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Café: extra-forte


A memória que temos de Charles Chaplin é a daquele vagabundo inocente que faz estripulias em alguma cidade em preto e branco. Ou daquele operário enferrujado que aperta porcas e parafusos e, num surto, aperta também tudo que assim se pareça, ou ainda - é dos meus preferidos - o personagem do filme falado, O Grande Ditador, esse, magnânimo.. Sábado encontrei o vagabundo no Municipal e, como num passe de mágica, voltamos ao tempo dos grandes cinemas orquestrados.

O  Theatro Municipal do Rio de Janeiro – assim mesmo, com o charme do h – tem um calendário em que alguns dos mais importantes filmes do Cinema mudo são exibidos ao som de uma orquestra ao vivo. Essa apresentação imediatamente nos leva, como no último filme de Woody Allen, a outra época, no início do século passado. O Theatro, reformado e lindo estava lotado e consegui ficar no balcão nobre, logo acima da platéia, com uma boa companhia. E, por mais que conhecesse o filme, foi uma emoção de primeira vez.

Aqui temos a história de um vagabundo - nos termos de um desempregado e pobre  - que se apaixona por uma florista cega e faz de tudo para melhorar sua vida e curar sua doença. Um filme com uma história simples, sem muitos rodeios, como tem que ser.

É também daqueles filmes que te prendem em todos os momentos. Primeiro porque é surdo, já que os personagens falam bastante no filme e não ouvimos: uma cartela ou outra nos dá informações básicas para que possamos apreender tudo. A riqueza está no personagem, no Carlitos que tanto conhecemos e que preenche a tela com uma leveza daquelas pessoas únicas de grande coração. E o mais incrível, a orquestra ao vivo em total sincronia com o filme, acertando em todos os ruídos e ênfases. A música não só acompanha a trama, como é grande responsável pelas ondas de emoção que nos pegam de tempos em tempos nesta precisa duração. É aqui que rimos escandalosamente, gargalhamos livres num filme de piadinhas antigas, ingênuas e lindas.

E a platéia ria... ria e se deliciava, se reencontrando com um passado que nunca foi seu, com piadas de outros tempos mas com beleza e inocência, aquela pureza que provavelmente as guerras, a internet, as bombas e tudo mais de novidades estranhas foram ajudando a removê-la de nós aos poucos. A ingenuidade, o romantismo de uma época que não vivemos nos faz ver tudo com um ar de saudade do que não temos ou fomos – que seria um pouco o significado da melancolia, mas que passa longe daquela de está em cartaz nos cinemas, também com h. Aqui é um riso conjunto, compartilhado e confesso. E que começa tímido, um aqui, outro ali, o Municipal no escuro com umas luzes para a orquestra e em cinco minutos estamos todos juntos, rindo do menor esforço de nosso ator genial, como se fôssemos de uma mesma família reencontrando alguém que não vemos há muitos anos.

E o final, o que é o final? Não vou contar, vai que alguém não viu e merece a surpresa. O final nos toma de uma forma que o Theatro inteiro parou de respirar. Parou naquele segundo, naquele fechamento indefectível de uma história terna, quente e triste ao mesmo tempo. A última seqüência é um aperto no peito de ansiedade pelo último segundo, pelo desfecho perfeito dos filmes perfeitos de Charles Chaplin. As paredes do Municipal ficaram mais fortes e ricas nesta noite de sábado, com tantos aplausos, risos, lágrimas, carinhos e amor pelo Cinema, pelo espaço mágico em que estávamos, ambos eternos. E ainda mais aplausos para a Orquestra e para a última imagem da tela, a foto do gênio, do artista completo. Aí fomos todos alegria.

Obs.: acabei de checar aqui e terá uma última exibição no próximo dia 20/08. Vale muito a pena.
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Yoko finalmente liberou o doc na íntegra na internet!
Segue nota:

"Queridos amigos,

Em 1969, eu e John éramos ingênuos a ponto de acreditar que deitar numa cama ajudaria a mudar o mundo.
Bom, pode ter ajudado. Mas na época nós não sabíamos.

Foi bom termos filmado, de qualquer forma.
O filme é poderoso hoje.
O que dissemos na época, poderia ser dito agora.

Na verdade, algumas coisas que dissemos no filme podem encorajar e inspirar ativistas de hoje. Boa sorte para todos nós.

