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Café: extra-forte


Hoje fez frio novamente. Foi bom, porque quando faz frio ficamos em casa, fazendo o que há de melhor num domingo: se esbaldar no excesso da preguiça.

É muito diferente fazer isso quando moramos só. Não tem o barulho do domingo coletivo, como era lá em casa, em que tinha a televisão do quarto de meus pais, a televisão da sala, os barulhos de cozinha, a falação no meio do filme. O telefone sempre tocando. Aqui, o barulho é meu e da rua. No meu domingo tem feira no começo da rua; tem menos carros e ônibus. Tem barulho de gente passeando, ainda que faça frio. Tem os meus barulhos, da cozinha, do teclado do notebook, da televisão. Não tem gente falando.

Hoje passei esse domingo todo em casa. Até me deu uma vontade de sair pra passear e de talvez encontrar algumas pessoas... mas logo desisti. O tempo friozinho só me deu vontade de fazer uma coisa de verdade: tirar fotos. Estou investigando minha vida nesses tempos e dentro dela descobri um desejo incontrolável de mexer com fotografia, de trabalhar, de aprender, de viver assim.

E existiu a joaninha. Ela surgiu na minha janela, enquanto eu olhava a rua e tirava fotos das amendoeiras. Achei as amendoeiras fantásticas na mudança de suas cores, as folhas caindo no asfalto. Deu um outro ar à cidade. Pensei como deveria estar bonito o Jardim Botânico que ainda não conheço. Fiquei da janela, com aquelas surradas calças de pano folgadas, uma blusa branca, óculos e a câmera digital automática sem lentes legais. Mas eu precisava fazer alguma coisa.

Como não consegui sair de casa, fiquei na janela, atenta ao barulho das folhas cortado com o pouco trânsito. Vi uns velhinhos amigos. Aqui é muito bonito nesse sentido. Na minha família somos muito fechados em nós mesmos. Eu insisto nas amizades de meus mais velhos, que se visitem, que se curtam. Aqui os velhinhos se visitam a todo instante, passeiam juntos, vivem jogando dominó ou dama ou alguma coisa, porque sempre estou passando e os vejo em umas mesinhas, mas não dá pra saber que jogo é. E eles vão à praia, vão caminhar e uma vez até os vi, corajosamente no mar, muito cedo da manhã. A água é fria e eu fico me tremendo ao meio-dia de sol quando decido mergulhar.

A joaninha apareceu na minha janela. No parapeito, onde eu me esgueirava para descobrir meu melhor ângulo preguiçoso para ver a rua, o mar, as amendoeiras coloridas, as pessoas passeando. Fiquei tentada em fotografar a joaninha, que me percebeu de imediato. Invadi a joaninha, aproximando cada vez mais a câmera, ao passo que ela cada vez mais se assustava e virava de costas para mim. Acho que ela esperava que eu a destroçasse, como deve ter visto acontecer, mas eu estava muito encantada e só queria conseguir tirar sua foto. As joaninhas são muito pequenas, redondas e vermelhas. Para minha inexperiência se comprovar, esqueci de pôr a câmera no manual e ficava insistindo em focá-la no automático, mas a lente apenas queria encontrar o foco a uma distância maior, na rua, nas folhas. Eu tentei até a joaninha ir embora.

A joaninha cansou. Eu tirei as fotos, mas só consegui ficar sem foco, como uma pequena mancha no parapeito branco e as folhas verdes lá atrás, lindas e quase nítidas. Perdi dessa vez. Acho que isso tudo significa que eu preciso estudar. Estudar mais e muito. Ainda vou ter minha câmera fotográfica analógica, manual, com algumas lentes. Vocês vão ver.
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Ao assistir o novo Batman – O Cavaleiro das Trevas, sentimos que estamos vendo mais do que uma superprodução. O herói conhecido por todos retorna numa nova seqüência e, talvez também pelo falecimento daquele que faz seu principal oponente, saímos sem saber direito como digerir o filme. Há um misto de sensações de bem-estar, pela qualidade e entretenimento e mal-estar, por seu caráter sombrio e pela morte de um magnífico ator em seu melhor momento.

