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Café: extra-forte

Como se sabe, um boa polêmica sempre faz bem ao alcance do público de um produto de entretenimento e/ou artístico. No cinema não é diferente. Lindinhas (Cuties, Mignonnes ou como aparecer na sua netflix) ganhou a curiosidade do público por aparentemente tratar da sexualização de meninas na França. Mas será que é realmente sobre isso? Vamos à crítica.

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Lindinhas, (Cuties ou Mignonnes), de Maïmoune Doucouré
É claro, a imagem que queremos ter de garotas de onze anos não é a de objetificação, de imprimir desejo e sexualidade. São crianças. Sabemos os riscos da pedofilia e conhecemos bem o tratamento dado a meninas e mulheres no mundo. Mas, analisando friamente, o que o filme traz é o comportamento 'esperado' da adolescência no 'ocidente'. Mais uma vez, com a mídia e o acesso livre às redes sociais - vale assistir ao filme o dilema das redes (2020) - as músicas e videoclipes encontram um público em formação, que não necessariamente compreende os significados daquele produto, e dança, o consome de forma indiscriminada.

O filme é mais complexo do que estas óbvias ideias e a polêmica perde validade à medida que ele avança. Lindinhas traz as diferenças culturais de um subúrbio em Paris, onde parte da população vem de ex-colônias francesas. A família de Amy, nossa protagonista, é parte disso, vindo do Senegal e suas tradições são bem marcadas, especialmente na condição da mulher - tema que o filme explora sensivelmente e, este sim, é o ponto em que devemos focar.

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Lindinhas, (Cuties ou Mignonnes), de Maïmoune Doucouré
A mãe de Amy vai ter que preparar o segundo casamento do marido. Amy e a avó terão que ficar felizes em sua presença. Nada se diz do pai que pouco aparece ou do irmão a que nada é solicitado, apenas que brinque e seja criança. Enquanto a puberdade chega à nossa heroína com os deveres de mulher aos onze anos, a Amy criança se quer adolescente e passa a se interessar em dançar com as amigas, fazer parte de um grupo, se vestir na moda - ganhar identidade.

Lindinhas constrói uma trajetória sensível de formação e uma das cenas mais marcantes envolve o vestido que ela ganha da família. Uma peça que sai do desejo ao desprezo, com a confusão e incômodo representados no olhar de Amy, quando ela descobre que deverá usá-lo no casamento do pai. É como um fantasma no armário, a representação de sua cultura familiar, uma tradição a que não se pode fugir. A tensão é firme e pertence a ela apenas, diz respeito à sua descoberta enquanto indivíduo.

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Lindinhas, (Cuties ou Mignonnes), de Maïmoune Doucouré
O filme não trata as garotas como adultas e nem pretende sexualizá-las. Não é o objetivo da diretora em seu primeiro longa, Maïmouna Doucouré. As cenas em slow motion, exibindo os rostos das meninas em poses sensuais sob uma música clássica, traduzem justamente o descompasso dos gestos com quem os pratica. É muito mais um embaralhamento de significados do que uma problematização dos corpos. Mas, alguns apostarão na minha inocência. 

Insisto e justifico: as espinhas nos rostos das crianças, os olhares fixos para a câmera, claramente direcionados para nós, são como uma provocação direta, como quem pergunta: há sensualidade aqui? A briga de meninas na saída da escola, a calcinha infantil que aparece depois que uma calça justa é puxada para baixo e as reações do público na apresentação de dança insistem em mostrar não uma promessa a olhares doentios ou intencionados, mas a marca da ingenuidade por trás da fantasia. Um jogo arriscado, especialmente quando o público é diverso e em tempos em que a polarização e polêmicas são maiores do que a reflexão e o debate. E neste caso, o filme vence.

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Lindinhas, (Cuties ou Mignonnes), de Maïmoune Doucouré
Não há porque cancelar a netflix, achei que esta política de cancelamento nas redes sociais - e, pelo visto em qualquer lugar - já havia saído de moda. Lindinhas vale o ingresso e é aposta certa no streaming. É um filme sobre a saída da infância e entrada na adolescência, novos comportamentos, menstruação, despertar tenro da percepção do outro - menos como interesse amoroso e mais como curiosidade. As brigas de meninos e meninas no primário e a vontade de saber mais sobre as diferenças físicas são evidências disso. A ausência de sexualidade é tão marcante quanto encontrar uma camisinha usada e achar que é um balão de soprar.

Talvez a ministra Damares Alves tenha se chocado - se é que viu o filme ou leu alguma crítica - com as diversas camadas que ele desperta em seu público. Talvez, não só ela, mas quem enxergou apenas a coreografia supostamente pornográfica, tenha se horrorizado com as diferenças culturais e esqueceu o que se dança e dançava em nossa infância e adolescência brasileiras. Talvez, mais uma vez, alguém tenha se intimidado com a religião ali expressada, especialmente na cena ritualística das mulheres. Para mim, pareceu algo como o que encontrei em Os mestres, os loucos (1955), do documentarista etnográfico, Jean Rouch. Naquele filme rodado em Gana, há rituais em que os personagens se manifestam para além das palavras e o mais surpreendente é ver o comportamento de seus corpos, que mimetizam funcionários da colonização francesa no país. 

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Lindinhas | o pôster novo e o censurado
Não sei se a intenção era trazer à memória esta representação em Lindinhas, mas, quando a mãe e a avó de Amy promovem um ritual com a água e o frio, 'libertam' o corpo da menina que agora se manifesta sem o aval da consciência, simulando os gestos da dança que ela praticava com as colegas. Novamente, uma cena linda, uma percepção daquela cultura de quem vem de dentro, de quem conhece as sensibilidades e intimidades dos tratos familiares e culturais. 

É uma pena, ainda que compreensível no período que vivemos, que Lindinhas seja reduzido ao tema da sexualização da infância e ainda taxado como um apelo à pedofilia. Não é disso que trata a obra, mas de identidade, diferenças culturais, descobertas na infância e adolescência. É um filme lindo e sensível que merece ser visto na íntegra para, então, trazer ao debate. Não cancela a netflix por causa dele, a empresa de streaming de filmes até pediu desculpas pelo pôster que mostra a cena das meninas na competição e fez uma nova versão, o que me parece justo e um compromisso social, de certa maneira.

