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Café: extra-forte

Aproveitando a nova febre provocada por Stranger Things que já toma conta de quem assiste a Netflix, segue uma seleção especialíssima com filmes que são referência para a série e outros tão imperdíveis quanto, lançados na nossa amada década de 80. Foi uma década um tanto brega e sincera, onde a adolescência e infância ainda eram de brincar na rua e não havia tantos equipamentos eletrônicos – além dos videogames – para nos deixar trancados em nossas casas, nos impedindo de ralar os joelhos, andar de bicicleta e fazer aquelas amizades de vida inteira. Os anos 80 trouxeram muita música boa, um cinema americano forte e criativo que ainda trazia essa ousadia em conteúdos que nossa política de boa vizinhança atual impede e toda a minha infância em programações moralmente condenáveis na televisão brasileira. Não poderia ser melhor. Para homenagear este momento, eis algumas Maravilhosidades dos anos 80!

Stranger Things (2016, de The Duffer Brothers) – 50min – 8 episódios
Lançado esse mês na Netflix, Stranger Things é o novo sucesso avassalador da programadora-produtora de conteúdo não linear. Ambientada nos anos 80, com referências da cultura da época – cinema, música, televisão, moda, estilo de vida – a série de ficção científica, aventura e suspense garante entretenimento em seus oito episódios, surpreendendo com bons atores, sob a apresentação de três já consagrados: Winona Ryder, Matthew Modine e David Harbour. Will Byers (Noah Schnapp) desaparece ao voltar pra casa à noite após terminar uma partida de RPG em uma pequena e pacata cidade americana, onde todo mundo se conhece. O xerife Jim Hopper (Harbour) entra no circuito a fim de ajudar a mãe (Ryder) que se recusa a acreditar no ocorrido, enquanto os amigos de Will fazem sua própria investigação. Situações estranhas tomam conta da cidade e seus habitantes, desencavando antigos mistérios da região. Tenso e intenso até o final, nos deixa já querendo a próxima temporada e sofrendo ao perceber que só a teremos ano que vem. Dá pra ver tudo em um dia só.

Conta Comigo (1986, de Rob Reiner) – 89 min
Já indicado aqui em outra sessão, segue novamente para quem perdeu, aproveitando este grupo de amigos que têm muito em comum com os de Stranger: Rob Reiner dirigindo este nos anos 80, com River Phoenix, Kiefer Sutherland (lembra aquela série 24 Horas?) ainda crianças, e baseado em um livro de Stephen King, é uma história sobre infância e amizade, onde um grupo de amigos se envolve em uma aventura bastante perigosa. Filme com carimbo de sessão da tarde da minha infância, deve ter passado mais de 100 vezes na televisão, mas ainda acredito que nem todo mundo viu. Tem uma cena traumatizante, que me fez ter medo de água de rio durante muito tempo, mas deixo em aberto para não estragar a surpresa. Se ainda precisa de referências, Rob Reiner fez Harry e Sally (1989), que indiquei na primeira edição das Maravilhosidades e A história de nós dois (1999), além de ser ator, produtor e roteirista. Vale cada minuto.

Tubarão (1975, de Steven Spielberg) – 124 min
Um pôster na parede do quarto de Will e é tudo o que você precisa para lembrar Tubarão. Também já indicado anteriormente – clássicos são para rever – aqui funciona como uma lembrança de anos antes na vida dos garotos da série, já que este é de 75. Spielberg nos traz um suspense aterrador sobre um tubarão que ameaça uma praia e a única solução que o homem encontra para ter paz e poder mergulhar novamente é matá-lo. Mas o tubarão não é bobo nem nada, então dá bastante trabalho e literalmente toca o terror onde aparece. A sinopse é simples assim mesmo, mas o filme é maravilhoso. É um dos marcos do cinema de terror, um dos marcos na carreira do diretor que todo mundo conhece. Tem seus momentos trash, mas de forma geral é até um filme sério, considerando seu gênero. Levou três Oscars, é um dos filmes mais cultuados de todos os tempos e em todo mundo, e carrega um elenco de peso: Roy Schieder, Robert Shaw e Richard Dreyfuss.

ET – o extraterrestre (1982, de Steven Spielberg) – 115 min
Clássico da infância e adolescência e outro filme de Spielberg, ET marcou gerações inteiras nas milhares de vezes em que foi exibido em cinemas e canais de televisão. É o filme que traz Drew Barrymore e Henry Thomas novinhos, é o filme de contato da infância com o universo da ficção científica de forma dramática, divertida e não assustadora. É, acima de tudo, um filme que fala sobre família e amizade. Ainda que não seja dos meus favoritos, é inegável sua importância para o cinema. É, por fim, mais uma referência para a série e é lembrado em vários momentos.

Curtindo a vida adoidado (1986, de John Hughes) – 103 min
Saindo da infância e entrando na adolescência, chega outra maravilhosidade única em nossas vidas: Curtindo a vida adoidado. Pode ser que alguém tenha perdido quando foi lançado e, se aconteceu mesmo, está aí uma ótima oportunidade de ver um filme nostálgico e divertido. Matthew Broderick é Ferris Bueller, um garoto que decidiu faltar um dia de aula porque sim, porque estava a fim. E essa a aventura que acompanhamos junto com sua namorada (Mia Sara) e seu melhor amigo (Alan Ruck) pelas ruas de Nova York, enquanto sua irmã (Jennifer Grey), que nunca consegue se dar bem tenta, a todo custo, estragar os planos do nosso herói. Tem romance, intriga, comédia e aventura – para todos os gostos. Um dos filmes mais cultuados de todos os tempos e reprisado ad eternum na sessão da tarde.

