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Café: extra-forte

Nem se despediu de mim.
Nem se despediu de mim.
Já chegou contando as horas,
Bebeu água e foi-se embora,
Nem se despediu de mim.

Quem conhece a música, lê cantando e pode até tentar ficar parado, mas é uma dificuldade. Interpretada por Luiz Gonzaga, o rei do baião, é na verdade, de João Silva, um dos maiores compositores de forró do planeta e de quem pouco se conhece. Com Danado de Bom isso muda um pouquinho.

Debby Brennand, diretora pernambucana, teve a ideia de trazer um dos maiores nomes da música brasileira para a graça do povo em um filme bonito, que dá nó na garganta e aperto no coração de qualquer brasileiro que goste de forró e, principalmente do nordestino, retirante ou não. João saiu de Arcoverde, Pernambuco aos 16 anos para ganhar a vida aqui no Rio de Janeiro e ficou por outros 30, numa parceria histórica com Luiz Gonzaga, lhe garantindo um disco de ouro com Danado de bom, que dá nome ao filme e leva três músicas suas das 13 que compõem o álbum: a música título, Pagode Russo e Sanfoninha Choradeira. Conhecemos um homem que gosta de falar de si e dos outros, de suas músicas, do nordeste e sua cultura com um orgulho e paixão de quem sabe de onde veio e não se encanta com qualquer coisa que lhe pareça maior. 
Luiz Gonzaga
O filme acompanha João Silva em uma viagem a Arcoverde, intercalando sua história, as parcerias que fez – especialmente com Gonzagão – com grandes nomes da música brasileira e suas composições, um conhecimento que parece ser autodidata, um talento puro e rico que parte de suas experiências e cultura na criação de mais de duas mil músicas. Conhecemos um homem simples e falador que gosta de aparecer e exibir seu talento, esse de que tem certeza e sabedoria de perceber o potencial e orgulho de ter vivido dele. Como todo brasileiro humilde, não teve vida fácil, nada lhe foi dado de graça e não se fez de rogado, tocou o seu barco como lhe aprouve e fez por onde.

O filme é uma delícia para nossos ouvidos e olhos. Quem gosta de dançar vai sofrer na cadeira com as músicas deliciosas e ícones desse macro gênero que é o forró e as imagens de arquivo, marcando um ritmo gostoso de um tempo passado que se repete ainda hoje em alguns bailes. Para quem só gosta de ouvir e/ou não sabe dançar, vale da mesma forma, aprendemos as histórias das músicas que o mestre compôs com a graça no que é dito, tanto pela forma aparentemente simples com que são elaboradas, quanto pela fala, um trato sertanejo e saudosista de tratar de si. As imagens de arquivo são um grande ganho na narrativa em uma seleção impecável que combina sua vida no sertão, o Rio de Janeiro de quando viveu aqui, sua carreira profissional e por onde sua música se espalhou, com a montagem de Jordana Berg, que só comprova seu talento já conhecido em outros grandes filmes, como boa parte da produção de Eduardo Coutinho. Aqui tudo funciona bem, o equilíbrio dos clipes, as legendas, o grafismo, o carinho e cuidado com que o filme foi feito para enfeitar – não que fosse necessário – uma biografia-homenagem.
João Silva
Vemos a grandeza de um homem simples, desses que sabemos muito pouco – e imaginamos quantos outros compositores que estão sob as vozes de grandes intérpretes não conhecemos – e agora temos a sorte de ver ao menos um. Só neste Danado, encontramos Ney Matogrosso, Zeca Baleiro, Dominguinhos, Targino Gondim, Elba Ramalho, Gilberto Gil e Mariana Aydar, entre outros. E é só uma fração, como toda a biografia, de uma personalidade.

Se em alguns momentos vemos João Silva se pavonear, quase criando um personagem para si, é muito uma forma de se dar a devida importância, entender que lhe deram protagonismo e holofotes além da assinatura de suas músicas e dividir microfones em participações. Essa interpretação é um ganho imenso na obra, por mais que um olhar agoniado se incomode de imediato. É preciso dar tempo e esperar os momentos mágicos que nos dão brilho no olhar, como quando João fala sobre a composição de Nem se despediu de mim ou do comentário sobre a educação formal, gramática e sertanejice, em uma sequência maravilhosa que exemplifica a interpretação equivocada de uma cultura local, que até hoje costuma confundir sotaque, tradição oral e forma de falar com ignorância. É ainda a oportunidade que temos de ver o artista falando de si e do que fez, das saudades dos seus, arrependimentos e glórias, especialmente do amado Gonzaga, lhe dando o valor e peso de alguém que enriqueceu a música brasileira, mas que não fez sozinho. Aqui João também é rei, com cetro e coroa, saudade e sertão.
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Essa semana corrida veio eclética! Aproveitando um pouco de cada coisa, tem drama, romance, comédia, documentário e série! Tudo muito bom mesmo e cada produção surpreendente à sua maneira. São filmes que, à exceção de Azul é a cor mais quente por toda a polêmica, não chamam muita atenção nas prateleiras virtuais, mas são excelentes. E ainda tem o retorno de uma série incrível e muito engraçada. Faz a pipoca e aproveita a sessão!

Cake (2014, de Daniel Barnz) – 102min
Melhor começar com drama, porque depois é só alegria, certo? Aqui, Jennifer Aniston prova que vale mais do que Rachel de Friends, aquela série que tanto amamos e será eterna, por mais que já tenha acabado há algum tempo. Ela é Claire, que perde um filho em um acidente e vive sob um luto amargo e doído, refletindo em um sério problema de coluna. O filme se desenvolve e subverte aos poucos essa negatividade graças a um novo conhecido e a sua acompanhante/empregada doméstica Silvana Adriana Barraza, que lhe sustenta além de suas capacidades. O filme não é apenas sofrimento, na verdade, mas de um sarcasmo que rende algumas risadas. É a jornada de transformação de uma mulher realista e foi aqui que Jennifer galgou seu lugar ao sol para além das comédias de forma surpreendente em uma mudança tanto física e estética quanto de construção de personagem e atuação. O filme ainda conta com Anna Kendrick, Sam Worthington, Felicity Huffman e William H. Macy.

My own man (2014, de David Sampliner) – 82min
É um desses documentários que passam batidos por nós na Netflix. A chamada dele fala de um homem que deve se preparar para ser pai e não muito além disso. Demorei para ver, mesmo tendo uma predileção por documentários subjetivos e pessoais e a surpresa foi grande, deveria ter visto antes. O filme produzido por Edward Norton consegue ser sensível e delicado, contando a história de um homem jovem que tem uma relação difícil com o pai, que parece ser um personagem, de tão estereotipado naquele perfil de ‘homem-macho’ que conhecemos bem. O protagonista e diretor do filme, é seu extremo oposto e passou a vida empurrando goela abaixo sua estrutura delicada e sensível, uma outra forma de masculinidade nem sempre reconhecida socialmente. Quando sua mulher engravida, ele resolve investir nessa ideia de ser pai e parte para o encontro com o seu para investigar suas identidades, relacionamentos e dificuldades. Acaba sendo um filme sobre família, gênero, sociedade e futuro e nos vemos ali de alguma forma, com nossas dificuldades e situações constrangedoras e engraçadas. Vale muito a pena.

