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Café: extra-forte

A ciência se acostumou a se apresentar como o progresso desde, pelo menos, a Revolução Científica. Quase sempre esse binômio, ciência e progresso, se apresenta junto, seja na forma de inovações tecnológicas, seja nas suas implicações para a nossa visão de mundo. Um dia soubemos que o Sol girava em torno da Terra e o homem era o centro de tudo. No outro, a Terra era um planeta como outro qualquer e o homem estava solto pelo universo totalmente insignificante. No século XVIII, morriam 400 mil pessoas por ano de varíola, uma doença que já não existe mais no nosso planeta desde os anos 80. 

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Se a ciência moderniza, ela também traz conflitos com o tradicional. Enquanto a ciência tem seu carimbo positivo que aprova e classifica, ela é incapaz de entender como funcionam os valores locais ou como seus critérios objetivos podem não dar conta de um sentimento.

Em uma história mais ou menos verdadeira, a pequena vila galesa de Ffynnon Garw possuía como seu maior orgulho a sua montanha, Garth. Seu papel histórico de garantir segurança contra invasores e, além disso, de ser a primeira montanha do país, a tornavam parte integrante da identidade da vila. Ao mesmo tempo, a relação do País de Gales com a Inglaterra nunca havia sido a coisa mais tranquila da humanidade. Em uma disputa de centenas de anos, a Inglaterra invadiu diversas vezes aquele país, até que no século XVI, ele passou a fazer parte do Reino Unido. 

Assim, tudo começa durante os esforços da Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918). Em nome da Rainha, dois engenheiros se dirigem à vila para medir o tamanho do acidente geográfico para constar no mapa atualizado. Com o critério de que uma montanha deve ter, pelo menos, 1000 pés (304,8 metros), os ingleses fazem uma primeira medida e decretam o resultado. Por 20 pés (6 metros), o que era a montanha Garth passa a ser uma colina. Não correndo o risco de estragar o final do filme já que o título conta essa parte, seus moradores se juntam e conseguem cobrir a altura que faltava para que a montanha pudesse existir oficialmente.
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O inglês que subiu a colina e desceu a montanha (1995)
A ciência possui, como já dito, seus critérios objetivos, mas tais critérios podem ser tão objetivos quanto arbitrários. Se pode parecer folclórica a revolta da população local de uma vila por algo que pode nos parecer uma bobagem, não nos esqueçamos que há poucos anos cientistas se digladiaram em torno da decisão de reclassificar Plutão como um planeta anão. Se tivessem como, levariam caminhões de terra até o planeta para corrigir o que eles consideram uma injustiça. Ainda hoje o tema é debatido e há quem mantenha a esperança. 

Se os próprios cientistas podem tentar barrar suas novas decisões por motivos, nesse caso, sentimentais, como reclamar da racionalidade da pequena vila galesa? Tal qual a religião, a ciência aprendeu que a melhor forma de se desenvolver é estar unida ao poder. A ciência depende do Estado e, muitas vezes, a força do Estado é a única capaz de fazer a ciência avançar. Da mesma maneira, em diversas situações em que a ciência é atacada, é a força do Estado se apresentando. A Revolta da Vacina é um grande exemplo. Ainda que se conte esta história como sendo pessoas ignorantes não entendendo como certas políticas vinham em seu benefício, o episódio é mais bem compreendido quando entendemos como o Estado avançou sobre a vida privada das pessoas sem explicar o motivo por trás disso. 

Neste O inglês que subiu a colina e desceu a montanha, do diretor galês Christopher Monger, a resistência galesa à mudança está intrinsecamente associada ao fato de serem os ingleses a desenvolverem tal medida. A força da Rainha, sem explicar seus motivos, estava ali para medir o principal motivo de orgulho da vila. Como é possível medir algo assim? O que era, então, um sentimento de uma pequena população, torna-se um comportamento universalizado e razoável. É verdade que a batalha da vila contra o sistema foi travada de uma forma bastante peculiar e através das regras da própria ciência e progresso que levantaram a questão. Por causa disso, a colina se manteve como montanha, sustentando o orgulho de um povo. Uma história inusitada que questiona os valores da ciência, estado e comunidade, mostrando que, isolados, estes conceitos de nada nos servem. E, como se não bastasse, ainda é um bom filme com o Hugh Grant bacana dos anos 90.