Bônus!!
Contatos imediatos de terceiro grau (1977, de Steven Spielberg) – 137 min
Grande referência para a série, outro filme de Spielberg (sim, ele é um dos diretores da década e seus temas acontecem fortemente na série), este tem um adicional incrível, que é a presença de ninguém menos que François Truffaut ao lado de Richard Dreyfuss, um dos maiores diretores do cinema francês, no papel de Claude Lacombe. Com John Williams compondo a trilha sonora (Tubarão, Guerra nas Estrelas) e uma equipe de peso, não preciso dizer mais nada, quando descubro este trailer incrível. Mesmo se já conhecer o filme, vale a pena o trailer.
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Parece mentira, mas sim, voltamos com as Maravilhosidades semanais, com o Café de cara nova e com a inclusão de toda uma vida literária que acontecia no Medium, em português e inglês. O plano para 2019 é focar, então fica tudo agora aqui, junto, misturado e organizado. Vai dar certo (eu acho)!

As Maravilhosidades também mudaram, porque, com o trabalho, a pós, os contos, críticas e crônicas, não está sendo fácil. Continuaremos semanais, mas com três dicas especialíssimas como sempre e diversas, porque ninguém vive só de comédia romântica, documentário e grandes diretores. ;)
Agora chega de falação e segue a primeira edição deste ano desafiador:

Roma
Roma || Alfonso Cuarón - 2018 || 135 min
Cuarón estava inspirado com esse. O diretor de E sua mãe também (2001), Filhos da Esperança (2006) e Gravidade (2013), não apenas dirigiu esse, como foi co-editor, fotógrafo e roteirista. A fotografia em preto e branco impressiona, o apuro visual dos enquadramentos e suas sequências são de tirar o fôlego ao mesmo tempo que instituem um tempo diferente do olhar. E ainda, realizando o segundo desafio maior de um cineasta (o primeiro seria filmar em plano-sequência): filmar na ordem dos acontecimentos.

Estamos falando da Cidade do México no início dos anos 70, com uma turbulência social iminente e e se espalhando pelas ruas e as velhas tradições encontrando as transformações sociais em uma casa de classe média. O protagonismo está na empregada doméstica Cléo: uma mulher jovem, que vem do interior do país para morar na casa, nada diferente do que nos aconteceu por anos no Brasil. O filme é magnífico, a atriz Yalitza Aparicio havia acabado de se formar como professora e após quase um ano definindo o elenco, o diretor a encontrou. O filme é uma produção original da Netflix e acaba de levar os Globos de Ouro de melhor filme, melhor diretor e roteiro. Não tenha dúvidas, vale a experiência. Só não espere nada muito americano aqui, a pegada é outra.

Bônus: entrevista de cinco minutos em inglês, com Cuarón e vários convidados ilustríssimos.

The lobster
The Lobster || Yorgo Lanthimos - 2015 || 119 min
Não sei se todo mundo percebeu esse filme chegando em dezembro do recém-finado 2018. Ele é estranho, porque a estranheza faz parte de sua estética e de tudo o que propõe, o que o torna ainda mais interessante. Colin Farrell é um recém-divorciado que se hospeda em um hotel e precisa encontrar um novo par ou será transformado em um animal. Rachel Weisz é uma mulher cegamente apaixonada.

É o apocalipse para as pessoas solteiras, a solidão é uma ameaça à vida humana e precisa ser combatida a todo custo. Um dos filmes mais críticos, interessantes e inteligentes de 2015, levou a Palma de Ouro e outros 33 prêmios pelo mundo. Vale cada minuto e carrega grande elenco.
Ainda em dúvida? Veja o trailer!

Marie Kondo
Ordem na casa, com Marie Kondo || Marie Kondo - 2019 || 40 min/eps
Correndo o risco de apanhar aqui, a série é interessante, juro! Marie Kondo é uma escritora e consultora de arrumação (organizadora, se preferir) japonesa. Ela lançou alguns livros que viraram best sellers instantaneamente e ainda tem um canal no Youtube. Agora entra na Netflix com essa série fofa e até curta acerca do mesmo macro tema: organizar a casa para viver melhor. Parece simples e óbvio, mas levanta questões. Para quem é adepto de uma cultura minimalista, menos consumista, talvez não veja grandes novidades, mas vale pelo menos, para pegar umas dicas.

Arrisco dizer até que não precisa ver todos os episódios, mas é legal acompanhar os primeiros e entender o porquê do sucesso dessa moça, como suas ideias simples te levam a refletir sobre seu modo de viver com o que você tem - de bens a familiares e amigos. Tudo o que você tem lhe traz alegria? Antes de reclamar comigo por indicar uma série que parece auto-ajuda + qualquer outra de arrumação, dá uma chance. E, qualquer coisa, investe no documentário já indicado aqui, Minimalismo.

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Chegou a semana de Carnaval e nem todo mundo está radiante com isso. Mentira, todo mundo está – mesmo não gostando da festa, há tempo de sobra para aproveitar e colocar a vida em dia, descansar, ver algum filme que preste, fazer nada, ficar de preguiça em casa lendo, de perna pro ar. Para isso, resolvi seu primeiro problema: aqui começa a lista das Maravilhosidades da Netflix – Semana de Carnaval! São três etapas, então pegue seu caderninho (ou ipad, ou tablet, ou celular, o que você quiser, enfim) e tome nota! Em dois dias, mando mais 5 dicas incríveis!
 
Chef’s Table (2015-, de David Gelb) – 50 minutos/episódio – 3ª temporada
Em sua terceira temporada, Chef’s Table é uma grande opção para começar o Carnaval em casa. Eu sei, parece estranho, mas quem não gosta da festa e não tem como viajar, precisa de uma programação deliciosa. Já no primeiro episódio vemos uma chef monge que saiu de casa porque não queria filhos e queria encontrar sua liberdade – na Coreia do Sul, isso também significa não se casar. Ela cozinha onde vive, para as outras monjas e é convidada pelo mundo inteiro para oficinas sobre sua forma de cozinhar, cultivar seus vegetais na maravilhosa e ultra orgânica horta que tem e viver. É uma lição de vida, filosofia, natureza. E é só o primeiro episódio. A série inteira é magnífica.