Segue o trailer. Assiste ao filme e vamos conversar um pouquinho? É sempre a melhor parte, quando saímos do cinema. Para manter nossos debates em dia, vamos tomar um café? =)

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Sempre pensando em um livro interessante para ler em 2020, me reencontrei com Robert Capa e suas obras maravilhosas: Ligeiramente fora de foco e Um diário russo. É sobre o segundo que vamos falar, em homenagem à vacina da Rússia de combate ao coronavírus. Brincadeiras à parte, este projeto foi uma parceria com ninguém menos de John Steinbeck, em plena Guerra Fria.

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Um diário russo, John Steinbeck e Robert Capa
Infelizmente e sem saber porque, este livro não é um best seller. Não está em nenhuma lista de livros mais vendidos do ano, de qualquer ano, mesmo sendo impressionante e maravilhoso. O escritor de Vinhas da Ira (1939) e A Leste do Éden (1952) uniu-se a um dos maiores fotógrafos deste globo para, juntos, visitarem o mais temido país de 1947 de acordo com os Estados Unidos, A União Soviética.

A ideia surgiu entre Steinbeck e Capa, que a venderam ao Herald Tribune e, por serem dois nomes de peso, o jornal topou. O objetivo era ver como vivia o povo soviético, fotografar o cotidiano de pessoas comuns, em uma tentativa de encontrar semelhanças ou disparidades entre dois países, em tese, opostos em tudo: a nação americana e a Rússia (ou ex- URSS).

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Geórgia (ex. URSS), 1947 - Robert Capa 
Retomando um pouco a história mundial, me perguntei quando começou a Guerra Fria. Sabia, com a certeza dos livros de história e do imenso volume de mídia, quando começou e acabou a Segunda Guerra Mundial, e sabia que a outra havia sido pouco depois. O ano certinho é, justamente, o da viagem dos nossos heróis. Então, ali estava acontecendo tudo: uma imensa propaganda americana tocando o terror psicológico sobre o país soviético, uma infinidade de fake news - sim, elas não surgiram agora - dos dois lados, a desinformação de sempre e ideias preconcebidas.

Steinbeck e Capa seguiram para o maior país do mundo, um consagrado autor de livros de romance e um experiente fotógrafo de guerra e sociedade para elaborarem relatos em forma de um diário, formato que se firmou no retorno dos autores aos Estados Unidos. Quando estavam por lá, conheceram pessoas de toda ordem, entraram em suas casas, participaram de suas vidas, viram a cultura local, a força e o poder político de lá que pouco se diferenciavam do que viam e viviam em casa.

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Ucrânia (ex. URSS), 1947 - Robert Capa 
Na União Soviética, quebraram mitos e a cada cidade, era uma avalanche de novos conhecimentos e experiências - uma viagem que qualquer um de nós amaria fazer, especialmente na presença desta dupla. No fim, o livro se tornou um relato pessoal a quatro mãos, entre o íntimo de um diário e a reportagem de um romancista: uma escrita deliciosa, como um se estivéssemos tomando um café com um grande amigo e brilhante contador de histórias. Isso tudo, sem falar nas fotografias que compõem a obra, complementando e enriquecendo as imagens que criamos em nossas mentes. 

A obra é excepcional. É um dos melhores livros para ler em 2020, sem dúvida, especialmente em tempos de polarização e desinformação, conforme apontao filme O dilema das redes. A edição que tenho é a da foto, da saudosa Cosac Naify, mas você encontra outra ótima em inglês, da Penguin Books. Achei também na Estante Virtual, porque insisto que essa dica de livro é realmente muito boa e vale a pena o investimento. :)

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John Steinbeck e Robert Capa, 1947
***
Gostou da sugestão? Já leu algum livro escrito por um russo ou sobre a Rússia? Vamos conversar! Além deste, tem mais algumas resenhas de livros ótimos e imprescindíveis para conhecermos mais sobre sobre a história da ex-URSS, da autora Svetlana Aléksiévitch.  

Para  manter este blog com os melhores assuntos para discutirmos, que tal tomarmos um café juntos?
Assim, todo mundo se ajuda e sai ganhando =) 
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Chegamos naquele momento do ano em que já dá pra começar a dizer que ele passou rápido, mesmo com pandemia e isolamento social. Por ficar tanto tempo em casa, investi pesado no cinema e na literatura e investiguei os streamings e plataformas de exibição de filmes gratuitos online mais interessantes para sairmos um pouco da Netflix e Amazon Prime Video. Segue a lista das melhores alternativas para acessar o imenso catálogo cinematográfico mundial. 

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CineSesc São Paulo
O Cine SescSP fica na capital, na Rua Augusta e durante este isolamento, abriu uma programação gratuita de alta qualidade para ver online. Os filmes são mais comuns ao "circuito alternativo" o que considero uma imensa vantagem já que, para os filmes mais comerciais, as plataformas mais acessadas garantem o acesso. É possível encontrar a programação no site e no instagram, cujo link no perfil encaminha para o acesso aos filmes online e com legendas, quando necessário. Além da programação 'regular', eles ainda têm um cineclube infantil e mostras internacionais temáticas. Um achado nas redes e espero que se firmem como plataforma - a programação é rara e excelente.


Circuito Sala de Arte Salvador
Em Salvador também há uma opção de cinema alternativo, o Circuito Sala de Arte. Durante a pandemia, eles trouxeram o Cineclube Sala de Arte Daten com exibição de dois filmes por semana através de um link. Os filmes são gratuitos para exibição online e às quartas e sábados ainda há um encontro virtual com críticos e público para comentar a obra. Uma seleção também excelente com o ganho de discutir com quem assistiu e alimentar o amor pela cinefilia. 


Cine 104 BH
Outra grande aposta para quem quer ver ótimos filmes online e não se preocupar em buscar agulha no palheiro dos catálogos dos streamings é seguir a programação do Cine 104 BH. Dois filmes por semana, com acesso por senha no vimeo. Fácil, filmes do mundo que veríamos felizes nos cinemas, agora em casa. Para não perder nada, e ver grandes filmes.


Looke
O Looke é um streaming de filmes e séries pago, mas que abriga, eventualmente, alguns festivais e mostras de cinema. Assim, está acontecendo agora na Mostra Cinema e Reflexão, o Festival de Cinema Chinês com nomes como Zhang Yimou, Chen Kaige e Feng Xiaoning. A edição chinesa encerra no final de outubro e a programação de filmes está disponível aqui.


CinUSP
Seguindo a linha dos cineclubes, o Cinema da Universidade de São Paulo também tem o seu, com exibição de filmes online e debate. Uma programação especial e específica que dá para acompanhar pelo instagram.


Libreflix
É uma plataforma de streaming de filmes como a netflix, com a diferença de ser gratuita. Tem filmes clássicos maravilhosos, como Tempos Modernos e também uma programação de cinema independente, nacional, curtas e documentários. O site é este aqui.