Azul é a cor mais quente (2013, de Abdellatif Keniche) – 180min
Esse é ousado e comprido. Na verdade é mais polêmico do que inovador, que de fato, não inova muito. Adèle (Adèle Exarchopoulos) e Emma (Léa Seydoux) se conhecem e se apaixonam. Adèle é quase inocente, está se descobrindo e se entrega totalmente a Emma, mais velha e experiente e dão início a um tórrido romance, mas esta não é uma comédia romântica. O amor intenso pra mim é muito mais relevante aqui enquanto história de um primeiro amor, aquele que não controlamos, que sofremos o diabo e aprendemos, independentemente de saber se haverá um final feliz ou triste. Ao mesmo tempo e não há como não mencionar, há exageros do diretor e alguma exploração das atrizes, um excesso nas cenas de sexo, de closes, de invasão. É um filme sobre um relacionamento lésbico que transcende rótulos, já que o que importa aqui é a construção de um amor jovem e novo e seu desenrolar. Intenso.

In her shoes* (2005, de Curtis Hanson) – 130min
Depois de uma história de amor romântico entre duas mulheres, um amor fraterno e divertido neste Em seu lugar*. Rose (Toni Collete) e Maggie (Cameron Diaz) são duas irmãs bem diferentes uma da outra. Enquanto Rose tem um emprego formal, uma vida estável e tenta encontrar uma pessoa para dividir a vida, Maggie ainda não traçou um perfil profissional e nem parece ser esse seu foco – vive de um deixa a vida me levar que lhe parece bom, de vez em quando com emoções demais e alguns problemas. Elas vão morar juntas por um tempo e com isso as diferenças serão reforçadas, da mesma forma que as semelhanças e a importância que uma terá na transformação da vida da outra. Leve, animado e inteligente. Curtis Hanson é diretor experiente com um Oscar no currículo, por Los Angeles, cidade proibida (1998).

That 70’s Show (1998 - 2006, de Mark Brazill, Bonnie Turner e Terry Turner) – 22min
Não sei em que ano comecei a ver esta série, mas é uma das mais engraçadas que conheci. Como o título indica, é baseada nos anos 70 e o retrato da época – ainda que eu não possa dizer que seja fiel à realidade porque não vivi ali – traz muito dos conceitos, do que entendemos ter sido essa geração. Seis adolescentes amigos (5 americanos e um intercambista de algum país latino-americano) se encontram no porão da casa de um deles para falar da vida, ver tv, ouvir rock e fumar qualquer coisa descobrem a vida em namoros, relacionamentos com suas famílias, colegas de escola e eventuais trabalhos. Leve e divertida, vale o longo investimento: são 8 temporadas que lançaram Topher Grace, Ashton Kutcher e Mila Kunis. Estou revendo tudo, do início ao fim.
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É no calor do momento e com o benefício de elaborar críticas que posso escrever sobre o A Bruta Flor do Querer antes de seu lançamento e, em oposição a outros que tenho assistido e me permitido um tempo para digerir, venho para o texto logo após a sessão, com um aperto no peito de qualquer coisa nova que não conseguimos definir (e precisamos?) de imediato.

O filme conta a história de Diego (Dida Andrade), um cara arrogante como quase todo recém-formado em cinema, que ganha a vida filmando casamentos e se apaixona por Diana (Diana Motta), a garota charmosa e misteriosa que trabalha em um sebo. Com um melhor amigo (Andradina Azevedo) colado em todos os momentos, vive a crise dos vinte e poucos, daqueles que saem da faculdade com curtametragens na mão, nenhum dinheiro e uma necessidade de viver um sonho de qualquer coisa se confrontando com a realidade da falta de trabalho e do pagar as contas do cidadão comum. Essa é a vida de muitos recém-formados de quase qualquer profissão, a queda para a realidade do mercado de trabalho e a saída do conforto universitário, a ruptura daquele cordão umbilical que nos mantém estudantes por um mínimo de quatro anos. Dida e seu amigo não são personagens por quem nos apaixonamos, não há margem para isso, mas sim, alguma empatia em suas crises e na transformação por que passa o protagonista.
Dida Andrade: Diego
Feito sem edital, com o apoio e financiamento de amigos e baixo orçamento, é no mínimo maravilhoso ver uma produção realmente independente de qualidade. O filme é simples, com poucas locações e personagens e não carece de muito mais. Merten evoca Truffaut, como um possível admirador destes diretores-protagonistas e não é à toa: a proposta não difere muito do conceito da nouvelle vague francesa, com outros jovens reunidos cheios de ideias para aplicar com pouca grana. Além disso, o viés romântico, a realização de um amor platônico, a saída para o que decorre disso. Aqui há uma sujeira urbana, um viés que não é marginal, mas se tenta algo parecido em fotografia e diálogo, reclamando da caretice dos outros, da aparente normalidade do mundo e de uma manutenção forçada de um padrão de viver e seus conceitos de sucesso. Nos enquadramentos, há uma distinção  nítida entre as cenas de romance, do encantamento pela garota, dos problemas em que se mete Dida, e no final, da conclusão em plano fixo, após uma noite reveladora, de catarse e clareza - como se tivéssemos que passar por uma grande prova para entendermos aquele momento e o significado daquela jornada.

Essas referências de transformação do personagem são também de ato e não só de discurso e luz, então drogas, brigas, festas e sexo representam fielmente este estado de coisas, bem como a independência da família, que inexiste no filme por não representar naquele instante nenhum fator preponderante na vida do jovem. É claro que as discussões são repertório da crise da idade, do acúmulo de frustrações e da não tão longínqua adolescência rompida a fórceps no pós-faculdade. Faz parte, da mesma forma que a trilha sonora, cujas músicas não pertencem à idade desta geração - mas sim a de seus pais e tios - e, ao mesmo tempo, são ícones de qualquer juventude mais 'alternativa' de nossos centros urbanos. A trilha é bem escalada aqui, como um personagem ou artifício de ênfase e, após um determinado momento, ficamos ansiosos pela próxima inserção, aguardando outro clássico moderno brasileiro entrar em consonância com o estado de espírito dos personagens.
Diana Motta: Diana
Bruta flor do querer é trecho de Quereres, de Caetano Veloso. A música já traduz em grande parte o clima do filme, ainda que o ritmo animado do cantor não encontre reverberação neste visceral e doído. Não é um drama de chorar, mas de apertar o peito, já que muito do que está ali é vivido por muitos em um determinado momento da vida. As tragédias pessoais e a própria objetificação da mulher não são irreais – não entrando no mérito do certo e errado, porque é muito óbvio e não é o foco da discussão aqui – já que tanto os mocinhos-bandidos quanto as mocinhas-não-inocentes se posicionam assim enquanto personagens plausíveis e nesta história são tudo, menos vítimas ingênuas. Quereres mostra o que somos e o que almejamos; esse paradoxo é parte (senão essência) da vida, e ali me parece honesto. Talvez seja essa a qualidade do filme, por fim.

