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Café: extra-forte


Fim de férias sempre traz uma mistura de saudade e tristeza, não? Uma nostalgia do pouco tempo que tivemos sem preocupações até que elas sutilmente começam a nos contaminar, por jornal, familiares... e aos poucos aquela rotina anual vai se tornando presente, ainda que você tenha alguns dias restantes de suposta tranqüilidade.

Assim aconteceram minhas deliciosas férias. Fui à Argentina, tive novas e revigorantes experiências, conheci bastante gente, algumas pessoas legais que carregarei comigo, reforcei laços de amizade, aprendi mais uma vez a selecionar aqueles que me acompanham. Diverti-me bastante, visitei lugares incríveis. Mas, um belo dia, com muitos e-mails preocupados da minha família, descubro que o Rio de Janeiro entrou em guerra. Feliz por estar longe, triste pela situação e preocupada com meus amigos que vivem aqui, uma parte das minhas férias se perdeu nesse limbo e percebi que o lugar em que escolhi viver deveria perder seus apelidos e se completar com substantivos sinceros.

Continuo gostando do Rio, não tenho previsão pra sair daqui, mas sou realista. Não há como ter grandes esperanças de uma transformação radical nesta cidade, com a manutenção da força como ela é hoje constituída. E, se vimos a polícia de todos os tipos unida ao Exército para combater os traficantes do Alemão - e sentimos um orgulho da justiça nacional, uma esperança de paz e uma vontade de aniquilar os bandidos - vamos deixar claro que os grandes chefões desta equipe fugiram em escolta policial.

Se a proposta de combater o tráfico é permitir a vigência da força podre no poder, melhor seria deixar todos de volta, assim não haveria mais tiroteios, inocentes não teriam suas casas invadidas ou sofreriam queimaduras em ônibus, tiros acidentais, no fim do mês todos ficariam felizes com bolsos cheios. Mas, como o objetivo final é ludibriar a população e a impressão internacional que se tem desta capital maravilhosa, vamos à Copa do Mundo e às Olimpíadas.

E eu nem ia falar sobre isso. É que acabei de ouvir uns estrondos que não são de tiros ou bombas, talvez fogos, mas aprendemos aqui a entrar em alerta quando qualquer som similar chega para nós. Tomara que estes sons não sejam de carregamento de droga no Pavão-Pavãozinho, hoje pacificado. Ou eu preciso lembrar que um dos policiais do Pavão foi flagrado assaltando banco em Niterói?
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Em uma época imemorável, um homem e uma mulher de diferentes tribos da Patagônia Argentina se conheceram e se apaixonaram. Como suas culturas eram diversas, a norma que imperava sobre eles era o fim do amor, com a obrigatória separação. Cada um deveria seguir seu caminho, casando-se com um de seus comuns.

Mas o amor deles era muito muito forte. Era como aquele amor de Romeu e Julieta, de almas gêmeas e talvez como estes amores pelos quais as pessoas se casam com sinceridade. Em todo caso, o amor deles era muito maior do que as convenções e regras que tinham que obedecer.

Resolveram fugir. Era a única forma de viverem juntos e construírem com seu amor uma nova família, até formando uma nova tribo baseada no amor e com ele fortalecido. Eles correram e correram e se viram diante de um lago muito profundo e frio, o lago Mascardi. Conhecedores da região, sabiam que a única forma de viverem juntos seria na outra margem, onde as duas tribos não os alcançariam. Ao mesmo tempo, a margem oposta era muito distante e o lago de águas quase polares poderia matá-los.

Mas, mais uma vez, pensaram que não poderiam viver sozinhos separados - casados com outras pessoas que não eles e foram com o amor do mundo nas mãos dadas ao lago.

Nunca mais se ouviu deles.

Foram procurados em todas as terras, em todas as margens e vales. Tribos se comunicavam, as mais distintas, para saber que fim tiveram os dois jovens mais importantes que haviam em cada comunidade. Nenhuma resposta. Não havia nenhum sinal deles em lugar nenhum, nenhum corpo encontrado, nenhum corpo avistado.

