• Home
  • Sobre
  • Portifólio
  • Contato
linkedin instagram facebook pinterest

Café: extra-forte



Novo plano: acordar cedo. Cedo de verdade, naquele raro momento em que os guardadores de carros estão no sono dos justos e não começaram a gritar para os donos dos carros onde parar. Tem que ser cedo, mas nada disso impedirá os caminhões do corpo de bombeiros nos atravessarem com suas sirenes altíssimas, como o rádio-relógio de minha irmã quase dez anos atrás, quando morávamos na mesma casa. Acima de tudo, precisa ser cedo o suficiente para que consiga cumprir os itens da lista antes de ir para o trabalho.

Uma coisa importante que percebi quando mudei pra este prédio, há quatro meses: os bombeiros têm muita demanda. Não sei o que acontece na cidade, sempre que estou em casa, ouço os caminhões a toda, correndo para socorrer alguém. O batalhão fica a uma quadra daqui, então é impossível não ouvi-los. Quando fazia natação duas ruas ali perto, dois bombeiros nadavam lá e pensei: claro, precisam estar em forma, mas também me veio à mente o quão prático era trabalhar perto e quanto tempo livre eles tinham para fazer natação pelas manhãs. Como eu.

Quando morava com meus pais, era na última casa da última rua de um condomínio em Salvador. Silêncio quase total, não fosse a cantoria idílica dos passarinhos, o grito de uma arara louca sempre esquecida do lado de fora de alguma casa, um galo vizinho, estridente e atrasado para a alvorada, os cachorros. Agora, morando em um apartamento em um dos bairros mais movimentados da segunda maior cidade do país, são outros barulhos que me despertam: a cacofonia dos alarmes de carros defeituosos, os queridos bombeiros, as sirenes policiais — sempre me assustam, sempre me assustarão — os guardadores de carro que trabalham por turno, os caminhões de lixo, alguns tiros. Sim, isso também. Ah, e o sino da igreja, porque moro num mundo chamado Copacabana.

Stephen King me contou em seu On Writing, que é preciso estabelecer uma rotina para escrever. Acho até que ele mencionou as manhãs, porque é um momento de sossego universal, quando seu cérebro está mais fresco, descansado e pronto para produzir. Ele disse isso de forma muito mais interessante, mas o que importa é que é notório como funciona para muitos escritores (e outras pessoas de sucesso, executivos e afins, segundo muitos textos do medium).

O fato é que eu tenho parte da manhã livre antes de ir ao trabalho então, decidi abandonar a preguiça que me domina. A meta é acordar às 6h e estou em fase de adaptação, antecipando o despertador um pouco mais a cada dia, como uma tortura gradual. Acordando neste horário, consigo fazer a atividade física obrigatória para chegar inteira à terceira idade, tomar café com calma, arrumar minimamente a casa e escrever. Até agora foram três ótimos dias e vamos fazer uma reza forte às musas e deuses para que permaneça assim. Parece óbvio e muita gente já faz isso na vida, mas, enquanto mulher independente, é um desdobramento importante: não dá para cumprir o dia a dia do trabalho, ir ao supermercado, ler jornais, ir à analista, faxinar a casa, lavar roupas, cozinhar, pagar contas, ler trinta e cinco livros por ano, assistir séries e filmes, ir ao cinema e à praia, escrever críticas, contos e crônicas, tomar umas cervejas de happy hour, viajar nas férias, criar projetos criativos com os amigos e achar que a vida é só isso.

Não temos todo o tempo do mundo e isso precisa servir de inspiração e alerta para um futuro desespero em momentos de crise (existencial).

***
Esse texto é de novembro de 2017. Pouco mais de dois anos depois, tanta coisa mudou que valeu a pena a visita e me pareceu uma boa ideia para marcar nosso estranho presente. Em breve, uma atualização com novas manhãs.
Share
Tweet
Pin
Share
No Comentários

Abril chega nos seus últimos dias e adianto aqui a nossa compilação de tudo o que encontrei de legal para assistir na Amazon Prime Video. É importante dizer que tem, realmente, muito filme bom por lá, propostas mais interessantes do que costumamos encontrar na Netflix. De repente, essa será a ideia mesmo do streaming, para garantir uma competição saudável. Se nada mais prestar, em todo caso, ainda teremos Disney+, HboGo, Telecine Play, Mubi, Youtube e o resto do mundo. Parece que a redução de canais de televisão fez criar um universo de canais de streaming - trocando seis por meia dúzia (a diferença é que agora podemos escolher a hora de assistir). Vamos com o que temos!

