ou os que habitam livremente a cidade. Uma história que vale para qualquer tempo, que se impõe com uma atualidade desconcertante em tempos de descaso com a ciência somados aos arroubos de uma governança inepta. Machado de Assis é sempre imprescindível e urgente.

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O médico e o monstro, Robert Louis Stevenson (1886)
Sessenta a três anos depois de um "clássico de monstro", o escocês Robert Louis Stevenson cria um médico atormentado entre seus desejos e uma sociedade repressora e moralista. É aqui que O médico e o monstro surge, criatura e criador como Frankenstein, sob outra ótica, como a dualidade de todo indivíduo levado ao extremo. O médico e o monstro - O estranho caso do dr. Jekyll e o sr. Hyde - já foi livro da semana por aqui. É uma resposta à pergunta: se você pudesse fazer qualquer coisa acima da lei, você faria? Pouco mais de 150 páginas e muito o que pensar. A resenha está aqui!

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Os meninos da rua Paulo, Ferenc Molnár (1906)
Quando viajo para algum país novo, gosto de comprar algum livro de um autor de lá. Assim, fico com um pouco do ar, do clima daquele lugar por mais tempo. Assim, quando fui à Budapeste, trouxe a versão em inglês deste Os Meninos da Rua Paulo. O que eu não sabia, não me lembrava de forma alguma, é que já havia me interessado pela obra antes e tinha comprado a versão em português. Doidices à parte, fiz bem. Dei a versão gringa de presente e fiquei com essa. O livro é de uma ternura sem fim e sem diminuí-lo: é, na verdade, sua força. A infância de brincar na rua, as aventuras urbanas, uma história para quem tem coração aberto e que, mesmo assim, traz fortes emoções. Escrito lindamente, nos prende, como se nós mesmos voltássemos às nossas histórias de décadas passadas, possivelmente algum parente seu, mais velho, já leu e gosta também. A resenha segue aqui!

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A revolução dos bichos, George Orwell (1945)
Um livro excepcional. Curto, simples de ler, direto ao ponto. A Revolução dos Bichos é uma imensa crítica social embalada em uma fantasia. Em uma fazenda, os animais se revoltam com suas condições de vida e trabalho e resolvem assumir o poder, expulsando o dono humano. Esta revolução cria uma comoção local - os fazendeiros do entorno passam a se sentir ameaçados, com medo que esta nova onda se espalhe. Ótimo livro para o momento, mesmo sendo escrito em 1945, nunca foi tão atual, da mesma forma que 1984, lançado anos depois. Dois clássicos fundamentais. A resenha desta Revolução está aqui.

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A sangue frio, Truman Capote (1965)
A Sangue Frio conta a história do massacre de uma família no Kansas e da vida dos assassinos, no corredor da morte. O livro é impressionante e a intimidade que o escritor cria com os criminosos põe em cheque questões impensadas na época. Além da forma brilhante de contar, própria de Capote, o livro nos inspira e transforma, quando pensamos em o quanto se deve pesquisar e até onde ir para chegar às verdades de um fato - inclusive se reinventando enquanto escreve. Impressionante, a maior obra do autor, que também escreveu Bonequinha de Luxo, anos antes, em 1958. Os dois livros viraram filmes, em 2015 o primeiro, com Phillip Seymour Hoffman e o segundo, que virou clássico, com Audrey Hepburn em 1961.

Cem anos de solidão, Gabriel García Márquez (1967)
Cometi o amadorismo de emprestar a minha cópia para alguém e ela se perdeu neste mundo de meu deus. Com isso, pedi licença ao autor para ilustrar estes comentários com a capa de outro livro seu, que deixo quietinho, com o título coberto (mas é O amor nos tempos do cólera, que também é um grande livro - risos). Sigamos! Obra mais jovem desta lista, Cem anos de Solidão é indiscutivelmente um clássico imenso da literatura colombiana, latinoamericana e mundial. Gabriel García Márquez sempre foi um dos maiores contadores de histórias e esta é sua obra máxima, sobre a família Buendía, uma saga de todos os tempos, com traços surrealistas próprios de um mundo entre uma realidade dura e o sonho que torna tudo tolerável. Lindo, vale conhecer as hereditariedades, a importância da família como legado e herança - nem que seja apenas de histórias e aprendizados. Também já foi livro da semana aqui mesmo, vale a visita.