Vamos lebrar que A GUERRA ACABOU, se assim quisermos.
Depende de nós, de ninguém mais.
John gostaria de dizer isso.

Yoko Ono"
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Em tempos atuais, é importante não perder o Vejo Você no Próximo Verão. Acabei de assistir. Estreou hoje causando impacto. E é claro que a versão original do título é mais interessante; Jack goes Boating.
Em tempos atuais, porque parece que vivemos um mundo de contrários. O filme trata do surgimento de um novo relacionamento romântico, da formação de um novo casal. Um casal de amigos resolve ‘armar’ o melhor amigo com a colega de trabalho da mulher. E é isso, nada mais. O filme é sobre essa conquista, que não parte apenas de um.
Neste mundo de contrários parece que o mais importante é a coleção. Não importa quem seja a pessoa, o objetivo é como o war: quanto mais territórios temos, vencemos o jogo. Ou destruímos o oponente. Na minha adolescência, quando somos apresentados aos nossos hormônios e aos dos outros e entramos no mundo das relações amorosas, eu achava sinceramente que era tudo meio simples, que quando se gostava, ficava-se junto e pronto, acabou. Felizes para sempre. Mas todo conto de fadas existe tanto quanto as fadas. Tem um processo de conquista, muitas vezes estranho e sem propósito, que acontece e este final feliz some feito fumaça.
Depois de tantas figurinhas trocadas entre amigos e amigas, fui convidada a ler um livro mulherzinha. He’s not that into you e eu quase com vergonha admito que estou me divertindo lendo e me vendo em muitas situações ridículas. Eu admito mesmo, fiz umas coisas já, mas entendendo que cada um é cada um e que os homens e as mulheres podem agir individual e originalmente. O livro diz exatamente o contrário e tenta provar isso por a + b. É um livro escrito por um homem e uma mulher americanos (por isso o dualismo é gritante e exagerado, eu sei), roteiristas de Sex and the City. Os escritores buscam comprovar com exemplos práticos o nível de interesse do homem num relacionamento heterossexual, de forma a alertar as mulheres – sim, estas que vivem buscando justificativas para ‘segurar’ ou ‘acreditar’ em situações quase surreais – para que não percam tempo na vida com quem não interessa.
E aí aparece esse filme, que, ao tempo que comprova no extremo o que o livro nos conta, mostra o exato oposto: há um paralelo entre um relacionamento estabelecido, mais complicado e este novo casal que está descobrindo como é conviver. E enquanto as diferenças entre os pares vão se tornando cada vez mais evidentes, a transformação dos personagens ganha força e o roteiro se sobressai surpreendentemente. Não é um filme de clichês, pelo contrário, é um filme sobre a vida, sobre um dia a dia de alguns amigos que não sabem muito bem - como grande parte de nós - o que podemos e não podemos nos permitir viver.
É um filme, soube nos créditos, baseado numa peça que o próprio Philip Seymour Hofman protagoniza (além de ter dirigido e produzido o filme) e por isso há poucas locações. Ao mesmo tempo, não percebemos isso de forma alguma. Os diálogos estão na medida, bem como seus silêncios fundamentais.
Outro dia assisti Quem tem medo de Virgínia Woolf, que me remeteu a outro, O Anjo Exterminador, de Buñuel. Toda essa leva de clássicos é para uma analogia simples: em um determinado momento dos três filmes, os personagens ficam confinados numa residência e por mais que a tensão seja insuportável, eles não saem dali. E a nossa tensão aumenta absurdamente, o incômodo torna-se coletivo e nossa vontade é entrar pela tela do cinema ou da TV e arrancá-los porta afora. O Anjo Exterminador pretende com isso outro objetivo – não vou discutir os temas de Buñuel aqui – mas Quem tem medo... também nos mostra relacionamentos complicados. E como eles se solidificaram em bases frágeis ou tetos de vidro. Nada disso suporta muito tempo.
Há uma carga emocional muito forte neste novo filme. Philip Seymour Hoffman – e nem preciso falar dele, de verdade – é o cara. Sem mais adjetivos. O protagonista é um personagem extremamente sensível, que conhece uma mulher incrível e sensibilizada. Nos primeiros 2 minutos, já nos apaixonamos por ele e pela paradoxal força desta mulher: aqui também ela é a atriz que carrega o filme, com poucos gestos, tímida e resistente.
As mulheres sempre ganham esses adjetivos: resistente, forte, batalhadora. Os homens têm ganhado outros: sensível, perdido, indefinido. Em resumo: nós carregamos o piano enquanto eles decidem quem são. Não tão drástico, mas o fato é que nem sempre queremos ser e ter essa força toda. Somos mocinhas. Queremos ser delicadas, bem tratadas, reconhecidas, paparicadas. E neste filme há uma força, literalmente, que faz com que isso aconteça. Simplesmente porque era necessário para os dois, precisava ser daquele jeito. E não era um sacrifício.
Esse é um filme sensível e honesto. É simples, perfeito em sua composição e nos prende como muitos outros filmes ‘pequenos’ americanos não por coincidência (lembrei de: Sunshine Cleaning, A lula e a baleia, Pequena Miss Sunshine, O casamento de Margot, Away we go – que, no IMDB mostra em quase todos, os mesmos produtores). Só é difícil de encontrar – como nesta linda produção – uma realidade parecida. Mas é bom dormir com essa idéia, esse respiro de que se um filme assim foi possível, por que o resto não seria?