13ª Emenda (2016, de Ava DuVernay) – 100 minutos
Candidato ao Oscar de melhor documentário esse ano e produzido pela Netflix, 13ª Emenda é uma aula de história social, um filme provocador  e até seria polêmico, se não tratasse apenas da realidade da disparidade racial norte-americana. A 13ª Emenda da Constituição tenta abolir a escravidão com uma grande vírgula que faz toda a diferença no discurso e promove um tipo de racismo grave, criminoso e mórbido. O filme extrapola o assunto para o dia a dia de forma dinâmica e direta, quase sem deixar espaço para respirarmos, trazendo desde a criminalização do negro e sua punição, aos assassinatos de negros nas ruas – fato cotidiano. Fundamental e urgente, vale assistir em casa, chamar os amigos, levar para as universidades e escolas, discutir no trabalho. Todas as opções. Da mesma diretora de Selma (2014), Ava DuVernay. Crítica no Café!

A Casa dos Espíritos (1993, de Billie August) – 140 minutos
Lançado nos anos 90, provavelmente o assisti no final da década, ainda adolescente. O filme, baseado no romance homônimo de Isabel Allende, é um drama familiar, que conta a história da família de Clara (Meryl Streep) e Esteban (Jeremy Irons), ela uma mulher extremamente sensível e um pouco médium, ele um homem duro, fazendeiro, patriarca e machista, no interior do Chile. Eles têm Blanca (Winona Rider), a primogênita que se apaixona por Pedro (Antonio Banderas), que trabalha para Esteban, mas é socialista. Não vale contar mais, mas é um filme que, mesmo tendo passado muitas vezes na tv aberta, vale cada segundo, por toda a construção do drama, a saga familiar ainda é pincelada com toques da literatura fantástica. Do mesmo diretor de Trem noturno para Lisboa (2013), levou 12 prêmios e vale rever. O livro é sensacional.

Jumanji (1995, de Joe Johnston) – 144 minutos
Uma aventura para toda a família! Parece chamada da programação da tv aberta, mas é a mais pura verdade. Esse filme da sessão da tarde conquistou nossos corações desde muito cedo e conta com o incrível Robin Williams como o Alan Parrish, o homem que encontrou, quando garoto, um jogo de tabuleiro chamado Jumanji. Ele está preso na floresta por 25 anos e agora, Judy (Kirsten Dunst) e  Peter (Bradley Pierce) descobrem o mesmo jogo e todos se encontrarão neste mundo meio mágico, meio real. É um grade filme para ver com crianças, mas se você for adulto, não se iniba, é super divertido e leve. Pense que é do mesmo diretor de Querida, encolhi as crianças (1989) e que tem, de novo, Robin Williams (é sempre bom lembrar).

Journey to Greenland (2016, de Sébastien Betbeder) – 108 minutos
Dois amigos parisienses, atores frustrados de trinta e poucos anos e que atendem pelo mesmo nome – Thomas – aceitam o convite do pai de um deles para visita-lo na Groenlândia. Juntos, descobrirão a cultura inuit, uma forma de vida muito mais simples do que aquela da capital francesa e aprenderão a lidar com as diferenças. É aquele filme descrito como ‘despretensioso’ e que gera boas risadas e emoção. A relação com o pai Nathan é posta à prova e seguimos encantados com o oposto de nossas vidas. Vale pela diferença, por vermos uma forma de viver – há muitos não atores e cenários realistas e reais todo o tempo, que quase poderia ser um documentário – tão oposta à nossa, de pensarmos em nossa realidade e se queremos isso para nós, e de ver um filme em um lugar novo, bastante incomum de se apresentar em qualquer tela. Talvez isso até seja bom. Vale muito a pena, vai ver!
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Estamos de volta depois de algum tempo, com muitas histórias para contar e já acabando este incrível mês de abril e seus feriados inesquecíveis. Estamos de volta com as Maravilhosidades e aos poucos, as críticas dos filmes e séries mais relevantes. Sem mais delongas, segue nossa lista incrível para começar Maio do jeito certo - com feriado na segunda-feira!!

Ex-Machina: instinto artificial (2014, de Alex Garland) – 108 minutos
Três atores dominam toda a trama. Um programador, Caleb (Domhnall Gleeson, um dos melhores atores do momento - guarde esse nome), é convidado para um projeto experimental com Nathan (Oscar Isaac), uma grande figura do mundo tecnológico. A experiência se passará na casa deste líder e se dará em torno da interação com Ava (Alicia Vikander), um robô de feições femininas, para avaliar suas qualidades humanas. A partir disso, muita coisa vai acontecer e encontraremos muitas outras relações com humanidades e desumanidades neste tenso suspense. Não é terror,  não se engane, mas é impressionante a capacidade que o filme tem em nos prender a cada segundo, com tantas restrições: um mesmo cenário, os mesmos brilhantes atores. Conhecido por filmes tensos, Alex Garland foi indicado ao Oscar de melhor diretor por esse filme, que levou outros 64 prêmios, inclusive a estatueta de melhores Efeitos Visuais.

Nebraska (2013, de Alexander Payne) – 115 minutos
Se você busca uma experiência estética em um filme simples e direto, te apresento Nebraska. Rodado em preto e branco, com uma fotografia linda e limpa, grandes enquadramentos, o drama/comédia está centrado na vida de Woody Grant (Bruce Dern) que decide buscar um prêmio de revista de um milhão de dólares em Nebraska. Seu filho David (Will Forte), entendendo a estranheza da situação, tenta convencer o pai a desistir da ideia e, encontrando resistência, se junta a ele nesta viagem. Com um humor ácido e duro, o filme não é uma comédia de gargalhadas, mas os diálogos impressionam em inteligência e sarcasmo. O diretor é conhecido por isso, por filmes humanos e brilhantes, que intercarlam personagens de grandes corações e aqueles outros que infelizmente encontramos na vida real. Os Descendentes (2011), Sideways (2004) e As Confissões de Schmidt (2002) são outros filmes do diretor.