  • Séries 

Masters of sex (2013-2016)
Lançada em 2013, tem quatro temporadas. Baseada em uma história real, fala sobre os inícios das pesquisas sobre saúde e sexualidade nos anos 50, atravessando o início da revolução sexual que veio depois. É um drama-romance muito bem construído e divertido, sem ser meloso. Vale muito a pena. 

Modern Love (2019-)
Modern Love é baseada em uma coluna homônima do New York Times, que trata sobre comportamento e relacionamentos mais diversos, envolvendo claro, amor - em todas as suas nuances. Leve, tranquila, não é água com açúcar e mostra diversas situações interessantes que abrangem o tema. Elenco de primeira, passa o tempo que é uma beleza e faz bem para o coração e o espírito. Lembra os grandes filmes de romance / comédia romântica e sigo ansiosa para a segunda temporada. 

Downton Abbey (2010-2016)
Downton Abbey é uma das séries inglesas de maior sucesso da atualidade. Um drama histórico sobre as relações de uma família da aristocracia e seus empregados, em paralelo com fatos históricos do começo do século XX. É meio novelesco às vezes, mas acabamos nos apegando aos personagens - e são muitos mesmo! - e seguimos em frente sem grande problemas. Fez tanto sucesso, que lançaram filme comemorativo ano passado nos cinemas. Seis temporadas. 

  • Filmes

Blue Jasmine (2013)
Sabendo de todas as polêmicas e boicotes ao diretor, acho que vale abrir uma exceção para este filme. Ele, inclusive, já esteve na Netflix e migrou para a Amazon. Não é comédia boba, ele não está como personagem no filme. É um drama-comédia com Cate Blanchet, Alec Baldwin e muita gente boa. Uma mulher perde a fortuna e passa a viver com sua irmã, longe de ser rica. A interpretação de Cate só comprova seu talento e força como atriz. De Woody Allen. 

Um estranho no ninho (1975)
Um ‘clássico moderno’, como diria a prateleira da minha finada videolocadora aqui de Salvador. Os melhores filmes estavam sempre por lá. Pois Jack Nicholson não fez apenas O Iluminado ou Easy Rider, mas muitos outros ótimos que merecem destaque. Aqui, ele é McMurphy, um criminoso que alega insanidade e vai parar em uma instituição psiquiátrica com um sistema brutal. De Milos Forman, nem sei se precisa dizer mais nada.

A Caça (2012)
Estamos em um bom momento para assistir este filme. Mentiras, suspeitas, esse drama dá um nó em nossas ideias sobre temas controversos. Mads Mikkelsen é Lucas, um professor de escola infantil que se torna suspeito de molestar uma criança. O resto é história e faz lembrar um importante caso semelhantes que aconteceu em uma escola do Rio de Janeiro anos atrás. De Thomas Vitenberg, é impressionante a seleção de elenco e a sinergia destes atores em um filme tão centrado em poucos espaços e dentro de uma pequena comunidade. Grande roteiro.

O discurso do rei (2010)
O filme faz impressionantes dez anos esse ano. Dirigido por Tom Hooper, de Os Miseráveis (2012) e A Garota Dinamarquesa (2015), o filme conta a história da dificuldade do rei George VI, o esposo da Rainha Elizabeth em atender às suas atividades no trono. Baseado em fatos reais e um ótimo programa para toda a família.

Um beijo roubado (2007)
Um beijo roubado é uma pérola escondida no streaming. Filme de Wong Kar-Wai, é um romance-road-movie-drama, com um elenco tão espetacular quanto sua fotografia e trilha sonora. Faz valer cada minuto, especialmente quando embarcamos nas micro estórias dentro da saga de Norah Jones. O elenco de apoio não poderia ser mais impressionante Natalie Portman, Jude Law, Rachel Weisz e David Strathairn. Uma delícia. A crítica dessa maravilha segue aqui.