LGBTflix
Com uma proposta já indicada no nome, a plataforma exibe filmes filmes que trabalham o universo LGBT. O site é super interessante e apresenta curtas realizados por diretoras e diretores brasileiros. Vale a visita.


Afroflix
Seguindo o padrão do título e apostando no engajamento, o Afroflix se propõe a selecionar obras em que haja participação relevante de corpo técnico e artístico negro. Como eles mesmo dizem, "são filmes, séries, web séries, programas diversos, vlogs e clipes que são produzidos OU escritos OU dirigidos OU protagonizados por pessoas negras". Vamos ver agora?

Qual destas te interessou mais? Me conta nos comentários! =)
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Muita gente vai pensar que é um filme mais do mesmo, que todo mundo fala sobre isso todos os dias e que nós, humanos conscientes, sabemos onde estamos nos metendo quando se trata de facebook, instagram, pinterest... O fato é: O dilema das redes (the social dilemma) está na netflix precisa ser visto agora - mesmo que você ache que já sabe tudo sobre o assunto.

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  O dilema das redes (2020), Jeff Orlowski

Todos nós estamos cansados de ouvir falar no assunto, de discutir sobre redes sociais e fake news ou de ver que alguém em nossa família votou no candidato errado e se arrependeu, por não saber no que estava acreditando naquele momento. Então, qual é o diferencial deste filme? Onde está a grande novidade?

O dilema das redes aprofunda o assunto, ao trazer para a conversa os profissionais do faceook, google, instagram, pinterest. As pessoas que pensaram os algoritmos, as narrativas digitais da redes, que estudaram o nosso comportamento para ver, de que forma ganhariam mais com o nosso consumo de informações. Tristan Harris é um ex-designer ético da Google - função que eu nem sabia que existia - e ele tem uma frase certeira que marca todos os textos e mídias sobre o filme, inclusive: se o produto é gratuito, você é o produto. Mas, o que isso quer dizer na prática?

As redes sociais trabalham com informação. Elas recebem receita de publicidade, da propaganda de venda de itens de consumo. Mas, como elas fazem isso de verdade? Enquanto a televisão aberta exibe uma propaganda para todos os consumidores sem distinção, as redes sociais buscam o consumidor ideal, a pessoa que, por análise de consumo de mídia - as curtidas, compartilhamentos, comentários, amigos e conhecidos envolvidos, endereços de moradia, trabalho e lazer e, claro postagens e frequência - pode se interessar por determinado produto. 

E qual é o pulo do gato que transforma filme O dilema das redes em algo interessante? Esta frase. Porque ela traz a ideia crítica de que nós fornecemos as informações às redes, nós entregamos todas as formas de alcance possíveis. E de graça. Os clientes não somos nós, são os patrocinadores, que receberão o retorno do investimento por saberem que estão alcançando o público certo no momento certo.

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Levando tudo isso em conta, já vale a pena ver o filme por aí, mas ele expande o tema, a fim de tornar ainda mais claro, com exemplos dos riscos que corremos, das consequências que já estamos vivendo e de forma bastante atualizada. Coronavírus, eleições presidenciais vencidas através das fake news - Bolsonaro, Donald Trump, Putin, terraplanistas, pizzagate. Vemos um mundo de histórias sobre supostas conspirações que partem do nada e vão a lugar nenhum, mas que ganham tantos adeptos, que começamos a nos perguntar, como alguém questiona no próprio filme - se essa massa de pessoas pode ser realmente estúpida ou apenas, se está mal e mau informada.

Não é uma obra brilhante do documentário mundial em termos de estética e cinema, se formos criticar enquanto tal. É um filme informativo sobre os assuntos que nos interessam como indivíduos e coletividade. É feito para repensar nossos hábitos de consumo de mídia, informação e redes sociais. É para nos preocuparmos com nossos familiares e como as redes também os afetam e de que maneira - vide os índices de depressão, transtornos de ansiedade e suicídio. Não à toa, os pais de família e profissionais das redes proíbem seus filhos de as utilizarem.

O fiilme é, por fim, para nos fazer refletir sobre a veracidade dos fatos - o que, por si só já é um termo bastante discutível. Há um posicionamento sobre isso no filme, que questiona a verdade, justamente onde ela está. Existe uma verdade? Quem define o que é verdade e real e correto no mundo? Não existe um algoritmo capaz de fazer isso. Se formos pensar em filmes anteriores que retomam isso de forma mais lúdica, aposto que muitos vão lembrar de Matrix e O Show de Truman, quase imediatamente. Os estudiosos de comunicação e sociedade buscarão Guy Debord e Walter Benjamin ou Margaret Atwood, George Orwell e Ray Bradbury na literatura. Estamos todos falando sobre o mesmo assunto, no fim das contas. 

Não devemos nos preocupar apenas com a vigilância sobre nossas vidas ou com o volume de informações sobre nós que depositamos nas redes, mas como isso nos afeta e como isso afeta as informações que recebemos em qualidade, intenção e quantidade. Quando dizemos 'algoritmo da netflix me pegou' e agora só me mostra filmes e séries de determinada categoria, é apenas a explosão óbvia do filtro de conteúdo a partir de nossas preferências. O que não atentamos sempre é que este mecanismo funciona para todo os resto na internet e nas redes.

O filme também não levanta a bandeira de: nunca frequente redes sociais. Ele apenas diz: preste atenção. Fácil de ver como entretenimento para além da curiosidade e relevância da informação, o filme deve ser visto em família, mas também pode ser indicado por professores escolares e universitários, por levantar questões de comportamento, estimulando o debate e fomentando o pensamento crítico, cada vez mais caro e raro no meio de tanta desinformação. Assista hoje, na netflix.
E veja o trailer aqui:


* * *

Quer receber mais sugestões de filmes e séries para assistir toda semana? Acompanhe o Café no instagram! Para manter o Café funcionando e receber uma curadoria personalizada, clique aqui! :)
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Acho que este foi o primeiro ano em nossas vidas que agosto passou rápido. Talvez por termos nos habituado à pandemia e ao arrastar dos cinco meses anteriores, talvez pela vida ter começado a se reajustar nesta suposta nova normalidade, com a diminuição do pânico em todos nós. Não sei. O fato é que passou voando e só agora consegui postar os filmes que indiquei na Amazon Prime e Netflix no mês passado.