***

Já leu algum destes? Me conta o que achou? Segue novamente a listinha para facilitar, caso se interessem em comprar. Ah! E não deixe de passar no Buy me a Coffee para garantir aquela dose de cafeína necessária para vivermos melhor =)
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Segunda terça-feira de agosto e sabe o que isso significa? Que nosso Artista de Cinema está de volta! Hoje trago cinco de seus grandes filmes, para conhecer a versatilidade de suas capacidades criativas.

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Wes Anderson
Para quem perdeu a introdução, este é Wes Anderson, um diretor que imprimiu uma marca específica no cinema norteamericano. Sua filmografia ainda não é extensa, provavelmente por precisar de um tempo de maturação das obras e de poder juntar seus colaboradores de sempre e da vida, como Owen Wilson, Roman Coppola e Jason Schwartzman. Vamos ver aqui cinco de seus incríveis e inusitados filmes. 

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Três é Demais - Rushmore (1998)
Max Fisher (Jason Schwartzman) é um aluno bolsista na escola preparatória Rushmore. Ele não vai bem nas matérias e talvez perca o ano, mas cumpre diversas atividades extracurriculares, o que lhe dá algum mérito. Neste meio tempo, ele conhece Herman Blume (Bill Murray) um magnata que atravessa uma depressão e Rosemary Cross (Olivia Williams), uma professora da escola. Além deles, há outro interessado em Rosemary, Dr. Peter Flynn (Luke Wilson). É nesse clima de disputa em uma escola que o filme se desenrola. Segundo longa de Anderson, com roteiro de Owen Wilson e do diretor, o filme ainda não tem aquela grandiosidade na direção de arte e figurino que marcará sua carreira, mas os diálogos e o desenvolvimento de personagens bastante particulares e interessantes se percebem aqui. O tom de comédia que marcará sua carreira também já se apresenta como algo estabelecido desde sempre, provavelmente um traço da personalidade do diretor e de seus amigos - dá vontade, inclusive, de fazer parte dessa turma. O filme está no Google Play e o trailer, aqui.

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Viagem a Darjeeling (2007)
Um dos meus filmes preferidos, ele junta tudo o que é legal: é um filme de estrada (de trem, mas é), tem o roteiro e tudo de ótimo que nosso artista de cinema faz e junta esse trio maravilhoso, Adrien Brody, Owen Wilson e Jason Schwartzman. Aqui, eles são três irmãos que vão a Darjeeling, na Índia em uma viagem proposta por Francis (Wilson) para que voltem a ser também amigos, ao invés de irmãos afastados. Inteligente, mais uma vez com grande roteiro e personagens deliciosos, o filme é uma delícia de assistir, e nos deixa com o coração aquecido. Viagem a Darjeeling está no Google Play. Confira o trailer aqui. Há um bônus para quem vai assistir Darjeeling, o curta Hotel Chevalier conta um pouco a 'pré-história' de um dos personagens até o reencontro dos irmãos. Vem ver!

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Fantástico Sr. Raposo (2009)
O Fantástico Sr. Raposo é a primeira animação a que Wes Anderson se propõe a fazer. Adaptação literária do livro homônimo de Roald Dahl, conta a história de uma família de raposas em que o pai (George Clooney), antes um orgulhoso ladrão de galinhas, se vê responsável e por pressão da esposa (Meryl Streep), larga o ofício e vira um bom jornalista que quase ninguém lê. Buscando melhorar de vida, retoma o velho hábito e coloca a família e um grupo de roedores em apuros. Mais uma vez, Jason Schwartzmann e Bill Murray retornam ao elenco junto com os já citados, somando-se ainda o próprio diretor e Willem Dafoe. Para quem já está familiarizado com o estilo do autor, é uma novidade gostosa ver a animação que se abre também para o público infantil. Uma grande obra sobre a natureza que nos compõe, companheirismo, família e senso de comunidade. O filme está no amazon prime e o trailer, aqui.

