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Café: extra-forte

O que vou escrever aqui pode parecer óbvio para muita gente, mas é um assunto que vem me acompanhando nas últimas semanas e, com o ano que estamos vivendo, imagino que atraia não apenas a mim. Vamos falar sobre propósito. Este é o início das postagens sobre estilo de vida, saúde, ócio criativo e o que mais surgir. Achei que as ideias de hoje valeriam a pena trazer para a mesa. Vamos tomar esse café?

Ikigai, estilo de vida, bem estar, mindfulness, pandemia e o que você tem a ver com isso


Outro dia, a palavra Ikigai surgiu para mim. Foi alguma pesquisa de internet e, como tenho me voltado para assuntos relacionados a estilo de vida, este conceito de filosofia de vida japonesa apareceu como uma fórmula simples, em teoria, de viver bem.

Dando uns passos para trás, será mais fácil entender. Meu trabalho atual é sobre conteúdo. De um lado, redijo textos e posts sobre diversos temas, incluindo saúde e doença, saúde mental e bem-estar. É um equilíbrio difícil de manter, especialmente quando não sou eu que escolho os tópicos e venho de uma família que trabalha na área, sendo todos um pouco excessivos na abordagem do tema, mas, estou acreditando que tem sido terapêutico.

Do outro lado, trabalho com projetos culturais diversos, desenvolvendo e estudando conteúdos. E, vou te falar, estamos numa fase pesada. Psicopatias, medos, transtornos mentais, assassinatos, serial killers, corrupção, pobreza. Os projetos se tornarão, com certeza, ótimos produtos, mas o desenvolver deles requer um aprofundamento em assuntos indigestos.

De alguma maneira, o contraponto veio: Ikigai. O livro escolhido foi: Ikigai - os cinco passos para encontrar seu propósito de vida e ser mais feliz, de Ken Mogi. Parece auto-ajuda e pode ser que seja mesmo.

A obra é facílima de ler, intercalei com o livro sobre um psicopata para dar uma equilibrada entre assassinatos horrorosos e formas de viver melhor. Em cinco tópicos, descobrimos algumas curiosidades sobre o Japão e esta filosofia, em como é expressada em atitudes práticas e tradicionais daquele país e como podem ser aplicadas por não japoneses. Achei as conclusões um pouco resumidas, mas falarei sobre isso depois. E, mesmo tendo acompanhado as recentes publicações sobre positividade tóxica e nunca concordei tanto com estas ideias (falarei sobre isso em outro post), este livro veio como um bálsamo em tempos sombrios.

O que chamei de assunto óbvio lá em cima foi a temática mesmo: como ser feliz, propósito de vida, como trilhar o seu caminho, viver no presente. Entre a minha crítica pessoal sobre livros de auto-ajuda e tendo recém lido este, fiquei no meio do caminho.

Acompanho as newsletters e o site de Maria Popova e ela trouxe algo que li hoje e se encaixa precisamente com estas ideias: ela fala sobre Kierkegaard e sua filosofia existencialista, selecionando trechos que trazem a fuga de si e do presente, como formas de ser infeliz. O que é, basicamente, o mesmo raciocínio de todas as filosofias de mindfulness, de Ikigai e de meditação do momento: viva o presente.

Há quem diga que a ansiedade é o medo do futuro e a depressão uma reação ao passado. Não sou psicóloga e jamais entrarei nessa discussão sem conhecimento de causa, mas, pensando de forma simplista, não me parece de todo errado. A ideia de se firmar no presente é uma tentativa de aliviar a carga do tempo, inexorável e dono de si e de todos. E, como uma força da natureza, é impossível vencê-lo, então precisamos facilitar a convivência e nos unirmos a ele, afinando o nosso com seu ritmo.

Com medo de parecer redundante, talvez seja essa a ideia dos existencialistas, do mindfulness, do ikigai, das meditações e exercícios de respiração. Talvez esse excesso de nomes para a mesma coisa seja um aspecto cultural, talvez seja estratégia de marketing, talvez os dois. Não custa pensar sobre o assunto e ver se ele contribui para o seu viver melhor. Eu acho que pensar no propósito como uma grande meta para a vida bem difícil e me parece um pouco definitivo demais. Se tirarmos o peso do objetivo final, de uma missão que compreenda todo o seu viver e focarmos no cotidiano, em pequenas ações que nos fazem bem, talvez consigamos um espaço para respirar e sermos um pouco carinhosos e menos críticos com a gente no dia a dia. É uma ideia.