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É preciso mencionar, contudo, duas mudanças importantes aqui no Café: 

  1. A partir deste mês, farei uma postagem compilando as dicas de filmes e séries que seguem fresquinhas no instagram. Antes, eu fazia duas, separando Netflix, de Amazon Prime Vídeo, mas vi que as pessoas se dispersavam, na certa, achando que só havia informação sobre um dos streamings; vai saber...
  2. Também a partir de já, vou indicar filmes além destes dois streamings. Para o 'tipo' de filme que normalmenre aparece por aqui, estes streamings não são mais suficientes. A parte boa da notícia, especialmente para quem só assina os dois, é que há uma oferta muito grande de 'streamings alternativos' e gratuitos agora. Salas de cinema estão abrindo sessões para obras incríveis e não custa nada para mim compartilhar estas informações. Então, frequentem o instagram do Café para estas atualizações e mais as informações referentes a livros e outros assuntos.
Agora, sem mais delongas, seguem as dicas de filmes e séries para assistir na amazon prime vídeo e netflix!

> Amazon Prime Vídeo

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Nowhere boy (2009)

Semana acabando e junto com ela, uma dica que me veio à cabeça, mais como uma lembrança ou saudade de ouvir música boa ao vivo. O filme é Nowhere Boy e Aaron Taylor-Johnson é o moço da foto que interpreta ninguém menos do que John Lennon em sua mocidade. Drama que conta a infância e adolescência do Beatle, suas relações familiares e sua afinidade com a música desde sempre.

Vi o filme muitos anos atrás e a lembrança de ouvir Beatles me trouxe a pesquisa e ele está disponível no streaming. Não espere encontrar o quarteto fantástico tocando junto, não é a época, mas há sim o “ensaio” para uma formação inicial e a amizade histórica com Paul McCartney. O elenco está excepcional e é uma boa história para fechar a noite. 

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O poderoso chefão (1972)

Para celebrar o dia dos pais e daqueles e daquelas que exercem a função sem sê-los, nada melhor do que uma saga familiar, clássica e maravilhosa. O poderoso chefão, para quem não viu, é uma trilogia dirigida por Francis Ford Coppola que acompanha a familia Corleone, uma das maiores que tocava um dos braços da máfia italiana em NY.

Com elenco impressionante (Marlon Brando, Al Pacino, Roberto de Niro, Andy Garcia, Robert Duvall, Diane Keaton, Sofia Coppola e mais), a adaptação literária é um marco do cinema norteamericano e deve ser visto por todo mundo que gosta de uma história muito bem contada. A trilogia está sempre nas listas de melhores filmes, é uma escola de cinema e merece ser vista com atenção. 

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Capote (2005)

Phillip Seymour Hoffman é uma das grandes ausências do cinema americano, isso é fato. Encontrei no streaming uma de suas grandes performances, como Truman Capote em Capote, de 2005. O filme é baseado em fatos reais e mostra as pesquisas iniciais para escrever uma reportagem especial que acabou se transformando em sua obra máxima, A Sangue Frio. A pesquisa foi extensa, tratava não apenas do massacre de uma família no Kansas nos anos 50, como da vida dos assassinos no corredor da morte e em especial de um deles, Perry Smith.

O livro é sensacional, outra grande dica e o filme nos prende quase da mesma maneira, pela força hipnótica da performance de Hoffman. Vale assistir e ler a obra que lhe deu origem. O escritor também tem outro grande livro que virou clássico no cinema, Bonequinha de Luxo. 

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Trainspotting (1996)

Conversando com uma amiga sobre os tempos de videolocadora, ela me disse que não conseguiu trabalhar na maior de Salvador (saudosa GPW), porque disse à psicóloga do RH que o melhor filme da época era Assassinos por Natureza. Certamente, a avaliadora se chocou com a resposta, mas minha amiga era estudante de cinema, então fazia total sentido.

Para mim, junto com Assassinos, caminha Trainspotting, mesmo sendo filmes completamente diferentes, talvez eu os una por tê-los visto na mesma época. Lançado em 1996, o segundo conta a história de Renton (Ewan McGregor), um jovem de vinte e tantos anos que tenta largar o vício em heroína e precisa lidar com os os amigos e essa fúria de curtição e festas em Edimburgo.

O filme é de Danny Boyle, o mesmo de Quem quer ser um milionário?, 127 horas e Yesterday e foi tão importante, que levou todos ao Olimpo das grandes produções. Com narração brilhante, montagem e interpretações de tirar o fôlego - entre o sofrimento e a euforia - somos levados a torcer para que dê certo - o que quer que seja - para todos eles. 

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Uma doce mentira (2010)

Hoje seria um bom dia para ver O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001) que tem assustadores 19 anos de produzido. Um filme francês, criativo e delicioso que muita gente já viu e merece ser revisitado sempre, pela leveza e fantasia que aquele romance traz e que tem uma cena que comemora o dia de hoje. Um marco na vida de nossa protagonista.

Como não temos isso nos streamings mais populares, encontrei outro em que Audrey Tautou, a atriz de Amélie, faz outro papel legal e também leve. Uma doce mentira é uma comédia romântica para entrar no fim de semana de forma tranquila e animada, sem exigir demais da gente nestes tempos complicados.

Émilie (Tautou) está vendo a mãe triste e desanimada depois que o marido a deixou e, para animá-la, aproveita uma carta que encontrou sem assinatura e envia à mãe, como se ela ganhasse ali um amante platônico secreto. A doce mentira realmente a transforma, mas gera incômodos para o autor apaixonado por outra e mais algumas questões que deixarei em aberto.

> Netflix

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Casa Grande (2015)

Alerta de filme brasileiro na casa! Chegou na netflix, Casa Grande (2015), o primeiro longa de ficção de Fellipe Barbosa. A trama gira em torno de Jean (Thales Cavalcanti), um adolescente de classe média alta do Rio de Janeiro e suas interações com a família em seus preconceitos de classe (e provavelmente de todo o tipo), colegas de escola e funcionários da casa.

Fellipe explora um pouco sua própria história, há pinceladas de sua família e de si próprio no protagonista. O filme é interessante na abordagem crítica ao vermos um garoto que nada sabe do mundo, do que é Brasil, até que a realidade, finalmente lhe bate à porta e escancara as diferenças para além dos muros da elite. O filme lembra, por parte do tema, o ótimo filme Que horas ela volta?, lançado no mesmo ano e dirigido por Anna Muylaert.

Depois desse e com notoriedade no país, Fellipe traz o filme que gosto ainda mais, Gabriel e a montanha (2017). Esse também poderia ir para os streamings, uma grande obra, sem dúvida.