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Moonrise Kingdom (2012)
Aqui, em termos de direção de arte e figurino, é uma imensa obra do diretor. Com elenco espetacular (Bill Murray, Jason Schwartzmann - risos - Bruce Willis, Frances McDormand, Tilda Swinton, Edward Norton e os jovens, Jared Gilman e Kara Hayward), em Moonrise Kingdom tudo acontece em um acampamento quando Sam (Gilman) se corresponde por carta com Suzy (Hayward) e decidem fugir juntos do local. O acampamento então se une para a busca e resgate dos dois. Um retorno à infância, aos filmes de ingenuidade e que vale para todas as idades. É realmente delicioso de assistir, com muitas peculiaridades e a fantasia de uma idade terna onde tudo é possível. Vale cada minuto. O filme está no amazon prime. O trailer, aqui e minha crítica também.

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Grande Hotel Budapeste (2014)
Outra grande obra do nosso já mais do que consagrado artista de cinema é Grande Hotel Budapeste. Com uma narrativa brilhante e novamente a marca registrada da direção de arte e figurino bastante particulares e caras a Wes Anderson, junte se a isso, o elenco (Jude Law, Tom Revolori, Edward Norton, Jason Schwartzman, Harvey Keitel, Bill Murray, Saoirse Ronan, Ralph Fiennes, Mathieu Amalric, Adrien Brody, Willem Defoe, Jeff Goldblum, Tilda Swinton, Tom Wilkinson, Lea Seydoux e mais) e o desenvolvimento de personagens. É impressionante como seus filmes são sempre ascendentes em qualidade e, mesmo os primeiros, já são muito bons. Zero (Revolori) era o 'lobby boy' do hotel em seus tempos áureos. Anos depois e hoje gerente do hotel decadente, ele encontra-se com um escritor (Wilkinson) e conta a sua história quando um grande concierge (Fiennes) era seu chefe. Não falo muito, deixo a crítica para decidirem. O filme está no telecine play, o trailer, como de costume, aqui.

Em 2018, Anderson lançou Ilha dos Cachorros, outra animação em stop motion e este ano sai The French Dispatch, para nosso deleite. Aproveita essa temporada e investe no diretor, porque vale muito a pena. Acompanhe nossos artistas de cinema todo mês. Doses de cafeína turbinadas com um pouquinho dos melhores nomes do cinema mundial.

E em tempo, me paga um cafezinho? =)
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de-primeira-viagem

Quando eu fui ao médico, descobri que estava na 5ª semana (para quem não sabe, se conta a partir do primeiro dia do último período menstrual), ou seja, 1 mês de gestação. No sistema irlandês de saúde, as consultas de acompanhamento se dividem alternadamente entre o clínico geral e o hospital que você escolhe para fazer o parto (inicialmente, de 4 em 4 semanas e mais perto da data do parto, a cada quatorze dias). Você vai ao médico assim que desconfia da gravidez para dar entrada no processo chamado de Maternity and Infant Care Scheme (Plano de Cuidados - Maternidade e Criança), e o consultório médico entra em contato com o hospital que você escolhe. O hospital marca a sua consulta, e você recebe a informação por carta (isso mesmo, Correios!) entre a 12ª a 20ª semana de gestação. Por que? Não sei, só sei que é assim.