A desconstrução da quarta parede é um artifício sempre arriscado que pode funcionar como uma grande surpresa e ser um ganho aos espectadores ou, se mal usada, frustrará a todos e sairá como amadorismo, ruptura desnecessária, quebra da ilusão narrativa. Aqui ela é desmontada progressivamente, de forma que temos tempo para perceber seu objetivo e não se torna um estorvo. Em um momento me perguntei se não seria uma saída de um roteiro com um final frágil, mas não faz diferença agora, já que o filme conclui bem. Lançado em 2013 em Gramado, parece só ter conseguido distribuidora agora (O2 Play) e por isso entra em cartaz esta semana. Vale o investimento, nem que seja para se surpreender com lindas cenas de um conturbado cara apaixonado e uma trilha sonora impecável. 
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O que mais escutamos hoje em qualquer roda de amigos, em qualquer conversa é uma queixa constante de nossa falta de tempo. Tudo passa muito rápido, não damos conta das notícias, dos e-mails, de atender aos amigos, amores e familiares em todos os meios de comunicação possíveis e ainda precisamos dar conta da vida, essa particular, individual e única que requer justamente duração, espaço e silêncio para absorver. Levando isso em conta, Adriana L. Dutra e Walter Carvalho nos mostram em seu Quanto tempo o tempo tem uma pesquisa ampla e filosófica sobre o assunto que tanto nos tira o sono.

O filme vale por seus convidados. Um elenco de peso: o sociólogo italiano Domenico de Masi, o físico Marcelo Gleiser, a monja Coen Sensei, os filósofos franceses Thierry Paquot e André Comte-Sponville, a escritora Nélida Piñon, o rabino Nilton Bonder, o cineasta Arnaldo Jabor e outras personalidades se unem aqui para nos dar um panorama que trata da unicidade do presente – quando entendemos que não existe passado ou futuro, mas apenas o agora (um conceito que eu acredito e tento viver, mas que não exclui a ideia de projeção e planejamento), da evolução tecnológica cuja própria velocidade não nos permite muita divagação, da nossa relação com o tempo que finda quando morrermos, da possibilidade oposta, de não morrermos e nos transformarmos em transumanos ou superhumanos, dos significados de tempo através das Idades históricas e outros grandes conceitos.
Monja Coen Sensei
Adriana e Walter tentam dar conta destes assuntos em 76 minutos e o fazem bem, mas é um fato que este filme poderia se desdobrar em um seriado, onde cada subtema seria abordado em profundidade. Como em Fumando espero com a dependência do cigarro, este novo também parte de uma inquietação da diretora, sendo o segundo filme de sua Trilogia da Catarse, cujo próximo ainda é um projeto em fase de captação de recursos. Walter Carvalho, diretor experiente e fotógrafo por excelência, assina a co-direção e a direção de fotografia também, junto com Bacco Andrade. Com relação à linguagem, é um filme de depoimentos e talvez o grande número de entrevistados incomode um pouco – como em Fumando – por vermos um caleidoscópio de vozes. Desta vez, entretanto, se percebe uma evolução quando o conteúdo é destrinchado por pensadores em número menor que o filme anterior, depoimentos relevantes e a condução das entrevistas intercaladas na montagem, que nos guia através de conceitos interessantes.

Outro ponto de dissonância é a narração. Aqui há algo que incomoda e talvez seja a própria forma do texto condutor que se propõe íntimo, mas que busca falar do todo. É uma questão que não desmerece o filme, mas o torna um tanto cansativo, em um ritmo que oscila grandes questões com estes intervalos de voz off sob imagens de velocidade em planos abertos de metrópoles. O tempo é um conceito abstrato, sendo difícil se tornar imagético sem cair nos clichês que o significam, mas ainda assim, talvez e ironicamente com mais tempo para seu desenvolvimento se encontrassem alternativas mais ricas.
André Comte-Sponville
Com o perdão do trocadilho, esse documentário vale o tempo perdido, ultrapassando seus tropeços da forma. Estimula nossa reflexão sobre a vida que levamos, como e onde gastamos nossas horas e aí, tanto as ideias de trabalho, lucro e escravidão quanto do uso de redes sociais, da autopromoção de conteúdo sobre nós mesmos, do prolongamento da expectativa de vida, do que o futuro da tecnologia reserva para o desenvolvimento humano – biologicamente falando – nos fazem respirar fundo de alívio e nos prepara para um desafio intelectual na melhor interpretação da expressão. É um filme que nos deixa pensando não como uma grande descoberta, mas como certa iluminação a partir de ideias para nosso desenvolvimento e percepção do uso que fazemos do tempo, que muitas vezes não paramos para pensar sobre e somos atropelados por uma rotina que parece não caber em nossas horas. Que venham estas rodas de amigos e conversas com o filme visto; causará um tempo de silêncio e alguma mea culpa antes das queixas de sempre.
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Chegamos à décima edição das Maravilhosidades e ela vem com tudo!! Semana de pós-feriado é sempre correria do lado de cá. Voltando de Salvador, resolvendo coisas de casa e vida, daquele jeito. E na primeira semana de abril a Netflix nos deu não sei quantos presentes, que bem já passei o olho, mas vamos com calma que o que não falta é filme bom para vermos, em qualquer época. Como este fim de semana chega à velocidade máxima e está fazendo sol por aqui, selecionei filmes de impacto, com um pouquinho de nada de alívio, para ficarmos no clima certo.

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Blue Jasmine (2013, de Woody Allen) – 98 min
Woody Allen se superou nesse filme, que não seria nada sem a presença de Cate Blanchet. É muito difícil dizer que uma atriz é a melhor de sua geração, mas Cate, se não for a melhor está no top 3, com certeza. Ela é Jasmine, a irmã antes rica e agora entregue à rua da amargura, de Ginger (Sally Hawkins, outra incrível e menos conhecida que ganhou meu coração em Simplesmente Feliz, de Mike Leigh), com quem vai procurar abrigo após perder o marido, um especulador golpista. O filme centra todo na atuação de Blanchet e sua transformação, da riqueza à derrocada e essa adaptação a um novo estilo de vida. Ácido, mordaz, sarcástico do início ao fim, consegue ser um misto de comédia leve – típica do autor – e drama. Você vai rir mesmo se não gostar de Woody Allen e ainda encontrará Alec Baldwin novamente, Bobby Cannavale e Louis CK em uma curta participação.