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My mister (2018)

Comentei aqui outro dia, que tenho investido em algumas séries coreanas que inundaram o streaming. As produções são as mais diversas e para todos os gostos - de verdade. No meio disso tudo e depois de conversar com uma amiga quase phd em produções coreanas, japonesas e chinesas, cheguei em My Mister.

A série traz a cantora IU como a jovem de vida conturbada Lee Ji An, e Sun-kyun Lee (o pai rico do filme Parasita, lembra?), como seu colega de trabalho Park Dong Hoon, cuja vida vira do avesso da noite pro dia. Corrupção, violência de gênero, comportamento, relacionamentos, tem tudo aqui. Mais uma vez, os confrontos geracionais emergem junto com outras marcas da cultura do país, como a questão de gênero e formação profissional.

A série tem uma temporada de 16 episódios de aproximadamente 1h cada e é uma grande dica para começar o fim de semana. A trama vai se construindo no seu tempo e ficamos presos entre as formas que Lee Ji An encontra para sobreviver neste mundo cão, enquanto Park Dong Hoon quer apenas viver em paz no seu trabalho - tarefas quase impossíveis para nossos heróis. My Mister está na netflix e abre nosso olhar para o outro lado do mundo, nos fazendo conhecer um pouco mais sobre aquele país, fugindo do que só ouvimos falar e sabemos tão pouco. 

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Rita (2012 - 2020)

Para mudar de ares e investir em algo diferente, vale assistir Rita, uma série de drama/comédia dinamarquesa que chega na quinta temporada neste sábado.

A dona do título é Rita Madsen, uma professora de escola inteligente e ótima, que tira de letra a educação de seus estudantes e se impões nas relações políticas com seus colegas de trabalho. Por outro lado e como tudo na vida, em sua vida pessoal, as coisas não acontecem de forma tão equilibrada assim. A série me cativou na primeira temporada anos atrás e nunca mais a deixei, com todas as reviravoltas da trama. Diversão garantida, ótimos diálogos e uma comédia diferente do que estamos acostumados. 

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Axé: canto do povo de um lugar (2016)

Em 2016, foi lançado o filme Axé - canto do povo de um lugar, tratando, claro, deste Axé baiano, ritmo que embala os carnavais desde sempre. O filme tenta fazer um apanhado da história da música cujo auge foi nos anos 90, com Daniela Mercury, Olodum, Timbalada, Luiz Caldas, Banda Eva, Chiclete com Banana, Netinho, Cheiro de Amor e um sem fim de grandes artistas que marcaram a vida de, literalmente, milhares de pessoas.

O filme, contudo, não é um panorama vasto ou profundo, não abrange a história toda do carnaval de Salvador e deixa passar bons momentos que surgiram em algumas entrevistas, especialmente sobre a indústria e a política que cercam esta imensa festa popular - um negócio lucrativo e de terreno pantanoso. Para quem curte as músicas, vale muito a pena, lembro quando assisti no cinema, cantava junto e baixinho, com o coração embalado nos ritmos da minha infância e adolescência. 

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Dois Papas (2019)

Dois Papas é a aposta para hoje. Lançado ano passado pela Netflix e dirigido por Fernando Meirelles, o filme mostra os momentos que antecederam a transição entre o papa Bento XVI (Anthony Hopkins) e o atual, Francisco (Jonathan Pryce).

Os atores carregam o filme com uma leveza que só a experiência e o talento de dois dos maiores nomes do cinema mundial sustentariam. A história se passa dentro do Vaticano e tudo são conversas entre eles sobre os mais variados assuntos - talvez uma tentativa de humanizar aqueles que são a representação máxima da igreja católica.

Enquanto Hopkins traduz um homem entre a soberba que lhe é característica e o tormento por não estar tão certo de sua fé, Pryce nos apaixona da mesma maneira quando ouvimos o verdadeiro papa Francisco fazendo discursos finalmente plausíveis e coerentes - uma grande mudança na instituição. Independentemente de religião, a graça reside nos diálogos, no drama tão equilibrado com a comédia e na maestria de um roteiro e direção que nos deixam atentos em uma situação tão específica.

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Peaky Blinders (2013 - )

A dica de hoje para entrarmos em uma história viciante de máfia não italiana e não americana é Peaky Blinders. A série da BBC está na netflix há algum tempo e, ainda que distoe do que costumo escolher para assistir, ela é bem boa.

Peaky Blinders é o nome da gangue-família-máfia que toma conta de Birmingham, Inglaterra, no início do século XX. Começando por baixo, ascendem na sociedade por troca de favores e ameaças. Cillian Murphy é Thomas Shelby, quem comanda a 'empresa' e família, recém saído da primeira guerra mundial e um tanto perturbado por traumas dos combates.

Com elenco espetacular em uma produção impecável em fotografia, trilha sonora e direção de arte, o roteiro pode parecer um pouquinho novelesco e por vezes traz alguns personagens caricatos, mas faz parte do clima de mito e realidade em torno de uma história livremente inspirada em fatos e famílias da época. A série fez tanto sucesso que aumentou o turismo em Birminghan - a cidade agora tem roteiros específicos para passeios, os #peakytours. 

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The invention of lying (2009)

Há uma alegria em descobrir pérolas ao acaso no meio do monte de filmes aleatórios que abunda nos streamings. O que apareceu hoje para mim no meio das milhares de produções asiáticas (o algoritmo me pegou) foi The invention of lying ('O primeiro mentiroso' em português, mas apareceu o título original para mim).

Dirigido e escrito por Ricky Gervais e Mathew Robinson e com um elenco de peso: o próprio Gervais, Tina Fey, Jennifer Garner, Jonah Hill, Rob Lowe e outros, trata de uma hipótese inusitada: o mundo como conhecemos sem mentiras. Todos só falam verdades, até que, por uma casualidade, uma mentira favorece nosso herói e, claro, isso toma proporções exponenciais. Comédia leve e crítica ao mesmo tempo, com ótimos diálogos, traz algumas questões caras à nós, mas de forma tranquila, sem pesar no estômago e mantendo o coração quentinho. Para ver depois do trabalho. 

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A era dos dados (2020)

Latif Nasser é um jornalista científico que faz podcasts incríveis na @radiolab. Ele também está na novíssima série de reportagens da netflix, A Era dos Dados.

Estreou ontem, comecei a ver hoje, porque as matérias da curiosidade, conhecimento e desenvolvimento da ciência em variadas áreas sempre me interessaram. E Latif manda bem, ele explica com vontade temas como “como a poeira de um ressecado lago no Saara contribui para a Maré Vermelha na costa leste dos Estados Unidos” ou como surgiu a “ideia da previsão do tempo”. Tudo, passando a ideia de como um fenômeno local promove consequências do outro lado do mundo - a melhor forma de entender globalização e o sempre importante tema, especialmente em tempos de pandemia: somos todos um.

