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Café: extra-forte


Nos últimos quase três anos, morei sozinha no Rio de Janeiro. Já havia dividido apartamento com amigas e até com o cachorro de uma delas. Nesse tempo, minha afeição por plantas foi crescendo, talvez porque na casa de meus pais, elas sempre foram de extrema importância. Meus pais precisam de jardim e quintal, de cultivo, faz parte do que eles são. Mas, morando sozinha e viajando com frequência, era complicado ter plantas muito delicadas ou que exigissem muita atenção.

Não sei se foi o tempo passando, se foi o fato de estar novamente em carreira solo, não sei o que foi, me vi cheia de plantas pela sala e quarto do quarto e sala, olhando blogs, tentando não matá-las, comemorando cada nova folha como uma nota alta de um filho numa prova. Flor então, uma festa de aniversário. Virei a moça das plantas, mas até aí, administrável. Quando voltei da casa de uma amiga no interior do Rio com uma muda de Costela de Adão, entendi que era um caminho sem volta.

Saí de um trabalho no fim do ano passado e embarquei neste mundo mágico de assistir televisão. Não vi muita coisa, porque perdi o hábito faz tempo, mas a Netflix tem uma série sobre jardins que me fisgou de uma forma inesperada, e consumi tudo como se não houvesse amanhã. Já era. Vi que eu era realmente filha dos meus pais e isso era óbvio, eu só não tinha percebido ainda. E mais: não estava sozinha.

Minha irmã, essa mulher maravilhosa que lida com as agruras da saúde mental em um hospital psiquiátrico, tem um lado-b que forma nosso núcleo familiar: ela transformou a varanda de seu apartamento em um ambiente digno de literatura, com não sei quantas plantas, composteira, maracujá e o que mais você imaginar. De alguma forma, ela consegue manter essa mini selva e dois gatos, Caju e Odara (pode chamar de Caju e Castanha que ela briga), deixando todo mundo vivo e feliz.

Hoje, estou de volta a Salvador, não sei por quanto tempo. Com esta situação global, estamos todos isolados e não tenho previsão de retorno ao Rio. Estou em outro apartamento e sigo morando sozinha com meia dúzia de plantas em vasos, mas viro a jardineira dos meus pais no fim de semana, quando vou à casa deles. É como um novo trabalho, quem sabe uma nova escolha de vida.

Lidar com plantas é conversar com a natureza. É entender que o que as torna vivas é o mesmo que nos faz crescer saudáveis. É ver que não precisamos de muito e que é preciso tempo para florescer, evoluir, curar. É sorrir ao ver uma plantinha quase murcha e, depois de algum cuidado, se esticar toda atrás de sol como se estivesse acordando, e brilhar um pouco mais a cada dia. É ver como uma chuva torrencial pode fazer bem, de vez em quando. É não pensar em mais nada, apenas no que nos torna vivos, como um único e imenso organismo. Somos só um pequeno sistema dentro deste todo.

Meus pais entendem isso como ninguém, assim como minha irmã, que vejo agora só falo por telefone e em raros momentos ‘ao vivo’, a metros de distância. Ela não parou de trabalhar, então não podemos nos abraçar, mas dá pra rir, contar piada, falar da vida, fazer ligações para ver os sobrinhos felinos em vídeo-chamadas e as plantas da mini selva. Ela faz aniversário hoje e esse texto é pra ela.
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Paripe. Salvador, 2020.
Salvador é uma cidade tão impressionante que oferece um espetáculo desse de graça quase todos os dias. Essa praia aí fica no subúrbio, em um bairro chamado São Tomé de Paripe. Do ladinho dessa vista incrível, fica Inema, a praia militar e fechada para seres humanos comuns, onde todos os presidentes, inclusive o que nos malgoverna, vai visitar uma vez na vida. Em todo caso e por mais que nossa reclusão nos impeça de ver esse pôr do sol por agora, a certeza de que ele está ali e acessível dentro de algum tempo, nos conforta. Vamos seguindo com essa imagem em busca de um horizonte saudável e maravilhoso no futuro. Pronto!

Um beijo roubado (2007)
Um beijo roubado é uma pérola escondida no streaming. Filme de Wong Kar-Wai, é um romance-road-movie-drama, com um elenco tão espetacular quanto sua fotografia e trilha sonora. Faz valer cada minuto, especialmente quando embarcamos nas micro estórias dentro da saga de Norah Jones. O elenco de apoio não poderia ser mais impressionante Natalie Portman, Jude Law, Rachel Weisz e David Strathairn. Uma delícia. A crítica dessa maravilha segue aqui.