O tempo passou.

Neste mesmo local onde eles haviam pulado, nasceu um mirante, de tanto as pessoas tentarem vê-los. Numa tarde de sol já sem esperanças, alguns passavam por ali e viram uma sutil movimentação na água. Aos poucos, uma ilha nascida verde submergiu das águas profundas. Alguns metros afastada, outra ilha, parecida com a primeira também se viu nascer. Aos poucos, as duas foram de encontro uma à outra e tornaram-se apenas uma, com um formato nunca antes visto, mas agora perpetuado como símbolo de amor eterno.

Piuque Huapi em Mapuche significa Ilha Coração.

*Essa lenda foi contada por Mapu, um índio Mapuche que era nosso guia em um dos passeios por Bariloche este mês.
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Ontem eu lia um livro que em aparecia um personagem que falava da infância. A história do livro é legal, sobre um cara que vai se redescobrindo a partir de um pé na bunda recebido de uma mulher de quem ele não se lembrava. Este outro personagem falava que não gostava de crianças, mesmo sendo um escritor de livros infantis e que só gostaria daqueles que fossem seus. Ele dizia que a infância é muito séria, que as crianças são sérias e cheias de idéias sobre as coisas e o trato consigo mesmas não é tão livre quanto os adultos pensam. Dizia ele que as crianças da forma como são, dariam ótimos adultos.

Fiquei pensando nisso, porque dá a impressão de que esquecemos como fomos agora que crescemos e as lembranças parecem ficar presas em caixas, que quando abrimos, vemos uma bagunça de histórias acumuladas e não dá pra ter uma idéia mais precisa de quem éramos, fica apenas uma nuvem confusa de memórias. Ao mesmo tempo, acho que com um exercício de volta ao passado, dá pra lembrar de grandes momentos, recolher as fotos e os amigos, até pra ver se o que queríamos ser quando grandes, conseguimos realizar.

A história de Nicolau inicia assim. Está na sala de aula, sua professora pede a todos que façam uma redação sobre o que querem ser quando crescerem. E ele descreve seus amigos naquele instante pelo que querem ser, enquanto ele mesmo ainda não sabe. É essa seqüência que abre O Pequeno Nicolau, em cartaz nos cinemas.

De início nada sabemos, o cartaz é uma foto divertida de alunos de uma mesma sala de aula, todos com caras sapecas e suas descrições resumidas em legendas, já dá a impressão de ser um filme divertido. Mas esta situação transcende a imagem parada. Nicolau é este menino no centro da imagem, com cara de líder da máfia infantil que está preocupado com o que lhe vai acontecer quando seu irmãozinho nascer – ele acredita que será deixado numa floresta, esquecido para sempre. Para resolver a situação, junta seus amigos e bola um plano para fazer com que seus pais o queiram de volta. Com isso, o filme não fala apenas sobre Nicolau, mas também de seus amigos, das famílias e da escola, criando não um retrato, mas uma coleção de memórias sobre a infância.

Aqui a infância é tão séria como a que li no livro lá de cima – Talvez uma história de amor, Martin Page – as questões têm fundamento, os medos são sinceros, os planos inteligentes. Há inclusive essa relação da infância com a vida adulta e as justificativas para o que eles querem ser quando crescer são tão honestas que nos trazem um sorriso no rosto: antes todos fôssemos simples assim. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento da história do filme casa direitinho com o desenrolar da narrativa de Virgile, protagonista do livro, com suas interpretações sobre sua infância de circo. É incrível como obras tão díspares conversam tão bem.