Título original: Jack goes boating
Diretor: Philip Seymour Hoffman
2011 - EUA - 91 min
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Na semana passada, no dia treze, foi o dia mundial do rock. Aqui no Rio não aconteceu nada de interessante, mas me peguei ouvindo uma banda baiana que me tomou por inteira e me levou para os shows que ia em Salvador no início dos anos 2000. Scambo era o nome e Salvador conhecia as letras originais e as versões, e percebi que me marcou muito mais do que eu imaginava.
Nessa leva de baianidade, troquei boa parte das músicas internacionais que ouvia diariamente por outras baianas e às vezes meu coração aperta de saudade e me dá vontade de cantar bem alto, mas quase sempre estou dentro de um ônibus e o que acontece é meu coração explodir por dentro e uns risos meus, sorrisos, enquanto olho o mar carioca.
Hoje assisti a pré-estreia de Filhos de João, o filme de Henrique Dantas sobre os Novos Baianos. Dei uma sorte danada, porque encontrei outros baianos e vi o filme entre eles. Nada melhor, já que ouvi o sotaque de pertinho, vi o filme, cantamos umas partes e no final, mais baianidade no coquetel. Parece bobagem, mas esse retorno é realmente importante. Às vezes o tempo vai passando e deixamos passar junto um pouco do que somos e vamos nos tornando outros, sem perceber... às vezes é só uma música, a companhia ou um filme que nos avisa com um ‘psiu... lembra? Você é isso também’. Era tudo o que eu precisava.
O que acontece é que este filme foi feito durante 11, 12 anos e trouxe entrevistas de tempos diversos, mas que juntas, davam um tom gostoso e interessante, traduzindo numa boa forma de contar a história. E eu nem sabia que João Gilberto era esse João do título e sua importância na formação do grupo. A questão é que João Gilberto já era um mestre nos anos 60 e essa turma dos Novos Baianos, de músicos fantásticos estava se descobrindo, quando o músico-padrinho mostrou possibilidades e novos olhares que transformariam o rock dos baianos numa música essencialmente brasileira e fundamental.
O filme mostra raridades, trechos de shows, da convivência deles num sítio aqui no Rio, de como as canções se formaram, de como eles viviam e cresciam, se multiplicavam. E múltiplo é também o filme, que nos dá o prazer de ver os pais da guitarra elétrica, do nosso Carnaval baiano, de Armandinho, Dodô e Osmar, até de Gil e Caetano, como quem não quer nada. É um prazer de ver e ouvir. E é a história da música brasileira. Isso tudo num documentário inesperado, lindo e divertido.
Tom Zé abre o filme e faz as vezes de mediador da história, ditando os momentos importantes da virada, com sua fala completamente original e, que pode parecer a muitos ‘viajante’ e metafórica, mas, se pensada e ouvida faz total sentido. Todas as suas palavras e adjetivos. Junto com isso, um contexto da época na Bahia, com os filmes de Edgard Navarro e tantos outros – porque os Novos Baianos também fizeram filmes – e toda a efervescência cultural de uma época que aconteceu assim no mundo inteiro. E o legal é que eles todos falam num tom simples, com tranqüilidade, sem maneirismos ou palavras difíceis. É um filme para todos. Todos que gostam de música, cultura, de Brasil, de Bahia.
Acabei de chegar em casa e não consegui não escrever sobre o filme. E tenho que agradecer à minha irmã que me apresentou a esses baianos maravilhosos quando eu nem sabia de nada. Hoje o filme chegou tímido e me deu uma recarga de baianidade no inverno carioca, não tão gelado como em outras cidades, mas longe de ser aconchegante como na minha terra. E quando isso acontece, não tem essa adversidade que me tire o humor. E nem falemos de outros filhos dos filmes de música; gostei muito dos de Francisco, mas não se comparam a esses aqui. Assim como a analogia ao Admirável Mundo Novo, aqui se justifica plenamente no filme. Era uma geração que buscava algo novo, diferente, livre... que se perdeu na ingenuidade do velho sonho de romper um sistema - na verdade, talvez um sonho ainda novo naquele tempo - mas que ainda assim permaneceu num sistema próprio tempo suficiente para criarem vida e nova música. É isso, Novos e Velhos baianos no rádio e agora nos cinemas, por favor.