Lars and the real girl (2007)
Essa é uma comédia-drama inusitada em que Lars, como diz o título, encontra amor em uma boneca inflável. Não chega a ser um spoiler, calma, isso dá pra ver no cartaz. A graça do filme vai além, quando sua família é apresentada à moça. O filme é divertido e diferente e nos faz pensar em comportamento, família, solidão, ingenuidade e claro, amor. Como era de se esperar, levou vários prêmios de roteiro. Com Ryan Gosling. 

Downton Abbey (2010-2016)
Downton Abbey é uma das séries inglesas de maior sucesso da atualidade. Um drama histórico sobre as relações de uma família da aristocracia e seus empregados, em paralelo com fatos históricos do começo do século XX. É meio novelesco às vezes, mas acabamos nos apegando aos personagens - e são muitos mesmo! - e seguimos em frente sem grande problemas. Fez tanto sucesso, que lançaram filme comemorativo ano passado nos cinemas. Seis temporadas. 
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Eu aqui
Toda aberta pra você
De pelos arrepiados
Disposta a te aceitar
Mesmo sabendo
Que você no fundo
Vai me machucar.
Você nem aí
Ignora meus soluços
Faz-me apertar o buço
E nem me olha na cara.
Segue assim:
Só quer arrancar
Essa parte de mim
Como faz essa moça
Agora a me depilar.

***
Quem escreve
Oi, sou a Samara. Carioca morando em Barcelona. Não vivo sem mate, suco de maracujá, praia e corrida. Tô sempre a 220v, embalada em samba e versos. Adoro diálogos. Fala comigo.
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livro-canto-de-leitura

Mais um sábado, mais um livro. Eu tenho o 'problema' de gostar das coisas mais diversas. Quando estava na época do vestibular (e na 'inauguração' do ENEM, entregando a idade aqui), fiquei muito em dúvida do que estudar, porque eu gostava de tudo quanto era matéria - exceto química. Sempre amei física, era boa em matemática, adorava história, apesar de ser péssima em datas, e o resto fica meio óbvio com o conteúdo do Café. O fato é que formei em cinema e lia física por hobby, já que sempre achei a matéria intrigante por explicar a natureza e a vida, junto com a biologia.

livro-richard-feynman
Física em seis lições, de Richard P. Feynman (1999)
Feynman foi um conceituado físico norteamericano que se tornou muito popular com a forma com que dava suas aulas e palestras, com uma leveza ao abordar os temas da física. Assim, este livro traz alguns conceitos básicos da ciência de uma forma tranquila e gostosa, sem exigir muito do leitor e, ao mesmo tempo, não deixando de explicar nada. 

É um destes livros de divulgação da ciência para o público e cria um interesse singular na área. Não encontrei últimas edições das Seis Lições, mas vi que lançaram uma versão estendida, com o título Física em 12 lições: fáceis e não tão fáceis, com um complemento de assuntos um pouco mais complexos, mas, ainda assim, possíveis para os 'reles mortais' não acadêmicos e curiosos. Além de Feynman, vale buscar o Cosmos, de Carl Sagan - maravilhoso livro sobre astronomia e arte e ciência e filosofia. E, claro os livros de Stephen Hawking, que carrega um pouquinho nos cálculos, mas nada que nos impeça de seguir adiante.

Última edição: Física em 12 lições, 2017.
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Quem me conhece sabe que uma coisa que sei fazer bem, é amizade. Não vou ficar me gabando, dizendo que tenho os melhores amigos da vida, que sem eles não sou nada e que é muito bom conviver com todos e tê-los próximos, não importando as distâncias. Não vou falar isso. Mas, pensando neles e pensando em como o Café é um espaço para falar dos assuntos que me interessam e que, por sorte, interessam a muita gente, resolvi convidar essas pessoas incríveis para que também falem aqui.

Todo mundo que estiver aqui, certamente tem uma história especial comigo, de quando nos conhecemos e porque mantemos esse carinho e frequência quase teimosamente, não fosse tão gostoso. Tenho sorte de conhecer gente de todo jeito e todo canto, com muitas histórias de vida impressionantes e únicas. Tem gente que escolheu mudar tudo na vida, tem gente que mudou um pouquinho, tem gente que escolheu explorar as aventuras do cotidiano em carreira solo, outros em pares ou em família. Tem tudo mesmo. Mas não sou eu que vou falar, quem vai falar aqui são eles, do jeito deles, da forma que quiserem e o que quiserem.

Aos poucos vocês vão encontrá-los e certamente se apaixonarão, bem do jeito que aconteceu comigo. Abaixo de cada texto terá sempre uma biografia curtinha e um link para conhecê-los melhor. Nesta brincadeira, de repente, dou mais sorte ainda e passo a fazer novos amigos que também escreverão aqui. Aproveitem!