***

Como eu disse lá em cima, este é começo de assuntos relacionados a estilo de vida. Ainda estou patinando na área e são reflexões pessoais, insights que talvez te interessem também. Em todo caso, para contribuir com a manutenção deste Café tão diverso e gostoso, você pode nos seguir nas redes sociais e manter a conversa ativa. Vamos?
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tudo é rio, livro de carla madeira. editora record. dica para dia das mães. um dos livros mais vendidos de 2021. romance, ficção.

Você se remexe da cadeira e vai para o sofá. Carrega o livro junto. Termina o trabalho, mas não consegue se desgrudar da tarefa, parte do que faz envolve ler. Tudo é Rio, de Carla Madeira entra nessa mistura de trabalho, lazer e paixão pelos livros. E esse, digo sem meias palavras, me remexeu por dentro.

O que a gente tem que buscar é a alegria, essa se esconde delicada na correria dos dias, não se oferece de pronto, quer ser encontrada, surpreendida, amada.

Chove em Salvador na última ou últimas semanas. Enquanto vemos o tempo passar pela janela e acompanhamos a transição das estações como quem aguarda o próximo trem com boas novidades, seguimos no dia a dia de muito trabalho e um pouco de expectativa. No meio de tudo, veio essa ideia que surgiu de uma newsletter literária: o livro Tudo é Rio, de Carla Madeira.

Depois, descobri sua fama entre os apaixonados por livros e histórias, mas só depois que li mesmo. Tenho andado menos midiática e mais imersa nos conteúdos do que nas resenhas. Alguma coisa se perde, outras se ganham.

E então, o livro. Li em dois ou três dias, terminei agora. Não vale a pena destrinchar a trama, é tão bem escrita, que vai perder a graça nas minhas palavras de opinião. Conto a sinopse um pouco como li: um triângulo amoroso entre um casal e uma prostituta, com uma tragédia entre eles. Não vá além disso, não busque resenhas, não invista em pesquisa. Compre o livro e boa viagem. E boa sorte.

Sorte sim. A sorte de ler um bom livro você já tem garantida, mas a de sair imune, já vai de cada um. Este é um livro de entranhas, que parece não mexer tanto com a gente de início, mas, fala tanto sobre vida e viver, que bagunça um pouco o nosso íntimo. Saí dele como saio dos melhores filmes, sem saber o que dizer ou como dizer. Tentando encontrar as palavras que deem conta destes sentimentos.

livro tudo é rio, carla madeira.

Quase cada frase de Carla Madeira é pensada e trabalhada, esculpida como o marceneiro da história, que monta móveis com a precisão de um amor complexo. Às vezes, são tantas, é tanta coisa bem feita que pensamos: me dá uma oração simples, para sair dessa avalanche. E ela vem, a frase simples. Vem carregada de desejo e de querer ser mais. E na sequência, outra artesania se impõe. Não confunda beleza com dificuldade. O livro é voraz, lemos rápido, as palavras correm para dentro da gente com uma velocidade de fome. A forma é que é bonita demais para passar despercebida.

A história parece óbvia nos primeiros... poucos capítulos. A trama, entretanto, se enreda de tal forma, que é possível ver um filme nisso tudo. Que seja bem feito e com o olhar de um Karim Ainouz. Só vi ele dirigindo isso, para ter a sensibilidade do que eu criei na minha cabeça. Quando a gente lê, a gente cria também.

Enfim, leiam esse livro, por favor. Quem gostar de livros, de romance, de literatura. Espero que gostem. É curto e intenso. É um pouco visceral, mas nada que te faça sangrar, eu acho. É íntimo, cheio de silêncios e fechado em si, nos abrindo para muito. Nos leva pra dentro e, que bom, nos faz ficar ali um tempo, viajando em outros desejos, quereres, histórias. Sempre querendo mais.

Espero que vire um filme.

***

Participe ativamente desta conversa! Dê uma passadinha no buy me a coffee e me ajude a manter o Café sempre quente, gostoso e cheio de novidades. Se quiser contribuir de outra maneira ou ser um patrocinador, me manda um e-mail! Aqui tem sempre espaço para novos projetos e histórias.