Minimalism – a documentary about the important things (2015, de Matt D’Avella) – 79 minutos
Podemos viver com menos? Tudo o que temos, todas as nossas coisas, são fundamentais, imprescindíveis em nossas vidas? Joshua Millburn e Ryan Nicodemus são amigos de longa data que, após conquistarem as carreiras dos sonhos e terem tudo o que queriam, viram que não precisavam de tanto, que esse querer tudo causava mais angústia e vazio do que satisfação e felicidade. Eles mudaram seus hábitos e isso resultou em um livro sobre uma forma de viver mais simples. Contando assim, parece pouco e óbvio, mas o filme traz este e outros exemplos, alternativas ao ritmo de vida e consumo a que todos, ou quase todos, estamos acostumados. Vale a experiência.

Um lugar chamado Notting Hill (1999, de Roger Michell) – 124 minutos
Julia Roberts e Hugh Grant em uma comédia fofíssima na saída dos anos 90 é tudo o que precisamos neste feriado. Muito provavelmente os viciados em comédias românticas já passaram por aqui, mas é um filme leve, bobo e divertido, que dá pra rever sem sacrifícios. Comédia inglesa, Anna Scott (Roberts)é uma grande atriz que vai fazer um filme em Londres e se depara com William Thacker (Grant), um livreiro que mora e trabalha em Notting Hill. Os encontros e desencontros com atores ótimos, grande trilha sonora, bom timming para comédia e uma certeza de que tudo acabará bem pode ser o que você precisa para um fim de semana tranquilo e alegre.

13 reasons why (2017, de Brian Yorkey) – 60 minutos/eps - 13 episódios
A ideia é sempre ter uma série para indicar e esta 13 reasons why, ganha créditos muito por conta de sua polêmica. Hannah Baker (Katherine Langford) é uma garota de 16 anos se suicida e antes disso, grava fitas cassete com seus motivos para o ato. As razões, ela diz, são as atitudes que as pessoas de seu entorno tiveram, que contribuíram para o trágico desfecho. Clay Jensen (Dylan Minnette) é um de seus melhores amigos que acaba de receber em casa a série de fitas e se vê obrigado a ouvi-las. A série trata de bullying, em resumo, de depressão, transversalmente e das relações pessoais neste momento de formação da personalidade. Aí há envolvimento familiar, escola, educação, amizades e amores. A grande questão do suicídio adolescente é posta à prova e a série prende o espectador, mas não é a última novidade em termos estéticos ou narrativos. Vale assistir entendendo, inclusive, que poderia ter menos episódios, que algumas histórias poderiam ser condensadas, mas tudo faz parte do jogo. A dica aqui é que se assista a alguns episódios e veja se interessa. A parte boa é que talvez te remeta às suas próprias histórias quando adolescente. Talvez para o público estadunidense seja mais impressionante, já que o bullying lá é muito mais agressivo. Em breve sairá aqui sua crítica completa.
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Chegamos à décima edição das Maravilhosidades e ela vem com tudo!! Semana de pós-feriado é sempre correria do lado de cá. Voltando de Salvador, resolvendo coisas de casa e vida, daquele jeito. E na primeira semana de abril a Netflix nos deu não sei quantos presentes, que bem já passei o olho, mas vamos com calma que o que não falta é filme bom para vermos, em qualquer época. Como este fim de semana chega à velocidade máxima e está fazendo sol por aqui, selecionei filmes de impacto, com um pouquinho de nada de alívio, para ficarmos no clima certo.

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Blue Jasmine (2013, de Woody Allen) – 98 min
Woody Allen se superou nesse filme, que não seria nada sem a presença de Cate Blanchet. É muito difícil dizer que uma atriz é a melhor de sua geração, mas Cate, se não for a melhor está no top 3, com certeza. Ela é Jasmine, a irmã antes rica e agora entregue à rua da amargura, de Ginger (Sally Hawkins, outra incrível e menos conhecida que ganhou meu coração em Simplesmente Feliz, de Mike Leigh), com quem vai procurar abrigo após perder o marido, um especulador golpista. O filme centra todo na atuação de Blanchet e sua transformação, da riqueza à derrocada e essa adaptação a um novo estilo de vida. Ácido, mordaz, sarcástico do início ao fim, consegue ser um misto de comédia leve – típica do autor – e drama. Você vai rir mesmo se não gostar de Woody Allen e ainda encontrará Alec Baldwin novamente, Bobby Cannavale e Louis CK em uma curta participação.

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Álbum de família (2013, de John Wells ) – 121 min
Julia Roberts e Meryl Streep confirmam sozinhas a relevância desse drama carregado de tiradas ainda mais ácidas e cruéis do que Jasmine. A família de Violet Weston (Streep), uma mulher amarga e difícil, se reúne para lhe visitar após o desaparecimento do marido (Sam Shepard). As filhas, Barbara (Roberts), Ivy (Julianne Nicholson) e Karen (Juliete Lewis) com suas famílias aparecem para um difícil e conturbado encontro – ainda assim, regado a recordações e gargalhadas. A importância e qualidade do filme estão na identificação que temos com ele em determinados trechos e nossas próprias famílias – especialmente se não moramos mais com nossos pais e os vemos em visitas ocasionais. Difícil, inteligente e ácido, vale a pena, nem que seja para ver o jogo de cena de um elenco sensacional. Aqui você ainda encontrará Ewan McGregor, Chris Cooper, Margo Martindale, Dermot Mulroney, Abigail Breslin e Benedict Cumberbatch. 