O Pequeno Nicolau traz cenas que nos lembram Amélie Poulain pela doçura e inocência. Ao mesmo tempo, enquanto Amélie nos encanta, Nicolau e seus amigos nos fazem rolar de rir. Aqui não importa a idade neste filme infantil, já que são situações que quando não estamos vivendo, lembramos de nossa própria história ou simplesmente nos deliciamos com as mirabolantes construções infantis. Assistir a um filme cuja visão do mundo e narrativa é entregue a uma criança torna tudo mais divertido. O diretor e roteiristas merecem prêmios por isso.

Ainda vemos o cuidado com a construção fílmica além diálogos: a fotografia tem uma marca importante que se associa à direção de arte e figurino; estão realçadas as cores, em especial o vermelho, os figurinos são marcados e datados, bem como a decoração das casas, o carrinho de bebê, os carros. Fica claro que não estamos nos dias de hoje, ainda que as situações sejam plausíveis para qualquer década. Sendo um filme baseado num livro dos anos 50, notamos isso claramente também na construção dos personagens adultos: a mãe dona de casa, o pai querendo crescer no trabalho e convidando o chefe para almoçar em sua casa; a necessidade da mãe ser uma mulher moderna e sua transformação, são emblemas de uma geração adulta que percebia a necessidade de uma mudança que ali era embrionária.

Para nós que temos Turma da Mônica e O Menino Maluquinho, as comparações são claras. Os planos de Cebolinha e Cascão, as artimanhas do Menino Maluquinho - este até mais parecido pela relação com a fantasia e o personagem central ser um garoto da mesma faixa etária - nos remetem a um mesmo universo de trapaças infantis. Mas, enquanto o Menino Maluquinho se volta mais para o público infantil, neste filme Nicolau funciona bem para todas as idades. É quase impossível não gostar.

Este filme dá vontade de ter em casa, de assistir mais umas vezes, de rir muito com aquelas crianças, de entender seus problemas e, melhor do que tudo, ver que todos podem se resolver. Dá vontade de deixar esses grandes atores mirins continuarem assim para sempre e esperar muitos outros filmes que nos levem pela lembrança do que fomos e pela fantasia do que queríamos ser.

Notas
Filme: O Pequeno Nicolau
Título Original: Le petit Nicolas
Diretor: Laurent Tirard
2009, França e Bélgica, 91 min.

Livro: Talvez uma história de amor
Autor: Martin Page
Ed. Rocco, 2008 - 157 páginas.
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Essa é uma atualização obrigatória, preliminar de um texto útil a ser desenvolvido brevemente. É uma limpeza da mente, um esvaziamento do excesso de palavras e idéias meio perdidas e sempre bobas que ficam escondidas em cantos, como moedas atrás dos móveis.

Uma noite estava dormindo e o telefone tocou. Era Cristiano, às 03:10 da manhã. Perguntou por que eu estava acordada àquela hora, disse que viu meu telefone em sua agenda e me ligou. Até aí tudo bem. Só que eu não sabia quem era Cristiano.

Toda vez que vou ao trabalho, passo por avenidas de praias. Acaba sendo um passeio agradável quando consigo me sentar no ônibus e por uns instantes esquecemos da rotina e até por ela, temos sorte de passar por ali quase todos os dias. A cada dia, um turbilhão diferente de palavras sobre o mar surge em minha mente, mas o tempo passa e esqueço de anotá-las.

Outro dia eu estava pensando nas cores do mar. Tem gente que diz que é azul, tem gente que diz que é verde. Eu percebi que perto da margem é verde e lá no fundo fica azul. Claro que várias teorias foram construídas em cima disso, mas a mais legal é a de que como a areia é amarelinha e teoricamente a água era pra ser azul por conta do céu, o verde não era amarelo + azul? Achei essa mais convincente e aceitei como verdade.

Minha casa é um abrigo de amigos. Antes era só um espaço meio meu, mas agora posso contar os dias que ela tem só a mim. É divertido e interessante receber pessoas, mas o tempo de pensar sozinho e escrever vai diminuindo devagarzinho. Não reclamo das minhas pessoas, as convido a ficarem porque a casa é nossa, afinal de contas e são as minhas pessoas favoritas. Mas foi bom passar o dia inteiro aqui, quietinha. Matei saudades de mim.