***
Quem escreve
Fábio Freitas gosta de cinema e ciência. É físico e professor do Instituto de Física na Universidade Federal da Bahia. 
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Pensando sobre o livro para esta semana, queria alguma coisa que não fosse muito grande, até para dar uma equilibrada nas dicas e me veio essa ideia - simplesmente um dos melhores livros que li na vida.

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Biblioteca de Stuttgart
Antes de falar sobre Sargento Getúlio, queria explicar essas fotos aparentemente aleatórias. Elas começaram aleatórias mesmo, partindo da ideia de coisas bonitas, livros, algo que contribuísse com uma visão de calma e conforto, que é como nos preparamos para ler. Agora, com as transformações do Café: extraforte, achei justo colocar fotos de bibliotecas incríveis pelo mundo. Assim, atiçamos nossa curiosidade e vontade de viajar para além das páginas que abriremos depois deste post.

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Sargento Getúlio, João Ubaldo Ribeiro
Após esta rápida digressão, voltemos ao livro da semana. O mais engraçado é que eu estava me preparando para fazer 'aquele' texto, quando resolvi buscar no próprio Café, se já havia feito algo sobre esse escritor baiano maravilhoso, João Ubaldo Ribeiro. E aí, a surpresa e a constatação de que, de 2014 para cá, minha percepção não mudou, mesmo tendo lido muita coisa depois dele. Segue o primeiro parágrafo:

Eu já estava pronta pra dizer que esse é o melhor livro que li esse ano. O melhor de muito tempo, na verdade. E é mesmo... mas eu li outros muito bons em que não escrevi nada (o de Ingmar Bergman, Lanterna Mágica é impressionante, por exemplo... assim como Macbeth, assustador) que agora fiquei tímida de considerar esse tanta coisa assim e esquecer dos outros. Mas o fato é que esse é um dos melhores em muito tempo e que me surpreendeu. Não sou crítica de livros, mas acho que todo mundo deveria, pelo menos saber que existe uma coisa dessas no mundo.

João Ubaldo Ribeiro morreu naquele 2014, ano em que outro homem imenso e tão fantástico escritor como ele também nos deixava, Gabriel García Márquez e seus Cem anos de Solidão. Um sofrimento sem fim para a literatura latino americana, um consolo saber que encontramos facilmente os livros dos dois - imortalizados em suas palavras, eternizados em nossos corações. Pronto, chega. É que quem conhece um pouquinho o trabalho destes dois homens, entende a perda e quem não conhece, é uma ótima oportunidade para fazer isso. 

Seguindo com meu post apaixonado, entrego um deleite de admiração, regionalismo e orgulho, entre as qualidades e defeitos deste ufanismo repentino e localizado no coração do país, meu Nordeste, minha vida: 

Sargento Getúlio é um homem desses rudes, brabos, cabra macho mesmo de sertão. Ele precisa levar um preso de Paulo Afonso, na Bahia, para Aracaju, em Sergipe e isso é uma viagem bem longa, ainda mais se considerarmos que ele vai por terra. Então, nosso homem segue falando tudo o que lhe acontece, nos pormenores, explica toda a sua situação sempre no presente e vamos participando do seu dia a dia em uma fala sem fim, quase sem parágrafos, quase sem parar. E não conseguimos parar de ler também. E se odiamos esse homem por algumas ações que pratica e o achamos mais ruim que o demônio, em outras, ele é um ser humano, um homem-coração. Porque o nordestino é isso mesmo, é macho até onde pode, com ou sem machismo. É macho no sentido da coragem, de meter as caras e fazer valer. É macho de enfrentar a vida, nem que precise de um facão (ou peixeira, se preferir) do lado. É macho até pra amar, que vai lá no fundo da coisa e se entrega todo, nem que se rasgue todo de dor depois. E se somos brutos é porque somos brutos, não porque somos ruins ou ‘maleducados’. Somos brutos porque não somos finos, somos sinceros e diretos e imperativos, mas cuidamos e protegemos de quem gostamos como se fossem uma parte de nós, um membro de nosso corpo ou até mais que isso. (clique aqui para ler o post completo)

Sargento Getúlio, com todas essas qualidades, esse entranhar de nordeste na pele a cada virada de página, é curto demais (176 páginas!) para o encantamento que provoca. É uma escolha maravilhosa, imprescindível e fundamental para conhecer um pouco mais a literatura brilhante do nosso país. 
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Café é essa bebida dos deuses que tanto amamos. Aqui posso contar, de coração: o título do blog veio pra mim anos atrás, porque pensei nas coisas que mais gosto na vida e uma das mais importantes é, de fato, tudo o que cerca esse grão maravilhoso. E aí, nos perguntamos: o que mais pode haver de espetacular que associe o Café e a nossa vida?