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Piaf: um hino ao amor (2007, de Olivier Dahan) – 140 min
Saindo da comédia difícil para o drama de verdade, segue Piaf: um hino ao amor (o título em português remete a uma das músicas mais famosas na voz de Edith Piaf). Aqui vemos a história de vida da cantora ícone francesa incorporada por Marion Cotillard em uma performance que lhe garantiu de uma só vez o Oscar, Globo de Ouro, BAFTA, César, Cannes e outros prêmios de melhor atriz em festivais menores. Como uma biografia clássica, o filme nos carrega para a trajetória da cantora, da ascensão à morte e conhecemos mais sobre a voz e a vida dessa mulher forte, sofrida e maravilhosa. Vale muito o investimento!

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Casamento grego (2002, de Joel Zwick) – 95 min
Depois de tanto sofrimento, alguma leveza é fundamental. Casamento Grego é uma comédia romântica engraçadíssima, no melhor estilo ‘não quero pensar nos meus problemas agora’ que você pode assistir neste fim de semana. Leve, despretensiosa e boba, mostra o estereótipo de uma grande família grega que, ao contrário do Álbum de Família, traduz tudo em piada, até as questões mais sérias. É para baixar a guarda e se permitir uma brincadeira animada e bem construída. Lembrei tão carinhosamente desse filme agora que até vou rever! É com Nia Vardalos, que também assina o roteiro e John Corbett, o Adam, da série Sex and the City.

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Habemus Papam (2011, de Nanni Moretti) – 102 min
Uma vez eu li em algum lugar que Nanni Moretti era o Woody Allen da Itália. Eu acho que poucas coisas os unem: a comédia inteligente e a participação nos filmes como atores, além da direção. Mas os dois são completamente distintos, na vida real. O tipo de comédia é diferente, a forma de filmar, o tratamento dos atores, os roteiros, enfim, tudo muda. Neste Habemus Papam vemos a história de um conclave que parece dar errado. A escolha papal pode ser um tormento e fardo para seus candidatos, pela pressão de ‘presidir’ a igreja Católica. Assim, chamam um psicanalista (Moretti) para ajudar o futuro papa em suas questões, para que fique firme diante da decisão de todos e nem tudo sai nos conformes. O filme não é de gargalhadas, mas de uma comédia mais refinada, que pode passar despercebida se o assistirmos com pressa em sermos agradados. Ele funcionou comigo um pouco como Juventude (nos cinemas a partir desta semana, com crítica aqui no Café) que nos toma um tempo para digerir e verificar sua importância. Gostei bastante dos dois e ambos são italianos, o que pode ser um fator em comum neste processo, já que o cinema de lá não vem com tanta frequência para nós e ficamos com aquelas referências antigas e os filmes independentes. Este vale o desafio. 
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Pense comigo: janeiro não conta, verão. Fevereiro então, só depois que o carnaval passar. Aí, achamos que o ano ia começar em março, que parece ser um dos meses mais longos (e maravilhosos) do ano, mas ele trouxe a semana santa. Abril chegou com tudo, todos os feriados e basicamente passamos uma semana atrás da outra com um dia a menos. Só me resta concluir que o ano começa agora, nesta primeira semana de maio que já inaugura com um feriado, o dia do trabalho. As indicações desta semana também falam sobre isso, então, sem mais delongas, eis as Maravilhosidades para começar esse ano confuso:

Capacetes Brancos (2016, de Orlando Von Einsiedel) – 41 minutos
Começando já com uma porrada, vamos para o documentário que ganhou o Oscar na categoria de Curtas e tem tudo a ver com o dia do trabalho. Capacetes Brancos conta a história de um grupo de resgate de vítimas de bombardeamentos na Síria. Estes homens estão em plantão sem folgas e em constante risco de vida sob escombros, resgatando pessoas enquanto os Estados Unidos, a Rússia e o próprio governo local atacam as cidades sírias. Acho, no mínimo irônico, que se premie nos Estados Unidos esses filmes de guerra onde quem premia é quem ataca, mas essa nação é ‘especial’ e nós sabemos disso há bastante tempo. Em todo caso, o filme vale muito a pena, porque expõe esses heróis que não buscam reconhecimento, mas salvar seus conterrâneos, familiares, amigos, qualquer um que necessite apoio. Impressionante e emocionante, não busca resultados e nem acusar vítimas e algozes, mas somente expor a vida desses homens, seu treinamento e suas tragédias domésticas.

Cara gente branca (2017, de Justin Simien) – 30min/episódio – 10 episódios
Série recém-lançada na Netflix, com dez episódios curtos, você assiste de uma só vez e depois enfrenta aquela crise existencial de ‘o que fazer agora’. Samantha White (Logan Browning) é estudante e residente na universidade de Winchester, nos Estados Unidos e é locutora de um programa de rádio que critica as relações entre brancos e negros em sua comunidade. Ela mora em uma república para negros e se relaciona com um Gabe (John Patrick Amedori), um estudante de cinema, branco, criando resistência entre seus amigos, em sua maioria, ativistas. Esta é apenas uma das questões abordadas, como as relações de poder, a violência e diferenciação policial com relação a negros e muito mais. Claramente é uma crítica a uma sociedade racista como sabemos ser a americana – cujas semelhanças vemos aqui – e vemos os episódios como aconteceu em 13 razões, cada um com foco em um personagem, sua história particular e como ela se relaciona com a história principal. Espere bons diálogos, entre comédia e drama, estereótipos dos dois lados e personagens que se tornam mais complexos a cada episódio. Referências culturais identificam o preparo dos roteiristas, que buscavam fugir da crítica social rasa. Provavelmente terá segunda temporada, já que essa garantiu um final com continuação e deve incomodar muita gente branca de bem. Baseado no filme homônimo de 2014.