Lars and the real girl (2007)
Essa é uma comédia-drama inusitada em que Lars, como diz o título, encontra amor em uma boneca inflável. Não chega a ser um spoiler, calma, isso dá pra ver no cartaz. A graça do filme vai além, quando sua família é apresentada à moça. O filme é divertido e diferente e nos faz pensar em comportamento, família, solidão, ingenuidade e claro, amor. Como era de se esperar, levou vários prêmios de roteiro. Com Ryan Gosling. 

Maary e Max (2009)
Mary (Toni Collette) é uma garota de oito anos que mora em Melbourne e Max (Philip Seymour Hoffman) é um homem de quarenta e quatro, que vive em New York. A menina decide escrever uma carta aleatória para o endereço de Max, encontrado numa lista telefônica e passam a se corresponder, por anos, se tornando amigos. O filme é lindo, engraçado, tem um roteiro brilhante e vale muito a pena. Veja e me fale!

Apenas uma noite (2010)
É uma dessas histórias de romance e acaso com um elenco que dá vontade de acompanhar. Por mais ridícula que pareça essa frase, acho mesmo que fui ver esse filme por essa razão. Mas, calma, ele é bom. Keira Knightley e Sam Worthington são Joanna e Michael, um casal que se dá bem e tá tudo certo, mas o relacionamento anda meio morno. Os dois vão passar uma noite afastados, ele em uma viagem a trabalho e ela cruza com uma pessoa do passado. É um filme sobre desejo, responsabilidades, amor - relacionamento. O que eu gosto aqui, além do elenco é, de como a trama se constrói e como conseguimos entender as complexidades de seus personagens. 

Tudo sobre minha mãe (1999)
Eu deveria dizer: Almodóvar, assistam, mas depois que ele fez aquele filme do avião, acho que é preciso falar mais. O filme do avião é podre. haha... Mas, Tudo sobre minha mãe é um filme realmente com a marca boa do diretor, um drama centrado na figura de uma mãe, como o título diz, mas nos papeis das mulheres nas famílias também. Almodóvar sempre fala um pouco de si nos filmes que faz e esse não foge à regra, mantenod também suas cores, como diz Caetano e um humor em meio ao drama. Aqui tem conversa sobre gênero, como sempre e um elenco de peso do cinema espanhol, Cecilia Roth, Marisa Paredes, Candela Peña, Antonia San Juan e, claro, Penélope Cruz.
Share
Tweet
Pin
Share
No Comentários
Porto de Pedras, Alagoas, 2019.
Quem me conhece, sabe que já me mudei muitas vezes; de país, cidade, estado, bairro e às vezes até dentro do mesmo prédio. Em todas as mudanças, a primeira coisa que perguntava quando chegava na casa nova era: Mãe, em que caixa está seu caderno de receitas? Se eu tivesse que escolher um item para herdar, seria esse, sem dúvida alguma.

Acho curioso ver nas páginas do caderno um pouco de farinha, respingos, chocolate, diferentes cores de caneta, mas pincipalmente, os comentários: “ótimo”, “deu certo”, “um pouco seco”, e por aí vai. Mais interessante ainda, é que as receitas ganham nomes das pessoas que cozinharam ou criaram: Biscoitos Amanteigados da Tia Leda, Bolo de Abacaxi – ótimo – da Líria, Pudim da Vizinha da Vilma, Torta de Nozes da Sandra. Quando fui morar sozinha, o caderno ficou com a minha mãe e, sempre que quero alguma receita, peço pela receita da fulana, e nunca “aquele bolo de chocolate”.

Acho lindo como as receitas ganham identidade e personalidade, é isso o que faz gerar tanto afeto. Sempre vi a cozinha como o cômodo da casa mais animado, mais acolhedor. Cozinhar juntos, é uma das coisas mais gostosas que tem, você compartilha, aprende, ensina, prova, tenta chegar a um consenso de sabores. Abrir uma garrafa de vinho, colocar uma música e passar horas ali. Às vezes, a preparação da comida é até mais gostosa do que a própria refeição. Mesmo quem não gosta de cozinhar tem um papel significativo nesse ambiente, no momento de compartilhar. Até aquele amigo que só vai ralar o queijo, picar a cebola ou lavar a louça (quem cozinha sabe que são as melhores ajudas possíveis!). Pra mim, a culinária é uma mistura de afeto, nostalgia, dengo, carinho.

