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Café: extra-forte

Enquanto o mundo demora a criar novos eixos - entrar nos antigos não é uma possibilidade - sigamos tentando manter a cabeça no lugar, a voz das revoltas e revoluções ativas, o pensamento crítico vibrante. Aguardemos um pouco mais em casa e aproveitemos as dicas de filmes e séries da Amazon Prime e Netflix no Café, bem como os Livros da Semana - todo sábado, por aqui.


Semanas atrás, a televisão queimou. No meio da quarentena mesmo, o sal do mar não perdoa. É uma coisa que precisamos aceitar na cidade e sem reclamar muito; a escolha de permanecer é nossa e com isso vem a natureza junto. O fato é que ela queimou pela maresia ou salitre, que são a mesma coisa, apesar de terem definições diferentes em cada lugar. Há muito tempo sem comprar nada e guardando grana por motivos óbvios, reconheci que não dá para viver com a cara no computador mais do que já vivo. Aceitei o destino e comprei online e parcelado um aparelho novo. Junto a ele, cinco livros de histórias e motivos completamente distintos entre si, uma prática de anos, coisa que não se muda e só ajuda a confundir nossos quereres, ao mesmo tempo que traz um caleidoscópio cultural pra dentro de nós. Para que se perceba a aleatoriedade que explicarei um dia, a lista foi assim: Noites Brancas, Dostoiévski, O médico e o monstro - o estranho caso de Dr. Jekyll e Sr. Hyde, de Robert Louis Stevenson, que já foi livro da semana aqui, O Amor é Fogo, de Nora Ephron, Meninos de Zinco, de Svetlana Aleksiévitch e Conversas com Escritores, de Ramona Koval. Como não está fácil para ninguém - mesmo estando infinitamente mais fácil para uns do que para outros - é preciso cultura para se manter razoavelmente sensato em uma pandemia e isolamento de mais de 70 dias. Vamos ao livro deste sábado.

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O amor é fogo, Nora Ephron
Sim, parece mesmo um livro de mulher. Aliás, é um livro de mulher de fato, é escrito por uma mulher, então me parece meio óbvio. Nora Ephron é a roteirista de Harry e Sally (1999, de Rob Reiner), apenas a melhor comédia romântica de todos os tempos, com o improvável casal Meg Ryan e Billy Cristal. Além de roteirista, escritora e produtora, Nora foi também diretora de filmes muito legais, que marcaram a vida de muita gente, como Sintonia de Amor (1993), Mensagem para você (1998) e Julie & Julia (2009). Heartburn é o título original do livro que ganhou essa estranha tradução e a capa absolutamente ridícula. 

A história é contada por Rachel uma escritora de livros que mesclam anedotas pessoais e familiares com receitas culinárias, o que parece ter dado muito certo. Casada com o segundo marido, um jornalista 'de assuntos sérios' e grávida de sete meses do segundo filho, ela descobre que ele está tendo um caso extraconjugal e a crise estoura. O que parece uma trama simples e quase besta, ganha outras proporções quando sabemos que muito o que está escrito ali, de fato aconteceu com a escritora da vida-real, como ela conta na introdução. Isso traz um peso interessante à trama, talvez por nos apegarmos a estas histórias de verdade e a levarmos mais a sério do que se fosse um romance. O livro é muito fácil de ler, tem ótimas tiradas e talvez faça alguma diferença lê-lo em inglês, mas a tradução não deixa a desejar. Uma coisa ótima de ler livros de quem escreve filmes, é que há sempre construções cenas, se torna muito fácil para nós criar os personagens, desenvolver seus perfis e tramas entre as situações ali descritas. Sem falar no ritmo, claro. Quem conhece os filmes da autora, sabe que diálogos e ritmo são características marcantes.