Toda segunda. Aqui no Café. 💘
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Enquanto vivemos esse período de reclusão, vemos o descarrilar da nossa economia e como as empresas e governo estão tentando diminuir seus prejuízos. No cinema, acontece o mesmo. As produções foram todas adiadas, nacionais e internacionais, as salas de cinema estão fechadas até não se sabe quando e os streamings nunca foram tão importantes ou lucrativos. Mais uma vez, acende-se a discussão sobre as salas de cinema e uma mudança de comportamento 'em definitivo'. Mais uma vez, insisto em uma defesa do ambiente coletivo, do apagar das luzes e da melhor comunhão possível, onde somos todos envolvidos e vivemos uma experiência artística. Enquanto tudo são debates interessantes, vamos seguindo com o cinema em casa, na expectativa ansiosa de que esse presente se transforme em um futuro mais saudável para nós e para a nossa cultura.

Enquanto somos jovens (2014)
Noah Baumbach tem uma série de filmes espalhados pelos streamings, além de Frances Ha e História de um Casamento. O que é interessante e comum em toda a sua filmografia é o olhar sobre comportamento e relações humanas. Ele não tem uma pegada de crítica social como Ken Loach faz na Inglaterra, mas ainda assim, busca entender, de uma forma menos estereotipada, seu entorno enquanto estadunidense, da adolescência à vida adulta. Enquanto somos jovens segue esse caminho, é uma obra leve que traça um paralelo entre dois casais, um de jovens hipsters (Adam Driver e Amanda Seyfried) e outro na meia idade (Ben Stiller e Naomi Watts) O interessante é perceber o que falta e sobra em cada par, com insights sobre comportamento, juventude, vida adulta, desejos e interesses. A crítica está aqui!

Sherlock (2010-)
Já se fizeram mil e uma adaptações de Sherlock Holmes para a tv e o cinema. Ainda que essa seja mais uma, vale a pena. Benedict Cumberbatch é o herói e Martin Freeman, Watson. A dupla inglesa funciona nesta produção da BBC ambientada na atualidade, que traz um elenco inesperado em uma série de investigação e aventura. Ao contrário do filme americano, aqui a ideia não é ter um protagonista sedutor, mas alguém inteligente e que, ao mesmo tempo, torna necessária e relevante a presença do amigo médico. Depois de assistir a alguns episódios, não deixe de ver este trailer incrível (em inglês), do pessoal da Honest Trailers. Muito engraçado.

13a Emenda (2016)
O filme é uma aula sobre a questão penal norteamericana e como ela é representativa de uma situação ainda maior e mais complexa de direitos humanos, preconceitos e racismo. Ava Duvernay traz um estudo muito bem apresentado, com muito ritmo que nos prende até o fim, ainda que venha com bastante informação crítica. O sistema de lá ainda nos faz questionar diretamente a nossa situação aqui, especialmente em tempos de desgoverno, conservadorismo, falta de representatividade e crise política. A crítica segue aqui e é um filme que todos deveriam ver e discutir. 
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Vivendo daquele jeito.


Não deveria passar de uma sessão qualquer de cinema, em um domingo qualquer, com um amigo. Descobri hoje que filme estava passando, que dia era e seu signo. À Deriva, 24 de maio, gêmeos.

Conheci Pedro naquele fim de tarde, em uma sessão de filme brasileiro no Laura Alvim, um centro cultural na praia de Ipanema. Eu tinha um ano de Rio de Janeiro, trabalhava há pouco tempo oficialmente em algum lugar, havia estabelecido uma rotina, tudo ia bem. Meu amigo trouxe um amigo e esperamos outra amiga dele. Sentamos para conversar e alguma coisa aconteceu ali, bem antes de entrar na sessão, no intervalo de minutos quase inúteis.

A amiga apareceu como figurante e foi embora logo após o filme, Pedro ficou. Era seu aniversário e nos obriguei a beber, comemorar, rápido que fosse, um dia tão especial. Adoro aniversários, como adoro nascimentos. É a celebração clichê da vida, apenas pelo fato de estarmos vivos. Tenho medo de morrer. Não foi por isso que insisti.

Seguimos para o bar que não lembro o nome, bebemos dois ou três chopps, o suficiente para nos conhecermos, atualizarmos as regras de cordialidade e quebrarmos um pouco o silêncio dos novos encontros. Ninguém sabia que aquele dia duraria anos, e eu disfarçava para não olhar demais para ele. Trocamos e-mails porque nossa missão era contextualizar culturalmente o amigo acadêmico-workaholic e tudo virou uma conversa de dois e assim, de forma pateticamente virtual, estabelecemos uma espécie de relacionamento, uma amizade que não acaba.