Às vezes, acho que não sou muito boa com as palavras para expressar sentimentos, mas entendi que a minha maneira de fazer isso é cozinhando. O tempo, o cuidado, a escolha dos ingredientes, a dedicação quando preparo os doces, principalmente, são a minha forma de demonstrar afeto. É uma coisa forte energeticamente, enquanto o bolo assa, fico emanando energia para que cresça bem, fique bom e as pessoas gostem. Já aconteceu de ter que fazer um doce para alguém que não tenho grande afeição e a receita simplesmente desandou. Não tem como ser diferente, culinária é afeto, amor, é a concretização disso tudo.

Parte do meu processo de autoconhecimento é entender a minha relação com a culinária. Testar receitas é meu momento de relaxamento, mas também é quando enxergo minhas inseguranças, afinal, o objetivo é deixar os outros felizes, levar conforto em forma de comida. É como gostar mais de dar presentes do que receber. Por isso, quero que esteja tudo sempre perfeito.

Claramente vejo como sigo o caminho da minha mãe, que seguiu o caminho da minha avó. Ela conhece os pratos preferidos de meus melhores amigos, de toda a nossa família e, muitas vezes, estes pratos se tornam o carro-chefe da minha mãe: mil-folhas, nhocão, bannoff, pavlova, bolo de morango gelado, torta de nozes. Assim, a gente vai construindo nossa história e relação com as pessoas e, consequentemente, com a culinária.

"Comer não é apenas alimento. É sentir emoções, descoberta, memórias, viagens e partilha. Seja bem-vindo ao Amor”. Essa frase estava na primeira página do cardápio do restaurante Amor, em Porto de Pedras, onde fui com a Tati em 2019. Pra mim, é isso. Deixo aqui uma das minhas receitas preferidas. Em todos os meus aniversários, desde a infância, não queria bolo de brigadeiro, mas sim, o Bolo de Nozes da Sandra.

Torta de nozes da Sandra, do caderno da minha mãe
***
Quem escreve
Marinna é potiguar, mas já morou em tantos lugares, que dá pra dizer que ela é curitibana-canadense-carioca-paulista. Por enquanto, é produtora audiovisual, trabalha e vive no Rio, mas um dia vai abrir uma cafeteria comigo. Faz os melhores bolos e doces que comi na vida. Nunca acha que estão bons o suficiente. Confia em mim e fala com ela.
Share
Tweet
Pin
Share
4 Comentários

Ontem vivemos mais um momento vergonhoso em nossa política nacional. Aliás, já faz algum tempo que não aparece coisa boa, salvo o curto trabalho de Mandetta comandando a saúde neste momento difícil. Enquanto para uns parece óbvio que nosso governante não é apto à cadeira que ocupa, para outros, entregues às paixões violentas dos gritos de exaustão e desvarios, há a crença e defesa do presidente como parte de sua família, talvez um deus. Muito disso, por conta da construção do personagem, alguém que clama pelo povo - supostamente - e fala o que todos querem ouvir - aparentemente - ainda que dali, se espremendo, não saia nada.

Se fez a construção do personagem, se espalhou a narrativa com as fake news; o que era boato virou verdade e, literalmente, o contrário também se fez. Uma cegueira, como uma doença de contágio, tomou parte de nós, dificultando o trabalho da razão e ciência em troca de muito barulho por nada. Agora, vivemos as consequências destes sacos vazios de ideias no meio de uma catástrofe mundial, seguimos como o Louco da turma da Mônica, correndo e gritando por aí coisas que ninguém entende porque a fonte da razão está quase esgotada - o que nos traz ao livro da semana. 

Ensaio sobre a cegueira, José Saramago
Saramago é brilhante, não sou quem diz, é o mundo. Os livros dele começam fáceis de ler, nos acostumamos à agonia inicial dos parágrafos imensos e poucas vírgulas, quando a história nos prende. Neste ensaio que é uma ficção, há uma cegueira literal que paulatinamente toma parte do mundo, como a expressão de quando esquecemos algo: 'deu um branco'. Em Saramago, a definição de não enxergar não é a escuridão, mas o branco absoluto.