Ela (2013, de Spike Jonze) – 126 minutos
Estreia de Maio na Netflix, um dos melhores filmes de 2013. Joaquim Phoenix é Theodore, um homem que desenvolve um relacionamento estritamente virtual e aí encontraremos grandes semelhanças com nossas vidas e formas com que nos relacionamos com amigos, família e amores, em torno de redes sociais e de como estamos dependentes de nossos aparelhos como se fossem extensões de nós mesmos. Grande filme, que trata também de solidão e de como, muitas vezes, escolhemos, sem perceber, essa forma de viver. O filme ainda conta com Amy Adams, Kristen Wiig, Rooney Mara, Chris Pratt e Scarlett Johansson. Levou o Oscar de melhor roteiro original (Spike Jonze, se não lembra quem ele é, te ajudo: Quero ser John Malkovich (1999), Adaptação (2002),  Onde vivem os monstros (2012)). Brilhante, imperdível e tem crítica especial no Café, clica aqui!

Karate Kid – A hora da verdade (1984, de John G. Avildsen) – 126 minutos
Como toda videolocadora que se preze, há que manter seus filmes dos anos oitenta. Karatê Kid é um de nossos favoritos da sessão da tarde e não poderia faltar. As sequências também seguem na Netflix, mas importante mesmo é ver o primeiro. As relações escolares, o eterno bullying americano na adolescência, o mentor, ninguém menos que o Senhor Miyagi (Pat Morita) que ajuda Daniel (Ralph Macchio) a mais do que se vingar e aprender a se defender, mas ser um atleta, uma pessoa justa que joga limpo. Ótimo filme, aula de roteiro, vale rever e estranhar o fato de não estar dublado - talvez eu visse assim mesmo, em homenagem aos 'velhos tempos'. Do mesmo diretor do primeiro Rocky (1976), caso você precise de mais argumentos.

O leitor (2008, de Stephen Daldry) – 124 minutos
Para terminar bem essa semana, te mando um grande filme, desses que te deixam pensando por algumas semanas. O Leitor conta a história entre o fim de um relacionamento de Michael (David Kross / Ralph Fiennes) com Hanna (Kate Winslet), uma mulher sombria, dura e sensível no pós-segunda guerra mundial e o que acontece dez anos depois, quando eles se encontram no tribunal em que ela se defende da acusação de ter cometido crimes de guerra. Impressionante, humano e tenso, é impossível levar o filme até o final com certezas inabaláveis. Grandes performances de Kate Winslet (que levou o Oscar e o Globo de Ouro), Ralph Fiennes e David Kross. Do mesmo diretor de Billie Elliot (2000) e As Horas (2002).
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Winter is coming aqui no Rio de Janeiro... ou será que já atingiu o Brasil todo? O fato é que nesta capital está muito frio, uma frente fria veio nos salvar – e talvez me deixar resfriada – do calor absurdo de um verão maior do que o normal. E nesse friozinho, vocês me desculpem, mas minha baianidade só me permite ficar em casa, entre livros e filmes, sendo feliz na minha cabana de edredon, a base de café. Para contribuir com esse momento aconchegante de preguiça, pijama e meia, sozinho ou acompanhado, seguem as dicas para esta semana feliz:

Chef’s Table (2015, de Clay Jetter, Brian McGinn, Andrew Fried, David Gelb) – 50 min
Poderia ser mais uma série sobre comida, dessas que abundam nos canais de tv por assinatura, mas esta parece ter algo especial. Como fã de comida e tudo o que a envolve, essa trata dos chefs, um retrato conciso e interessante que dá importância e nos traz o conhecimento sobre algum grande mestre da culinária internacional. O primeiro episódio é sobre Massimo Bottura, este da foto, e de repente estamos em Módena, conversando e conhecendo um homem que modernizou a culinária italiana, que já nos parecia ótima em sua forma tradicional. A fotografia ajuda enormemente e aí temos vontade de morder a tela. Este mês estreia a segunda temporada totalizando doze episódios em sequência de uma das coisas mais gostosas da Netflix.

Thelma & Louise (1991, de Ridley Scott) – 130 min
Estaria na estante dos clássicos modernos, filme que fala sobre amizade, sobre mulheres, sobre machismo e liberdade. Quando estudava roteiro na faculdade, meu professor costumava dizer que este é um filme completo; sua estrutura é perfeita, seus pontos de narrativa e virada funcionavam no padrão clássico e ainda era híbrido em gênero. Eu concordo com tudo, mas você nem precisa intelectualizar e tentar explicar demais. Vai assistir as performances de Geena Davis, Susan Sarandon e Harvey Keitel, vai encontrar Brad Pitt em início de carreira e corre para ver os desdobramentos de um filme fácil de ver e que, ainda assim, toca em questões universais e relevantes ainda hoje. Se ainda precisar de mais referências, Ridley Scott é diretor deste e de Alien, Gladiador e Blade Runner.  

Manhattan (1979, de Woody Allen) – 96 min
Bem achei que já tinha indicado este, mas me parece que só escrevi a crítica. Este é um dos trabalhos que deu relevância a um Woody Allen de quase quarenta anos atrás, antes de rodar pela Europa, mas já consagrado, escalando Meryl Streep, Diane Keaton e Mariel Hemingway, todas bastante jovens e já grandes atrizes. Ele já seguia fazendo filmes em Nova York e esse aqui é de uma beleza sem igual. Ele está no filme então se você o odeia ou não gosta dele atuando, talvez encha o saco, mas é realmente bonito e inteligente. Tem outra questão polêmica, que é o relacionamento dele com uma garota e aí entram questões delicadas e difíceis de digerir, pensando na própria história de vida do diretor. Em todo caso, o filme tem uma beleza fotográfica, é uma ode a Manhattan, tem aquele velho jazz maravilhoso de todos os seus filmes e grandes diálogos. Eu acho uma delícia para esse inverno súbito. A crítica está aqui!

