4 meses, 3 semanas e 2 dias

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Pessoas da minha idade costumam pensar na questão aborto x gravidez. Evitamos ao máximo a possibilidade de enfrentar uma decisão como essa que, qualquer que seja a escolha, é como um ponto de virada nos filmes, mudará o destino do enredo para sempre.

Enquanto eu e minhas amigas temos a primeira decisão do aborto em caso de má formação ou violência sexual, quando pensamos que poderíamos engravidar do namorado, a dúvida se instala e a moral entra em xeque. O que fazer? Adiar planos de carreira em prol de uma gestação acidental ou impedir um nascimento provocado por nós? A sinceridade íntima de cada um diz o que fazer e ela nem sempre corresponde à idéia de decisão que tínhamos antes.

4 meses, 3 semanas e 2 dias, de Cristian Mungiu trata de um filme romeno, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, em 2007. Aqui a história é como muitas que conhecemos e torcemos para não viver, uma menina engravida e resolve realizar um aborto clandestino e conta com a amiga para lhe ajudar. A sinopse do filme é universal, entretanto, estar na Romênia comunista implica em uma outra noção da realidade, um pouco distante de nós. A clandestinidade torna-se a regra para qualquer conforto e a pobreza impera.

Em meio aos preparos para o aborto está Otília, protagonista do filme, que busca condições seguras para resolver o problema da amiga Gabita. Gabita contrata por indicação um homem que realiza os abortos em gestações superiores a três meses, ainda que diga a todos que está grávida há apenas dois. O acúmulo de informações desencontradas desencadeia problemas que as meninas não esperavam enfrentar, mas, que juntas, acreditam ser possível resolvê-los de alguma forma.

Ao sair do filme, extasiados pelo prazer de ver uma obra como poucas - de interpretação dos atores à fotografia e montagem - nos sentimos pesados e pensativos pela situação apresentada. O realismo, impossível de ser mostrado com mais crueza e veracidade em outros trabalhos e cinemas internacionais, parece ser a única opção para este que veio de tão longe. A importância de diversificar nosso cinema se fortalece com esses produtos, indicando outros olhares tão ou mais importantes aos quais nos acostumamos. Saímos percebendo a necessidade de nós meninas vermos filmes como esse e de todos assim também o fazerem, pois esta é uma realidade social que não se prende à Romênia de qualquer época. Um professor de cinema uma vez me disse que para fazermos um bom filme, devemos fazer um que conte a história de nossa aldeia. Acredito em sua idéia, pois esta é a única forma de torná-lo universal.

Outra questão que me surgiu depois do filme, foi quando busquei seus trailers na internet. Tive a oportunidade de vê-los com legendas em inglês e francês. São dois produtos diferentes e que não retratam o filme como quando o assistimos. Estes trailers me chamaram atenção porque não conhecia o filme antes de assistí-lo e depois que vi, percebi como podemos ter outra idéia de como este seria ao ver os trailers. E seria completamente diferente. Enquanto o tralier francês é extremamente recortado e rápido, aquele em inglês é quase um drama americano, com tantas transições. Esqueçam os trailers e corram ao cinema. Como sempre acontece com bons filmes, a sala estará vazia e silenciosa.

Trailers, caso se interessem:
Inglês no IMDB:
www.imdb.com/video/trailer/me708447451/

Francês no site para o Festival de Cannes:
www.bacfilms.com/site/432/flash.html

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2 comentários

  1. Tá aí um filme que eu queria tanto ver e meu namorado baixou e insite pra vermos em casa. Eu gosto de cinema, ver filme baixado em casa é outra categoria de curtição... é mais distração.
    Vou assistir no cinema.
    XXX:)

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  2. Esse tá na lista de filmes a serem assistidos há um tempo já...depois desse seu post então...
    beijos!

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