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Este é o segundo dia das mães que passamos na pandemia. Alguns não têm acesso direto às suas mães por conta do isolamento e lhes resta, com isso, uma ligação, um carinho enviado à distância e com muita saudade. Então, trago dicas, tentando ajudar nestes encontros, da forma que der.

dicas do que fazer, assistir, ler, no dia das mães. para você e sua mãe. dicas de como preparar um dia das mães incrível

Fiquei pensando em uma imagem que trouxesse um pouco as minhas ideias e comecei buscando famílias, fotos de mães, mas interrompi este fluxo, da mesma forma que não queria listar, ainda que perca um pouco do público, 10 filmes para ver com sua mãe. Se colocar no google, verá, provavelmente, uns 40 sites fazendo isso. Queria algo que nos aproximasse mais, que trouxesse um pouco de ternura, porque mãe é isso: amor incondicional e ternura.

Assim, encontrei flores. Acho que dar flores é um ato de ternura. É de amor e carinho, claro, mas a ternura acho que traz uma gentileza junto, ternura é ato, mais do que sentimento pra mim. Então, vamos lá. Pensei em formas que se traduzam nesta gentileza, no afago, no abraço que queremos dar em nossas mães, independentemente das circunstâncias. Querer é tudo o que temos. Segue a lista!


Envie uma carta

Quando eu morava no Rio, minha mãe me enviou umas duas ou três cartas. Era uma forma que ela havia encontrado para falar das coisas do coração. Eu sei, quase ninguém recebe cartas que não sejam contas ou propaganda e, por isso, acho que seria uma grande novidade. Também troquei cartas com uma amiga que mora na Europa e é uma experiência. Nos sentimos um pouco como os escritores dos séculos passados, trocando correspondências, aguardando e trabalhando a ansiedade do correio. É, aliás, uma forma saudável de lidar com este sentimento. Se puder, envie uma carta para sua mãe. Custa muito pouco e você pode expressar nas suas palavras o quanto ela é importante para você, pode contar uma história, uma piada, falar da vida. A carta íntima dá uma liberdade incrível, e receber uma, é delicioso. É a certeza de que aquela pessoa se interessa por nós. De repente, some à carta, umas pétalas de flor, imagina a surpresa dela ao abrir?


Envie uma cesta de café da manhã

Se estiver com um pouquinho de grana, não precisa muita, envie uma cesta de café da manhã. Eu amo cafés da manhã. Acho que é aquele momento em que o dia está começando e há uma promessa de coisa boa no ar. Imagine sua mãe acordando com a campainha e aquele carinho em forma de comidinhas especiais esperando por ela? Com sorte, alguém até acordou antes dela e deixou em cima da mesa aquele embrulho grande e cheio de quitutes. Com certeza, será memorável para todos. Eu acho uma delícia de presente, literalmente. 


Assistam a um filme juntos

Vou passar uma lista de filmes para ver no dias das mães, mas a ideia é ir além. Se você tiver a sorte de encontrar com sua mãe em segurança, se vocês estiverem no mesmo isolamento social, vale assistir  juntos, alguma coisa que ela vai gostar. Pode até ser sobre maternidade... minha mãe, particularmente, adora a temática. Se não puderem ver juntos, combinem de ver o mesmo filme à distância e depois se liguem. O que importa, no fim das contas, é a cumplicidade e compartilhar momentos, certo? Segue uma lista com filmes filmes e séries para ver no dia das mães:

filme um inverno em nova york (the kindness of strangers). dica para o dia das mães 2021.

Um inverno em Nova York

Um inverno em Nova York significa mais em seu título original: The kindness of strangers. A trama é sobre esta mãe que foge para Nova York com os filhos. Enquanto o marido abusivo é policial e procura por ela, ela segue no amparo de estranhos, por sorte e encontrando essa gentileza do título, o cuidado de pessoas que cruzam o seu caminho. É um drama bonito, com personagens complexos e que quase se desenrola rápido demais. Dá vontade de seguir acompanhando aqueles personagens por mais tempo. Na netflix.

Que horas ela volta?

O filme conta a história de Val (Regina Casé), uma empregada doméstica pernambucana que trabalha para uma família de classe alta em São Paulo. Há anos no serviço, Val mora onde trabalha, recebe a notícia de que sua filha Jéssica (Camila Márdila) irá à cidade prestar o vestibular e sua chegada rompe com o equilíbrio da casa. O filme promove um retrato fiel não apenas da classe alta, como um recorte amplificado das diferenças sociais e a delicada relação entre família, patrão e empregado. Para saber mais sobre porque ver este filme, clique aqui! No telecine play.

