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Café: extra-forte

Estou vivendo um momento muito particular desta trajetória. Como previsto, as dificuldades pra encontrar um apartamento persistem, mantenho vivo meu posicionamento (cada vez mais) crítico sobre meus atuais conterrâneos e, por conta de algumas questões menores, minha tolerância à imbecilidade anda bastante reduzida.

Resolvi que precisava investir neste momento e descolei dois autores: Gore Vidal e Charles Bukowski. Terminei Factotum (Bukowski) há algumas semanas. O livro aconteceu num flash, a literatura corrida, sem muitos floreios e sobre o que é contemporâneo nos faz passar de uma página a outra sem perceber. É a história de Chinaski, um rapaz que vive seus vinte e poucos anos percorrendo os EUA a custa de bebidas, mulheres e cigarros. Vive e mora como dá, em vielas e apartamentos como vários que já visitei por aqui. Chinaski trabalha para o momento, para o mínimo necessário. É o fim da Segunda Guerra e ele só para pra pensar nisso quando percebe a dificuldade cada vez maior de conseguir trabalho.

O que importa nisso tudo é a forma como Bukowski constrói seu personagem. É uma pessoa ordinária, cuja vida passaria despercebida, como alguém que passa por nós ao atravessarmos a rua, é aquele que se escora no boteco e passa a noite entre um gole e outro, vendo quadris camabaleando. A identificação ainda assim acontece e é aí que está a graça: Chinaski não se importa tanto com o mundo ou com o que pensam dele. Sabe do que é capaz e até onde vai sua mediocridade e inteligência. É avesso à modéstia, essa palavra infame que torna tanta gente um pouco mais cínica.

Chinaski é a crítica à sociedade americana e seus valores falseados. É muito do que nossa sociedade vive também. É o não à guerra com a indiferença de quem não vê razão pra tanta mobilização. É a dificuldade de seguir certas normas, apenas por não acreditar nelas. E ele não as segue.

Percebi que minha intolerância não é só minha... é de Bukowski, de Gore Vidal, de Martin Page e, para a minha surpresa, de Marcelo Janot*. É desses atuas e dos que estou para conhecer e me divertir com a concordância das mesmas idéias em outras formas de expressão. Agora inicio Kalki, de Gore Vidal... vamos ver o que acontece.

Indico totalmente para quem tem momentos em que não acredita na capacidade das pessoas de serem estúpidas: Factotum, Charles Bukowski.

*Mais tarde, neste blog. :)
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Essa é a abertura do documentário Cidade da Bahia, dirigido e escrito por mim. Foi meu trabalho de conclusão de curso da graduação em Cinema, em Salvador, a partir de uma prêmiação no concurso internacional Citès du Monde. Estou com uns problemas pra colocar o filme todo, então vai um trechinho.

Cidade da Bahia
2005. 26min.
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Pois é...

Ao mesmo tempo que o Curta cai no mundo virtual, será lançado em tela grande, para o meu desespero e agonia. Semana que vem, na noite de quinta-feira, aproximadamente às 20:30, será exibido no Arquivo Nacional, na mostra da Oficina do RECINE 2008 (confira programação). Já saímos em um caderno especial de O Globo de 10 de outubro de 2008.
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Tem certos prazeres que, por serem tão banais, às vezes passam despercebidos. Desde que comprei o jogo de talheres, ainda não havia, que eu me lembre, utilizado os garfinhos de sobremesa. Como só morei até hoje em apartamentos mobiliados, não comprei muita coisa para casa: dois copos grandes, duas canecas, um jogo de talheres e uma garrafa térmica. Meu jogo de talheres é simples e pequeno, mas vem com essas peças que parecem mais garfos para crianças. Me sentindo ainda mais mulher que mora só, havia comprado ontem uma fatia de torta musse de café que me esperava na geladeira. Dentro da embalagem tinha deixado uma colherzinha de plástico, que veio junto. É que ontem não aguentei esperar e tirei um pedacinho. Deixei a colher dentro da embalagem, para o momento seguinte.

O momento chegou neste domingo de eleições. Depois de ir à esquina me livrar do compromisso, fiz um mercado básico. Nunca senti tanto prazer em morar só: fui a dois mercadinhos de bairro, comprei coisas só pra mim e almocei uma salada que fiz com base na criatividade e nas possibilidades de grana. Sentei para o outro compromisso corrente: li o jornal do dia e procurei o novo apartamento nos classificados. Selecionei alguns para visitar amanhã, enquanto outros movimentos acontecem em paralelo.