Porém, com todo esse planejamento, para mim foi uma saga conseguir a primeira consulta no hospital. Chegou a 12ª semana de gestação e nada de receber a tal cartinha. Olhava a caixinha de correio aqui do prédio e nada, nem um lembrete. Pouca ansiedade? Magina! Então, já que nada do hospital entrar em contato, eu liguei para o consultório do clínico geral, já que eles tinham me informado que iriam dar início ao processo com o hospital. Eis que eles me mandam um e-mail com um formulário que eu deveria preencher e mandar pro hospital. Por que não me mandaram isso antes? Como nada na vida é simples, tenho que imprimir o formulário para preenchê-lo e eu não tenho impressora. E mais: onde eu vou arrumar um lugar no meio da quarentena para imprimir isso? Na dúvida, entrei no site do hospital e lá eles informam que se você não tem como imprimir, você pode solicitar que eles enviem o formulário pelo correio. Tipo Kafka. E lá vou eu mandar um e-mail para o hospital, para que me enviem o formulário pelo correio. No dia seguinte, eles já me responderam que iriam me enviar e, na mesma semana, o recebi. Aleluia irmão!

Preencho o bem vindo formulário e mando outro e-mail para o hospital, já que pedem para mandar cópias de documentos (identidade, comprovante de endereço etc) para perguntar se posso enviar tudo por e-mail, já que, como sabemos, não tenho como tirar cópias dos documentos, mas tenho todos no computador. Eles aceitam, tiro foto do formulário preenchido e anexo junto com os documentos no e-mail. Novamente, aguardar a cartinha do hospital para saber quando eu tenho que comparecer lá para fazer todos os exames. E, finalmente, uma semana depois, recebo a tão esperada carta com a data da consulta para daqui a sete dias! Enquanto esperamos, conto para os amigos da vida as novidades da gravidez - afinal, já se passaram 12 semanas - e até aposta para saber o sexo do bebê acontece! Como era de se esperar, tá todo mundo bem dividido. Você diria menino ou menina?

Ah, a consulta? Conto no próximo capítulo. =)

***
Quem escreve

Camila Castro (Cam, Camy, Camis, Camilinha) é engenheira de produção e vive com o marido e o futuro bebê em Dublin, na Irlanda. Potiguar, morre de saudades do calor nordestino, das comidas e dos amigos de todos os lugares, mas encontrou seu cantinho no mundo para tocar a vida com mais tranquilidade. Você a encontra no linkedin e no facebook. Fala com ela!
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Olá! Trago mais uma grande reflexão direto dos meus dezessete anos, entre as leituras, os diários e o que contar. Um pouco de tudo em uma época que - pensando hoje - parecia não acontecer nada. As páginas, entretanto, seguiam sempre cheias. 
páginas da agenda de 2000
07 de fevereiro de 2001

Eu estava hoje a pensar sobre os famosos diários que viraram livros e são super vendidos e falados por aí. Ainda não li nenhum. Ou melhor, acho que um, mas não me recordo qual. Já sei! Acho que foi aquele livro do Jostein (Gaarder, Através do Espelho), da garota que tinha uma doença e vivia na cama, escrevendo em seu diário.

Aquela garota supostamente escrevia coisas belíssimas e inteligentíssimas, o que me fez pensar que só escrevo futilidades. Caso resolvessem fazer de algum diário meu um livro, acho que seria vergonhoso. É por isso que, às vezes, procuro escrever coisas mais inteligentes e até, bonitas.

Acho que consigo fazer isso. Mas acho que esse tipo de preocupação é que é ainda mais fútil. É preciso ser eu mesma. 

*neste dia eu assisti Uma Relação Pornográfica (1999), no Iguatemi. O ingresso do cinema está colado na página.
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Demorei, mas cheguei! Agosto veio com tudo aqui em Salvador, aquele mês longuíssimo, mas que entrou corrido na minha semana. Muitas mudanças que contarei depois, mas, antes de mais nada, é hora de apresentar o Artista de Cinema do mês!