Tem alguém na rua ou no prédio da frente assoviando. Não sei porquê. Não pode ser para um cachorro, porque isso já dura bem uma meia hora.
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Comemorei meus quinze anos com festa de debutante. Meio sem querer mesmo, já que quem queria era minha mãe, para realizar um antigo e em sua época impossível desejo. Foi divertido diante das circunstâncias e meus amigos daquela época ainda o são hoje. Não me lembro agora se estava apaixonada por alguém... era adolescente e talvez mais lerda do que a maioria para essas coisas do coração.

Me apaixonei e desapaixonei por alguns garotos e de todos ficaram hoje boas lembranças. A vida adolescente é intensa e, como meus pais me diziam, eu ainda ia sentir falta disso. Nunca senti tanto como hoje. Tive um dia infernal no trabalho, milhões de problemas para resolver e que me tomaram muito tempo e desgaste diante de alguma incompetência alheia. Mas todo trabalho é assim. E uma manhã cheia de atribulações domésticas que escolhi pra mim com todo o orgulho da independência de quem justamente quer sair da fase 'casa dos pais'. Mas aconteceu agora de noite um filme que me deixou com vontade de apertar rewind e sentir tudo de novo.

15 anos e meio é um filme francês que está nos cinemas. Conta a história do retorno de um pai à vida da filha depois de quinze anos, agora ela nessa idade. Como eles não conviveram juntos, os conflitos óbvios surgem e essa comédia ‘romântica’ vai nos guiando por alguns estranhos caminhos, mas cheia de boas intenções. O pai é um profissional reconhecido, mestre em seu trabalho, mas se vê como amador quando se relaciona com a filha. Ela, geniosa, mas doce e complexa, vive as situações e ainda lida com esse pai que não se adapta às suas condições. Os dois atores funcionam muito bem juntos – não precisamos nem adjetivar Daniel Auteuil, que faz qualquer personagem muito bem e Juliette Lamboley, que conheci agora – e acho que suprimiria algumas fantasias do filme, quase de comédia pastelão, mas que não foram grande sofrimento assistir. Os coadjuvantes dão uma graça a mais ao filme, especialmente os adolescentes, que são mais coerentes do que os extremos apontados nos adultos. A intenção parece ser a de mostrar que a diferença entre as idades é muito menor do que aparenta e que o que importa é muito mais a troca de experiências do que uma situação de pai que manda e ensina e filha que obedece e aprende. Acaba sendo um filme mais para meninas, mas cabe para quase qualquer público. É leve, engraçada, com situações possíveis e que nos levam para viagens incríveis no tempo. Uma boa para domingos chuvosos.

Como toda história bem contada, essa se torna universal. É a vida adolescente x vida adulta, é a noção de família, são as descobertas das meninas e os choques dos pais, o eterno problema das gerações. E esse descompromisso adolescente, essa vida de si para si e seus amigos, essa falta de responsabilidades e obrigações e o coração batendo forte pela paixão são marcantes no filme e na vida real. Para quem está iniciando a jornada nas águas misteriosas da fase adulta, acho que só cabem as férias para rever um pouco disso. E em um mês temos que resolver todos os nossos sonhos e fingir que não temos grandes responsabilidades. No fundo, sabemos que é impossível e por isso o coração aperta quando lembramos com muita saudade de nossos tempos de escola, quando o que mais queríamos era crescer. Por isso é que filmes assim são tão fundamentais. Agora, me resta o reencontro com os amigos – coisas que só a ‘idade’ traz – e, quem sabe, reviver as histórias nas conversas de bar e cafezinho.