Pedro saiu do Rio cedo demais e ainda não sei o que nos aconteceu. Uma série de quase flertes virtuais entre duas pessoas tímidas que conversavam por olhares, quando cara a cara quase não se falavam, porque apenas a presença do outro era suficiente para causar um rebuliço interno, uma alegria sem pensamento. O impacto foi profundo e o tempo na mesma cidade, entre se conhecer e ele partir, bastante curto.

Quero deixar claro que não acredito em amores à primeira vista e que aquilo não era um amor, era um rebuliço. Um rebuliço à primeira vista.

O cinema passou e nunca lembrei o nome do filme. Não lembrei de nada, nunca. Não conseguia me concentrar com aquele garoto, que havia visto minutos antes, agora ao meu lado, esbarrando sem querer e de vez em quando, sua perna na minha. Hoje, que na verdade fez uma semana, nos falamos pela internet novamente, depois de sei lá quantos meses ou anos, talvez. Pedro talvez esteja casado e sei que tem filhos. Conversamos sobre tudo, à exceção de nossos relacionamentos passados e presentes. Não sei se é para deixar esquecido esse ponto de realidade que nos afasta além da distância, não sei se é um cuidado ou falta de jeito para mencionar os marcos da existência. Falamos de todo o resto.

Aquela alegria sem pensamento nos interrompeu muito cedo e deixou tudo em suspensão. Virou uma leve tristeza e falta quando ele foi embora; virou passado entre novos amores e histórias. Nos falamos por intervalos, nos encontramos apenas uma vez no meio dos anos, um almoço em sua não mais nova cidade. Ali, o tempo se exibiu em toda a sua plenitude, mas, em flashes e com coragem, eu via seu rosto, um sorriso que escapava além do nervosismo dos corpos e do meu sem jeito para situações sem precedentes na história da minha humanidade.

Não sou adepta ao platônico, sou muito ansiosa para isso e essa ansiedade é, inclusive, o que me atrapalha nas situações de carne e osso. Sou matemática também, duelo entre um racionalismo ético de lógicas e espasmos de descontrole total. Existe ainda e contudo e entretanto uma ideia na memória, talvez por tempo demais — e, de leve, no peito. Não somos aqueles de nove anos atrás e nossas conversas esparsas sustentam como um fio de nylon nossas vidas, transparente e firme, nos amarrando como pode, algumas vezes mais tenso, outras tantas, frouxo. Existe, infeliz ou felizmente uma expectativa meio esquecida do que não houve, uma chance como fogo fátuo para o destino, se isso existir, ou o acaso, para um futuro incerto e indefinido, como toda a história até agora.

E agora eu te pergunto: e se tudo não passar da fantasia? Quase dá medo de quebrar o encanto e a realidade, a concretude dos encontros quase futuros resultar em nada. Ou pior, em gargalhadas. Será que há, de fato, histórias a não serem vividas? Será que parte da fantasia feliz da vida é manter a fantasia viva?

Em todo caso, o tempo não segue parado, mas curioso, me atropelando em outros encontros, me distraindo com outros presentes e ainda raras promessas de futuro.


*Originalmente publicado em 28 de abril de 2018, no Medium.
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Moreré. Bahia, 2015.
Há alguns momentos que nos marcam sem que percebamos e há outros tantos que, naquele tempo-.spaço, conseguimos nos atentar e notar que ali, aquele instante ou período está sendo importante. Fui para Boipeba e Morro de São Paulo anos atrás em comemoração dos trinta anos de minha prima e de nossa amiga em comum. Era uma viagem que eu planejava fazer há anos, mas, pelos vilarejos serem relativamente perto de minha cidade natal, acabava empurrando. Foi um passeio impressionante, com pessoas que me são importantes e tive a sorte e felicidade de conhecer Boipeba, Moreré e Morro. Anos depois, viajei para uma famosa terra de águas azul piscina e preciso dizer, com medo de fazer propaganda e estragar aqueles lugares mágicos, que sigo preferindo minha Bahia. E agora, nossas dicas!

A Caça (2012)
Estamos em um bom momento para assistir este filme. Mentiras, suspeitas, esse drama dá um nó em nossas ideias sobre temas controversos. Mads Mikkelsen é Lucas, um professor de escola infantil que se torna suspeito de molestar uma criança. O resto é história e faz lembrar um importante caso semelhantes que aconteceu em uma escola do Rio de Janeiro anos atrás. De Thomas Vitenberg, é impressionante a seleção de elenco e a sinergia destes atores em um filme tão centrado em poucos espaços e dentro de uma pequena comunidade. Grande roteiro.
Modern Love (2019-)
Modern Love é baseada em uma coluna homônima do New York Times, que trata sobre comportamento e relacionamentos mais diversos, envolvendo claro, amor - em todas as suas nuances. Leve, tranquila, não é água com açúcar e mostra diversas situações interessantes que abrangem o tema. Elenco de primeira, passa o tempo que é uma beleza e faz bem para o coração e o espírito. Lembra os grandes filmes de romance / comédia romântica e sigo ansiosa para a segunda temporada. 