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Álbum de família (2013, de John Wells ) – 121 min
Julia Roberts e Meryl Streep confirmam sozinhas a relevância desse drama carregado de tiradas ainda mais ácidas e cruéis do que Jasmine. A família de Violet Weston (Streep), uma mulher amarga e difícil, se reúne para lhe visitar após o desaparecimento do marido (Sam Shepard). As filhas, Barbara (Roberts), Ivy (Julianne Nicholson) e Karen (Juliete Lewis) com suas famílias aparecem para um difícil e conturbado encontro – ainda assim, regado a recordações e gargalhadas. A importância e qualidade do filme estão na identificação que temos com ele em determinados trechos e nossas próprias famílias – especialmente se não moramos mais com nossos pais e os vemos em visitas ocasionais. Difícil, inteligente e ácido, vale a pena, nem que seja para ver o jogo de cena de um elenco sensacional. Aqui você ainda encontrará Ewan McGregor, Chris Cooper, Margo Martindale, Dermot Mulroney, Abigail Breslin e Benedict Cumberbatch. 

piaf-filme
Piaf: um hino ao amor (2007, de Olivier Dahan) – 140 min
Saindo da comédia difícil para o drama de verdade, segue Piaf: um hino ao amor (o título em português remete a uma das músicas mais famosas na voz de Edith Piaf). Aqui vemos a história de vida da cantora ícone francesa incorporada por Marion Cotillard em uma performance que lhe garantiu de uma só vez o Oscar, Globo de Ouro, BAFTA, César, Cannes e outros prêmios de melhor atriz em festivais menores. Como uma biografia clássica, o filme nos carrega para a trajetória da cantora, da ascensão à morte e conhecemos mais sobre a voz e a vida dessa mulher forte, sofrida e maravilhosa. Vale muito o investimento!

casamento-grego
Casamento grego (2002, de Joel Zwick) – 95 min
Depois de tanto sofrimento, alguma leveza é fundamental. Casamento Grego é uma comédia romântica engraçadíssima, no melhor estilo ‘não quero pensar nos meus problemas agora’ que você pode assistir neste fim de semana. Leve, despretensiosa e boba, mostra o estereótipo de uma grande família grega que, ao contrário do Álbum de Família, traduz tudo em piada, até as questões mais sérias. É para baixar a guarda e se permitir uma brincadeira animada e bem construída. Lembrei tão carinhosamente desse filme agora que até vou rever! É com Nia Vardalos, que também assina o roteiro e John Corbett, o Adam, da série Sex and the City.

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Habemus Papam (2011, de Nanni Moretti) – 102 min
Uma vez eu li em algum lugar que Nanni Moretti era o Woody Allen da Itália. Eu acho que poucas coisas os unem: a comédia inteligente e a participação nos filmes como atores, além da direção. Mas os dois são completamente distintos, na vida real. O tipo de comédia é diferente, a forma de filmar, o tratamento dos atores, os roteiros, enfim, tudo muda. Neste Habemus Papam vemos a história de um conclave que parece dar errado. A escolha papal pode ser um tormento e fardo para seus candidatos, pela pressão de ‘presidir’ a igreja Católica. Assim, chamam um psicanalista (Moretti) para ajudar o futuro papa em suas questões, para que fique firme diante da decisão de todos e nem tudo sai nos conformes. O filme não é de gargalhadas, mas de uma comédia mais refinada, que pode passar despercebida se o assistirmos com pressa em sermos agradados. Ele funcionou comigo um pouco como Juventude (nos cinemas a partir desta semana, com crítica aqui no Café) que nos toma um tempo para digerir e verificar sua importância. Gostei bastante dos dois e ambos são italianos, o que pode ser um fator em comum neste processo, já que o cinema de lá não vem com tanta frequência para nós e ficamos com aquelas referências antigas e os filmes independentes. Este vale o desafio. 
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Paolo Sorrentino faz filme de arte. Partindo desta premissa, não dá para ir ao cinema esperando encontrar uma comédia romântica ou um drama de narrativa simples e fácil apreensão. Para tanto, precisamos entrar no clima dos filmes especiais, aqueles que exigem de nós calma, atenção e vontade, o que pode ser visto como um programa intrigante ou seu extremo oposto e quase sempre a primeira opção é a verdadeira.

***

Juventude tem duas horas e quatro minutos de duração e confesso, parece ter mais. Em um determinado ponto, você acha que está no fim, mas ainda aguarda outros 20 minutos de uma história que aparentemente se volta para o mesmo ponto, como um percurso narrativo que se fechou mas pediu um adendo. Ao mesmo tempo, é um filme que não sai da cabeça. Depois de visto, permanece em nós sendo digerido aos poucos, no decorrer de um ou mais dias. Os enquadramentos e a fotografia de Luca Bigazzi favorecem mais uma vez – como em A Grande Beleza – esta sedução. Somos vítimas impotentes, atraídas por uma teia de grandes imagens plásticas e com contrastes, não apenas pelas locações de um spa de luxo na Suíça, como por seus enquadramentos, posições de câmera e, principalmente, personagens com seus figurinos construídos para causar máximo impacto a partir de pouco, na sutileza de um ambiente quase surrealista.

Michael Caine é Fred Ballinger, um maestro aposentado um tanto pessimista que recebe a proposta da rainha Elisabeth II para apresentar suas composições no aniversário do príncipe Phillip. Seu personagem, sozinho, vale o filme inteiro. A construção complexa de um homem doído e consciente, amargo e dotado de um humor extraordinário, mas não canastrão nos toma em diálogos tranquilos e precisos. Michael Caine é um dos grandes atores de seu cinema e aqui nos mostra, mais uma vez, sua grandiosidade. Na verdade, o trabalho de atores neste filme é, novamente, a confirmação da qualidade de Sorrentino, basta lembrar de  Aqui é o meu lugar (2011), com um Sean Penn transformado e no próprio e consagrado A Grande Beleza (2013), cujo paralelo com este Juventude é ainda mais forte. Seus protagonistas se parecem e quase poderíamos pensar que Toni Sevillo (Jep Gambardella de Beleza) seria o nome para este novo, mas talvez sua persona não combinasse tanto com esta apatia refinada, mas um humor mais cínico e ácido daquele filme.
Michael Caine e Harvey Keitel
Mick Boyle (Harvey Keitel) é amigo de Fred e diretor de cinema em declínio cujo financiamento de seu grande filme depende da participação de Brenda Morel (Jane Fonda, extraordinária, remetendo a uma Marisa Paredes em decadência). Os dois passam dias juntos, enquanto Fred frequenta as atividades do spa e se divide entre as visitas do emissário da rainha – em cenas cínicas e muito divertidas – visitas ao médico para exames de rotina, as crises da filha Lena (Rachel Weisz) e conversas com o outro, Mick, que escreve junto com uma equipe, o roteiro cuja última cena sobre o final de um amor vencido pela morte e descaso nunca parece satisfatório. Paul Dano é Jimmy Tree, um ator que acompanha a vida no spa enquanto se prepara para um grande papel em uma nova produção, observa os hóspedes e participa do cinismo e discussões com Mick e Fred. Jimmy é a antítese da juventude à exceção de sua vaidade, se colocando em igual momento com os outros dois, enxerga a vida como esta sucessão de acontecimentos que culmina sempre numa apatia, até sua transformação.