A graça deste livro de mulher com a ridícula capa (que, claro, está satirizando as donas de casa e as imagens estereotipadas da mulher, todo mundo entendeu, mas ainda assim, a Editora Rocco poderia ter  buscado uma crítica um pouco mais atualizada do que os tristes anos 50) está em suas entrelinhas. Em perceber como uma vida pode se transformar tão repentinamente, como tendemos a depositar em nós as culpas por tudo o que não fizemos, como sempre e ainda recai na mulher qualquer queixa e como é fácil ainda acabarem com a nossa imagem. Ao mesmo tempo, há uma sinceridade e leveza no texto, em meio à dor e ao caos. Nora é escritora de comédias românticas, as melhores americanas, e ela traz isso para o livro. Não apenas como uma comédia de costumes, mas como comportamento, com uma sinceridade em descrever pensamentos e ideias esdrúxulas em situações complicadas. Acontece a todas as pessoas, a gente só não comenta (ou comenta com os melhores amigos). O livro virou filme - e que filme - A Difícil Arte de Amar, com Meryl Streep e Jack Nicholson, cujo roteiro é de nossa autora e que vale muito a pena assistir. Um ótimo programa para a semana é essa dupla filme e livro - tendo conhecido os dois, recomendá-los é quase uma obrigação.
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Chegamos em junho, ainda em quarentena e com revoluções pequenas e grandes estourando em alguns países, enquanto o nosso segue tentando se firmar em meio à crise política e sanitátia. Aqui em Salvador, ainda há um tanto a aguardar, o governador Rui Costa (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM) estão nesta cruzada, ferrenhos e vigilantes para impedir o avanço da pandemia. É um alívio ver que, na verdade, o estado da Bahia inteiro caminha na mesma direção, independentemente de partidos e ideologias. O fato é que seguimos em casa, isolados e pacientes - e impacientes - aguardando dias melhores.  

Para seguir a vida nesta não tão nova rotina, é hora de conhecermos o Artista de Cinema de junho, uma mulher única no Brasil, uma força serena e firme, a dama e rainha do Cinema, da TV e do Teatro brasileiros, Fernanda Montenegro. 

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Fernanda Montenegro

Arlete Pinheiro Esteves da Silva se transformou em Fernanda Montenegro quando começou a escrever e trabalhar na rádio Ministério da Educação e Cultura (Rádio MEC), no Rio de Janeiro dos anos 40. Ao lado da rádio, funcionava o teatro amador dos alunos da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, onde ela entrou e começou a carreira de atriz. Entre os dois trabalhos, ela continuava no Berlitz, um curso de secreatariado onde estudou e depois trabalhou como professora de português para estrangeiros. Ainda naquele tempo - talvez seja marca de todos os tempos - não era fácil conseguir se manter como artista.

Na década de 50, aos 21 anos, começa profissionalmente sua carreira de atriz no teatro e em 1951 na TV Tupi, como a primeira atriz a ser contratada pela extinta emissora carioca. Casa-se com o ator Fernando Torres em 1953 e nos anos 60 nascem o diretor de cinema e publicidade Cláudio e a atriz Fernanda Torres. Ainda nos anos 50, a Tv Tupi transmitia peças de teatro e já ali a atriz participou de oitenta delas. Em 54, estreia na primeira telenovela da TV Record, A Muralha e em 1959 abre sua própria companhia de teatro, o Teatro dos Sete, com o marido, Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petruccelli e Alfredo Souto de Almeida. Daí em diante, Fernanda já era a grande dama da dramaturgia brasileira, status que nunca perdeu.

Com experiências em Cinema, Literatura, Teatro e TV, ela faz parte da história da cultura brasileira, tendo recebido mais de vinte prêmios em todas as mídias e trabalhado com quase todos os grandes nomes da cultura nacional de todas as décadas, como Nelson Rodrigues, Matheus Nachtergaele, Paulo Autran e muitos outros, já que ela, sozinha, era quase sempre o maior de todos. Sua importância não reside em ser emblema nacional, mas sim, como uma força cultural de resistência, de fomento à arte, ao povo e respeito pela profissão. Com 90 anos feitos em outubro de 2019, a atriz havia lançado um pouco antes seu itinerário fototobiográfico e agora sua autobiografia, um presente para nós, uma sorte de tê-la no país. Fernanda é uma força ativa no Brasil, confirmando que não existe idade para pensar e se manifestar criticamente à nossa infeliz situação política. 

Em isolamento na região serrana do Rio de Janeiro, ela indicou que está retomando sua agenda e que segue produzindo, nem que seja para a internet. Em todo caso, se mantém presente como voz firme nas mídias e entrevistas que faz. 

Há um infinito de coisas para falar desta atriz que não precisa de adjetivos. Nas próximas semanas, aumentaremos este arquivo com suas produções de destaque, premiações, livros, o que falam dela na mídia, o que ela mesma fala de si e dos outros, leituras poéticas e até seu instagram, que traz muito do que ela vem produzindo. É um prazer e honra fazer este ensaio de perfil para uma artista de cinema e dos outros meios. E que venham as cenas dos próximos capítulos!
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Ser radical é fácil, me vi falando com um vaso de plástico num dia qualquer. Ir até o extremo e só parar quando não há alternativa. Se o sujeito estiver disposto – Freud que explique – basta olhar o que poucos ou ninguém faz. Pular de uma ponte preso a elásticos ou praticar esportes que cansam só de pensar. Como se sente ao realizar tamanha proeza?, perguntariam repórteres na minha florida imaginação, e nem precisariam aguardar a resposta para escrever a matéria. Quis me desafiar e levar meu corpo ao extremo, eu teria respondido com um sorriso exausto.