Visite o site aqui!
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Quando não conhecemos um lugar, costumamos viajar por ele através das impressões dos outros. Impressões vendidas por companhias de turismo, dadas com emoção por parentes e amigos que lá estiveram, por filmes, músicas, fotos, postais, internet. Essa coleção de imagens e sons é comum e acessível a todos. É gratuita e nos permite interpretar aquilo que não conhecemos, mas que temos alguma(s) idéia(s) de como deva ser. E, enquanto não vamos lá, aprendemos daqui a perceber como seria aquela vivência, ilusão farta e romântica de um espaço, de um momento.

Meia noite em Paris trata da viagem de um casal americano junto com os pais da noiva à cidade. O noivo, Gil Pender (Owen Wilson) encantado com a capital francesa e se aproveitando dela para ganhar força e coragem para mudar sua profissão lucrativa de roteirista hollywoodiano, tornando-se um escritor de primeira viagem, entra em conflito com os anseios da noiva Inez (Rachel McAdams), que pensa na decoração da nova casa e em passeios com um casal de amigos não tão divertidos que encontrou pelo caminho. Insatisfeitos com a discrepância dos anseios individuais, o casal se separa nas noites parisienses e vaga pela cidade, cada um à sua maneira. A cada novo dia, as diferenças entre eles se tornam mais evidentes e novas descobertas os fazem rever o casamento.

Esta é uma sinopse alargada do novo filme de Woody Allen. Ao contrário dos anteriores, este não começa com uma narração. Na verdade, o filme prescinde totalmente daquele narrador, da voz que já conhecemos, presente em grande parte de sua filmografia. A história se deixa contar à medida que nosso herói vivencia a cidade e por ela se apaixona, a cada quadra, a cada esquina. Romântico, acredita que seria mais feliz em outra época, de outra forma. Esse pensamento nos transporta pelas ruas de Paris a outras décadas e todos  vivemos uma experiência inusitada.

O filme mantém o estilo leve, a narrativa fluida, a suspeita simplicidade no contar da história. Com mais de vinte filmes no currículo do diretor, não poderia ser diferente. Aqui há atores de peso – com destaque para o incrível Adrien Brody e Corey Stoll – e até Carla Bruni dá o ar da graça em momentos divertidos da história. Ainda que não soubéssemos quem havia dirigido, ficava fácil perceber a quem pertence o tom do filme. Não há um neurótico assumido, mas um homem confuso, perdido entre suas decisões, ingênuo e descobrindo o que quer e precisa, como alguém que chegou agora ao mundo. Há uma tranqüilidade no personagem de Owen Wilson e nos diálogos incríveis com o amigo pseudo-intelectual de Inez, que nos fazem gargalhar.

A surpresa do protagonista diante do inusitado – também para mim que não li nada sobre o filme, apenas vi o trailer – nos faz entrar imediatamente na história, quase como o herói de A Rosa Púrpura do Cairo, só que de forma invertida. Aliás, a primeira grande diferença deste novo filme para os demais não é tanto a ausência de voz off, mas as primeiras cenas, lindas, das pequenas ruas estreitas, de paralelepípedos, com cafés e restaurantes e uma trilha de fundo, nos indicando: é Paris, nada mais importa.