Se em A Grande Beleza vemos uma Roma clássica, luxuosa e decadente em passeios de câmera com Jep Gambardella (Toni Servillo), um escritor de um livro só que vive uma terceira idade de tédio camuflado entre festas luxuosas e amigos vazios, aqui a mesma sensação ressurge com força, mas em contraste com a juventude e seus dilemas, as neuroses e o cansaço, a desesperança de uma velhice confortável. Michael Caine forma este personagem complexo e cínico, menos pelo escárnio e mais em aceitar a vida que vive hoje, sem grandes surpresas. Suas visitas ao médico implicam numa morte nunca anunciada e isso faz parte de uma frustração, como se só lhe faltasse isso. Ao mesmo tempo, a Miss Universo chega ao spa e cruza o caminho de nossos personagens rompendo o conceito clássico da mulher bonita e estúpida, em uma discussão que surpreende a todos e, além das lágrimas de Lena, é o máximo de emoção que encontraremos, para além do vislumbre de um corpo perfeito, como o do poster.  
Jane Fonda
Para além de contar a história de um grupo particular onde pouca ação aconteceria em um drama, há um subtexto muito mais interessante e simbólico, este que digerimos ao longo dos dias. A transformação dos personagens, a aceitação pelo que são e para onde se destinam – em qualquer idade – é a força e ruptura com esta juventude, de certezas, objetivos e sonhos. Aqui não há tanto mais para se realizar do que o limite de cada um e é esta a dura e difícil apreensão de todos, mais clara e literalmente expressada por Jimmy Tree, em seu discurso de ruptura. Mais interessante é perceber que o dilema que independe da idade e em cada personagem se manifesta de uma forma diferente, com um resultado igualmente distinto e que vale tanto para protagonistas quanto figurantes. É um filme para ser revisto, pois passa a impressão de que suas camadas precisam de outro olhar, mais calmo e reflexivo além daquele primeiro, que costuma ser o da curiosidade, que tenta abraçar o todo. Uma segunda mirada é como ler um mesmo livro novamente e então pegamos suas nuances e grandes tiradas.

Circulam algumas frases e cenas em minha cabeça, como grandes, genialmente conduzidas e neste caso também escritas como apenas um experiente, inteligente e sensível diretor/roteirista conseguiria. Com referências e claras homenagens a Fellini – e continuo achando Michael Caine/Fred Ballinger e Toni Servillo/Jep Gambardella um tanto como o flaneur Mastroianni dos filmes do mestre italiano – relevamos seus exageros do luxo e até uma cena ou outra que se perde em um olhar distraído. Há um cuidado estético brutal, que diferencia produções como estas das de outros países. Os filmes italianos mais conhecidos retomam esta questão invariavelmente e, por pouco aparecerem por aqui, nos tomam de golpe com suas cores fortes e personagens intensos, com alguma característica sempre gritante, nem que esta seja a apatia. Falado em inglês, com atores não italianos e filmado na Suíça, o autor persiste em suas claras e clássicas referências à sua origem e faz muito bem. Retomo os vinte minutos de adendo para garanti-los como fundamentais, contradizendo uma primeira percepção ao remontar mentalmente as sequências do que encarava como suficiente para um fim. Se o impacto visual de A Grande Beleza surpreende e nos prende a cada plano, neste Juventude somos pegos desprevenidos, parece que estamos no controle do que vemos e então o filme nos domina de súbito, fantasmas das cenas que acabamos de ver percorrem nossa mente, com seus diálogos e silêncios, acima de tudo, e por horas a fio. A equipe de protagonistas  e seus figurantes insólitos merece inteira, seus prêmios e louros. Não será fácil, mas será intrigante.
Rachel Weisz e Harvey Keitel

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Vivemos um momento histórico e sabemos disso. Talvez seja uma das poucas coisas de que temos certeza ultimamente. Com nossa profunda e complexa crise política, é muito difícil discutir com os amigos de opiniões diferentes explicando-lhes que opiniões não necessariamente são carregadas de bandeiras coloridas. Podem não ter cor nenhuma, podem nem ser bandeiras, inclusive. Assim, se estiver um pouco cansado dessa dicotomia forçada que a grande mídia tenta produzir e que os mais distraídos parecem comprar, te mando escolhas certeiras e outro assunto para debater. Um pouco de cinema nunca fez mal a ninguém e as discussões aqui não encerrarão amizades com certeza, mas estimularão o intelecto, a curiosidade e ampliarão a forma de pensar. Não esqueça a política e embarque nela junto, pois é importante pelo menos tentar entendê-la. Quando cansar, passa aqui, que te ajudo.

A pele que habito (2011, de Pedro Almodóvar) – 120 min
Escolha certa para começar o fim de semana com coragem. Almodóvar sempre estará nas listas, faz parte do Olimpo dos grandes diretores, como Hitchcock, Kubrick, Allen, Polanski, Scorsese, Kurosawa, Godard, Truffaut...me perdi. Antonio Banderas é Robert, um cirurgião plástico que faz pesquisas genéticas avançadas de reconstrução de tecido humano a partir de pele sintética. Viúvo, vive com Vera Cruz (Elena Anaya), uma mulher enclausurada, cuja obsessão o impede de libertá-la e para isso, solicita a ajuda de Marilia (Marisa Paredes). Esse é só um trecho da história, cuja sinopse completa estragaria maiores surpresas. Um dos melhores filmes de Amodóvar já feitos, com alta carga de suspense e humor negro, apuro estético como poucos e narrativa tensa até o fim. Surpreendente, se não viu ainda, corre, nem precisa ver o trailer. Quanto menos se souber melhor sairá. Olha a crítica aqui!

Enquanto somos Jovens (2014, de Noah Baumbach) – 97 min
Um respiro depois do suspense. Este é um filme despretensioso. Dirigido por Noah Baumbach, veio na sequência de Frances Ha, para mim ainda o melhor filme do diretor, muito provavelmente por uma identificação com a protagonista e sua história. Em todo caso, este parece nada, se visto sem muita atenção. Aparentemente besta em sua estrutura, vai trazer comparativos interessantes do choque de gerações entre os jovens – aqueles que estão entre os 20 e 30 anos – e os que acabaram de sair dali, entrando nos quarenta. Como não vivemos nada parecido com a geração de nossos pais e a aceleração das tecnologias e mudanças de comportamento não permitiram o amadurecimento de antes, parece que nunca sabemos se ainda somos ‘jovens’ ou se já entramos na categoria ‘adulto’, como se as duas coisas não pudessem coexistir e/ou se o amadurecimento corresse mais lentamente (ou se quiséssemos ser jovens por mais tempo). A dualidade é vista nessa comédia, em que há gente perdida demais, entre uma coisa e outra. Leve, interessante, não espere muito, assim o filme fica melhor. Com Naomi Watts, Ben Stiller e Adam Driver, que desponta em produções independentes, esteve em Frances Ha e na série da HBO, Girls. Também tem crítica! \o/

Now: in the wings on a world stage (2014, de Jeremy Whelehan) – 97 min
Kevin Spacey e Sam Mendes se unem aqui, neste documentário-making of da turnê internacional da peça Ricardo III, de Shakespeare. Tudo acontece antes do ator encarnar Frank Underwood em House of Cards, e ter a oportunidade de assistir às montagens das peças nos maiores teatros do planeta deve ter sido uma das experiências da vida de muitos daqueles atores. O filme extrapola o sentido primeiro de making of, documentário e ficção, ao tempo que traz tudo de uma vez. Para além desse hibridismo o filme cativa por mostrar o lado ‘ser humano comum’ dos atores experientes e menos consagrados na mesma medida. O senso de equipe-família que a convivência intensa proporciona, os luxos de uma apresentação teatral com ares de blockbuster e a montagem, nos deixam boquiabertos. Estava buscando referências do ator por conta de House of Cards – cujo roteiro foi baseado também nesta tragédia e em Macbeth – e encontrei esta pérola, que traz muita coisa de uma só vez. Há mais surpresas na relação com House of Cards, mas não conto aqui.