Wes Anderson
Este rapaz com cara de francês é o texano de Houston, Wes Anderson. O diretor e roteirista é responsável por trazer um cinema americano específico em estilo e narrativa, o tornando um 'autor' dos tempos modernos. Seus filmes são sempre de comédia, com um humor peculiar em texto e performances de quase sempre os mesmos atores. A importância do diretor recai em seu talento, ao nos carregar para vivermos histórias inusitadas e divertidas.

Curiosamente e de acordo com o imdb, seu filme favorito é O bebê de Rosemary (1975), de Roman Polanski. Aqui entram algumas questões que mencionarei brevemente, porque não são o foco. Um é nomear um filme de um diretor 'maldito' como o melhor da vida. Não precisa ser polêmico, mas precisamos discutir as obras destes diretores, que talvez infelizmente, fazem grandes filmes. Digo isso, porque, como pessoa que gosta/estuda/vive de cinema é um sofrimento mesmo lidar com filmes maravilhosos e diretores com histórias de vida bizarras, para dizer o mínimo. Em segundo, e agora cito outro diretor complicado, há uma semelhança em gosto entre Anderson e Allen, dois autores de comédias - completamente diferentes em estilo e forma - que se inspiram em dramas e os têm como referência. Enquanto nosso Artista de Cinema elegeu um dos maiores filmes de Polanski, Woody Allen sempre quis e ensaiou se aproximar de Ingmar Bergman, seu grande ídolo de todos os tempos. Depois de muito tentar, ficou a certeza de que seu caminho é outro. 

Depois deste imenso e talvez desnecessário parêntese, Wes Anderson traz um pouco de suas histórias pessoais e amigos para seus filmes. Três é demais (1998) reaproveita os nomes dos colegas de escola, Owen Wilson é seu amigo desta época e junto com Luke Wilson, o irmão, participam em alguns de seus filmes. Há quase sempre o mesmo elenco, com Jason Schwartzmann, os Wilson, o sempre incrível Bill Murray, Tilda Swinton, Adrien Brody e por aí vai. Essa familiaridade, quando passamos a acompanhar a filmografia do diretor, gera um conforto e a expectativa de que reencontraremos velhos amigos para viver uma nova história. 

Dos filmes do diretor, gosto muito de Três é Demais (1998), Viagem a Darjeeling (2007), Moonrise Kingdom (2012) e Grande Hotel Budapeste (2014). Além desses, há outros ótimos e vamos falar deles em breve, inclusive do aguardado The French Dispatch. Aproveitemos este agosto para conhecer as produções do diretor, que sempre traz uma forma inusitada, um clima diferente, ao contar suas histórias, com grande investimento em direção de arte e figurino. Este artista de cinema é, realmente, especial. Vou até colocar o poster do novo filme, só para ficarmos na vontade.
wes-anderson-2020
The French Dispatch (2020)
***

Para conhecer os artistas de cinema de maio, junho e julho, é só clicar nos meses e aproveitar!
Semana que vem, volto com mais informações, dicas e curiosidades sobre nosso novo 'convidado'. :)
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Olá! Hoje vim trazer uma novidade boa para todo mundo! Ainda é algo que estou testando, para ver se funciona direitinho e passa a me ajudar a continuar produzindo conteúdo aqui para o Café e para as redes sociais. =)


É sempre um prazer escrever aqui e acho que isso fica claro, com o cuidado, a atenção e as novidades que sempre aparecem. Os assuntos fazem parte do meu dia a dia desde que escolhi a formação em Cinema e os cursos que vieram em seguida, as duas pós-graduações - em Cinema e em Letras - as experiências profissionais, as escolhas de lazer e ócio. A cada dia, me veem mais ideias de projetos e assuntos a tratar e o blog me toma por completo, se traduzindo em alegrias e muito esforço, mostrando que é algo que poderia e posso fazer como um trabalho permanente e oficial.