Mas, ainda assim, não é só isso. Ficamos extasiados com a qualidade das imagens, com as seqüências em velocidade, com os figurinos exatos e com o ritmo do filme. Vemos a face do Bem em crise: Batman não é um herói; ele salva as pessoas, mas com um preço a pagar à sociedade. Batman não é o perfil do Bem nos Estados Unidos. Batman, resumindo, não é o Super-Homem. O Coringa, por outro lado, é a exemplificação do mal insano, não sabemos seus motivos para os crimes, ele é um psicopata onde todos, até a vilania, o temem.

A estória se resume com a luta do Batman contra o Coringa, para livrar Gotham City deste mal e a polícia continuar seu cerco às máfias que controlam partes da cidade. Ficou confuso? Batman está sendo procurado pela polícia de Gotham, para que vá preso por seus danos à cidade, entretanto, o Comissário Gordon não o prende porque conta com ele para a dissolução dos crimes. As máfias diversas dominam a cidade e, ao se perceberem ameaçadas, fazem um acordo com o Coringa, que conhece bem e é o único oponente real do Cavaleiro das Trevas.

O homem-morcego é interpretado por Cristian Bale, que fez também o primeiro e bom, Batman Begins, mas a novidade e todas as atenções do filme estão concentradas no Coringa, cuja interpretação de Heath Ledger transformou para sempre a idéia que tínhamos deste personagem. Sombrio, com um sorriso sardônico fixo no rosto pela maquiagem, esquecemos que ali é o mesmo ator que fez Brokeback Mountain, anos antes. A perversidade do Coringa prende o espectador por três motivos: inevitabilidade, imprevisibilidade e consciência. Sabemos que ele virá em algum momento, não sabemos como e nem o que ele vai fazer e, o mais importante, ele traz questões para o espectador.

O roteiro busca transmitir uma identidade humana ao Batman, firmada na realidade ali construída com raízes em nossa sociedade ocidental. Batman é o mal necessário, é o humano comum, ancorado nas tecnologias que lhe garantem supremacia física e alguma defesa. Coringa se compara a Batman, introduzindo no espectador a luta de gigantes, o clássico Bem e Mal, em que o Bem não é o que a sociedade espera ou, sequer, aceita. É o ideal do Bem desconstruído numa versão de necessidade e não, de desejo. E o Mal existe para contrapor o Bem e, também, porque é divertido. Essa relação se torna ainda mais tênue e preocupante, quando o Coringa renega alguns valores e põe outros em xeque: ele não luta por dinheiro e responsabiliza a própria sociedade em sua organização, em sua conduta moral.

Este Coringa é o pior antagonista das HQs adaptadas ao cinema. Sem o ar infantil ou apenas espalhafatoso, Heath Ledger traz um homem cuja face assusta naturalmente e extrapola a cada olhar, caminhar, movimento. O Coringa é o filme, ainda que Comissário Gordon(Gary Oldman), Duas Caras (Aaron Eckhart), Alfred (Michael Caine), Lucius Fox (Morgan Freeman) e Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal) tenham seu peso. Comprovado por todos os espectadores do mundo, o filme se justifica a cada fala do Coringa, a cada duelo verbal. O Coringa é o psicopata cuja empatia – renegada em entrevista por seu ator – se faz à primeira vista. A maquiagem esconde uma cicatriz, que a cada momento, é explicada em novas versões às suas vítimas. Acreditamos na primeira e, ao ouvir uma outra completamente diferente, ficamos surpresos e apreensivos. O sorriso perfeito numa boca escancarada e com batom vermelho borrado nos assusta ainda mais, se somamos aos olhos negros em um fundo de pasta branca que toma todo o rosto. Sua maquiagem, assim como o cabelo são montados para dar uma preocupação estilística que define o personagem criado pelo próprio vilão: o Coringa cria seu personagem, à medida que assume em diálogo no filme a maquiagem e o terno roxo. São detalhes que constroem o personagem dentro do personagem e introduzem um novo olhar ao espectador atento. Não há limites para o mal e não há medo, essa é a característica do vilão.