Ao tempo que resolvi esta parte, chegou o momento da torta-musse. Como tinha esquecido da colherzinha dentro da embalagem, abri a gaveta dos talheres e lá estavam eles: os garfinhos pequenos. Por mais banal que esse texto seja, o momento foi sincero. Sentei diante da tv, deixei a colherzinha de plástico de lado, assisti A Roda da Fortuna, tomei café e comi a torta. Com o tempo esfriando, criei meu próprio aconchego.

Vivemos o dia-a-dia sem pensar nas pequenas mudanças que nos acontecem. O garfinho pode ser a cereja no sorvete, um detalhe que não precisamos necessariamente, mas que fazem a diferença, como o sebo de outro dia, procurar apartamentos e trabalhos, estar só e rodeada. Ter um espaço próprio, construir a trajetória por si. Claro que, para isso, dependemos de nós mesmas para tudo: quando esqueço de comprar água, fico sem e com sede. Ou sem roupas limpas, por passar ou com a casa suja. Depender de nós mesmas é assumir tudo ao mesmo tempo, sem esquecer de fazer as unhas e ler um bom livro.
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Hoje tive mais uma tarde agradável. Fomos ao Festival do Rio assistir O Segredo, cuja crítica estará disponível amanhã por essas bandas... mas a questão nesse momento vai além: as conversas de um dia qualquer. É engraçado como deixamos passar momentos extraordinários em nossa vida cotidiana. Porque o "extraordinário" vem justamente dos momentos surpreendentes de nossos costumes ordinários... por mais óbvio que isso pareça assim, escrito, poucas vezes atentamos para os significados das palavras que falamos tanto.

Tenho convivido bastante com Daphne. Ela é uma carioca muito engraçada e inteligente que conheci no RECINE, um Festival de Cine de Arquivo que todo ano apresenta uma oficina e cada participante cria um curta-metragem a partir de imagens do Arquivo Nacional (que é, de fato, um prédio que arquiva diversas imagens, filmes, mídias do país...). No tempo de meu avô...,o curtinha, em breve estará disponível. Nos conhecemos na oficina, trocamos figurinhas e sugestões e colaboramos nos trabalhos. Com isso, e por nós duas falarmos além da conta, criamos identificação e surgiu uma amizade criativa, divertida e crítica.

Construímos idéias mirabolantes e discutimos questões universais. Eu sinto uma lufada de ar novo quando lembro das discussões clássicas que nunca chegam a conclusões diretas, mas criam ainda mais questões indissolúveis, sempre em locações sem sentido: ônibus, meio da rua, cinco minutos antes do filme começar. As discussões nunca acabam, mas são sublimadas com os pensamentos que ficam rondando nossas cabeças em busca de respostas.

Estando numa fase nerd, acabo me divertindo nesses momentos e com as grandes aulas, aquelas que nos ampliam horizontes e nossa ambição de querer saber mais e mais vira um buraco negro que passaremos a vida tentando clarear (como a surpreendente aula sobre a Lei do Audiovisual). Oportunidades surgem como fagulhas em nossos cérebros, idéias pipocam e a vontade de produzir só perde pra de conhecer e, se pensarmos que uma coisa está necessariamente atrelada à outra, um sorriso surge em nosso rosto.

E vou em um sebo enorme por caminhos do acaso numa tarde de domingo, descubro a velha infinidade de livros e possibilidades, passo horas no meio de papéis e poeira, desvendando que livros levarei, sabendo da triste certeza que jamais lerei todos ali dispostos. O prazer de uma tarde como essa abraça poucas pessoas e corações... a tranquilidade de um sebo, o desejo de ter palavras escritas e, nessa horas, de ser absorvida por todas as frases que nos motivam a ler ainda mais frases e sentimentos que escolhemos levar pra casa, fazem o caminho de volta especial e a sacola de livros, um grande tesouro.

E agora? Como faço pra me transformar em 15 ao mesmo tempo? Quero estudar, ler, aprender, trabalhar, filmas, escrever, ver filmes, discutir, fofocar, namorar, decorar, lanchar tortas ou pão de queijo com café expresso, beber vodca com aditivos diversos ou um chopp cremoso e gelado... é muito pra uma pessoa só.
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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