O jogo da imitação (2014, de Morten Tyldum) – 114 min
Grande filme, conhecido da maioria das pessoas, concorreu ao Oscar no ano passado e é melhor que muitos dos que competiram esse ano. Baseado em fatos reais, conta a história de Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático homossexual que tentou desvendar os códigos inimigos das comunicações trocadas na Segunda Guerra, a fim de garantir informações estratégicas aos Estados Unidos em vista de vencê-la. Reprimido por sua sexualidade, tentou encontrar formas de conviver profissionalmente sob imensa pressão e sublimando sua vida pessoal, cuja opção sexual não era aceita como normal. Concorreu a 8 Oscars, levando melhor roteiro adaptdado e perdendo melhor ator para outro sensacional, Eddie Redmayne (Teoria de Tudo, A Garota Dinamarquesa). Com Keira Knightley, Matthew Goode, te prende até o último momento.

Celeste and Jesse Forever (2012, de Lee Toland Krieger) – 92 min
Na linha comédia romântica, um filme bacana, desses que dá vontade de rever. Nem sempre as coisas acontecem quando queremos ou esperamos. Aliás, quase nunca, vamos ser sinceros. Aqui não é diferente e essa semelhança com a ‘vida real’ é o grande gancho do filme. Esta é a história de dois amigos que tiveram um relacionamento, estão separados e agora voltaram a ser amigos. Parece familiar? Pois. O filme vai um pouco além e o casal tem uma química boa, que nos faz querer participar daquele momento. Vale pro finalzinho do domingo, ali, antes de dormir. Com Rashida Jones, Andy Samberg e Elijah Wood. Surpreendentemente, o diretor Lee Toland Krieger fez este antes de A incrível história de Adaline, um filme bem ruim. Vai entender.
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Olá! De volta à programação normal. Semana passada foi corrida por conta do aniversário e outros projetos, como as novas publicações no Medium. Essa experiência está sendo muito boa, na verdade, como um espaço extra para testar outros assuntos. Vamos ver o que acontece. Dá uma passada lá. Tem conto, crônica e crítica!

Então, para reparar essa ausência, segue um título extra! Vamos com 6 indicações para este fim de semana de agitação política. Ainda hoje sai a crítica de House of Cards.
Cooked (2016, Alex Gibney, Michael Pollan) – 60 min
É uma série nova, documental, sobre comida. São 4 episódios baseados nos 4 elementos essenciais: fogo, água, terra e ar. Assisti metade deles, Fogo e Água e são bem interessantes. Seguem o modelo do documentário americano feito para a tv, mas como o assunto é muito bom, ultrapassamos o didatismo que a forma oferece. A fotografia é um dos artifícios para chamar nossa atenção e ficamos com água na boca por quase qualquer coisa que aparece ali.. em qualquer lugar do mundo. O fato desta produção ter sido feita internacionalmente ganha outros contornos no tema também. É um pouco dura para os corações sensíveis dos vegetarianos e veganos, mas a própria história se justifica, então está tudo certo. O texto parte sempre do todo para o particular. Não se fala apenas de comida, como de sua história, seu contexto social, político, um apanhado interessante e abordado diferentemente a cada episódio. Vale a pena.

Intocáveis (2011, Olivier Nakache, Eric Toledano) – 112 min
Comédia francesa. A história real de Philippe (François Cluzet), um homem tetraplégico que contrata Driss (Omar Sy), um assistente sem qualificação para que seja seu cuidados, nos transporta para uma história emocionante que, não suficiente, lança Omar Sy internacionalmente. A sensibilidade das atuações e a forma com que os protagonistas trabalham os temas fortes e sensíveis da trama garantem seu sucesso avassalador. Ainda que muita gente já o tenha visto, vale a pena rever, para sentir novamente os efeitos de um filme que consegue entreter e cativar. Esse tem crítica!

Um corpo que cai (1958, Alfred Hitchcock) – 128 min
Agora, após acalentar o coração com um filme sensível, outro para dar uma acelerada: Um corpo que cai, do mestre-gênio-maravilhoso Alfred Hitchcock. O terror de Psicose não está presente, trabalhamos agora o suspense no estado puro. Já citei antes aqui no Café a diferença entre cada gênero, explicada pelo mestre Hitch: suspense é quando está assistindo a uma cena em que você sabe que há alguém atrás da cortina com uma faca. Terror é quando você não sabe e vê o mocinho ser atacado – você é tão vítima quanto ele. Com isso, Um corpo que cai conta a história de Scottie (James Stewart) um detetive contratado para investigar Madeleine (Kim Novak), a mulher de um velho amigo. Scottie sofre de vertigens quando em lugares altos e veremos como isso é importante na trama. Hitchcock mandou construir um cenário específico da escadaria da torre para dar o efeito de vertigem do protagonista. Assim os efeitos especiais eram feitos. Ele tinha a escadaria de um tamanho e uma versão dele alongada. Além disso, É um dos melhores filmes do gênero e se você preza pelo bom cinema, precisa vê-lo. Correndo. Veja agora.

Sociedade dos Poetas Mortos (1989, Peter Weir) – 128 min
Depois de um clássico do cinema mundial, voltamos para a estante que minha antiga locadora soteropolitana chamava de “Clássicos Modernos”. Sociedade dos poetas mortos eu não vi em 1989, ali eu tinha 6 anos. Devo ter visto na adolescência ou no finalzinho dela e é um desses filmes românticos, marcantes, lindos e sensíveis. Mas não é chato. Robin Williams é Keating, um professor de inglês em uma escola tradicional só para garotos da elite americana. Ali encontraremos Ethan Hawke, Robert Sean Leonard, Josh Charles como seus alunos e aprendizes sobre a vida. Keating quer ensinar mais do que as letras e os instiga a criarem esta sociedade dos poetas mortos. Provavelmente este foi um dos filmes que fez tanta gente da minha geração tatuar ‘carpe diem’ em alguma parte do corpo. Mas é realmente inspirador, emocionante, divertido. E tem Robin Williams, que deveria ser o único e suficiente argumento para ver o filme.

