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Café: extra-forte


Finalmente fui ver o filme das garotas de NY. Sempre gostei da série, que nos liberta para um ideal de vida fútil e divertida. Não dá pra ser cérebro e arte o tempo todo. Acho que a série funciona à medida que nos relembra das coisas que gostamos, das grandes amizades e, é claro, dos relacionamentos deliciosamente comentados como se fossem os nossos próprios.

Como me mudei recentemente, estou criando junto com outros também expatriados, um novo grupo de amigos. Surpreendentemente, todos são agradáveis e muito diferentes entre si. Cada um de nós combina particularidades que, se estivéssemos em nosso habitat primeiro, possivelmente acabaríamos naturalmente em grupos distintos. Fazemos concessões e vamos criando uma intimidade aos poucos, nos abrindo vagarosamente, como toda cautela do individualismo prega, não sei se tão racionalmente como pareceu aqui descrito. O que significa isso tudo é que ainda há uma diferença entre novos amigos e amigos já estabelecidos.

Todo relacionamento novo é sempre mais complicado, mais “cheio de dedos”. Vamos mostrando o que há de melhor em nós, vamos permitindo o outro em nossa vida e entrando até onde é permitido na dele. Vamos construindo nossos pequenos alicerces em momentos agradáveis e de muita conversa. As diferenças, entretanto, continuam marcantes.

Sex and the City é um filme de mulher. Não tem pra onde correr: são sapatos perfeitos, a moda das grandes grifes em roupas muitas vezes estranhas, cafés, noitadas e um grupo de amigas de longa data. Relacionamentos e a discussão deles daquele jeito que só é possível e suportável entre mulheres ou meninas. É a extensão da série anos depois, é apenas o último episódio de pouco mais de duas horas.

Fui ver o filme com aquela ansiedade que temos em rever uma grande amiga. Fui com uma nova amiga, dessas agregadas expatriadas e amiga de longa data de minha prima. Fomos como novas amigas com este e mais alguns interesses em comum. Fomos juntas e na mesma ansiedade, mas entendendo que precisaríamos de nossas amigas antigas nesses momentos. Foi ótimo ver o filme com ela, mas fiquei pensando bastante nas minhas amigas antigas e eternas que nunca mais vi. Morri de vontade de tomar um café depois e falar as abobrinhas típicas que resultam de um filme de mulher. Minha companheira de sessão teve que sair mais cedo. Fui pra um café, comi sozinha e depois segui para a aula que, claro, não me concentrei nem um pouco. Cheguei atrasada e um filme acabava de ser exibido e estava em discussão. Eu estava no pós-Sex and the City-último episódio da saga Mr.Big-Carrie.

O filme é divertido em todas as suas idas e vindas. O reencontro das amigas de Manhattan e o vai-e-vém de seus relacionamentos. As crises que nós passamos e passaremos. Tudo pede uma conversa de fofoca, papo de amiga, abobrinha que nem toda menina (inclusive) tem saco para participar. Apesar de se estender em alguns momentos e mostrar muito figurino inusitado, o conto de fadas moderno chega ao fim e me deixa com alguns questionamentos. Tenho uma opinião sobre a conclusão do filme, que me incomodou um pouco, mas não vou estragar a surpresa. Vou esperar minha visita às amigas e discutir com elas, que me disseram que também já viram este último episódio, com o mesmo sentimento de que está faltando alguma coisa, ou melhor, alguém na poltrona ao lado.
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Tudo bem que esses caras dos anos 60 são importantes e participaram dos movimentos que nos transformaram em comportamento, nas artes e na forma de pensar. Tudo bem que agenda do Meio Ambiente é fundamental e com a saída da Marina Silva talvez não dê tempo pra se preocupar com outras coisas... mas essa Era Hippie acabou.