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O espetáculo, claro. É muito vasto o número de filmes e séries em que o café aparece. Há filmes feitos em cafeterias como principal cenário, há outras produções em que boa parte dos episódios se passa nas cafeterias, há filmes inteiros rodados nelas. Tomar café é um conjunto de rituais: de encontrar os amigos em casa ou em alguma cafeteria, do intervalo do trabalho ou para acelerar o trabalho, para acordar, com aquele aroma delicioso - para mim, só há dia depois de uma xícara de café preto, sem açúcar e forte, por exemplo. Então, para nos deixar com água na boca e nos fazer preparar a nossa nova xícara, trago alguns filmes e séries em que este super alimento é quase o protagonista.

seinfeld
Seinfeld (1989 - 1998)
A série chegou no finalzinho dos anos 80 com uma proposta nada ambiciosa: falar sobre o nada. Larry David e Jerry Seinfeld são os criadores deste sitcom que reúne um elenco que se tornou célebre após o estrondoso sucesso da produção da NBC. Um grupo de amigos, na casa dos trinta anos vive em Manhattan e passa por situações do dia a dia com um humor rápido e inteligente. Cada personagem é construído com forte e distinta personalidade para dar um alívio cômico sem parecer besta, e calcado na realidade. E eles sempre se encontram onde? Na casa de Jerry (ops), e na cafeteria da esquina. Sempre tomam café por lá e é onde discutem grandes assuntos, relacionamentos e situações de seus cotidianos. São nove temporadas e todas estão no Amazon Prime, super fácil de encontrar.

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Friends (1994 - 2004)
Junto com Seinfeld, Friends tem uma premissa parecida, apesar de ser completamente diferente. É também um grupo de amigos, alguns dividem apartamentos em Manhattan - lá o aluguel é caro de verdade - todos se encontram na Central Perk, a mítica cafeteria que se tornou famosa sem sequer existir. Após o boom, se fez um marketing intenso da série e boa parte dele também carrega a marca da cafeteria. Mônica (Courteney Cox), Rachel (Jennifer Aniston), Phoebe (Lisa Kudrow), Joey (Matt LeBlanc), Chandler (Matthew Perry) e Ross (David Schwimmer) se conhecem e estabelecem essas amizades que nos fazem sentir saudades dos nossos amigos de longe e de perto. A série é de comédia, os personagens estão saindo dos seus vinte anos e muita gente a compara com Seinfeld, há até uma briguinha dos fãs para definir qual é a melhor. Eu amo as duas, então não é um problema para mim. Cada uma tem uma narrativa diferente, as duas têm grandes personagens e estilos de comédia distintos - uma situação em que todos ganham. Na Netflix.

seinfeld-café
Comedians in cars getting coffee (2012 - )
O mesmo Jerry Seinfeld da série homônima volta aqui em um projeto que começou 'pequeno' e segue hoje com várias temporadas. O comediante usa a premissa do título: ele busca outros comediantes, amigos, em um carro e os leva para conversar enquanto tomam café. Seinfeld é fissurado em carros, dos vintage, velhos mesmo aos luxuosos. Ele associa cada convidado a um carro e lhe atribui características comuns. Ao levar uma grande personalidade - Ellen DeGeneres, Jim Carrey, Julia Louis-Dreyfus, Amy Schumer, Jimmy Fallon, Seth Rogen e muitos outros - para uma cafeteria distinta por vez, ainda vemos aquelas imagens belíssimas em alta definição de nossa bebida maravilhosa sendo colocada nas xícaras, sendo preparada. É um programa super leve e alto astral, que pode ser visto a qualquer hora. Uma delícia, quase food porn de café para sofrermos de desejo. Com nove temporadas até agora, na Netflix.
 
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Sobre café e cigarros (2003)
Um filme sempre citado quando se trata de cinema e café é este, por motivos óbvios. Jim Jarmusch traz seu cinema estiloso e independente aqui, com grandes atuações e a premissa básica de que seus personagens se encontrem em uma cafeteria, bebam café e fumem cigarros. O elenco corrobora a qualidade da trama e de seus diálogos inusitados: Iggy Pop, Bill Murray, Roberto Benigni, a dupla do The White Stripes e por aí vai. Filme inteligente e em preto e branco, é uma delícia de assistir e acompanhar aquelas mentes brilhantes em um falso dia a dia de momentos comuns a todos. Cigarros à parte, vê-los conversando e tomando café despretensiosamente é sempre muito bom. Completo e legendado no Youtube.