Mais uma vez, eu esqueceria do óbvio que, sorrateiro, nos rodeia diariamente. De tão óbvio, ninguém realmente fala. Bem, falo agora, sozinha na sala de estar, diante da mobília entediada com meus devaneios. Eis que o verdadeiro desafio está na moderação. Simples assim.

Pensando bem, poucas coisas na vida poderiam ser mais complexas e, na ausência de público, repito a frase querendo me convencer e me livrar da culpa que persiste. Sigo meu monólogo, afirmando que o pouco e o muito, a gente logo repara: muito sal na batata, pouco molho na salada e por aí vai. Viu? Simples. Até lá, são muitas tentativas (e dores de cabeça) para entender onde está a tal moderação que as propagandas e rótulos de cerveja tanto falam. Convenhamos, exagerar é facílimo! 

Não obstante, a moderação exige-nos muito mais. Adianto que não é a primeira vez que me pego conversando (com o vaso de plástico?) sobre essas coisas e, às vezes, chego a formular linhas de raciocínio opostas, adubando-as regularmente com argumentos coerentes, de modo que após um tempo, ambas proveem frutos perfeitamente plausíveis.

Enquanto isso, sigo a rotina de regar demais as plantas, vítimas da minha total falta de moderação. Amanhã vou ao mercado comprar uma nova pimenteira prometendo, mais uma vez, ser como pedem  as embalagens de cerveja.

***

Quem escreve
Camila Paulino diz que lê melhor que escreve. Cada dia mais convicta de que George Orwell só errou o ano, busca a leveza do realismo mágico pra encarar o mundo. Adora quando indicam livros pra ela lá no instagram.
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Para ler agora, trouxe um livro diferente, um clássico destes que achamos que conhecemos a história toda mas, quando pegamos, um novo mundo se abre diante de nós. Tanta coisa eu não sabia sobre ele e, de tão bem escrito, faz pena ser tão curto. É o momento de conhecermos Dr. Jekyll e Mr. Hyde ou O Médico e o Monstro - o estranho caso de Dr. Jekyll e o Sr. Hyde.

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Publicado em 1886, estava pronto desde 1885, foi uma encomenda para o Natal, época em que era costume ler histórias de terror à beira das lareiras no Reino Unido. Robert Louis Stevenson, natural de Edimburgo - essa cidade maravilhosa que visitei e um dia comentarei por aqui - já era escritor de renome, mas ainda não havia conquistado sua independência financeira, lhe faltava um best seller. Este, em tese, não seria o escolhido, era pra ser uma história de consumo rápido cujo lançamento foi adiado por haver farta quantidade de escritos quando ficou pronto. Esse era o contexto do fim do século XIX, quando os textos tinham lugar de destaque na vida cultural e íntima das famílias. Era também o momento em que a psicanálise estava a uma década de seu 'nascimento'; suas ideias sobre a complexa mente humana já pairavam nas principais capitais europeias. 

Dr. Jekyll é um médico conceituado e de respeito na capital inglesa. Com amigos fieis, é sempre casa cheia, mas algo misterioso se passa em sua vida, que seus amigos mais próximos passam a notar sua ausência e reclusão. O médico fez uma amizade incomum com o Sr. Hyde, homem soturno e de aparência desagradável que provoca mal estar em quem lhe chega perto, como se uma energia negativa emanasse dele. Nesse ponto, lembramos imediatamente de Frankenstein, outro clássico magnífico, de Mary Shelley, que como este parece um relato de diários e agendas, mas se intensifica em uma narrativa fluida em 1823. Mas calma, sigamos em frente.

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O médico e o monstro, de Robert Louis Stevenson
O sr. Utterson, amigo de longa data do médico, seu advogado e guardião de seu testamento estranha que o documento o oriente a transferir todos os bens do médico ao Sr. Hyde, caso o primeiro venha a falecer. Há mais por vir, um crime cometido, uma atrocidade, desafios à moral e essa junção que dá nome ao livro: o médico e o monstro: indicações de supostas perversões por parte de um, enquanto o outro se mantém um grande e honrado cidadão. 