Fatma

Esta série recém-lançada traz muito para nós. A produção é turca e se passa em Istambul. Fatma é uma faxineira que busca desesperadamente por seu marido, desaparecido após sair da prisão. Ele cumpriu pena em lugar de outra pessoa e sua integridade é o que faz Fatma percorrer este purgatório para dizer a ele que seu filho morreu. Como faxineira, Fatma é invisível nos círculos que habita, como serviçal, passa despercebida nos lugares, o que acaba por se tornar uma vantagem, quando ela vem a cometer alguns crimes por raiva e vingança. Assisti a série toda de uma só vez, como não faço há muito tempo. Cada episódio constrói um degrau de conhecimento dela sobre seu marido, sua situação e quem são as pessoas que estão ao seu redor. Intrigante, excepcional e com grandes atuações. Na netflix.

Supermães (workin moms) é uma dica de série do que assistir no dia das mães.

Supermães

Esta série canadense sobre jovens mães traz um grupo de apoio de mães, em que cada uma precisa lidar com uma rotina atribulada entre família, trabalho, relacionamentos e individualidade. Humor ácido, grandes diálogos e muita vida real. Sendo ou não mãe, sendo ou não mulher, tem pra todo mundo. Catherine Reitman é Kate Foster a protagonista. Ela é também a criadora e roteirista, além de ser mãe, de forma que sabe do que está falando. Uma curiosidade bacana é que Philip Sternberg, o marido de Kate Foster é casado na vida real com Catherine. Não suficiente tudo o que a mulher faz, ela ainda foi ao Tedx Talks. Segue link com a palestra em português. Na netflix.

Kramer vs Kramer

Ano passado, em homenagem ao dia das mães, eu compartilhei a lista de filmes de minha mãe. Ali, há vários filmes que eu e ela (mais ainda) amamos. Um deles é Kramer vs Kramer que, sempre vi e sempre verei. Conto um pouco o porquê: Dustin Hoffman e Meryl Streep. Encontramos este casal em crise. Joanna Kramer decide sair de casa e deixa Ted Kramer com a tarefa de conciliar o trabalho, a vida doméstica e a educação do filho ainda criança. O filme joga com essa relação homem x mulher, poderes e deveres, relações machistas e readaptação. É muito mais complexo do que um drama de divórcio e muito mais interessante também. É um dos melhores filmes feitos e é muito despretensioso, o que o torna mais especial. E convenhamos: Meryl Streep e Dustin Hoffman juntos não poderiam fazer um filme ruim. Levou os principais prêmios do Oscar de 1980 e está no google play e na apple tv.


Um livro para o dia das mães

Eu mesma me coloquei nessa enrascada... um livro apenas... vou trazer então dois, para equilibrar nos pesos, sentimentos e diferenças. O primeiro é o que li no início deste ano.

um defeito de cor e o amor é fogo. duas dicas de livros para o dia das mães.

Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
Aqui, temos a saga de uma criança que sai da África para ser adulta, mulher e viver no Brasil. Em Salvador. Isso no que poderia ser o fim da escravidão mas era, ainda, o início dos movimentos abolicionistas. O livro é uma saga. É para ler com calma, é extenso. No meu caso, funcionou como uma série. Não senti dificuldade em maratonar suas mais de novecentas páginas e, mesmo parecendo um desafio quando comecei, li vorazmente. Dei uma olhada nos outros leitores blogueiros e, para a minha felicidade, tivemos impressões semelhantes. O livro é bem escrito, conta por uma perspectiva interessante a história de uma mulher que constrói sua vida com todas as adversidade possíveis. A pesquisa, com certeza, deve ter sido imensa, para dar conta dos detalhes culturais históricos entre os países. Dê para a sua mãe se ela tiver o hábito da leitura. Se não tiver, segue outra dica para ajudar a construí-lo:

O Amor é Fogo, de Nora Ephron

O livro virou o filme A difícil arte de amar. Novamente com Meryl Streep contracenando agora com Jack Nicholson, conta um período da vida da própria autora. Meio autobiográfico, meio romance, a narrativa é tão ou mais deliciosa do que o filme que a escritora roteiriza. O livro conta uma história agridoce sobre um casamento, do início ao que pode ser o seu fim, com uma intimidade de diálogos que impressiona. Nora é uma contadora nata e ela tem um humor peculiar, que nos faz rir como cúmplices de uma história nem sempre feliz. Com pouco menos de 200 páginas, dá pra ler numa sentada. Certamente sua mãe vai adorar.