Título Original: 15 ans et demi
Ano: 2008, França.
Dir.: François Desagnat e Thomas Sorriaux.
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Assim, a Anne boa nunca é vista acompanhada. Ela nunca aparece, ainda que quase sempre assuma o palco quando estou sozinha. Sei exatamente como gostaria de ser, como sou... por dentro. Mas infelizmente só sou assim comigo mesma. E talvez seja por isso – não, tenho certeza de que este é o motivo – que penso em mim como uma pessoa feliz por dentro, e os outros pensam que sou feliz por fora. Sou guiada pela Anne pura, de dentro, mas por fora sou apenas uma cabrita fazendo cabriolas, forçando a corda à qual está amarrada.

Como já disse, o que falo não é o que sinto, e por isso tenho reputação de assanhada e namoradeira, de sabichona e leitora de romances de amor. A Anne jovial gargalha, dá uma resposta ferina, encolhe os ombros e finge que nem liga. A Anne quieta reage do modo oposto. Se estou sendo completamente honesta, tenho que admitir que isso me importa, que tento arduamente mudar, mas me vejo sempre diante de um inimigo mais poderoso.


Anne Frank me acompanhou esses dias. De início, imaginava que sua história era outra, que de alguma forma, ela havia estado em um campo de concentração e de lá narrasse suas memórias. Claro que isso se mostrou uma ilusão até infantil, já que deveria ser proibido escrever qualquer coisa ali – até porque viver era proibido... a questão é que eu não imaginava com que força esse diário de uma adolescente durante a guerra ia me impactar.

Quando lemos diários, participamos da vida das pessoas, do que há mais íntimo e particular nelas. Porque, na época dos diários, era de fato tudo secreto, íntimo. Hoje os diários quase não existem, deram lugar ao movimento oposto – blogs, twitters, Orkut, facebook, myspace... – onde o secreto se torna popular e a intimidade deixa de existir, como se todos tivéssemos interesse nas vidas alheias, quando elas se tornam cada vez mais banais e desinteressantes; mostrando muito mais vazio do que algo válido de conhecer.

O diário de Anne é uma extensa correspondência para uma suposta amiga. Dali extraímos o dia a dia de pouco mais de oito pessoas que se forçaram a viver juntas por serem judeus em Amsterdam na Segunda Guerra. Esse livro deveria ser lido na adolescência. Porque, além de falar da óbvia guerra, fala muito mais da fase, do momento, da criação de Anne. Fala de ser menina virando mulher em outros tempos, mas escritos de uma forma universal e atemporal, a exemplo dos trechos lá de cima. Ás vezes, até pensamos quando lemos, ‘mas não muda muito, é só a rotina’. Mas é justamente nessa rotina que vemos as transformações, como o confinamento a que se submeteram na esperança de sair dali sufocava as pessoas, antes amigas, agradáveis e educadas.

Anne Frank humaniza a guerra; a tira dos livros didáticos, dos dados, das execuções. A narrativa pessoal de um período tão visado até hoje na mídia altera nosso olhar e saímos do clichê. Parece que estamos vendo um longo filme, tentando não sofrer, pois já sabemos o final.

Quando terminei o diário e ia seguir para o posfácio, dei de cara com uma frase que me chocou:


O DIÁRIO DE ANNE TERMINA AQUI.


E temos a continuação da tragédia coletiva onde, literalmente, só sobrou o pai para contar a história. Mas a frase, ali, centralizada após os últimos parágrafos – para mim os mais bonitos – e sem despedidas, afundou meu coração e me deixou perdida. Não acreditei quando virei a última página, não queria que isso acontecesse, não queria sair do meio da história. E logo quando Anne estava se compreendendo, quando eu estava me compreendendo... quando a identificação finalmente entrou com tudo no meu peito e na minha cabeça e eu entendi finalmente porque não conseguia deixar o livro em casa e tinha que lê-lo a caminho do trabalho. Acabou. E o sentimento de incapacidade, inutilidade... contrasta com a possibilidade de ler algo assim. Uma confusão se instaurou em mim e ainda não consegui diluir o final.
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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