Enquanto isso não acontece, é preciso encontrar saídas. Uma delas, em processo, é a busca por um trabalho que garanta as contas e as economias - ocupará parte de meu tempo, mas é a garantia do básico para viver, enquanto o Café não é rentável. A outra, é contar com o seu apoio, que participa junto comigo destes assuntos que nos deixam entretidos por horas, que curte cultura e comunicação e uma conversa boa acompanhada do melhor café. E é aí que entra a novidade do momento!
Não é a invenção da roda, mas é a primeira vez que faço isso, então vou explicar um pouco. Buy me a Coffee é uma forma de contribuir para que eu continue encontrando projetos e conteúdos interessantes para trazer para o Café. É uma forma de me ajudar, com o preço de um cafezinho bacana, como um estímulo e suporte a esse trabalho. 

Não é obrigatório e nem uma mensalidade. Não é também uma sociedade. Este tipo de apoio é super comum entre os produtores de conteúdo - especialmente na Europa e Estados Unidos, onde as trocas são mais frequentes. Há estas opções, inclusive, de patrocinadores / apoiadores mensais, mas não é nosso caso. Aqui é tudo mais simples: você me paga um cafezinho se, quando e quantos quiser, sem cadastro prévio, via paypal e, se não me engano, débito ou crédito - tudo direto na plataforma do Buy me a Coffee (BMC). Essa força, que custa quase nada justamente para não onerar ninguém, também contribui para manter o blog limpo e com pouquíssima publicidade que, convenhamos, irrita quem busca conteúdo. Ofereço em troca, conteúdo exclusivo e personalizado para quem contribuir. Clicando no botão do BMC neste post ou na coluna lateral do blog, você acessa diretamente o perfil do Café: extraforte na plataforma do Buy me a Coffee. 

É isso! Vou acompanhar o andamento desta nova ideia, ver se funciona e, com isso, vou incrementando os brindes para quem participar. Ideias não faltam, mas é preciso implementá-las aos poucos, para não terminarmos com xícaras de cafés frios espalhados pela mesa :)

Se tiverem dúvidas, sugestões, alternativas, é só chamar! Me manda um e-mail ou comenta aqui embaixo mesmo. E, antes de mais nada, obrigada pela companhia!
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sylvia-szekely

Observo que aqui no Brasil os textos e informações relacionadas às pessoas negras estão ligadas diretamente a uma perspectiva de enternecimento. Essa perspectiva se refere essencialmente à dor. Jamile Borges, professora e pós-doutora em estudos étnicos e africanos, chama de patrimonialização da dor: “No Brasil, ao lidar com a memória da escravidão, há uma tendência a se fazer a musealização da dor, em vez de evocar a resistência” (Folha de S. Paulo, 13/05/2019). Isso dura até hoje. 

Mas, será que a sabedoria dos meus ancestrais foi perdida para sempre no conhecimento padronizado daquilo que nos foi ensinado? Certamente não. Todavia, se pensarmos que a historiografia oficial romantiza os jesuítas no processo colonizador, subestimado e excludente dos povos indígenas; se credita à princesa Isabel o resultado pela abolição, com o 13 de maio contado sob a perspectiva dos vencedores – das oligarquias e classes médias brancas – sendo esses apenas dois fatos citados aqui dentre muitos, fica a dúvida. Isso, sem contar com todo o processo de formação do povo brasileiro, mas não é o foco do presente texto. 

Temos muitas questões sobre o processo colonizatório, que nos colocou em um lugar e a humanidade em outro. Nós, pessoas negras, não fazemos parte dessa humanidade. Fomos colonizados para servir a ela. Fomos cerceados. 

Nossa humanidade é outra. 

Podemos dizer, por outro lado, que a força epistemológica de apagamento da nossa história está no patamar crescente de mudanças, “o papel dos intelectuais, trabalhadoras e trabalhadores, cientistas negras e negros está sendo recuperado.”, como ressalta ainda, a profa. Dra. Jamile Borges. 