Só essa ideia já deveria fazer todo mundo pegar o livro. Culturalmente, quando pensamos em não enxergar, associamos à ausência de luz. Nos estudos das cores e da física como aprendemos na escola, a cor preta absorve a luz enquanto a branca a reflete. A escuridão em nosso cotidiano, é o não enxergar, é não ter algo visível, é estar tudo às escuras. A claridade é, portanto, algo que se aproxima do claro e que, em tese, nos faz enxergar melhor. Paradoxalmente, quando nossos olhos se acostumam a um ambiente escuro e abrimos uma porta para um acesso com luz, momentaneamente não enxergamos, porque precisamos nos readaptar àquela nova situação. 

No meio dessas divagações, entra o livro com todas as suas metáforas que nós vamos construindo e adaptando ao nosso contexto. O mundo ficcional de Saramago entra em colapso, as poucas pessoas que, por alguma razão, são imunes à cegueira, vivem uma situação perigosa, porque elas podem ser escravizadas, usadas pelas que estão em desamparo ou o contrário, podem usar isso como um poder absoluto, o controle de informação e conhecimento. O que pode servir como auxílio ao outro, é também um tormento ou uma arma. É um mundo que, de súbito, se tornou dependente, indefeso e com medo. É um mundo entregue ao desconhecido e em desespero - o caos dos filmes apocalípticos.

O autor investe com precisão cirúrgica e estilo próprio em uma literatura fácil de ler, mas com ideias complexas, provocando um debate íntimo sobre ética, sobrevivência, educação, religião e tudo o que os cerca: poder. É um dos melhores livros que li na vida e é um dos melhores livros deste prêmio Nobel, junto com outro que amo, O Evangelho segundo Jesus Cristo. 

É um grande momento para nos ocuparmos deste Ensaio, por tudo o que vivemos politicamente em nosso país, pelos debates acalorados, pelas informações falsas, por crenças em orações absolutas, frases soltas quando tudo é relativo. Por pensar mais em dúvidas do que em certezas, porque são as primeiras que nos fazem investigar e acreditar em ciência e não em arroubos de vaidade em forma de arrotos de ignorância. Ou, pode ler para além disso tudo: é uma grande história. 

Em 2008, Fernando Meirelles fez uma ótima adaptação para o cinema que nunca vai se comparar à grandiosidade do livro e nem deve, é outro meio. Mas também, vale muito a pena. A crítica tá aqui.

Última edição: saiu uma novinha este ano, da Companhia das Letras.
Share
Tweet
Pin
Share
No Comentários
marian-kroell-Tbqa_cgOIwE-unsplash

Aproveitando que estamos na última semana deste mês único em nossas vidas, resolvi facilitar um pouco nosso dia a dia e fiz um compilado de tudo o que indiquei aqui para assistir na Netflix em Abril. Só coisa boa! Acho que vou manter isso como uma regra de fim de mês, porque realmente é menos coisa pra buscar nos arquivos, né? Lá vai!

  • Séries

Comedians in cars getting coffee (2012)
Criado e apresentado por Jerry Seinfeld, esta série é uma delícia. Confesso que as primeiras temporadas são mais legais, mas é interessante acompanhar as conversas com os comediantes. É literalmente isso: Seinfeld pega um artista destes em casa, em um carro diferente por vez e leva para tomar café. Como uma pessoa adoradora de café, é um deleite ver imagens maravilhosas de café e sempre quero tomar mais. Mas, é claro que a série vai além e as conversas sobre comédia, sobre o trabalho e sobre a vida costumam ser bem legais. Leve, para distrair. Os episódios são super curtos e a produção é profícua – 11 temporadas e dá pra ver fora de ordem.

Midnight Diner - Tokyo stories (2016-)
Série super curta e deliciosa em que quase tudo se passa no restaurante desse moço da foto. Lugar pequeno, é quase como uma dessas cafeterias charmosas e tradicionais, que têm um público cativo e ali vemos o desenrolar de várias histórias, relacionamentos, várias possibilidades do viver. A primeira temporada é bem boa e a segunda segue o mesmo caminho. Vale a pena.