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O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001)
Ah, esse é aquela delícia de filme francês, fantasia máxima romântica, razão do meu viver que transformou a atriz, Audrey Tautou, em it girl (ainda se usa esse termo?) e todas nós queremos ser Amélie. O fime é um romance leve e um pouco fantástico sobre essa moça solteira e um pouco solitária que trabalha em um café de Paris e se encanta por um rapaz. O destino faz com que se encontrem depois de algum trabalho, aventuras e a fatídica transformação da personagem. O filme foi um sucesso absoluto e é um acalanto para os corações dos sonhadores - como eu - que sempre buscam um pouco de fantasia e criatividade para quebrar a rotina. Vale assistir de tempos em tempos, é engraçado e atrela o dia a dia da mocinha na cafeteria com os clientes, figuras únicas, colegas de trabalho e até vizinhos de casa. Ah! A cafeteria em que ela trabalha, a Café des Deux Moulins existe de verdade: fica em Montmartre e dá pra visitar e tomar um cafezinho, em uma viagem à capital francesa. Anota a dica! Você encontra o filme na Amazon Prime.

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Café Sospeso (2017)
Café suspenso ou pendente é uma generosa tradição italiana em que, quando uma pessoa for tomar um café, deixe outro pago para quem não teria condições para isso. Assim, o responsável pela cafeteria se responsabiliza e oferece um café a quem mais precisa. O documentário registra a importância que o café tem na vida de três pessoas em Buenos Aires, Nova York e Nápoles. Na Netflix.

Sabe de outros filmes e séries que trazem nossa bebida maravilhosa para o centro da trama? Me conta!
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nova-logo

Hoje é dia de alegria! Estamos de marca nova, atualizada e linda, então resolvi contar um pouco a história do Café: extraforte e de como cheguei até aqui. Meio sem saber como começar, conversei com uma amiga, que perguntou: há quanto tempo o Café existe? Eu calculei uns dez anos e fui buscar a primeira postagem. Pra começo de conversa: fevereiro de 2007.

O curioso deste primeiríssimo texto é que ele puxa algo que não existe mais, para a minha infelicidade e incompetência na arte de fazer backups: tive outro blog antes do Café, o Instantâneos. Ali, já buscava uma coisa entre cinema e textos curtos. Eu gostava bastante, mas queria novidade. O Café surgiu voltado para a Crítica de Cinema, tudo com C maiúsculo, de quem quer se levar a sério - era o último ano da graduação em Cinema. Em paralelo, mantive uns textos aleatórios e outros mais ambiciosos. E a coisa foi andando.

Em 2009, ganhei uma marca. Jamile Buck, amiga da vida, da família e dona da melhor agência de endomarketing que existe, a Nova Café, desenvolveu essa arte linda que fala de conversa, de bate papo com café, elemento que nos une - a mim e a ela - e a muitos outros amantes deste grão-bebida maravilhoso. A arte era para isso, para dar uma identidade para o que eu via como crítica de cinema, como uma conversa com o leitor, assim como para os contos e crônicas, para sentar em casa e passar o tempo. Tudo isso de marca e identidade eu fui entendendo aos poucos, quando entrei na Globosat e fui trabalhar com publicidade.

A correria era grande e nos dez anos que se seguiram, mantive o Café funcionando. Não aguentei também ser apenas coordenadora de produção comercial na tv, então fui assistente de produção em um festival de cinema, coordenadora em outro, jurada em um terceiro. Continuei com as cabines de imprensa e segui escrevendo as críticas e histórias no Café, virei colaboradora no Plano Feminino e no Blah Cultural. Fiz um monte de cursos e uma segunda pós-graduação (a primeira foi a que me levou ao Rio, em Cinema Documentário na FGV), em Literatura, Arte e Pensamento Contemporâneo na PUC. Passados dez, quase onze anos, tudo mudou de novo. Chegamos em 2020.

2020 significa 13 anos de Café: extraforte. Mas, também significa saída do emprego, pandemia, deixar o Rio de Janeiro, voltar a Salvador. Significa o fim de um ciclo, transformação e abertura de novos caminhos. Significa uma pausa obrigatória - a da pandemia - e olhar para dentro, para o que temos de íntimo e definidor de nós mesmos. Uma grande tarefa. Significa, para mim e por fim, o retorno à minha cidade natal, que deixei menina e voltei mulher. Com tudo isso e com a forma como consumimos internet e conteúdo hoje, significa também que o Café: extraforte precisa mudar.