Há muito o que discutir neste enredo de pouco menos de 150 páginas. Não à toa, os críticos da época já assinalavam que era um livro acima das histórias de fim de ano, a côrte chegou a lê-lo, padres e pastores o utilizavam em sermões sobre a dualidade do homem, a luta entre o bem e o mal dentro de nós. Mas, não tratava apenas destes temas, como trazia o contexto da época, estratégia inaugurada pelo próprio Stevenson nos romances góticos. Antes deste, os livros tratavam de cidades afastadas, sorumbáticas, perdidas entre florestas densas e escuras e em outros tempos, em uma idade de trevas. O autor trouxe o terror para perto, para as avenidas cobertas de neblina e lama de Londres, das ruas mal iluminadas, dos bairros perigosos.  Ao mesmo tempo, não trouxe o sobrenatural, mas um relato íntimo, como o que fazemos em diários e agendas, sobre o comportamento humano, o que era aceitável e recriminável, a sexualidade, perversão e repressão. A forma escolhida para tratar disso foi nada menos que brilhante, especialmente ao lidar com aparência física - e agora lembramos de O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, que chega anos depois, em 1890 - e com as consequências de nossos atos.

O médico e o monstro não apenas é uma ótima distração - enquanto entretenimento - como facilmente a ultrapassa. Há muito prazer em ler, a construção da narrativa entre senhores respeitáveis e atos abomináveis, o fato de descobrirmos junto com os personagens o que vai acontecer, os temas e seus tratamentos e como dá vontade de sentar com quem já o leu e discutir por horas tudo o que não quero dissecar aqui, para manter o suspense e a curiosidade de quem for ler este romance gótico. 

 * * *

Quando terminar, me chama para um café? E enquanto isso, por que não passa no buy me a coffee e me oferece um? Assim consigo manter esse blog maravilhoso a um custo quase zero para todos =)
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Eu não sei vocês, mas uma imagem de café sempre me acalma o espírito. E tudo o que precisamos agora é de calma, para usarmos o tempo a nosso favor. Enquanto vivemos o isolamento, a quarentena desta pandemia no país com a pior política de combate à doença, sigamos com uma das coisas que temos de mais preciosas no mundo, e que às vezes não damos valor: a cultura. Sabemos que, em tempos de recessão, ela é a primeira que sofre mas, paradoxalmente, é uma das que mais se precisa, quando o ócio ultrapassa o tempo da preguiça gostosa e nos deixa um pouco vazios e entediados. Por isso, seguem aqui as dicas do Amazon Prime Vídeo, para nos alimentarmos com filmes e séries que valem a pena e fazem do nosso tempo, um momento de entretenimento, prazer e por que não, educação.

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Chef (2014)
Um filme que fala de uma profissão que vai aos extremos, do glamour de grandes restaurantes à lanchonete da esquina. Chef conta a história de um cara que pede demissão do restaurante em que trabalha pra resgatar a criatividade de que tanto sentia falta, comandando um food truck com a ajuda da família. Divertido, humano, gostoso de ver (pelas comidas e pelo ritmo) e ainda conta com um elenco estelar. Meio roadmovie, meio comédia, é tudo o que precisamos. Jon Favreau dirige, escreve e protagoniza o filme com Sofia Vergara, Scarlett Johansson, Bobby Cannavale, Dustinf Hoffman e Robert Downey Jr.. Em 2019, ele se empolgou com a história do filme e produziu uma nova série, The Chef Show, que será uma das dicas para junho, neste maravilhoso espaço.

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O bebê de Rosemary (1968)
Um clássico é sempre fundamental. Para o mês das mães, é uma piada e uma honestidade trazer esse filme, já que o amor da mãe por seu filho é genuíno. Rosemary (Mia Farrow) e Guy (John Cassavetes) acabam de se mudar para um novo apto e conhecem os vizinhos. Ela engravida enquanto ele ascende na carreira, tendo menos tempo para a esposa, que passa a estranhar a vizinhança. De 1968, é um filme brilhante e, mesmo sabendo do final, o que importa aqui é a construção do suspense, essa gestação tensa e ingênua que acompanhamos de perto. O filme é sensacional, um dos melhores de Polanski. E de Mia. Escola de cinema.