Mesmo se nada der certo (2013, John Carney) – 104 min
Um pouco de romance não faz mal a ninguém, certo? Mesmo se nada der certo é um título ótimo, não fosse Begin again (‘começar de novo’) o original em inglês. Mesmo assim, esse nome poético-clichê é o único problema do filme. Despretensioso e aparentemente bobo, vemos a história de Gretta (Keira Knightley), uma compositora e aspirante a cantora que tem o coração partido por ninguém menos que Adam Levine, o cantor do Maroon 5, lindo e charmoso. Mentira, ela namora Dave (sim, Adam Levine), que começou a fazer sucesso com uma música que fizeram juntos. As coisas nunca saem como esperamos e as reviravoltas transformam o filme do clichê para algo sensível e inteligente. John Carney dirigiu antes Apenas uma vez, outro filme cuja música divide o protagonismo na narrativa e carrega o mesmo tom. Clima ameno, Gretta se reconstrói e segue em busca do que almeja, este filme ainda carrega uma trilha sonora ótima, de procurar para ouvir depois. Dica: tem tudo no spotify. Uma delícia para o domingo e ainda traz junto Mark Ruffalo e CeeLo, combinação improvável em um mesmo filme.
***
Percebi que coloquei filmes inspiradores aqui, quase em sequência. Acho que o clima dessas minhas últimas semanas tem sido esse mesmo, de correr atrás, de fazer o que gostamos, de nos arriscarmos e tentarmos algo que tenha a ver com o que queremos para nós.  J
***
Calma que não acabou. Como não teve publicação aqui semana passada, comunico um teste, caso alguém queira fazer comigo, para discutirmos depois se presta ou não. Manda um recado aqui que conversamos sobre a série The Hour. Ou qualquer outro assunto publicado aqui, na verdade.
The Hour (2011, Abi Morgan) – 60 min
É uma série de duas temporadas da BBC, sobre um programa de tv jornalístico (The Hour, enfim) que se quer sério, internacional e político durante a Guerra Fria, na Inglaterra. Espionagem, suspense, drama, romance, tem tudo! Vi quatro episódios até agora e parece caminhar muito bem. Só vi quatro, porque no intervalo estreou House of Cards e a compulsão não me permitiu ver outra coisa até esgotar a quarta temporada de Frank e Claire Underwood. Agora posso retornar feliz às novidades.

Ben Wishaw (O Perfume, Garota Dinamarquesa) é um dos repórteres que busca as notícias mais relevantes e sempre discute com os editores por assuntos de real interesse nacional. Ao ajudar uma amiga com problemas, se mete em uma série de eventos que provavelmente culminarão em algum escândalo político que ainda vou descobrir. Enquanto isso, a mocinha da história é a editora (Ramola Garai) deste novo programa que eles idealizaram juntos, cujo âncora (Dominic West) é o queridinho do diretor, por ser casado com alguém da aristocracia inglesa. A editora se encanta por ele, mesmo sabendo que não é a melhor opção e agora vamos literalmente aguardar cenas dos próximos capítulos. Até semana que vem termino tudo.

A série parece boa mesmo, o fato de ser inglesa ajuda, a BBC é uma emissora de respeito, com produções de peso para o mundo, ultrapassando as fronteiras do Reino Unido. A qualidade técnica, artística e a relevância do tema dão o peso à trama. Veremos como se desenvolve. Quer testar comigo?
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A Netflix nem sabe, mas me deu um presente de aniversário, a ser entregue no dia certo, sexta que vem, 04 de março. A quarta temporada de House of Cards é aguardada ansiosamente por mim e não sei quantas mil pessoas, provavelmente. Está nessa listinha, junto com outras pérolas, às vezes escondidas naquelas estantes sem fim.

Faça sol ou faça chuva, seguem os eleitos pré-Oscar!

Best of enemies (2015, Robert Gordon e Morgan Neville) – 87 min
Comecei agressiva. A primeira maravilhosidade é o documentário Best of Enemies, sobre uma série de debates entre William F. Buckley Jr. e Gore Vidal, na ABC, a rede de tv americana, em 1968. A ideia era alavancar a audiência da emissora, na época, a quarta em popularidade. Eram as eleições de Richard Nixon e em uma época onde o interesse político era também intelectual e não apenas de auditório e circo, a emissora contratou os dois intelectuais para discutirem os partidos que apoiavam então, a eterna questão conservadora x liberal.  Só preciso dizer que esta série de dez debates culminou em uma polêmica tal e as consequências marcaram a tv ianque para sempre. Contando assim, parece quase chato, mas o filme é muito bem montado e executado de forma que ficamos comendo as unhas, de tanta tensão. A crítica detalhada está aqui.

House of Cards (2013-, Beau Willimon – criador) – 51 min / episódio
Para acompanhar a temática política, vem essa série lançada pela Netflix, uma das primeiras. A quarta temporada estreia na próxima sexta e só não assistirei toda neste fim de semana, porque preciso comemorar meu aniversário. A série é muito bem construída em torno de Frank Underwood (Kevin Spacey) e sua ambição pelo poder e sua permanência, enquanto presidente dos Estados Unidos. O que ela tem de especial além da inteligência dos diálogos e rapidez com que acontecem é a elaboração de estratégias e jogadas políticas tão absurdas quanto reais. Basta ver o que acontece em nosso país e as analogias são explícitas.  Demorei para assisti-la, achei que mais uma série em Washington seria muito chata, mas Frank e Claire Underwood (Robin Wright) provaram que sustentam personagens doentios e maquiavélicos de uma forma tal que nos apaixonamos por eles. guardadas as dimensões do bom senso, claro. A série levou dois Globos de Ouro, outros 16 prêmios e apenas 124 nomeações.

Antes só do que mal acompanhado (1987, John Hughes) – 93 min
Para trazer leveza, uma comédia de ninguém menos que John Hughes. O diretor só fez Curtindo a vida adoidado (1986), Clube dos Cinco (1985) e Gatinhas e Gatões (1984). Só. Só os melhores filmes de comédia dos anos 80. Saindo da linha adolescente, indo pra comédia familiar, Neal Page (Steve Martin) é um executivo que precisa chegar em casa para o jantar de Ação de Graças, mas tudo parece impedi-lo. Assim, conhece Del Griffith (John Candy), um vendedor falastrão e, por casualidade e necessidade, resolvem viajar juntos de NY para Chicago, em meio a uma tempestade. É desses filmes de aquecer o coração, com tiradas inteligentes e ingênuas. Dá vontade de ver algumas vezes, até para matar a saudade de Candy, um dos melhores atores de comédia que conheci, que morreu cedo demais. Acabei de ver que foi aos 43 anos, em um fatídico 4 de março, quando eu então completava 11. Coincidência doida.

Paris, Texas (1984, Wim Wenders) – 147 min
Semana passada indiquei Buena vista social club, um documentário sobre música cubana e seus artistas, dirigido por Wim Wenders. Agora é uma ficção, um dos filmes mais importantes da carreira do diretor alemão, um dos que o consagrou. Paris, Texas é um drama cujo título faz parecer outra coisa, propositalmente. É lá que encontraremos Travis Henderson (Harry Dean Stanton), que segue em busca do filho e de sua mulher, Jane (Nastassja Kinski) a fim de recuperar sua família. Lindo, terno, intenso, esse filme é daquele tipo que marca. Ry Cooder está de volta, na trilha sonora. Não espere uma narrativa americana rápida e comercial, é preciso dar tempo para alcançar os sentimentos. Não vale assistir com pressa.