Atypical (2017-)
Uma série que demorei pra ver, porque achei que poderia ser besta. Na verdade, é bem boa, traz a história de Sam (Keir Gilchrist), um garoto com traços de autismo, sua família e entorno. Leve sem ser boba, comédia tranquila e uma forma incrível de inserir o autismo no entretenimento. Com Jennifer Jason-Leigh, Brigette Lundy-Paine e Michael Rapaport. Por enquanto, três temporadas.


Nada ortodoxa (2020)
Assisti esta minissérie toda hoje, quase de uma só vez. Com quatro episódios, traz os judeus hassídicos da comunidade de Satma, no Brooklyn para o nosso dia a dia. Esty (Shira Haas) não consegue se manter na estrutura radical que é parte daquela cultura e tenta sair dela. Um drama baseado em fatos reais, com uma excelente pesquisa e adaptação para o audiovisual, ainda garante uma narrativa clássica, a la jornada do herói muito boa, nos prendendo até o fim. De quebra, passamos a conhecer um pouco esta realidade tão contemporânea quanto distante de boa parte de nós. Vai ganhar um monte de prêmios.

Sherlock (2010-)
Já se fizeram mil e uma adaptações de Sherlock Holmes para a tv e o cinema. Ainda que essa seja mais uma, vale a pena. Benedict Cumberbatch é o herói e Martin Freeman, Watson. A dupla inglesa funciona nesta produção da BBC ambientada na atualidade, que traz um elenco inesperado em uma série de investigação e aventura. Ao contrário do filme americano, aqui a ideia não é ter um protagonista sedutor, mas alguém inteligente e que, ao mesmo tempo, torna necessária e relevante a presença do amigo médico. Depois de assistir a alguns episódios, não deixe de ver este trailer incrível (em inglês), do pessoal da Honest Trailers. Muito engraçado.

Love (2016-2018)
Com três temporadas, Paul Rust e Gillian Jacobs, a série é uma das melhores de comédia romântica do acervo. Com grandes diálogos e personagens divertidíssimos, tem ritmo bacana e trata, claro, do relacionamento dos protagonistas. Talvez, por quebrar o estereótipo de mocinha e mocinho bonzinhos o tempo todo e fazer sumir o ´água com açúcar' mantendo a ternura, fica leve, com umas pinceladas de humor ácido. Tomara que façam nova temporada. 

Marcella (2016-)
Série inglesa brilhante, bastaria ver só para assistir a interpretação de Anna Friel, que é impressionante. Marcella é uma investigadora policial que volta ao trabalho depois de alguns dramas pessoais e tenta retomar a vida. Neste retorno, é preciso que todos voltem a lhe ter confiança porque, como House, ela é fera em descobrir os caminhos e seu instinto não nega. O roteiro nos guia entre sua vida pessoal e profissional e o desenrolar das duas temporadas é de tirar o fôlego. Dá vontade de ver mais e sempre.

  • Filmes
Eu, Daniel Blake (2016)
  Dirigido por Ken Loach, esse filme de 2016 mostra uma realidade aproximada de, pelo menos, uns cinquenta anos. Um drama social em que nosso protagonista se vê entre uma cadeia de burocracias impossíveis de atender e, por isso, passa a fazer parte de estatísticas arrasadoras. Crítico e sensível, esse filme é impressionante. E lindo. Levou a Palma de Ouro. A crítica tá aqui.

Jackie (2016)
Jackie é um drama que trata dos momentos posteriores à morte de John F. Kennedy, então presidente dos Estados Unidos em 1963. Jackie, sua esposa, estava no carro com ele, no momento do crime e viveu um trauma de grande escala, se tornando em um instante, a primeira dama-viúva do país. Tendo que lidar com a mídia e governo, família e amigos, não podemos nem imaginar o que ela passou, mas este filme propõe um bom retrato. Com a já esperada impressionante atuação de Natalie Portman, o filme carrega o tempo da recomposição dessa mulher, antes coadjuvante e depois, protagonista de sua família. 

Minha obra prima (2018)
O cinema argentino tem uma característica comum a quase todos os seus filmes: o cuidado com o roteiro. Essa comédia ácida não foge à regra e nos distrai, nos deixando o desafio de entender estes personagens e suas intenções. Divertido. De Gastón Duprat, o mesmo dos ótimos O Cidadão Ilustre (2016), Querida, vou comprar cigarros e volto (2011) e O homem ao lado (2009).