O discurso do rei (2010)
O filme faz impressionantes dez anos esse ano. Dirigido por Tom Hooper, de Os Miseráveis (2012) e A Garota Dinamarquesa (2015), o filme conta a história da dificuldade do rei George VI, o esposo da Rainha Elizabeth em atender às suas atividades no trono. Baseado em fatos reais e um ótimo programa para toda a família.
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Aproveitando que não vivemos apenas de filmes e séries, vou começar a ampliar o espaço com os livros  especiais para ler agora. A ideia é trazer um por quinzena, para que sirva de inspiração para começarmos algo novo, discutirmos outras ideias, navegar por outros mares. 

Os meninos da rua Paulo, de Ferenc Molnár (1907)
Quando viajo para alguma cidade ou país, procuro conhecer um pouco da história do lugar e tenho duas premissas básicas: me pergunto se eu moraria ali e levo um livro de algum autor local. Em 2016, fiz a minha primeira viagem para a Europa. Fui com uma melhor amiga e chegamos a Budapeste, na Hungria. Não só eu moraria lá e me apaixonei pela cidade para todo o sempre, como busquei um autor e saí com uma edição em inglês deste Os meninos da rua Paulo, de Ferenc Molnár. O que eu não lembrava é que já havia comprado esta edição da foto, da infelizmente finada Cosac Naify.

Levando em conta que o livro é em húngaro, decidi ler a versão em português, com a tradução de Paulo Rónai, húngaro naturalizado brasileiro quando chegou ao país, fugindo da Segunda Guerra. O tradutor sozinho já merece livros em sua homenagem, por sua contribuição com diversas traduções de livros fantásticos. A história é sobre dois grupos de meninos que brigam pelo grund, um espaço para jogarem péla, uma espécie de tênis rústico. 

O que parece infantil, na verdade se torna surpreendente e cativante, o livro é universal, ainda que se passe nas ruas da capital húngara e atemporal, ao tratar dos fundamentos de grandes amizades. Lindo, atinge todas as idades. Foi reimpresso no Brasil mais de oitocentas vezes (de verdade) e a última edição é da Companhia das Letras, de 2017. Um presente magnífico para qualquer geração e um dos livros fundamentais da vida para ler agora: os meninos da rua Paulo. De fácil acesso, coloquei em rosa links para comprar na Amazon, mas é possível encontrá-lo nas maiores livrarias e em sebos.

Última edição: Companhia das Letras, 2017.
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Salvador, 2020.

Trouxe essa plantinha lá da casa dos meus pais pro Café, porque acho que ela, sem ser piegas, é bem representativa do momento que vivemos. Estamos entre a expectativa de voltarmos à vida no que será o novo normal e a perspectiva destes dias em casa, ainda sem data de término. Imagino e espero que a angústia do início já tenha passado para a maior parte de nós e que vocês tenham conseguido estruturar alguma rotina. Eu estou nesse processo, ainda em tentativa, na primeira semana do 'hábito'. O fato é que devemos insistir na ideia de que virá algo bom, como esta plantinha que surge e se reproduz sem esperarmos, trazendo beleza na iminência do caos – uma transformação que não entendemos ainda. Enquanto aguardamos e mudamos internamente, segue a vida, segue a lista!

Atypical (2017-)
Uma série que demorei pra ver, porque achei que poderia ser besta. Na verdade, é bem boa, traz a história de Sam (Keir Gilchrist), um garoto com traços de autismo, sua família e entorno. Leve sem ser boba, comédia tranquila e uma forma incrível de inserir o autismo no entretenimento. Com Jennifer Jason-Leigh, Brigette Lundy-Paine e Michael Rapaport. Por enquanto, três temporadas.


Carol (2015)
Todd Haynes traz Cate Blanchett e Rooney Mara nesta adaptação para o cinema de um romance entre duas mulheres nos anos 50. Delicado, inteligente e sutil, as duas atrizes sustentam no olhar e poucas falas, um mundo de significados. Levou muitos prêmios por onde passou. É realmente impressionante ver o talento e a força de Cate, especialmente quando acompanhamos sua trajetória de personagens imponentes. Imperdível.