Os assuntos e as abordagens são super interessantes, ele é um cara que dá vontade de ter como amigo, porque parece investigar com aquela certeza de amar o que faz e do que fala. A Era dos Dados está na Netflix e tem apenas 6 episódios, na minha humilde opinião, poderia ser uma dessas séries sempre renovadas, primeiro porque é fundamental falar sobre ciência (e o programa pode ser visto e compreendido por crianças e adolescentes - a didática do cara é ótima) e segundo, porque história aqui não falta. :)

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Persona (2019)

Persona é uma 'coleção' de quatro curta-metragens de quatro diferentes diretores. Todos não passam dos vinte minutos e são bem bons. Na verdade, acho o primeiro excelente, o segundo tem um humor (bem) ácido, mas é bom, o terceiro também vale. O quarto é que fiquei em dúvida.

Todos levam IU (Lee Ji Eun) com protagonista, essa atriz e cantora sul coreana que tem feito bastante sucesso e já apareceu aqui com a dica de My Mister - série de drama ótima no streaming. Persona está na Netflix e vale o nosso tempo para trazer uma novidade do outro lado do mundo para dentro de casa.

* * *

É isso! Gostou das dicas? Já assistiu tudo? Manda um recado me dizendo o que achou!
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Já estava ficando com saudades de minha comadre e mãe de primeira viagem, mas nossos problemas acabaram! Camila está de volta este mês com muita novidade e algumas surpresas. Mas, se você chegou agora e foi pego de surpresa, corre aqui, que te explico melhor.

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Depois da saga dos correios, chegamos na semana de ir ao hospital. Junto com ela, os enjoos têm diminuído, mas, a ansiedade para ver como está o bebê é imensa. No dia anterior à consulta, malmente consegui dormir. Eram tantos os medos, especialmente da ultrassonografia porque, até o momento, você praticamente não tem (ou realmente não tem) conhecimento nenhum sobre o seu bebê. Acho que nunca rezei tanto para que ele fosse saudável e que a gravidez não fosse coisa da minha cabeça. Vai que eu perdi nesse meio tempo e estou tendo uma gravidez psicológica? Neuroses!

Então, eis que o dito dia chega e lá vou eu! Antes de ir ao hospital, mais um enjoo matinal, acredito que seja mais pelo nervosismo do que qualquer coisa. Chegando lá, devido ao COVID-19, há uma mesa com alguns funcionários que fazem várias perguntas para saber se apresentei algum sintoma ou se possivelmente fui infectada pelo vírus:
  • Viajou para fora do país nas últimas semanas?
  • Teve febre?
  • Passou mal além do esperado (risos)?
Eles não permitem que o Leo me acompanhe, por prevenção. Era algo que a gente esperava, já que na carta que recebemos com a data da consulta, eles informaram para ir sozinha. A gente ainda tinha uma esperança, principalmente por conta de ser a ultra que mostraria o sexo do bebê.

De qualquer maneira, vou para a fila da recepção e ao ser atendida, eles pedem confirmação de todos os dados que enviei pelo formulário e me encaminham para a entrevista com a parteira (midwife), e isso durou para sempre. Ela fez todo o tipo de pergunta possível sobre o meu histórico médico, o da minha família (pais e avós) e o do meu parceiro e sua família, tirou a minha pressão e verificou o meu peso (por sinal, perdi 4 kg desde a visita ao clínico geral… enjoo matinal é tenso!).

Depois me encaminharam para fazer exames de sangue e, para quem me conhece, esse é um momento aterrorizante. Mas, dessa vez não desmaiei, apesar da enfermeira ter ficado preocupada comigo quando eu estava saindo da sala de exames. Deu tudo certo.

E então, o tão aguardado momento: a ultrassonografia. O Leo me fez prometer que eu não poderia saber o sexo do nosso bebê antes dele. Isso porque, como o hospital não estava permitindo consultas acompanhadas, ele pediu para eu pedir para quem tivesse fazendo o exame anotar num papel o sexo para vermos juntos depois. Entro na sala, a técnica pede para eu deitar na maca e mostrar a barriga para fazer a ultra. Ela coloca aquele gel geladinho e depois começa a procurar pelo neném.... E a primeira coisa é que se escuta o coraçãozinho dessa dádiva, batendo que nem os atabaques do Olodum. Depois encontra a cabeça (cabeçudinho, por sinal), o corpinho com bracinhos e pernas, e finalmente, o cordão umbilical. Que emoção ver o meu alienzinho, queria poder ficar olhando para aquela tela borrada em preto e branco para sempre. E com toda a emoção e felicidade, vem também o alívio por saber que está tudo bem com ele. 

Peço à moça para verificar se dá para saber qual o sexo e ela pede para que eu desvie o olhar do monitor. Depois de algum tempo, ela diz que conseguiu ver e anota num papel para mim. E a vontade de abrir logo ali e fingir para o meu marido que não sei de nada? Me controlei. Então, ela me dispensou com duas fotos do ultra e saí do hospital. 

Liguei para o Leo para que me encontrasse no caminho para irmos ao supermercado. Encontro-o na porta do supermercado, tem uma fila de espera para seguir com as recomendações de distanciamento social. Conto como foi tudo e mostro a fotinho do nosso bebê que deram ao final da ultra. Ficamos ambos babões e na dúvida se devemos olhar o papel com o sexo ali mesmo ou se esperamos chegar em casa. 

E a curiosidade? Não aguentamos o suspense e olhamos o papel com a resposta: Boy! Congratulations! (Menino! Parabéns!). Sempre pensamos em ter um menino, não que também não ficaríamos mega felizes se fosse uma menina. É que, com o menino a gente sempre brincava com o nome e tudo: Lucas, ou melhor, Luquinhas como o chamamos - apesar de que, nos últimos tempos, eu esteja duvidosa desse nome. Ainda não haviamos pensado em um nome para menina, mesmo ensaiando um pouco com Aninha. Agora, estamos com aquela vontade doida de contar a família e amigos a novidade, mas ainda temos que fazer mercado. Terminamos as compras, vamos para casa, limpamos tudo, guardamos, tomamos banho e só depois é que entramos em contato com nossas famílias ansiosas e amigos animados para mandar a foto do alienzinho e contar o resultado. 

Perdeu os episódios anteriores? Clica aqui, onde tudo começou.