Com a tecnologia das câmeras IMAX, utilizadas com película de 70mm, só lamentamos não poder assistir nas telas apropriadas. Ainda assim, é possível notar a qualidade artística da fotografia soturna e brilhante. Cristopher Nolan acertou em cheio na direção do filme, bem como no roteiro, com grandes diálogos em cenas bem recortadas. Até agora, a questão imposta pelos críticos se dá com uma possível indicação ao Oscar póstumo para Heath Ledger, entretanto, acredito que o filme pede outras indicações. Ao que tudo indica, muitos sairão das projeções como eu saí: feliz por ter experienciado mais um grande filme e triste, por perder para sempre uma possível e brilhante carreira artística de um ator agora consagrado. O desafio de Nolan é maior: caso continue a saga de Batman, terá que reconstruir um Coringa à altura, já que ao menos o personagem continua vivo.
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E ela resolveu sair pra dançar. Morria de frio em terra de amiga, se reconstruindo de mais um clichê desses que nos aparece na vida. Com meias rosa-choque até o joelho, escondidas numa justa calça jeans, blusinha leve por dentro, manga comprida e gola alta por fora, botas e casaco, desceu a rua, atravessou a praça e seguiu pro forró.

Lá dentro, nada acontecia. As amigas conversavam animadamente, analisando o circo ao redor: como em todos os lugares dançantes do mundo, uns dançavam, outros olhavam e comentavam os dançantes e outros apenas caçavam, olhavam, buscavam um primeiro contato pra se dar bem até o final da noite.

As amigas, como de costume, só queriam conversar, beber, dançar e rir. Sempre foi assim, desde que são amigas. O tempo de convivência é tão raro, que apenas o encontro delas é suficiente. O forró havia começado e os rapazes que já olhavam as duas estranhas na cidade, ameaçavam uma aproximação. Elas, cujo interesse era apenas esquentar os ossos nos seis graus da noite serrana, aceitariam qualquer oferta razoável.

Depois de ensinarem, cada uma, uma média de cinco rapazes afoitos por um canto da boate, elas desistiram. A primeira, já de saco cheio por seus próprios clichês, postou-se ao lado da banda que tocava músicas gostosas. Não ia dançar com mais ninguém, mas gostava de olhar quem sabia dançar e se esbanjava acompanhado no meio do salão. A amiga teve mais sorte: encontrou outros amigos e descolou uma conversa de interior.

A sina que perseguia a dona dos clichês era ainda mais cruel do que o hábito de gostar de dançar. Eles, certamente acima dos 45, a encarava como se ela estivesse ali, única e disponível para mostrarem-se bem sucedidos e ela aceitar. Mas ela não aceitava nem começo de conversa àquela altura do campeonato. No primeiro ‘oi’, cansada de ser simpática, virava a cara. Com a continuação da perseguição, sucessivos ‘não’ eram ouvidos secamente. Quando estava à beira de uma grosseria educada de menina esnobe, o rapaz a chamou para dançar. Com o sorriso de que finalmente teria sua noite salva, num ar de vingança, olhou para o cinqüentão e saiu para o centro com o menino de quase 30. Ela, de 25, finalmente iria dançar, rir, esquecer. Rodou, abraçou, apertou, gargalhou. A dança não parava e eram só eles dois naquele momento, no mundo. Uma felicidade a inundou como se precisasse ser salva e houvesse encontrado seu príncipe.