Nada Ortodoxa (2020)
Assisti esta minissérie toda hoje, quase de uma só vez. Com quatro episódios, traz os judeus hassídicos da comunidade de Satma, no Brooklyn para o nosso dia a dia. Esty (Shira Haas)não consegue se manter na estrutura radical que é parte daquela cultura e tenta sair dela. Um drama baseado em fatos reais, com uma excelente pesquisa e adaptação para o audiovisual, ainda garante uma narrativa clássica, a la jornada do herói muito boa, nos prendendo até o fim. De quebra, passamos a conhecer um pouco esta realidade tão contemporânea quanto distante de boa parte de nós. Vai ganhar um monte de prêmios.
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Ilha do Mosqueiro - Belém, Brasil. 2014.
Em novembro de 2014, comprei uma passagem e fui para Belém, no Pará. Não conhecia nada nem ninguém, mas uma amiga irmã me apresentou virtualmente outra comadre e fui parar na casa dela. Que mulher generosa e incrível, me levou para conhecer a cidade do jeito certo, encontrei muita gente legal, comi as melhores comidas, vivi os melhores passeios. Uma situação não planejada que me levou a caminhos inesperados e felizes. E aí fica essa imagem da Ilha do Mosqueiro, uma estância fluvial em que o rio Pará, como os imensos rios do Norte, é um mar inteiro e infinito. E agora, vamos ver o que tem de bom na Amazon Prime.

Blue Jasmine (2013)
Sabendo de todas as polêmicas e boicotes ao diretor, acho que vale abrir uma exceção para este filme. Ele, inclusive, já esteve na Netflix e migrou para a Amazon. Não é comédia boba, ele não está como personagem no filme. É um drama-comédia com Cate Blanchet, Alec Baldwin e muita gente boa. Uma mulher perde a fortuna e passa a viver com sua irmã, longe de ser rica. A interpretação de Cate só comprova seu talento e força como atriz. De Woody Allen. 

Um estranho no ninho (1975)
Um ‘clássico moderno’, como diria a prateleira da minha finada videolocadora aqui de Salvador. Os melhores filmes estavam sempre por lá. Pois Jack Nicholson não fez apenas O Iluminado ou Easy Rider, mas muitos outros ótimos que merecem destaque. Aqui, ele é McMurphy, um criminoso que alega insanidade e vai parar em uma instituição psiquiátrica com um sistema brutal. De Milos Forman, nem sei se precisa dizer mais nada.

Masters of Sex (2013 - 2016)
Lançada em 2013, tem quatro temporadas. Baseada em uma história real, fala sobre os inícios das pesquisas sobre saúde e sexualidade nos anos 50, atravessando o início da revolução sexual que veio depois. É um drama-romance muito bem construído e divertido, sem ser meloso. Vale muito a pena. 
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Cardiff Bay. Cardiff, Wales, 2019.
Ano passado, quando aparentemente a vida era bela e a gente não sabia, eu viajei com uma melhor amiga para encontrar outras melhores amigas na Europa. Sendo brasileira-não-rica, não é uma coisa que fazemos todo dia ou todo ano, então foi realmente um evento em nossas vidas. E foi lindo. E eu só disse isso para sairmos um pouco dos temas difíceis do momento e para relativizar o que já vivemos, o que estamos passando e para pensar que, claro, isso também vai passar e poderemos, pelo menos ir à praia e abraçar nossos amigos e amores. Vai dar tudo certo. Esta foto é em Cardiff, a capital do País de Gales (Wales), uma cidade linda, pequena e aconchegante. Sempre me pergunto se eu moraria nas cidades que visito e diria sim para essa. Vou contar mais sobre ela em outro momento. E agora, as dicas =)

Minha obra prima (2018)
O cinema argentino tem uma característica comum a quase todos os seus filmes: o cuidado com o roteiro. Essa comédia ácida não foge à regra e nos distrai, nos deixando o desafio de entender estes personagens e suas intenções. Divertido. De Gastón Duprat, o mesmo dos ótimos O Cidadão Ilustre (2016), Querida, vou comprar cigarros e volto (2011) e O homem ao lado (2009).

Midnight Diner: Tokyo Stories (2016-)
 Série super curta e deliciosa em que quase tudo se passa no restaurante desse moço da foto. Lugar pequeno, é quase como uma dessas cafeterias charmosas e tradicionais, que têm um público cativo e ali vemos o desenrolar de várias histórias, relacionamentos, várias possibilidades do viver. A primeira temporada é bem boa e a segunda segue o mesmo caminho. Vale a pena.