***

Quem escreve
Camila Castro (Cam, Camy, Camis, Camilinha) é engenheira de produção e vive com o marido e o futuro bebê em Dublin, na Irlanda. Potiguar, morre de saudades do calor nordestino, das comidas e dos amigos de todos os lugares, mas encontrou seu cantinho no mundo para tocar a vida com mais tranquilidade. Você a encontra no linkedin e no facebook. Fala com ela!
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Enquanto leio Sobre homens e montanhas, de Jon Krakauer, retorno ao Café por achar que já havia escrito algo sobre este escritor que visito eventualmente e sempre me provoca grande interesse, por mais inusitados que sejam os assuntos. Vou te contar o porquê.

Parte do meu amor pela leitura vem da possibilidade de viver outros mundos, outras aventuras, conhecer novas pessoas e assuntos. Se você for visitar minha estante, verá que ela não é imensa, mas é recheada de diversos assuntos: cinema, arte, viagens, literatura clássica e contemporânea do Brasil e do mundo, história política, sociedade e comportamento, gênero, quadrinhos, fotografia, escrita. Deve até ter mais assuntos, mas agora não sei dizer. Mas, um deles sempre me pega: viagens, aventuras, expedições. Nunca fiz grandes travessias e nem experimentei esportes muito radicais, no máximo umas trilhas e rappel. Entretanto, basta encontrar uma história dessas e estou entregue.

Assim, Sobre homens e montanhas traz o que diz no título, experiências de vida de homens que vivem do ir e vir de escaladas. Ainda retornarei a ele aqui, estou na metade e então encontrei uma resenha sobre, justamente, No ar rarefeito - o livro de Krakauer sobre uma expedição complicada ao Everest. Deixo o texto aqui para ler agora.

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Everest, por Martin Jernberg

Setembro, 2009

Hoje está fazendo dezoito graus, venta e chove. Já estou me tremendo, tentando decidir em que momento vou levantar da cadeira pra pegar as meias e sair correndo pra debaixo do edredon. Fico imaginando o frio que devia fazer no Everest quando Jon Krakauer viveu lá experiências de vida e morte.

Krakauer nem todo mundo sabe quem é, mas ele é bem importante para nós: ele é o cara que escreveu Na Natureza Selvagem, que virou o homônimo filme obra prima de Sean Penn. Partindo do que se encontrou sobre Alexander Supertramp, o escritor relatou a história desse menino-homem que buscou no Alaska se reconhecer vivendo com muito pouco. 

No ar rarefeito veio no mesmo ano. Krakauer foi convidado pela revista Outside a escalar o Everest e escrever sobre o surgimento do alpinismo comercial na montanha. As equipes pagavam, eram clientes de empresas que lhes garantiam uma experiência no topo do mundo. Como alpinista experiente, o convite veio como a realização de um antigo sonho. Entretanto, a matéria acabou não sendo suficiente e o livro relata a experiência que culminou numa tragédia quando uma tempestade alcançou alguns dos alpinistas no cume. Diversos fatores, pequenas circunstâncias que vão alarmando e preparando um imenso problema são aí descritos numa narrativa no presente e em primeira pessoa, mas já nos antecipando um final infeliz.

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O livro nos prende da primeira à ultima página e ficamos entre a vontade de subir a montanha e nos manter em segurança, porque à medida que se toma a decisão de ser um alpinista responsável, há ainda muito que contar com a sorte, já que tudo ao redor implica em risco de vida. Mas, muito mais profundo, o livro nos mostra as motivações das pessoas que estavam nas expedições, um pouco de suas vidas, o que os levou a assumir os riscos, o que e como enfrentaram as situações que viveram. 

Ser um alpinista não é como andar de skate, correr numa bicicleta, praticar rali de jipe. Ser alpinista é constantemente se pôr à prova, vencer as barreiras da altura, as enfermidades que daí podem surgir, viver no limite do corpo e da mente. Não há espaço para muitas reflexões ou pensar nos problemas do dia a dia. Há cansaço, dor e tenacidade. A preocupação é estar bem o suficiente para os próximos passos. É essa a impressão deixada pelo livro, de pessoas guerreiras que fazem da vida, esse esporte.

A escrita é ágil e o livro acontece muito rápido. Eu fiquei levemente obcecada com a história por fazer pensar, mais uma vez nas, decisões que tomamos e como cada uma delas, por menor que seja, implica em resultados impactantes. São escolhas muito parecidas com as do jovem McCandles (Supertramp) na Natureza e que estão muito presentes nesse livro; são fruto de uma coragem que domina o medo de pessoas comuns que vão adquirindo outras qualidades, à medida que se enfrentam e vivem no extremo do mundo. Ali, o que deixa de ser um desafio vira uma obrigação que se demandou à própria vida e que cabe a nós refletir se nos levamos tão a sério como algumas pessoas desse relato.

Pesquisando um pouco mais sobre o tema, verifiquei que Anatoli Boukreev, um dos alpinistas de então, também escreveu A Escalada, um livro contando sua versão dos fatos e, de repente também alcança uma boa leitura. Vale a pena também, depois de ler, buscar os vídeos e filmes que tratam do Everest, para ter uma ideia além de nossa imaginação, de como é a escalada, o que há ao redor, como é um acampamento base e os acampamentos avançados... enfim, concretizar o que abstraímos com nosso pequeno arsenal imaginativo.
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Hoje é o dia do Psicólogo e nada mais justo do que prestar uma homenagem a estes profissionais que tanto nos ajudam no cotidiano, nos mais diferentes campos e alcances. Em tempos de pandemia, nunca os psicólogos e psiquiatras foram tão requisitados e necessários. Com isso, segue a imperdível lista de 10 filmes que mexerão com nossas mentes, trazendo estes profissionais e suas histórias para o primeiro plano, as questões de saúde mental e que dão muito o que pensar.
 
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Um método perigoso (2011)

Em português: Um método perigoso (está em inglês no streaming). A base e história da Psicanálise começa aqui, com Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e seu pupilo Carl Jung (Michael Fassbender). Sabina Spielrein (Keira Knightley) é diagnosticada com histeria e inicia tratamento com Jung, com quem começa um relacionamento. Interessante, mostra tanto nossas fragilidades e falhas, quanto nosso poder de reconstrução. Dirigido pelo sempre interessante David Cronenberg e com grandes atuações. Na amazon prime.