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Bem vindo aos 40
Saindo do horror para a comédia, aqui dá respirar, gargalhar e se identificar um pouquinho. Bem vindo aos 40 traz a história de Pete (Paul Rudd) e Debbie (Leslie Mann), um casal que está chegando à essa idade e mostram muita coisa do que vivemos e podemos viver em breve. Não tem como se fazer de jovem adulto, não é a melhor idade, é aquele meio termo que ninguém sabe direito como viver, mas vai levando, enquanto paga as contas e trabalha. Vale boas risadas. De Judd Appatow, diretor de outras comédias que seguem a mesma linha descompromissadae e que não ofende ningupém, Ligeiramente Grávidos (2007) e o Virgem de 40 anos (2005).

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Grandes Momentos
Esse filme é quase desconhecido por aí e é uma incrível comédia romântica. Alison Brie, a mesma do atratente, estranho e um tanto confuso Entre Realidades (2020) e da incrível série Mad Men (2007-2015), é Beth, que está às voltas organizando seu casamento, enquanto sua irmã Sarah (Lizzy Caplan) rejeita um pedido de noivado e tenta se entender e lidar com isso. É uma comédia não idiota que vai nos tomando pelas beiradas. Grande elenco, ainda que mais conhecido no cinema independente americano.

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Deus da Carnificina (2015)
Deus da Carnificina acabou sendo o segundo filme de Polanski na lista de maio, além de O Bebê de Rosemary (1968), logo acima. É uma adaptação da peça homônima ao cinema e traz dois casais se encontram no apartamento de um deles para resolver a briga que seus filhos tiveram na escola. Da educação ao descontrole, das famílias de bem e do bem, a graça é ver grandes atuações deste elenco impressionante (Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly) em um único ambiente. Direção precisa e inteligente, diversão tensa e garantida de quem faz cinema há décadas. 

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Rainha da Terra (2015)
Rainha da Terra (Rainha do Mundo) é um desses filmes que, mesmo nos deixando tensos, nos fazem entender a grandiosidade de seus atores. Cat (Elisabeth Moss, a Peggy de Mad Men) e Ginny (Katherine Waterston, de Romance de Manhattan, 2015) são melhores amigas e vão passar uma semana em uma casa de campo, para ajudar na recuperação da primeira, que acaba de perder o pai. Por trás dessa amizade de anos, há percepções distintas uma da outra e estando em um lugar isolado, tudo vem à tona. O filme só funciona por conta da força dessas atrizes que conseguem se transformar em seus personagens, imprimindo cinismo, depressão e inteligência de uma maneira única. É pra ver sabendo que não vai ser fácil, mas vai valer a pena. De Alex Ross Perry.

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Parceiras eternas (2014)
Mais um filme despretensioso que traz boas e interessantes reflexões. Da mesma forma que Frances Ha, aqui são outras duas amigas que estão buscando decidir o que fazer dessa adultescência, cada uma à sua maneira. As diferenças em cada uma, suas esolhas e dificuldades marcarão a independência de uma amizade que sempre começa com poucos quetionamentos sérios e depois se firma justamente por eles. Aqui, a trama surge quando elas terminam a juventude ‘segura’ da faculdade e entram no esquema 'profissional' da vida, quando nossas decisões parecem ser um pouco mais definitivas. Com Gillian Jacobs, Leighton Meester, Adam Brody e Gabourey Sibide.

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Mommy (2014)
Xavier Dolan é jovem, ousado e bom. Os filmes dele costumam também acompanhar essa tríade e Mommy impressiona. O drama gira em torno de um filho temperamental e, aparentemente com distúrbios de comportamento e vemos em sua mãe amor, dor e glória, como só as grandes mães do cinema sabem ser. Levou o prêmio do júri em Cannes e é impressionante, em ousadia técnica e narrativa. É dele também o maduro, ótimo e tenso, É apenas o fim do mundo (2016).

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Moonrise Kingdom (2012)
Moonrise Kingdom reafirma o estilo já conhecido e apreciado pelo mundo inteiro, de Wes Anderson. Todas as suas histórias são carregadas de tons de fábula, como histórias de criança para adultos... e para algumas crianças também. Esse aqui segue a regra, mais uma vez, com elenco brilhante e figurinhas marcadas da filmografia do diretor, como Tilda Swinton, Bill Murray, Jason Schwartzmann, mas também traz outros grandes nomes, Bruce Willis, Edward Norton e Frances McDormand. Este é um filme sobre infância, sobre um acampamento e as aventuras de uma dupla que decide fugir. A graça está não apenas na estética reconhecida, mas na construção dos personagens, quando até os adultos parecem imersos em uma mentalidade aventureira e doce dos tempos de criança. Volta a saudade e vontade de ter 10 anos novamente.  
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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