What happened, Miss Simone? (2015)
 Um filme impressionante sobre a vida de um dos maiores nomes da música norteamericana. Antes de assistir, achei que não conhecia muito da trajetória da cantora, mas depois vi que não sabia, na verdade, que era ela quem cantava aquelas músicas sensacionais. Sensível, bem feito e com imagens inéditas e pessoais, vale cada minuto. Um estudo sobre uma mulher, sua história complicada e os rumos que grandes vidas tomam. Impressionante. De Liz Garbus. A crítica segue aqui. 
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Para mudar um pouco de ares sem sair de casa, vamos com fotos de viagens passadas, outras paisagens, um pouco de mundo dentro de nossas residências. Para uns, esse recolhimento já foi alongado e do lado de cá, no desgoverno, aguardamos novas resoluções. Tempos estranhos, mas que demandam uma mudança de perspectiva, novos pontos de vista mesmo sobre nossas vidas, desejos e objetivos. Por enquanto, fiquemos com o Las Coloradas, México, em 2017.

Eu, Daniel Blake (2016)
  Dirigido por Ken Loach, esse filme de 2016 mostra uma realidade aproximada de, pelo menos, uns cinquenta anos. Um drama social em que nosso protagonista se vê entre uma cadeia de burocracias impossíveis de atender e, por isso, passa a fazer parte de estatísticas arrasadoras. Crítico e sensível, esse filme é impressionante. E lindo. Levou a Palma de Ouro. A crítica tá aqui.
               
Comedians in cars getting coffee (2012)
                Criado e apresentado por Jerry Seinfeld, esta série é uma delícia. Confesso que as primeiras temporadas são mais legais, mas é interessante acompanhar as conversas com os comediantes. É literalmente isso: Seinfeld pega um artista destes em casa, em um carro diferente por vez e leva para tomar café. Como uma pessoa adoradora de café, é um deleite ver imagens maravilhosas de café e sempre quero tomar mais. Mas, é claro que a série vai além e as conversas sobre comédia, sobre o trabalho e sobre a vida costumam ser bem legais. Leve, para distrair. Os episódios são super curtos e a produção é profícua – 11 temporadas e dá pra ver fora de ordem.
                
Jackie (2016)
Jackie é um drama que trata dos momentos posteriores à morte de John F. Kennedy, então presidente dos Estados Unidos em 1963. Jackie, sua esposa, estava no carro com ele, no momento do crime e viveu um trauma de grande escala, se tornando em um instante, a primeira dama-viúva do país. Tendo que lidar com a mídia e governo, família e amigos, não podemos nem imaginar o que ela passou, mas este filme propõe um bom retrato. Com a já esperada impressionante atuação de Natalie Portman, o filme carrega o tempo da recomposição dessa mulher, antes coadjuvante e depois, protagonista de sua família. 
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          Estamos vivendo um momento diferente em nossas vidas e agora precisamos nos voltar para dentro, revermos quem somos, nos aproximarmos de nossas famílias e amigos, deixar pra lá a correria do dia a dia, do trabalho, daquele cotidiano cronometrado. O cronômetro parou e vamos seguindo com uma ampulheta, quase solidificando o tempo, essa matéria etérea que dá forma às nossas atividades. Criemos uma rotina interna e interior, de casa, de vida em outro ritmo e nesse momento, algo há de germinar e florescer. E agora, as dicas para o intervalo.

Personal Shopper (2016)
          Um suspense com um adendo sobrenatural é o que Olivier Assayas cria neste Personal Shopper. Kristen Stewart segue impressionante neste filme, um pouco com aquele olhar que nos deixa em dúvida sobre o que está acontecendo, característica que se equilibra perfeitamente com o clima do filme. Não dá medo, talvez uns sustos e a história que corre em paralelo nos prende da mesma maneira, com um roteiro tão sofisticado quanto a fotografia. Tudo combina. Não à toa, o diretor levou Cannes pra casa.

Atlanta (2016)
          Duas temporadas e aguardando uma terceira a ser lançada, esperamos, esse ano ainda, Atlanta é imprescindível. Donald Glover criou a série e a protagoniza, junto com um elenco impressionante. A história gira em torno de Earn e seus amigos, que buscam uma vida melhor em Atlanta. Inteligente, comédia crítica com o autor de This is America, a série ganha mais complexidades à medida que os episódios avançam. Assistam.

História de um Casamento (2019)
          Adam Driver e Scarlett Johansson são esse casal que se ama, mas o relacionamento segue um caminho complicado. Com um filho criança e tendo que decidir o futuro da relação, é uma trama adulta sobre um jovem casal, cujos desejos de vida contrastam tal qual suas identidades. De Noah Baumbach, o mesmo do adorado Frances Ha, é como se o diretor houvesse amadurecido o tema de um filme no outro – relações humanas e comportamento. Uma delícia de ver apesar do teor sério, pela sinceridade em temas difíceis. Grandes interpretações.  
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Enquanto fazemos o tempo passar, vamos enfrentando os pequenos desafios cotidianos em nossa esfera reduzida. Estamos em casa, e por isso, busco imagens de casa em seu sentido pleno e pacífico. De agonia, já basta o noticiário. A busca é pela paz, pelo retorno aos nossos, ao que temos de importante em nós e em nossos afetos. Um espaço de conforto, para que nos sustentemos em meio ao caos. E agora, o lazer.