Bonequinha de Luxo (1961, de Blake Edwards) – 115 min
E já que estamos em Manhattan, por que não um clássico da cidade? Bonequinha de Luxo traz Audrey Hepburn como essa moça que tenta ganhar a vida em uma das cidades mais caras do mundo e sonha com luxo e vida fácil enquanto esbarra no dia a dia de encontros vazios, festas e assédios. Dirigido por Blake Edwards – o pai daqueles clássicos da Pantera Cor de Rosa, com Peter Sellers – e baseado no livro homônimo de Truman Capote é uma versão da cidade de mais de cinquenta anos atrás e em muitos momentos não conseguimos entender como uma garota frágil como Holly Golightly consegue sobreviver naquela cidade de homens – mas ela também não é boba nem nada. É uma comédia romântica, gostosa e leve para uma tarde fria. Lembra daquela música Moon River? Está aqui.
 
Johnny e June (2005, de James Mangold) – 136 min
Pulando pra música, Johnny Cash. Este drama conta um pouco da história de um dos cantores mais importantes dos Estados Unidos e foca precisamente na relação com June Carter, que depois de muita novela, virou sua mulher e parceira. A história é linda, traz Joaquin Phoenix em uma caracterização que daria para dizer incorporação do cantor. Ele não somente interpreta muito bem – para quem não lembra, é o ator de Her (2013, de Spike Jonze) – como canta muito bem, dando voz à trilha sonora do filme. Reese Witherspoon não fica atrás e juntos eles têm uma química que faz gosto de ver na tela. Filme grande, americano clássico, provavelmente terá algumas diferenciações da vida real do cantor e algum fã super fiel pode reclamar, mas se você quer só se divertir e conhecer um pouco da vida e carreira de Johnny Cash, vem ver.

Conta comigo (1986, de Rob Reiner) – 89 min
O filme extra da sessão, porque me empolguei hoje, é Conta Comigo. Rob Reiner dos anos 90, com River Phoenix (o irmão de Joaquin, da dica anterior), Kiefer Sutherland (lembra aquela série 24 Horas?) ainda crianças, e baseado em um livro de Stephen King, é uma história sobre infância e amizade, onde um grupo de amigos se envolve em uma aventura bastante perigosa. Filme com carimbo de sessão da tarde da minha infância, deve ter passado mais de 100 vezes na televisão, mas ainda acredito que nem todo mundo viu. Tem uma cena traumatizante para mim, que me fez ter medo de água de rio durante muito tempo, mas deixo em aberto para não estragar a surpresa. Se ainda precisa de referências, Rob Reiner fez Harry e Sally (1989), que indiquei na primeira edição das Maravilhosidades e A história de nós dois (1999), além de ser ator, produtor e roteirista. Vale cada minuto.
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Antes de sair de férias, previ que teria tempo de escrever as despedidas, dicas para deixar o tempo passar, para seguir se perdendo nas listas intermináveis que ponho aqui e que a Netflix nos impele e subverter. Ledo engano: o trabalho me tomou, tendo que adiantar tudo aqui para sair de férias, com 'o resto da vida' que corre em paralelo e pronto, nada aconteceu. Mas, agora volto depois de pouco mais de um mês, no meio da semana para correr atrás do tempo, tão caro e escasso ultimamente.

De volta das férias magníficas que trarão publicações posteriores, segue o retorno das Maravilhosidades com um pouco de novidade, clássicos, seriados e documentários. Tem para todos os gostos! 

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Ata-me (1989, de Pedro Almodóvar) – 101 minutos
Almodóvar não é novidade no reino do cinema. Todo mundo pelo menos já ouviu falar do diretor de Fale com ela, Volver, Má Educação, A pele que habito e Julieta para lembrar apenas de alguns ótimos filmes. Todos estes, contudo são de sua nova safra, mas a Netflix esconde algumas pérolas, como Ata-me, de 1989, com Antonio Banderas novinho e Victoria Abril fazendo um par romântico inesperado e esdrúxulo. Banderas é Ricky, um homem que acaba de sair de um manicômio e decide encontrar a mulher de uma vida, uma ex-atriz pornô que encontrou apenas uma vez e que hoje atua em um filme b de um diretor aficionado por ela. A forma que Ricky encontra de seduzir e convencer a mocinha a viver com ele é simples e direta: um sequestro, até que ela entenda que o ama. Inesperado, ousado e divertido, traz um Pedro Almodóvar mais livre, com as liberdades sexuais contrastando com os sexismos da indústria do cinema e da vida e ainda, com as cores lindas e fortes que o diretor sempre imprime em seus filmes.

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O homem irracional (2015, de Woody Allen) – 95 minutos
Saindo de um grande diretor para outro, o Woody Allen de 2015 é este Homem Irracional, uma comédia com humor negro escondido em grandes diálogos e moral duvidosa. Joaquin Phoenix é um professor de filosofia entre o prestígio e a decadência que começa a lecionar em uma universidade onde é adorado, especialmente pelas mulheres. Ali, deprimido, é levado a uma situação extrema e descobre uma vida melhor após uma drástica decisão. A comédia aqui é levada ao limite e não haverá gargalhadas, mas as pontuações entre as aulas de filosofia e sua aplicação prática são mordazes e lógicas: de alguma maneira podemos acabar concordando com a situação e essa é a grande qualidade do filme, além da interpretação de Joaquin e Parker Posey. Não será o melhor filme do diretor, mas já ganha do fraquinho Magia ao Luar e nos deixa ansiosos por uma chance de ver sua série nova na Amazon (Crisis in Six Scenes) e seu próximo filme, em pre-produção. Isso tudo no aguardo, depois de Café Society lançado esse ano e lembrando os 80 anos de possivelmente o diretor mais ativo do planeta.