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Clube da Luta  (1999)

Clássico moderno do cinema americano e dirigido por David Fincher, Clube da Luta é muito mais do que um filme de brigas entre homens. Um suspense psicológico com traços de comédia e ação, que nos deixa quase tontos com uma velocidade narrativa e criativa. Aqui, um burocrata (Edward Norton) conhece um Tyler Durden (Brad Pitt), um cara que produz sabonetes e juntos eles abrem um Clube da Luta, quase um espaço terapêutico cheio de testosterona para romper com os estresses do dia a dia, 'vivendo de verdade'. Baseado no livro homônimo de Chuck Palahniuk, conta ainda com Helena Bonham Carter e não vale a pena falar mais do que isso, quem não viu, veja agora. Na amazon prime. 

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Mommy (2014)

Xavier Dolan é jovem, ousado e bom. Os filmes dele costumam também acompanhar essa tríade e Mommy impressiona. O drama gira em torno de um filho temperamental e, aparentemente com distúrbios de comportamento e vemos em sua mãe amor, dor e glória, como só as grandes mães do cinema sabem ser. Levou o prêmio do júri em Cannes e é impressionante, em ousadia técnica e narrativa. É dele também o maduro, ótimo e tenso, É apenas o fim do mundo (2016). Na amazon prime.

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Terapia do Amor (2005)

Um filme leve, que brinca com as questões entre terapia e terapeutas. Meryl Streep é Lisa, a psicanalista bem resolvida e tranquila de Rafi (Uma Thurman), uma mulher de negócios que sofre com suas questões e um pouco de solidão. Coincidentemente, Rafi conhece o jovem David (Bryan Greenberg), começam um relacionamento e isso vai causar transtornos para as duas. Divertido, um pouco bobo, vale para levantar a moral e distrair. Com ótimas atuações. Na amazon prime vídeo.

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Um estranho no ninho (1975)

Um ‘clássico moderno’, como diria a prateleira da minha finada videolocadora aqui de Salvador. Os melhores filmes estavam sempre por lá. Pois Jack Nicholson não fez apenas O Iluminado ou Easy Rider, mas muitos outros ótimos que merecem destaque. Aqui, ele é McMurphy, um criminoso que alega insanidade e vai parar em uma instituição psiquiátrica com um sistema brutal. De Milos Forman, nem sei se precisa dizer mais nada. Ah! E também é uma adaptação literária, a partir do livro de Ken Kesey. No amazon prime.

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Divertidamente (2015)

Uma das animações de maior sucesso da Pixar, Divertidamente é aquele filme que se pode chamar de 'para toda a família'. As crianças se divertem com os sentimentos funcionando dentro de nossas cabeças e nos comandando, e os adultos tomam um banho de aulas de psicologia, educação emocional e saúde mental. É interessante, não tem nada de bobo e nos deixa inspirados para pensar em nós e nos nossos - amigos, colegas, familiares - em como e porque reagimos de determinadas maneiras, bem como porque é importante saber reconhecer e viver esta amplitude de sensações e sentimentos que acontecem dentro da gente. Imperdível e ainda está na netflix, aproveita!

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Jim & Andy (2017)

Todo mundo conhece Jim Carrey por O Máscara (1994) e outros filmes de comédia nem sempre incríveis – apesar de eu gostar muito de alguns. O que menos gente sabe é que ele era fissurado em um comediante americano que se tornou famoso em meados dos anos 70, Andy Kaufman, uma figura inusitada e brilhante, às vezes causando desconforto com sketches diferentes, às vezes tido como um gênio. Andy tinha não sei quantas particularidades e, depois de morto, Jim Carrey o interpretou em O Mundo de Andy (1999). O que o documentário mostra é o processo de incorporação do ator em seu personagem, que foi levado de uma forma e grau tais, que não sabemos se esta incorporação seria uma espécie de ‘reencarnação’, uma performance fora do comum ou um delírio. O documentário vale para os amantes do cinema e suas narrativas e também para conhecer um pouco mais sobre estes dois monstros do cinema americano. Dirigido por Cris Smith, o mesmo de Fyre (2019). Na netflix.

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Precisamos falar sobre Kevin (2011)

Um filme difícil e doído que parece trazer mil referências de histórias de mãe e filho. Tilda Swinton é Eva, uma mãe que sofreu no parto e vive uma depressão pós-parto complicada e não compreendida. Enquanto Kevin, seu filho, cresce, as relações se tornam ainda mais complexas e o comportamento do filho, estranho. Entre um suspense aterrador e grandes atuações, ficamos presos em uma tensão e tentando compreender a luta daquela mãe em se manter no padrão esperado da maternidade. Baseado no best seller homônimo de Lionel Shriver, está na netflix.

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Psicose (1960)

Esse aqui quase dispensa apresentações, do tanto que é cultuado desde seu lançamento e já trouxe o filme e a crítica, junto com nosso Artista de Cinema. O filme é de 1960, já dava para perceber alguma emancipação feminina, ainda que a pobre da Marion Crane (Janet Leigh) não dure muito na tela. A sinopse todos sabemos: uma moça rouba dinheiro do chefe e foge. Para em um motel à beira de uma estrada secundária e o resto é aquela faca subindo e descendo com a trilha que nos impede de tomar banho tranquilos com a cortina do chuveiro fechada. Norman Bates (Anthony Perkins) é o dono do Bates Motel - a série em exibição na Netflix vem daí - e vive em um casarão ali pertinho com sua mãe idosa, que só vemos à distância. Ele recebe Marion e tudo corre bem, até que... Hitchcock proibiu a entrada de pessoas nas sessões depois do filme começado, para que não perdessem nenhum minuto da tensão que ele queria construir em nós. O filme é uma adaptação de um livro que nem é grandes coisas, de forma que o filme o supera ridiculamente. Mais uma vez, Hitch aproveita toda a sua experiência para brincar com o espectador, entregando o crime no primeiro terço da obra e nos deixando tensos até o final. E que final. Na netflix.

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Seven (1997)

Se Clube da Luta é um clássico, o que dizer de Seven? Dirigido pelo mesmo David Fincher (que também fez Garota Exemplar - o diretor realmente diz ao que veio), traz Brad Pitt e Morgan Freeman como Mills e Sommerset, dois detetives que investigam uma onda de assassinatos por um serial killer com questões católicas a resolver. Não vale dizer mais para quem não viu, mas quem viu sabe que vale assistir de novo, como uma sessão da tarde de luxo. O filme mexe com a gente ao trazer religião, as cruedades perpretadas pelo vilão e o jogo psicológico que faz com nossos heróis em grandes performances. Assista agora, na netflix.

Já assistiu todos? Gostaria de saber mais dicas de filmes sobre este universo, me conta aqui nos comentários :)

E se gosta do que vê por aqui, dá uma passada no Buy me a Coffee para garantir que continuaremos firmes e fortes em nosso propósito de trazer informação de qualidade e relevância. Obrigada!

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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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