What happened, Miss Simone? (2015)
Um filme impressionante sobre a vida de um dos maiores nomes da música norteamericana. Antes de assistir, achei que não conhecia muito da trajetória da cantora, mas depois vi que não sabia, na verdade, que era ela quem cantava aquelas músicas sensacionais. Sensível, bem feito e com imagens inéditas e pessoais, vale cada minuto. Um estudo sobre uma mulher, sua história complicada e os rumos que grandes vidas tomam. Impressionante. De Liz Garbus. A crítica segue aqui. 

Carol (2015)
Todd Haynes traz Cate Blanchett e Rooney Mara nesta adaptação para o cinema de um romance entre duas mulheres nos anos 50. Delicado, inteligente e sutil, as duas atrizes sustentam no olhar e poucas falas, um mundo de significados. Levou muitos prêmios por onde passou. É realmente impressionante ver o talento e a força de Cate, especialmente quando acompanhamos sua trajetória de personagens imponentes. Imperdível.

Enquanto somos jovens (2014)
Noah Baumbach tem uma série de filmes espalhados pelos streamings, além de Frances Ha e História de um Casamento. O que é interessante e comum em toda a sua filmografia é o olhar sobre comportamento e relações humanas. Ele não tem uma pegada de crítica social como Ken Loach faz na Inglaterra, mas ainda assim, busca entender, de uma forma menos estereotipada, seu entorno enquanto estadunidense, da adolescência à vida adulta. Enquanto somos jovens segue esse caminho, é uma obra leve que traça um paralelo entre dois casais, um de jovens hipsters (Adam Driver e Amanda Seyfried) e outro na meia idade (Ben Stiller e Naomi Watts) O interessante é perceber o que falta e sobra em cada par, com insights sobre comportamento, juventude, vida adulta, desejos e interesses. A crítica está aqui!

13a Emenda (2016)
O filme é uma aula sobre a questão penal norteamericana e como ela é representativa de uma situação ainda maior e mais complexa de direitos humanos, preconceitos e racismo. Ava Duvernay traz um estudo muito bem apresentado, com muito ritmo que nos prende até o fim, ainda que venha com bastante informação crítica. O sistema de lá ainda nos faz questionar diretamente a nossa situação aqui, especialmente em tempos de desgoverno, conservadorismo, falta de representatividade e crise política. A crítica segue aqui e é um filme que todos deveriam ver e discutir. 

Sergio (2020)
Dirigido por Greg Barker, que também fez um documentário sobre Sergio Vieira de Mello, a ficção estrelada por Wagner Moura e Ana de Armas é interessante para ilustrar os momentos finais da vida do alto comissário da ONU. Morto em um atentato em Bagdá em 2003, o brasileiro Sergio era uma referência mundial na resolução de conflitos. O drama enfatiza a tragédia, o que é bastante discutível, e chega à beira do melodrama - mas vale ver pela interpretação de Wagner Moura como um homem apaixonado por tudo o que lhe cerca, quase ingenuamente. Vale a discussão.

Share
Tweet
Pin
Share
No Comentários
Posts mais recentes
Posts mais antigos

Sobre mim

a


Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


Social Media

  • pinterest
  • instagram
  • facebook
  • linkedin

Mais recentes

PARA INSPIRAR

"Amadores se sentam e esperam por uma inspiração. O resto de nós apenas se levanta e vai trabalhar."

Stephen King

Tópicos

Cinema Contos e Crônicas streaming Documentário Livros Viagem comportamento lifestyle

Mais lidos

  • Setembro amarelo no Cinema | 20 filmes sobre saúde mental
    Setembro amarelo no Cinema | 20 filmes sobre saúde mental
  • 8 melhores streamings de filmes e séries gratuitos online para conhecer em 2020
    8 melhores streamings de filmes e séries gratuitos online para conhecer em 2020
  • Livro | Futuro Ancestral, Ailton Krenak
    Livro | Futuro Ancestral, Ailton Krenak
  • De quantas redes sociais precisamos? | Embarque nesta ideia revolucionária
    De quantas redes sociais precisamos? | Embarque nesta ideia revolucionária

Free Blogger Templates Created with by ThemeXpose