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Black mirror (2011-, de Charlie Brooker) – 60 minutos / episódio
A terceira temporada estreou essa semana, então o assunto é quente em todas as publicações do gênero. Black Mirror, desde a sua estreia traz a pauta do futuro distópico e não tão distante e suas relações com tecnologia, redes sociais, política, sociedade, tudo o que nos cerca, por fim. Cada episódio é independente do anterior, mas todos trazem um diálogo crítico do que vivemos hoje, de como nos relacionamos em família, com os conceitos de poder, informação e sociedade e muitas vezes em que parecemos ver um episódio levado ao exagero, nos deparamos com alguma situação similar, talvez em menor escala, que conhecemos, algum fato de um amigo, de um político, algum escândalo real. A série é extremamente bem produzida e abre espaço para discussões sobre o que queremos para o futuro e de que forma  nos comunicamos, usamos e vivemos nossas informações e as que temos de quem nos cerca, de que forma e se usamos as tecnologias a nosso favor, por um viés de evolução social ou em benefício próprio. Vale, pelo menos e com certeza, o primeiríssimo episódio da primeira temporada.  

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A family affair (2015, de Tom Fassaert) – 110 minutos
Uma história de família, para mim, é um dos maiores assuntos para se fazer um grande filme, principalmente se for documentário. Essa ideia de investigar quem somos a partir de quem, em tese, nos conhece melhor, corrompe aquela outra de que o documentário deveria ser objetivo e enriquece ainda mais o gênero. Aqui, o diretor Tom, de 30 anos, que mora na Holanda é convidado por sua avó com então 95 para que lhe visite na África do Sul. Ali, os dois conversam por dias e ele filma todo o encontro: sua avó em si é um personagem para a grande história, abandonou os filhos a uma espécie de orfanato/creche e foi viver a vida como modelo, independente e afastada do resto da família. O filme é esplêndido, como Elena e Stories we tell, por dar diversas dimensões a uma história sem heróis e bandidos, por mais que sejamos levados a criticar essa mulher à primeira vista. Impressionante, contagiante e interessante, é um dos melhores filmes documentários da Netflix hoje.

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Requisitos para ser uma pessoa normal (2015, de Leticia Dolera) – 90 minutos
Primeiro filme dirigido por Leticia Dolera, que também o escreve e protagoniza, este Requisitos é uma comédia deliciosa. Letícia é Maria de las Montañas, uma mulher que chega aos trinta anos voltando para a casa da família, sem dinheiro, sem namorado, sem vida social e sem emprego. No meio desta crise sem fim, Maria segue os preceitos de um livro de autoajuda e com uma troca de favores com um novo amigo que precisa perder peso – um de seus requisitos para ser normal – consegue, aos poucos, entender porque ela quer ser normal, se ela precisa disso e que requisitos realmente são importantes para ser feliz, normal, não normal, aceita ou qualquer termo que a satisfaça. Leve, inteligente e crítico sem ser chato, o filme passa que nem percebemos e acaba bem, nos fazendo buscar outros filmes e séries que a diretora multitarefa possa ter participado. 
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Eis a segunda semana das Maravilhosidades, agora com três indicações que, inconscientemente, trouxeram personagens importantes e marcantes em suas trajetórias. São três bons filmes, um é com certeza 'obra de arte' e pronto, chega de suspense!

Moonlight
Moonlight: sob a luz do luar || Barry Jenkins - 2016 || 111 min
Parece que 2016 foi ontem, quando esse filme vem à mente. As impressões sobre ele ainda estão latentes e o que aparece primeiro é um sentimento e depois a realização de que estamos vendo uma obra prima. Barry Jenkins conseguiu um elenco sem igual, um filme que toca em um sem fim de temas sensíveis e, por isso, universal. Eu não consigo ver um defeito nele, honestamente. É um dos melhores filmes da minha vida e em todos os aspectos: dramaturgia, fotografia, som, roteiro, direção. Se não viu ainda, vai correndo. Não dá nem vontade de ficar falando sobre ele, nem veja o trailer, tenta aproveitar em primeira mão, com uma impressão fresca e virgem.


Ícaro
Ícaro || Bryan Fogel - 2017 || 120 min
Esse é um filme inesperado. O documentário atinge uma das premissas clássicas do 'gênero', que é a imprevisibilidade. A ideia é simples: Bryan Fogel, diretor, roteirista e protagonista é também ciclista amador e quer entender de que forma o uso do doping passou, durante muitos anos, despercebido pela mídia e organizações olímpicas e de esportes. Ele treina e compara suas performances antes e depois e, usando o doping em si mesmo, e acaba descobrindo uma máfia enorme e as estratégias reais de como burlar o sistema. Impressionante, com consequências e desdobramentos que não parecem ser o mote inicial e sim a consequência do 'fazer do filme'. Tenso, polêmico e interessante. Levou o Oscar e o Sundance de documentário em 2018.


A garota dinamarquesa
A garota dinamarquesa || Tom Hooper - 2015 || 119 min
Pense que é o mesmo diretor de O Discurso do Rei (2010) e Os Miseráveis (2012). Acho difícil realmente alguém não ter visto esse, o que não inviabiliza ver de novo, aproveitando a disponibilidade na Netflix e a infeliz e quase extinção de videolocadoras. Lili (Eddie Redmayne) e Elba (Alicia Vikander) são esse casal que ultrapassa as barreiras sociais em um emaranhado de questões sobre transgênero, tolerância e sexualidade. Nos tempos quase sombrios que vivemos, vale ver esse respiro de esperança, resistência e amor, ainda que envolto em um drama. Baseado em fatos reais, levou trinta e um prêmios pelo mundo, entre eles o melhor atriz coadjuvante para Vikander.
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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