Marque presença

A gente sabe que a vida não anda muito fácil. Se a sua mãe não estiver acessível para você, tenha certeza: ela está com saudades. Se um encontro físico não for possível, faça o que estiver a seu alcance: uma mensagem carinhosa, uma ligação, uma chamada de vídeo. Se puder, mande flores, um chocolatezinho ou alguma das opções que listei mais acima.

Se não puder, mande carinho, faça contato. Faça questão. Se a sua mãe for mãe mesmo, o que ela mais vai amar é o gesto. Pode ser um aceno da porta do prédio ou da casa. Pode ser um "só passei para dizer um oi de longe". O que importa é o ato. O carinho, a ternura. Tudo o que, com sorte, ela já fez e faz tanto por você.

***

Espero, de coração, ter inspirado um pouquinho a sua semana e que você consiga preparar alguma coisa legal para a sua mãe ou para as suas mães, se você tiver a sorte de ter mais de uma. Para me ajudar a manter este blog delicioso, dá uma passada no buy me a coffee! Cada cafezinho faz uma diferença danada e me estimula a seguir produzindo conteúdo para todos nós 💘

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Por que ler? Muitos escritores passam um tempo nesta questão, escrevem livros sobre seu processo criativo, a disciplina e o amor pela palavra escrita. Neste Dia Mundial do Livro, a conversa é leve, tentando responder como eu vejo a escrita, a leitura e a força das histórias. 

dia mundial do livro, imagem com livros abertos e o título: para viajar em 2021.

A literatura nos ensina a notar melhor a vida; praticamos isso
na vida, o que nos faz, por sua vez, ler melhor o detalhe na
literatura, o que, por sua vez, nos faz ler melhor a vida.
James Wood

 

Está difícil viajar este ano. Como meros brasileiros em tempos de pandemia, vamos nos concentrar no já repetido mantra "fique em casa". Tudo o que nos resta nestes 13 meses de isolamento e distanciamento sociais é pensar nas formas que temos de sair da nossa realidade, de buscar o lazer, de encontrar maneiras de retomar a criatividade.

Não, você não precisa ser um artista para ser criativo. Pode buscar em sua vida outras formas, perspectivas, ideias para o seu dia a dia. Isso é criar. Não significa produzir uma obra ou desenvolver um projeto artístico, necessariamente. E para isso, é preciso ter insumos.

Livros, filmes, conversas, séries, músicas, fotografias. Vale um mundo de coisas, mas, sendo o dia mundial do livro, vamos nos ater à palavra escrita e aos seus criadores. E, honestamente, nada se compara ao livro.

Sou graduada e trabalho com cinema e audiovisual de forma geral, então tenho esta forma de comunicação e arte em alta conta, mas o livro tem seu lugar. O livro demanda da nossa imaginação. É como nadar em alto mar e um filme... seria como boiar. No mar, você se aprofunda, investe em mergulhos, bebe um pouco de água salgada, os olhos ardem, mas a experiência é fantástica. Pode ser que uma tartaruga apareça ou um pequeno cardume passe por você. As algas, como os seus cabelos, podem nadar em sincronia, como se ouvissem uma sinfonia. No filme também aproveitamos, mas estamos voltados para o céu e só sentimos uma parte pequena do universo que é todo aquele azul profundo abaixo de nós.

É isso, o livro é um passaporte, um portal. É a nossa forma de atravessar, com a permissão do autor que nos entrega seu roteiro, paisagens, caminhos, tempos, histórias e pessoas. É conhecer novos horizontes, é recorrer aos nossos sentimentos, é criar as imagens para o que seguimos através do texto.

Você já riu com um livro? Já teve essa experiência? É das coisas mais maravilhosas e inesperadas. Da mesma maneira, quando o assunto é tenso ou pesado, vai em doses homeopáticas, porque não dá para aguentar muito de uma só vez. O livro mexe com as nossas entranhas, acalenta, aperta e afaga. 

O livro é um dos meios de ver o mundo e seus autores, os nossos guias. Que pessoas maravilhosas e mágicas são eles, que nos permitem reencontros de outras vidas e eras, uma conversa entre gerações, de vidas passadas e presentes. Talvez seja mais interessante pensar que se tornaram imortais mesmo, porque estão sempre ali, doidos para puxar assunto.