Brigada, você é ótimo. E você dança muito bem! Vai na minha peça amanhã, ver a gente. Vou sim. Ele era ator, mas foi ela quem fingiu por último.
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Dias atrás...

Agora estou num avião. Enquanto o vôo não acontecia, minha tensão aumentava a cada segundo de atraso. Passei a não gostar de aviões.

Agora que estou no avião em vôo, a coisa muda de figura. Há um mar de nuvens abaixo de nós e acima um céu azul que não se vê lá da terra. O Rio estava nublado e frio, são estas aí, as nuvens dele. Estou indo a Salvador, que também tem nuvens, só que em menor quantidade.

É sempre a mesma história: um drama pra voar, contido e fingindo que tudo está indo muito bem e estou muito segura de mim. Tudo mentira. Eu sempre sei que vai dar tudo certo, mas sempre me lembro de todas as histórias em que aconteceu tudo errado. E passei uma semana de filmes não muito benéficos para o momento, até que vôo e fico tranqüila.

Neste mar de nuvens. Primeiro vemos as nuvens de baixo pra cima, cinzas e ameaçadoras. Depois entramos no meio de campo, tudo branco, parecendo aquelas metáforas de Céu... depois subimos ao paraíso dos relevos brancos e macios. Dá vontade de mergulhar nas nuvens, de se prender no avião com uma corda e deixar ele te levar por entre elas, porque as nuvens são também mar.

Uma criança brinca no fundo do avião, pra dar graça ao vôo, após uma hora e meia de atraso. Lá na frente, uma mulher a cara da Maria Bethânia, mas acho que ela é muito chique pra pegar um vôo desse... mas é a cara... o mesmo cabelo, pelo menos.

É engraçado, a gente voa e voa e parece que vai tão devagar... eu sempre quero chegar logo. Uma hora e meia de vôo, o piloto falou. Passaram-se 20 minutos até agora. Daqui a pouco é a hora do suco com amendoins condimentados e barra de cereal: a pior refeição que um avião poderia nos servir.

A única coisa a lamentar da beleza das nuvens, é perder a vista da terra. Mas não se pode ter tudo. Apenas relances de um pouco de cada coisa. Pelo menos dá pra saber que não viajamos por mar, mas por terra de fato.

Só para calar a minha boca infame, nos serviram sanduíche com suco. Creio que seja por causa do almoço e pra nos alegrar, depois de tanto atraso. Ainda mais: como é meu dia de sorte, consegui ver bastante terra e ainda um rio, que não tenho idéia de qual seja. Agora nuvens e nuvens.

Há uma senhora ao meu lado, com idade de ser minha mãe. Bem vestida, ela pediu sanduíche light, que não tinha. Aceitou o que tinha, que nem é esse macdonald's todo de gorduras, pelo contrário: queijo branco e peito de peru. Depois do sanduíche normal com suco de caju light, uma trufa de chocolate, pra fazer valer logo tudo de vez. Vai entender... ela bem quer saber o que tanto escrevo, tenta ler com o Ray Ban preto, mas finjo que não é comigo. Ela disfarça, olhando pra minha janela. Bobinha...

Como sempre, estou com frio. Mas isso é só uma anotação sem muito sentido no texto. Estou chiquerésima com meu casaco comprido, jeans escuro e salto preto. Óculos tão chiques quanto o de minha vizinha e me tremendo de frio. Acho que as pessoas chiques não sentem muito frio... droga. Todos os meu pêlos estão arrepiados e é claro que meus pés, nos saltos pretos, congelados. Minhas unhas vermelhas de esmalte, possivelmente estão arroxeadas na vida real. Coisa de nordestino quente. E olha que lá fora tá 27 graus e é meio-dia e quarenta e dois.

O piloto informa: chegaremos em Salvador às 13:50, que me dá ainda mais de uma hora de vôo. A única meta é segurar a bexiga até lá e evitar as besteiras no texto.