Com mais imagens deliciosas de uma cidade ainda desconhecida, a ansiedade me tomou o coração com um imperativo de ‘você precisa viver isso’. Este filme aparentemente simples – como todos os outros de Woody Allen aparentemente são – traz questionamentos de forma sutil sobre o tempo que vivemos, o tempo que queremos viver e se o que estamos fazendo agora é viver o que queremos ou se estamos sempre pensando no que queremos viver. As respostas suscitam outras questões e provavelmente não teremos uma solução que não signifique novas decisões e atitudes. E tudo pode se passar num domingo qualquer com uma boa companhia e que não se pense mais a respeito ou, como um bicho que nos morde, pode ficar uma marquinha, uma manifestação pequena e incômoda do que realmente precisamos fazer e que não conseguiremos esquecer.

Título original: Midnight in Paris
2011 / 94 min
Diretor: Woody Allen
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Sem assistir novos filmes num fim de semana atribulado, fechei o domingo com chave de ouro no show de Paul McCartney. Já tinha perdido o de São Paulo e não poderia deixar de ir, estando Paul no Rio de Janeiro.

Para chegar pegamos o metrô até a Central do Brasil e de lá um trem direto ao Engenhão. Foi minha primeira visita à Central, meu primeiro trem carioca. Uma fila incrível nos aguardava na entrada do estádio, mas tínhamos tempo. Fui com 3 amigos que encontro de vez em quando e foi como se o tempo não houvesse passado.

Foi incrível! Não sei se pela excitação do evento, se por ser um show grande, pelos fanáticos – como eu – que cantavam com toda a voz e pulmão todas as músicas do começo ao fim... mesmo sem conseguir ver o palco direito, valeu cada minuto. Fiquei pensando em como deve ser difícil montar um set list com tantos sucessos de carreira, mas ele escolheu bem e como nos filmes em que não leio sinopse, aqui também não sabia a rotina do show e cada música era uma grande surpresa. Cada primeiro acorde nos levava ao delírio, já reconhecíamos quase todas assim e os gritos, xingamentos, lágrimas e abraços celebravam aquela imensa comunhão musical.

Segunda teve um show extra. O amigo que foi domingo comigo havia comprado o ingresso de segunda e me disse que eu ia me arrepender se não fosse. Na verdade, quando ele me falou que já tinha o ingresso, eu comecei a sofrer. Imaginar que poderia ver o show novamente, de repente até de mais perto, ver Paul no palco junto com os músicos... reviver chorando the long and winding road... eu merecia isso. E fui.

Consegui ficar muito mais perto por um valor não tão absurdo graças ao desespero dos cambistas e não só me acabei em the long and winding road como fiz o mesmo em let it be. Não sei exatamente por que... acho que por estar sozinha naquele momento e sozinha por escolha, porque queria ficar na frente e outro amigo que foi comigo não era tão fanático assim... acho que acabei também ficando mais à vontade e me deixei levar nessas duas lindas músicas. Um rapaz me viu naquela alegria chorosa, me abraçou e me consolou, mas nem precisava... era um transbordamento feliz.

O Rio estava me entediando há um tempo e eu precisava de fortes emoções, fortes e boas que eu sabia que encontraria ali. As duas noites recarregaram minhas energias, eu estava tranqüila novamente e ainda reencontrei grandes amigos. São prazeres fundamentais. Era preciso viver. Foi importante.

Soube de uma lenda que Paul vem no último bimestre. Mesmo não sendo meu Beatle favorito, não posso encontrar com John, então... Eu tinha esquecido como é divertido ir a um show e encontrar tanta gente ali, feliz, vibrando com o mesmo motivo, na mesma energia, buscando o mesmo fim. Como nos entregamos naquelas 3 horas, esperando que elas nunca acabassem... Eu entendi porque Paul faz um show longo: é porque já conhecemos tanto as músicas que elas passam muito rápido... o tempo corre e nos perdemos. Quando olhava no relógio, me assustava como já estava perto do fim e todos ainda estavam gritando e vivendo, rindo, pulando. Valeu cada centavo. Agora é esperar.
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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