Este é um texto de amor, que deixei seguir fluindo, na esperança de trazer respostas. Eu leio porque gosto de viajar. Gosto de conhecer gente, lugares, outras vidas. Gosto de investigar saberes e sabores, e perceber que a vida é tão grande, diversa e rica, que nos ultrapassa, que precisa se espalhar e aí sim, contaminar todo mundo ao redor. É por isso também que eu escrevo, para compartilhar um pouco das minhas histórias cotidianas, querendo ouvir um pouco das suas também. 

Enquanto não saímos de casa, vamos aos livros, viajar, é preciso, por tão pouco, por todo o mundo.
Um feliz e maravilhoso dia mundial do livro para todos nós.

***

Eita que é falar de livro, eu me inspiro e não paro mais. Para me ajudar a trazer referências, autores e inspirações, vamos tomar um café? Vem no buy me a coffee! ☕
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Chegamos a meados de abril de 2021 e muita e pouca coisa mudou nestes meses de distanciamento social e pandemia. O tempo passa atrasado e arrastado e, neste descompasso, a coisa aqui no Café foi se encorpando em potência, mas ficamos nisso. Nenhum café foi passado. Chego hoje, como quem não quer nada, para botar o papo em dia.

imagem de pituca, a minha cachorrinha.

Bem assim mesmo, como blogueira pós-adolescente dos anos 00 que fui e sou. Da época em que não existia digital influencer ou blogueirinhas, a menos que fossem bem jovens e crianças. Chego de mansinho para falar da vida, deixando um pouco de cada coisa nas entrelinhas e trazendo meu novo amor, Pituca.

Projeto de 2020, execução perfeita em 2021, Pituca chegou cabisbaixa, meio adoentada, séria e rosnando. Aos talvez dois meses de vida, foi encontrada num terreno baldio por alguém e levada para um lar de adoção de bichos sofridos. Cuidaram dela mas, ainda assim, não perceberam uma coisa ou outra. Faz parte.

Pituca enveredou em um isolamento social comigo desde 30 de janeiro e dele ainda não saiu. Não terminou as vacinas, curou as doenças. Cresce aqui e na casa de meus pais, corre na grama da casa em ruína que será obra em algum momento. Feliz agora, passou muita coisa e as cicatrizes são a prova da perversidade humana. Passou.

Pituca atravessou meu coração assim que a coloquei no colo e ela segue dormindo as manhãs e animando as tardes, e mostra que quem manda aqui é ela. Me deu qualidade de vida, o melhor significado para distração e me julga: me olha na cara quando passo tempo demais no celular e de menos com ela. Reclama que trabalho muito, resmunga se acordo no meio da noite. Pituca sabe viver.

Os cachorrinhos nos mostram como a vida deve ser. Não se preocupando com muito, reclamando seus direitos, comendo quando dá fome, bebendo muita água. Até exercícios físicos regulares ela faz, correndo para gastar essa energia de criança dentro do apartamento mesmo, do jeito que dá. Dorme cedo e acorda cedo.

Nestes tempos de pandemia, consegui sair para caminhar até março e pretendo voltar logo, assim que os números soteropolitanos da pandemia permitirem. A coisa tem melhorado, e tá dando uma saudade imensa de tomar um café com algum amigo e amiga e falar da vida. Imagina a alegria que vai ser viver isso de novo?

Por enquanto, sigo aqui, atualizando a vida com ela mesma, mas prometo conteúdo tão bom quanto esse café desejado em breve. Com novidades, histórias, livros, filmes e reflexões. E, provavelmente, mais casos de Pituca. 

Aproveitando, mando duas dicas inspiradoras, para quem lê em inglês (é assim que eu treino os idiomas, lendo coisas 'aleatórias' nas redes): Deliciously Ella, provando que a vida pode ser mais leve e parece que, sempre deliciosa, e, Brain Pickings, que os amigos que lêem em menor frequência me indicaram e é apenas ótimo. Devo comentar estas referências em breve e porque me fisgaram. Ah! Se você tiver dicas inspiradoras, me manda. Estou fazendo uma curadoria de conteúdo para viver melhor (e ver menos notícias).

Volto logo. 

***

Quer me ajudar a manter este Café sempre inspirado e inspirador? Dá uma passadinha no buy me a coffee e me paga aquela dose maravilhosa de cafeína que tanto amamos. 💓

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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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