Drive (2011, Nicolas Winding Refn) – 100 min
Encerrando esta jornada com outro filme de impacto, Drive vai te fazer conhecer – e para alguns – se apaixonar por Ryan Gosling. Um mecânico de dia e dublê e motorista de carros de filmes à noite se apaixona por sua vizinha Irene (Carey Mulligan), cujo marido está preso. Seu chefe na oficina Shannon (Brian Cranston, o Walter White, de Breaking Bad) se envolve em um negócio arriscado com corridas de carro e lhe pede, em desespero, ajuda. Ao mesmo tempo, após se apaixonar por Irene, descobre que seu marido está livre e é só um início de um turbilhão de acontecimentos e violências que nos deixarão sem piscar. O filme é lindo, na verdade, é sobre a descoberta do amor, dos sacrifícios que estamos dispostos a enfrentar para vivê-lo, além do senso de justiça e proteção a quem precisa.
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Semana passada coloquei um filme com Di Caprio porque ele está concorrendo ao Oscar de melhor ator. Agora segue um filme do diretor de O Regresso, Alejandro González Iñárritu. É um drama sério e duro, mas tem outros no caminho, para dar uma equilibrada. A semana passou muito rápido e me atropelou novamente, andei meio perdida no reino dos livros, então as críticas estão um pouquinho atrasadas, mas compenso esses dias. J

Enquanto isso, segue a previsão do tempo para o fim de semana:

A difícil arte de amar (1986, Mike Nichols) – 108 min

Jack Nicholson, Meryl Streep e Jeff Daniels. Pronto, pode ver. O drama conta a história do relacionamento entre Rachel (Streep) e Mark (Nicholson), de uma forma tão realista, que parece algo nosso ou a vida de alguém que conhecemos. Os anos 80 foram especiais para o cinema, trouxeram desde comédias que ficaram marcadas na infância da minha geração a outros como este, que vi anos depois e encontrei as músicas que minha mãe ouvia tanto, que passaram a fazer parte da minha vida. Mike Nichols é o diretor de Closer (2004) e Uma secretária do Futuro (1988), outros grandes filmes. O roteiro é baseado no romance de Nora Ephron, que também o adapta para o cinema. Essa era incrível, olha o currículo: Harry e Sally (1989), Sintonia de Amor (1993), Mensagem para você (1998), Julie e Julia (2009) e outros na mesma linha. São comédias românticas leves, algumas das minhas favoritas, na verdade. Mas o fato é que este filme é mais sério – menos bobo, alguns diriam – com um elenco incrível. Se você está na casa dos 30, vai ver muitas roupas, músicas, tecnologias de seus pais e familiares. É um ótimo retrato de época e do ‘reposicionamento’ da mulher em sociedade.

Biutiful (2010, Alejandro González Iñárritu) – 148 min
Aviso rápido: esse é forte. E lindo. O diretor, como disse lá em cima, é o mesmo de O Regresso...e de Birdman (2014), Babel (2006), 21 gramas (2003) e Amores Brutos (2000). Todos eles carregam atores de peso, tão bons quanto seus enredos, sua forma específica de filmar, um tipo de cinema que se transforma e evolui a cada obra. Em Birdman ele trouxe uma cinematografia especial – além de fazer renascer Michael Keaton –  graças à parceria com Emmanuel Lubezki, o diretor de fotografia que sozinho carrega 2 Oscars e outros 126 prêmios. Se estiver em dúvida sobre assistir um filme e quiser uma forma diferente de buscar – que não seja por Diretor, Ator ou Roteirista – vai atrás do Fotógrafo como esse. Me perdi: Rodrigo Prieto (O Lobo de Wall Street, Argo, Brokeback Mountain) é outro grande diretor de fotografia e é quem divide a parceria com o diretor em Biutiful. Aqui, Uxbal (Javier Bardem) está no olho do furacão: está doente, tem um dom especial, mas vive com problemas grandes demais em sua família, com a mulher e a criação dos filhos numa Barcelona que não vemos nos filmes de Woody Allen. O filme abraça grandes questões sobre vida e morte, fé, educação, moral. Vale cada minuto por todos os motivos, mas não é água com açúcar. 

Qual o nome do bebê? (2012, Alexandre de La Petellière e Matthieu Delaporte) – 109 min
Para aliviar a barra, chega este francês engraçado e leve que, como O Deus da Carnificina (2011, Polanski), se passa todo dentro de um apartamento. Vincent (Patrick Bruel) vai a um jantar na casa da irmã e lá, enquanto conversam sobre a vida, surge a questão de qual é o nome do bebê que ele e a mulher esperam. Esse é o mote para uma comédia leve e que brinca com piadas de mau gosto com diálogos divertidos, rápidos e inteligentes que se aprofundam em questões que envolvem todo o grupo. Patrick Bruel é um nome das comédias francesas. Valérie Benguigi é Elisabeth, a irmã de Vincent e com este filme, leva o César de atriz coadjuvante. Ela havia já abocanhado com o mesmo papel o Moliére, a versão do César para o teatro e nos deixou cedo demais, aos 47 anos, em 2013.  

Perfume (2006, Tom Tykwer) – 147 min
Para acelerar os batimentos cardíacos, outra adaptação, agora da literatura para o cinema. Perfume é um filme diferente. Quem me conhece, sabe que gosto de filmes estranhos.  Sendo gosto uma forma subjetiva e ‘estranho’ um adjetivo que segue a mesma linha, vou especificar: gosto de filmes que tendem um pouco pro bizarro, pro implícito, pro subliminar, para aquele olhar desconfiado que damos ao encontrar alto estranhamente atraente. Gosto, por isso, de David Lynch e Stanley Kubrick, os prefiro a Spielberg. Gosto de Polanski e Scorsese, mas entre um e outro, fico com o primeiro pela mesma razão e sensação. Tom Tykwer consegue um pouco das duas coisas. O primeiro filme que vi dele é um super famoso ‘alternativo’, Corra Lola, Corra (1998), bacana, brinca com as alternativas, naquela ideia de histórias baseadas no ‘e se’. Mas o que me prendeu mesmo foi Paraíso(2002). Esse filme tem algo diferente, uma história de amor escrita por Kieslowski, com Cate Blanchet e Giovani Ribisi e é tudo o que eu vou falar sobre ele. Perfume chega com um peso ainda maior: Jean-Baptiste (Ben Wishaw) nasceu com um dom especial, um senso olfativo acima da média e com isso, é especialista em perfumes. Sua obsessão é encontrar a essência perfeita e um mundo obscuro se descortina – como em todos os filmes sobre obsessões, esse também escorre para o sombrio. Com uma fotografia e atores em performances extraordinárias (Wishaw, Allan Rickman, Dustin Hoffman), foi um dos melhores de 2006. 

Buena Vista Social Club (1999, Wim Wenders) – 105 min
Buena Vista foi o documentário que abriu as portas para a música cubana para muita gente. Ry Cooder junta um grupo de músicos e compositores brilhantes do país e juntos saem em uma turnê que toma o mundo. Com esta missão, o filme acompanha o resgate, trazendo a glória de tempos passados de volta. O filme é uma delícia não só pela música, mas por seus personagens, suas histórias, o quando a história de Cuba invade aquelas vidas e as transforma. Wim Wenders, em tese, não deve ser apresentado. O diretor faz tanto filmes de ficção quanto documentários com uma qualidade narrativa inquestionável e aqui não é diferente. Menos denso do que suas produções alemãs e mais leve pela característica tanto dos personagens que retrata quanto pela música, é o final ideal dessa lista. Para quem tem dúvidas ainda, cito os mestres presentes: Ibrahim Ferrer, Rubén González, Compay Segundo, Eliades Ochoa e Omara Portuondo. Comprei o disco, tenho o dvd e é uma alegria vê-lo na locadora, livre aí para todo mundo. É curto demais para o prazer que proporciona.
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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