A nova marca, também desenhada por Jamile, dá uma ideia mais clara das coisas, dos objetivos, do que é preciso fazer. Ao mesmo tempo, traz um conceito de integração e novidade. É algo que conversamos bastante, até pelo consumo de redes sociais e de como precisamos estar conectados 'o tempo inteiro' - coisa a qual me oponho ardentemente. Uma atualização de marca é como apertar aquele refresh do navegador, o F5 do teclado. É piscar o olho várias vezes para lubrificar o olhar, é levantar da cadeira para esticar a coluna e se alongar. É pegar um cafezinho, recarregar as baterias e voltar ao trabalho. É assim que eu vejo o Café: extraforte, como um espaço de integração, de comunicação e conteúdo de qualidade. De experimentações. Também é um espaço a ser compartilhado com os os amigos que escrevem, com os artistas de cinema e sobre os assuntos que me movem e, por sorte, movem boa parte do mundo.

O Café: extraforte segue mais robusto, mais atualizado, com muito mais conteúdo diversificado. É um espaço vivo e que precisa ser compartilhado, feito para trocar ideia, para falar sobre os nossos assuntos, para ampliar horizontes e gerar oportunidades. O Café virou um projeto de vida e segue também como prazer, que é o que eu sinto quando escrevo. Como essa mocinha da xícara, que vai sorrir toda vez que alguém a convidar para um café em algum lugar. Que quer ser embaixadora de um café gostoso, de sabor forte e personalidade. Que quer visitar os cafés da cidade e do mundo. Que não quer fama, quer trabalho. E que quer, acima de tudo: cinema, viagens, livros e café.

Vem comigo, trago grandes histórias, boas energias e muita cultura para transformar ideias em projetos. São treze anos de formação, informação e a delícia de fazer tudo com o prazer de ter sempre uma caneca de café quente e fresco ao lado.
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Último dia de junho e estamos como? Arrumando a casa, faxinando, lavando prato, cozinhando como nunca nessa vida. Quem pode ficar em casa precisa mesmo segurar a onda, porque infelizmente ainda não chegamos naquele momento tão aguardado de controle da pandemia. Enquanto isso e para não enlouquecer, cheguei para te salvar!!


As dicas de junho estão bem variadas, isso é um fato. Com a tristeza que foi o caso de George Floyd e sua repercussão - especialmente pelo racismo nos Estados Unidos ser tão bizarro e acintoso - trouxe umas coisas aqui e nas dicas Amazon Prime, também deste mês, para repensarmos um pouco o que se vive lá e o nosso dia-a-dia nem tão diferente assim. Mas, tem também leveza no meio do caos, com uma seleção animada de filmes e séries para darmos aquele respiro antes ou depois do noticiário - que eu, particularmente, não assisto há bastante tempo. As notícias, acompanho em texto, nos sites de imprensa, porque de alguma forma me parecem menos apelativas e consigo digerir de forma menos pior. Pode ser uma boa dica essa. Mas, vamos à nossa seleção!

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Olhos que condenam (2019)
Minissérie lançada ano passado pela Netflix. Baseada em fatos reais, conta a história de como cinco adolescentes foram acusados e presos injustamente por um ataque a uma mulher branca no Central Park, na Nova York dos anos 80. Criada por Ava DuVernay, a mesma que dirigiu 13a emenda (também na Netflix), mostra a injustiça e racismo históricos dos Estados Unidos. Após a série, ainda há uma entrevista especial com Oprah Winfrey e os jovens, agora adultos, no streaming. Condizente com nosso triste ano, especialmente para que este caso, o mais recente, de George Floyd e tantos outros não sejam esquecidos. Nazistas, racistas, fascistas, não passarão.

valeria-netflix
Valeria (2020-)
Série espanhola sobre quatro amigas adultas vivendo a vida entre relacionamentos, amizades e trabalhos. Um pouco como Sex and the City destes anos 2020, talvez mais bobo. Traz a comédia, o drama e o romance leves para nos distrairem nestes dias complicados. 

quase-feliz-netflix
Quase Feliz (2020-)
Outra série ótima para passar o tempo é Quase Feliz. Comédia argentina não pastelão, conta a história do portenho Sebastian, separado e pai de dois filhos, que busca uma nova forma de conviver com a ex esposa e se reconciliar com a própria história. Apresentador de um programa de rádio, conta ali seu cotidiano e, ao decorrer da série, outros tópicos surgem, como apps de relacionamento, os pais, a velhice, sexo, a amizade com a ex, carreira e por aí vai. Inteligente e sincero, vale muito.