Agora estamos em cima do mar. Eu vi a passagem acontecer... eu reparei, e não é a primeira vez, que quando vemos a costa, a orla mesmo, bem do alto, dá a impressão de que está tudo parado, né? Como uma fotografia dessas de iamgens aéreas. Vemos a faixa branca das ondas quebrando, vemos as ondulações do mar e vemos as nuvens... tudo parado... e agora estamos descendo e eu peso 250 quilos. Faltam mais ou menos trinta minutos para pousarmos... fiquei tentando descobrir que praias eram as da costa. Certamente já estamos na Bahia. Pense comigo: um vôo Salvador-Porto Seguro dura aproximadamente 50 minutos. Tendo isso em mente e entendendo que falta mais ou menos meia hora pra chegar na terra, já passamos por Porto Seguro, certo? Achei uma boa dedução...

Eta! Tripulação, preparar para o pouso. Temperatura de 27 graus.
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Essa é a foto. Essa é a foto porque me lembra um momento... ou todos os momentos especiais que passei com minhas amigas. Elas são recorrentes nos textos e acho que pouquíssimas efetivamente os lêem. Mas não importa. Essa foto é da Adelaide Preguiçosa, uma sobremesa que já proporcionou milhares de encontros e memórias gostosas.

Estive com Mari neste fim de semana. Ela é minha tábua de salvação mais próxima, trocamos confidências, aumentamos nossa intimidade, vivemos coisas muito parecidas. Nossa necessidade de se encontrar cresce a cada dia, estipulamos prazos limites para as visitas, já que ela mora em outra cidade aqui do Rio. Estivemos juntas e as conversas não foram suficientes. Nunca são. Elas têm um prazo de validade definido, até que queremos trocar mais e mais palavras e sentimentos. E nosso último encontro foi tão intenso, nesse sentido, que foi percebido por outras pessoas. De poderosas a maravilhosas, éramos notadas por nossa atenção concentrada em nós mesmas; aproveitávamos o ambiente apenas para ocupar o espaço e nos servir dele. A conversa toda era nossa e em torno de nós, porque nós duas estamos sozinhas em nossos cantos. Nós duas fizemos esta escolha.

Acabei de ver dois episódios de Sex and the City. Pra quem leu o texto sobre o filme, já sabe que é impossível ver a série sem pensar nas amigas e em algum relacionamento, passado ou presente que tenha seus incômodos e momentos perfeitos. É isso o que segura a gente no dia-a-dia, é isso que nos faz agüentar as coisas todas de estar longe de todo mundo. Porque, para nós que estamos distantes, só resta lembrar e esperar, né?

Acabei de ler um texto de Paloma. Ela tá em Sampa, na mesmíssima situação que a minha: sozinha, sem trampo, estudando, se virando em mil pra continuar lá e tentando ao máximo isso tudo ao mesmo tempo com um sorriso no rosto. Mas nem sempre dá. A garganta aperta, a saudade bate... a distância de todo mundo. E eu, como ela, ainda dei sorte de conhecer meia dúzia de gente em cada canto. Pra Paloma eu digo: aqui também tá frio demais.

O episódio da série que vi hoje me fez lembrar de um monte de coisas e me deixou pensando. Em estar só, mais uma vez, em ter escolhido ficar só e de saber que não seria fácil. A essa altura, eu esperava já estar trabalhando em qualquer canto. Fico tensa com a idéia de voltar porque não deu pra continuar. Eu quero continuar e vou... nem que eu trabalhe em qualquer canto, em qualquer coisa. Porque eu gosto de morar só, como Paloma, eu gosto de ter o controle de mim e de minha casa... e eu sei viver bem estando só.