Força Maior (2015)
Força Maior é um filme brilhante. Só precisaria dizer isso e a indicação deveria valer, mas vamos lá. É um filme que nos faz pensar em nosso papel social, mas também é uma comédia. E também é um drama. É um filme que nos coloca uma hipótese cujos desdobramentos e conclusões não saem conforme o imaginado. Discussões inteligentes e ácidas, uma revisão da família se faz, entre situações-limite e posicionamentos individuais. É mais do que isso e tem a crítica aqui, de quando vi o filme no cinema. É muito bom. Podem assistir tudo o que Robert Östlund dirige que a chance de dar errado é bem pequena.

Fleabag (2016)
Comédia ácida inglesa, essa série cativa no primeiro episódio. Uma mulher em seus trinta e poucos ou vinte e muitos, solteira, tenta se reerguer após uma tragédia pessoal. Baseada em uma peça também da atriz protagonista, Phoebe Waller-Bridge, de 2013, foi sucesso nos dois formatos. O ponto é que tudo parece muito sincero. É uma personagem que, em alguma medida, está em nós e as exposições de seus pensamentos apenas com o olhar ou nas observações que faz, são de um ganho cênico impressionante e identificação imediata. Além de deixar tudo mais interessante. A série tem duas temporadas e carrega mais de quarenta prêmios.

The Office (2005 - 2013)
 Versão americana de seu original homônimo inglês, The Office é a certeza de uma maratona de sucesso. Comédia boa, despretensiosa e sarcástica, trata do dia a dia em um escritório de uma filial de uma empresa de papel. Com a sinopse, parece que não há substância para as nove temporadas, mas ela se supera a cada episódio. Não espere algo intelectualizado, apesar das boas referências e ótimos diálogos - é pra rir sem exigências ou grandes expectativas. Tem todos os clichês - porque eles são o excesso do que acontece na vida real e eu sei, estive muito tempo em escritório - e eles quase sempre são cirurgicamente certeiros. Uma série sobre o ambiente de trabalho que te faz reconhecer os colegas e a si mesmo. Vale as nove temporadas. Com Steve Carrel, John Krasinski e grande elenco (relembrando clichês das críticas de filmes).
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Estamos no olho do furacão, mas vamos tentar manter um mínimo de tranquilidade em tempos de excesso de informação e ansiedade. Confesso que dei uma segurada nas notícias, meu coração é muito sensível, e sigo por aqui, pensando e dividindo filmes e séries para aliviar e fazer o tempo passar. Pensemos em nós e no coletivo e façamos o que estiver ao nosso alcance para minimizar os problemas e reduzir os índices. As postagens seguem, a princípio, diariamente no instagram, mas aqui temos um compilado para deixar tudo organizado e servir de referência para quem não está tão frenético nas redes. Este é um espaço de calma e para fugir um pouco do que estamos vivendo.

Inspire, expire (2018)
Duas mulheres se conhecem em um momento delicado. Uma está em trânsito para conseguir asilo político, a outra descobre que aquela carrega um passaporte falso. Um filme que lembra os melhores de Ken Loach, onde situações sociais são sempre mais complexas e demandam decisões além do sim e não, certo e errado. É uma das pérolas escondidas do streaming. Islandês, contrasta a dureza do clima com os afetos e cuidados que nos tornam mais um pouco mais humanos.

I am not okay with this (2020)
Aposta da Netflix como série de comédia desse ano, dos produtores de Stranger Things e com o diretor de The end of the fucking world. Poderia se dizer que é realmente um pouco de cada uma destas destas séries, da leveza da primeira, com o clima da segunda, mas tem alguns adendos. Há muito de Carrie, de Stephen King, da garota adolescente que tem um poder que a ultrapassa, mas não é sobre super heróis. É sobre relações humanas neste período de descobertas, em que ainda estamos nos entendendo como pessoas, o que gostamos, o que prezamos, o que não combina com a gente, o que queremos mostrar para o mundo. Leve e interessante, vale para adultos também, já que recordar é viver e eu, pelo menos, tenho saudades de ter menos responsabilidades.

Um banho de vida (2018)
Mathieu Amalric é Bertrand, um homem que tenta se entender em meio a depressão. Para ocupar o tempo, entra em um grupo de nado sincronizado, com outros homens de meia idade e cada um com seu problema. O filme segue sem percebermos e é fácil nos identificarmos em algumas situações. É um filme leve sem ser besta, que traz uma ideia de amizade e camaradagem tão caras para nós nos últimos tempos. Elenco espetacular. Vale cada minuto.
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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