jeffrey-epstein-netflix
Jeffrey Epstein - poder e perversão (2020)
Nova série documental que trata de criminosos e suas histórias bizarras. No caso de Epstein, há o agravante de ser um estuprador de crianças e jovens mulheres, além de ter feito tráfico sexual com algumas das vítimas. Rico, inteligente, poderoso e influente (ele conviveu de perto com a alta classe americana e inglesa, como Trump, Clinton e príncipe Andrew), era impossível ser preso por seus crimes. Com os movimentos feministas contra o assédio dos últimos anos, mais uma vez seu nome veio à tona e então virou manchete em todo o mundo. A série acompanha a trajetória de seus crimes em escala mundial, denunciando sua rede de influências e a compra da justiça norte americana. Dá muita raiva e nojo, mas precisa ser visto.

gone-girl
Garota exemplar (2014)
O diretor de Clube da Luta, Seven, O Curioso Caso de Bemjamin Button entre outros, traz essa adaptação do romance homônimo de Gillian Flyn. O suspense conta a história do desaparecimento de Amy (Rosamund Pike), casada com Nick (Bem Affleck). A partir disso, indícios criam a suspeita de que Nick poderia ser o responsável, ao mesmo tempo em que gera desconfiança no próprio sobre sua esposa. Em paralelo, vemos a trajetória da mesma e tentamos juntar as peças. Com roteiro brilhante e uma trama intricada, homenagens a Alfred Hitchcock pipocam em algumas cenas e fazem os mais atentos sorrirem. Impressionante até o desfecho.

school-life
Efeito Pigmalião (2019)
O dia a dia em uma escola de periferia de Paris é abordado aqui, com diálogos rápidos e um quê de drama. Leve, engraçado e que traz questões relevantes à situação social francesa. Até me fez lembrar Os Miseráveis (2019) - o drama, não o musical - apenas por retornar com as questões sociais e de imigração. Os dois filmes seguem caminhos distintos, é importante frisar e merecem atenção.

elle-fanning
Mary Shelley (2017)
Mary Shelley tinha 16 anos quando conheceu seu marido, com então 21, o poeta Percy Shelley. O filme conta este momento de sua vida, até o lançamento de Frankenstein em 1823. O livro é tido como terror e também como ficção científica - em tese, o primeiro do gênero no mundo. Mas, o livro vai além e é disso que trata o filme, dos temas que perpassam o horror dos crimes e da formação do homem-monstro. Frankenstein é sobre solidão, adaptação a um mundo enquanto renegado, um órfão que vive à margem, no desprezo e escárnio social. É um livro brilhante, um clássico que ultrapassa séculos e se mantem atual. Uma delícia de ler, uma escrita rica e vibrante.

petra-costa
Elena (2012)
Primeiro longa de Petra Costa (Democracia em Vertigem), este é um documentário de busca por sua irmã, Elena. Sensível, íntimo, pessoal e extremamente delicado e bem feito, é uma obra que nos puxa pra dentro da história sem percebermos e então já estamos envolvidos e quase fazendo parte daquela situação. Um grande filme, que trouxe a diretora para os holofotes do cinema brasileiro. A crítica segue aqui.

grace-and-frankie-netflix
Grace e Frankie (2015-)
Uma série leve e divertida com elenco espetacular e várias temporadas é tudo o que precisamos para passar o tempo. As protagonistas são duas conhecidas de longa data, cujos maridos são amigos e trabalham em um escritório de advocacia. Após décadas de relacionamentos com elas, os dois assumem que são gays e têm um caso. É a hora da virada para todos eles e, então, as conhecidas viram amigas e passam a dividir as agonias, trapalhadas e alegrias da vida. Com Jane Fonda, Lily Tomlin, Sam Waterston e Martin Sheen como o quarteto complicado, garante gargalhadas em seis temporadas. 

grease - nos tempos da brilhantina
Grease (1978)
Adaptação do musical homônimo de 1971, traz Olivia Newton-John e John Travolta em um filme que se tornou clássico eterno de nossas vidas. Romance musical leve, conta a história de um garoto popular na escola que se envolve pela mocinha recém-chegada. Bem clichê, dançante, leve e maravilhoso. Abre o coração e entra nessa, que vale o tempo investido.
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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