É claro que precisamos falar das nossas dores, até porque elas ainda são causadas diariamente. Mas também é preciso resolver, reparar, fazer, mudar, acabar. E essa é a responsabilidade dessa humanidade que nos colonizou. Agora, ela deve se reeducar. Sem isso, não vejo o tão sonhado mundo melhor. 

Imprescindível é falar sobre o significado de nossas vidas, o que nos permite a descolonização, o novo conhecimento, para então vivermos em nossas humanidades. É falar sobre o que nos mantêm vivos. E dizer que sempre resistimos, mas vocês nunca souberam. 

Nossas famílias sempre existiram. Ainda que a formação fosse essencialmente de mulheres em exercício duplo do materno e paterno, sempre mantiveram a solidez nas estruturas, com respeito aos mais velhos e muito, mas muito amor. 

Tivemos infâncias recheadas de peraltices, de amigos e amigas, de viver plenamente o lúdico e o realismo mágico. Temos nossas felicidades. Vivemos paixões exacerbadas, dançamos loucamente até a música não parar de tocar. 

Amamos bons papos e ótimos drinks. Sem falar das cervejas estupidamente geladas. Ah, e amamos comer. A comida nos define e muito. Faz a nossa cultura. Sem falar das nossas espiritualidades que atravessaram oceanos e definiu muita coisa aqui nesse Brasil. E é através delas que o nosso povo permeia os nossos fundamentos. 

Somos muitos e muitas. Acredite nisso. Há quem ainda não sabe que faz parte dessa grande teia de brasis enlaçada pelo continente africano, tão pouco visto, revisto, homenageado, respeitado e estudado por nós. O meu Brasil quer Madagascar, Nigéria, Gana, Benin, Congo, Costa do Marfim, Etiópia. São 54 nações em um só país. Vocês têm noção disso? 

A nossa humanidade permanece em busca daquelas e daqueles que fazem parte de nós. De saber quem somos. E sabemos bem o que queremos. 

“E a luta não acabou, nem acaba aqui. Só quando a liberdade raiar” (Edson Gomes – Lili).


***
Quem escreve
Consuelo Cruz é baiana, formada em Letras Vernáculas e apaixonada por literatura. Era o que mais gostava de estudar e pesquisar. Radicada no Rio de Janeiro há 14 anos e a sua área de atuação é o audiovisual.Trabalha na área de conteúdo dos canais Globo. Você a encontra aqui.
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Olá! Estou de volta com as atualizações de serviço aqui do Café. Enquanto ele não se torna o sonho da casa própria de ser uma cafeteria de verdade, sigo servindo doses de café e conversas virtuais em forma de dicas de filmes, livros, séries e Cadernos Especiais.

cafe-extraforte-blog

Aproveito aqui para falar do que ofereço no Café e de porque é legal seguir mantendo ele ativo e cheio de histórias para contar! Além das dicas, há uma oferta ampla de literatura e críticas de filmes e alguns projetos em andamento que ainda aparecerão aqui, então deixo uns links nos títulos abaixo para explicar um pouco mais e facilitar o acesso:

Amigos que Escrevem
A melhor ideia que tive na quarentena. Tenho muito orgulho dos meus amigos, são minhas melhores escolhas, meus parceiros da vida junto à minha família. Não fosse isso suficiente, comecei a perguntar a alguns, durante o isolamento social da pandemia, se eles não gostariam de escrever textos livres, que se relacionassem ou não com o momento que vivemos - que quisessem apenas experimentar a escrita como um prazer, uma distração. A grande surpresa veio com o retorno maravilhoso e vasto de muitos deles, transformando o espaço em um painel imenso e criativo de grandes ideias, contos, confissões, crônicas, artigos, poesias, diálogos. Clica no título que você chega neles.

Antigas Agendas
Isso é uma brincadeira de lembrar, quase um jogo da memória. Reencontrei minhas agendas e diários antigos e trago um pouco da menina e jovem adulta de anos atrás para o Café como histórias divertidas em uma escrita livre e desprovida de critérios. Tem muita coisa engraçada, e espero que não seja assim só para mim. Vou deixando uns trechos e relatos por aqui, para vermos o que acontece.

