Essa é a foto. Essa é a foto porque me lembra um momento... ou todos os momentos especiais que passei com minhas amigas. Elas são recorrentes nos textos e acho que pouquíssimas efetivamente os lêem. Mas não importa. Essa foto é da Adelaide Preguiçosa, uma sobremesa que já proporcionou milhares de encontros e memórias gostosas.
Estive com Mari neste fim de semana. Ela é minha tábua de salvação mais próxima, trocamos confidências, aumentamos nossa intimidade, vivemos coisas muito parecidas. Nossa necessidade de se encontrar cresce a cada dia, estipulamos prazos limites para as visitas, já que ela mora em outra cidade aqui do Rio. Estivemos juntas e as conversas não foram suficientes. Nunca são. Elas têm um prazo de validade definido, até que queremos trocar mais e mais palavras e sentimentos. E nosso último encontro foi tão intenso, nesse sentido, que foi percebido por outras pessoas. De poderosas a maravilhosas, éramos notadas por nossa atenção concentrada em nós mesmas; aproveitávamos o ambiente apenas para ocupar o espaço e nos servir dele. A conversa toda era nossa e em torno de nós, porque nós duas estamos sozinhas em nossos cantos. Nós duas fizemos esta escolha.
Acabei de ver dois episódios de Sex and the City. Pra quem leu o texto sobre o filme, já sabe que é impossível ver a série sem pensar nas amigas e em algum relacionamento, passado ou presente que tenha seus incômodos e momentos perfeitos. É isso o que segura a gente no dia-a-dia, é isso que nos faz agüentar as coisas todas de estar longe de todo mundo. Porque, para nós que estamos distantes, só resta lembrar e esperar, né?
Acabei de ler um texto de Paloma. Ela tá em Sampa, na mesmíssima situação que a minha: sozinha, sem trampo, estudando, se virando em mil pra continuar lá e tentando ao máximo isso tudo ao mesmo tempo com um sorriso no rosto. Mas nem sempre dá. A garganta aperta, a saudade bate... a distância de todo mundo. E eu, como ela, ainda dei sorte de conhecer meia dúzia de gente em cada canto. Pra Paloma eu digo: aqui também tá frio demais.
O episódio da série que vi hoje me fez lembrar de um monte de coisas e me deixou pensando. Em estar só, mais uma vez, em ter escolhido ficar só e de saber que não seria fácil. A essa altura, eu esperava já estar trabalhando em qualquer canto. Fico tensa com a idéia de voltar porque não deu pra continuar. Eu quero continuar e vou... nem que eu trabalhe em qualquer canto, em qualquer coisa. Porque eu gosto de morar só, como Paloma, eu gosto de ter o controle de mim e de minha casa... e eu sei viver bem estando só.
É que a questão é outra. Chega uma hora que cansa ficar sem fazer nada. Que os dias voltam a ficar iguais, como em Salvador eram e a gente reclamava tanto. Eu sei que nós fazemos nossos dias. E vou voltar a fazer os meus, aliás, já estou no caminho disso. Porque já sei o que eu quero fazer da minha vida. Já defini, já vi uma idéia que gostei. Quero seguir isso, mas a primeira etapa é essa aqui, a mais difícil, eu espero. Porque nas outras eu levarei essa como aprendizado. E se ficar longe é o único jeito, paciência. Com o que estou me propondo a ser, acho que não há muita opção. Carrego todo mundo no meu coração e espero poder encontrá-los de vez em quando, com mais conversas intermináveis e a vontade de ficar, sabendo que tenho que partir.