É que a questão é outra. Chega uma hora que cansa ficar sem fazer nada. Que os dias voltam a ficar iguais, como em Salvador eram e a gente reclamava tanto. Eu sei que nós fazemos nossos dias. E vou voltar a fazer os meus, aliás, já estou no caminho disso. Porque já sei o que eu quero fazer da minha vida. Já defini, já vi uma idéia que gostei. Quero seguir isso, mas a primeira etapa é essa aqui, a mais difícil, eu espero. Porque nas outras eu levarei essa como aprendizado. E se ficar longe é o único jeito, paciência. Com o que estou me propondo a ser, acho que não há muita opção. Carrego todo mundo no meu coração e espero poder encontrá-los de vez em quando, com mais conversas intermináveis e a vontade de ficar, sabendo que tenho que partir.
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Este filme prova que os críticos são fundamentais ao cinema. É de bom tom escolher um crítico, um entendedor de cinema e que tenha um texto fluido e interessante e acompanhar suas opiniões. O crítico ou até o bom resenhista tem acesso aos filmes antes dos pobres mortais e sua obrigação é assití-los com atenção e escrever sobre, para informar e alertar seu leitor. Faço parte deste grupo de forma bastante humilde e caí na besteira de perder minha tarde neste filme sem propósito.

Fim dos Tempos é o filme em cartaz do M. Night Shyamalan, diretor dos bacanas O Sexto Sentido, Corpo Fechado e A Vila. Mesmo tensa com a perspectiva dele fazer algo parecido com Sinais, filme que odeio por usar o argumento dos ets como solução fácil de um roteiro cheio de expectativas, fui em frente, ignorei minhas inclinações mesmo tendo visto o trailer e fui ver. Gastei dinheiro e paciência e ganhei o ódio momentâneo dos meus amigos.

Esta é a estória em que pessoas subitamente morrem na costa leste dos Estados Unidos. Elas estão em ambientes amplos e expostos à natureza e, do nada, param o que estão fazendo, como aquela brincadeira de estátua, dão três passos pra trás e se matam com a primeira coisa que encontram pela frente. O trailer mostra isso. As autoridades buscam soluções. As cenas de morte são bacanas. O Mark Wahlberg é péssimo, mas, pensamos, com uma estória bacana ele passa despercebido. Mark Wahlberg é o professor de ciências que, como outros tantos e sem motivo, consegue se safar da síndrome desconhecida.

Roteiro péssimo, com diálogos ainda piores, sublimados com interpretações superficiais de grande parte dos atores transformam sua duração num tormento. A parte divertida é muito rápida: o coordenador da escola em que trabalha o maldito professor de ciências é nosso companheiro Alan Ruck, o Cameron Frye, melhor amigo de Ferris Bueller, em Curtindo a Vida Adoidado, agora grisalho. Espectadores saem da sala, outros se enterram nas poltronas. Não há o que fazer. E vem a explicação para o misterioso fenômeno: talvez uma neurotoxina natural, produzida pelos homens ou produzida e espalhada pelas plantas (!) contamina os humanos e eles ficam desorientados, perdem a vontade de viver e se matam. Então, quando passar um vento e as folhas das árvores de mexerem, fique atento: você talvez seja vítima da fúria da natureza. Talvez sim, porque ninguém sabe porque mata uns e não mata outros. Ponto.

Deste filme nada presta. É triste e duro dizer isso, mas o fato é que é muito ruim. A impressão que dá é de que o roteiro começou a ser escrito, aconteceu a greve dos roteiristas nos Estados Unidos e, para não atrapalhar o cronograma, alguém tomou as notas do roteirista e destruiu o que poderia ser, quem sabe, uma estória legal. É surpreendente que o M. Night tenha acabado com a confiança de seus espectadores desse jeito. É misterioso como ele conseguiu dirigir um Sexto Sentido e este filme anos depois. Será que ele bateu a cabeça? E como os atores toparam se queimar desse jeito? Será que eles tinham muitas dívidas? Perguntas que não têm respostas... bem como o porquê da existência do filme. Uma coisa é certa: não indique a seus amigos.
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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