Contos e Crônicas
Uma veia literária que não me larga. Deixo aqui minhas crônicas e contos, aquelas inspirações que nos dão e com um pouco de criatividade para extravasar. Vem, lê e me fala o que achou? Além delas, há mais surpresas pela frente, um dia conto tudo aqui.

De primeira viagem
Camila Castro é uma das minhas grandes amigas da vida. Nos conhecemos no Rio de Janeiro muitos anos atrás, ela é uma das melhores amigas de minha prima que mora em Salvador, e então nos unimos ali no Sudeste, como duas nordestinas orgulhosas e felizes. Hoje, ela mora em Dublin com o marido e este ano está grávida e esplêndida. No meio do caos, criamos um passatempo que serve a todos: viver um pouco o dia a dia dela através de seus relatos, uma brasileira em busca de trabalho, saindo da pandemia e grávida pela primeira vez. Uma delícia e uma descoberta dela como cronista.

Do lado de cá
Um paralelo com a vida de Camila é essa minha aqui. Até março, morava no Rio, estava quase entrando em um trabalho novo e pronto: cidade fechada, cultura e comunicação paradas, a proposta de trabalho ficou em suspenso e por prazo indeterminado. Com isso e baiana que sou, vim para Salvador passar o que seria a primeira parte do isolamento social que ainda não acabou, passados mais de quatro meses. Nesse meio tempo, fiz a mudança a distância e decidi morar por aqui por um tempo. É disso que falo, de como anda a vida #doladodecá, com tantas mudanças de uma só vez.

Livros
Livros é uma categoria auto-explicativa. Aqui falo de livros, dos que me inspiram e porque são importantes. Tem bastante coisa boa e diversa, que, apesar de ler mais ficção, me interesso por um mundo de outros temas e 'gêneros'. Com certeza tem algo aqui que lhe interessará.

Artista de Cinema
Dedico cada mês do ano a uma personalidade relevante para o Cinema, esse com letra maiúscula e do mundo todo. Uma biografia, melhores filmes, críticas e o que se enocntra de legal do artista pela internet. É um panorama para quem gosta de se inteirar um pouco mais sobre cinema, para além das dicas de filmes.

Cinema
Sou crítica de cinema há mais de dez anos, faço parte do Elviras - o coletivo de críticas mulheres do Brasil, já fui jurada em festival de cinema, trabalhei como coordenadora do júri em outro. É o que me aproxima da minha formação, paixão que não largo nunca. Uma versão do que consigo escrever na área, além de alguns roteiros e projetos. Tem muita coisa aqui e muito mais por vir.

Streaming
Tudo o que acontece de bom na Netflix e Amazon Prime Video está por aqui. A ideia era trazer dicas da maior parte dos streamings de audiovisual, mas com a mudança de paradigma e comportamento do consumidor, a oferta destes serviços cresceu bastante e, sendo a única produtora de conteúdo do Café, fica difícil dar conta de tudo. Elegi os mais populares para facilitar a nossa vida, ainda que eventualmente possa sugerir filmes e séries de outros dispositivos. Vocês também encontram boa parte das dicas no instagram.

Viagem
Este é o tema que está um pouco parado. Em meio ao caos em nossas vidas, as viagens sofreram graves abalos sísmicos e estão temporariamente suspensas. Tenho bastante coisa a trazer sobre o tema, particularmente das últimas viagens que, aos poucos, vou atualizando por aqui. Fiquem atentos, que vem coisa por aí!

Se tiver dicas e sugestões de conteúdos, do que posso fazer para deixar esta casa ainda mais gostosa e especial, é só acessar os comentários aí embaixo. Te espero! E há muito mais para acontecer aqui, fique ligado e nos visite com frequência, porque aqui não falta é assunto. :)

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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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