Acabei de ver o Minc num discurso em rede nacional no horário nobre. Ele fez o favor de esquecer os figurinistas e adicionar a uma camisa social branca uma gravata estampada e, por cima dela, um colete também estampado. Enquanto assistia à importante fala de nosso novo ministro verdinho, fiquei confusa, se olhava para a moça que traduzia para LIBRAS - que sempre prende minha atenção - ou encarava a confusão visual do modelito.

O Minc, que lembra bastante seus colegas de faixa etária em ideais, propostas e objetivos, não foge também ao figurino de cores desbotadas e estampas estranhamente combinadas. E, ainda que não se veja muita importância imediata em notar o vestuário de nossos governantes, eles precisam atentar para tal, já que devem passar suas informações da forma mais clara possível. Esta confusão visual atrapalha a compreensão do discurso e nos faz pensar nas baboseiras do dia-a-dia e na moda, ao invés da mensagem. Eu sei que a preocupação do Minc certamente não era essa, mas, por favor, agentes de comunicação, mexam-se!

Aproveitando o momento, agora percebo que posso estar cometendo uma grande gafe. Acabo de passar pela seção de moda da revista TPM deste mês e vi muitas estampas a la Minc. Será que eu é que estou errada, que a onda do momento é misturar tudo mesmo, como num liquidificador de tecidos? Definitivamente não entendo de moda... quando acho que estou por dentro, tomo uma rasteira das tendências mundiais...
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Tem filmes que não adianta resistir, um dia eles aparecem diante de nós e somos obrigados a ver. Agora mesmo, me apareceu Turistas, um filme de terror-tortura filmado no Brasil e que por isso gerou uma onda de polêmica e algumas tentativas de boicote no país. Levando em conta que não me interesso muito por filmes tortura e que não acho que vale o momento sublime da sala de cinema, não tinha visto até que apareceu na tv, em horário propício. O filme está passando.

Oito turistas entre ingleses e americanos estão a passeio numa praia perto da Bahia. Depois de uma noitada de álcool, funk, areia e aditivos, todos acordam pela praia selvagem sem bagagens. Em paralelo, um grupo se organiza com perversidade no olhar. Roubados, os jovens decidem ir à vila e buscar ajuda, até que encontram um suposto amigo brasileiro que os ajudaria a sair da cidade. Claro que ainda há muita coisa pra acontecer.

Entre críticas superficiais sobre o país, prostitutas de festa e estrangeiros tentando se dar bem, o filme não traz nada de novo ou interessante além de carnificina e nojeira. Não se constrói uma boa história, não há retrato do país nem de longe, é só mais um filme como O Albergue ou Jogos Mortais. O arrependimento do amigo brasileiro faz com que alguns se salvem, mas provavemlente ele morrerá até o fim da trama. O medo, claro, está presente na possibilidade de fazer o mal, personificado num grupo de toturadores com alguma prática médica, conforme a História mostra. A idéia é retirar órgãos dos turistas como uma vingança ao uso inescrupuloso de nossas belezas.

Enquanto eu gosto de filmes de terror e suspense de diversos tipos, fico me perguntando: o que ganhamos ao ver um filme desse? Não muito, além de visões do paraíso perdido que nos cerca. Uma seqüência, entretanto, prende nossa atenção: a perseguição embaixo d´água. Os três sobreviventes da estória fogem de um perseguidor entre os buracos de ar e formados pelas pedras de um leito de rio, embaixo de cavernas e grutas. A falta de ar e o nado constante dos quatro nos deixa tensos o tempo todo, como se nós estivéssemos sufocando com eles.

Os turistas continuarão a aparecer por aqui pelos mesmos motivos do filme, violência existe no mundo todo e o aqui não há retrato disso como característica do país. Pensar que um filme como este pode gerar uma polêmica por ferir nosso orgulho ufanista é ser muito pequeno e levar a sério demais Hollywood. Pra coroar a surrealidade da obra, a música final é aquela doce e enjoada de Buchecha, cantada por Adriana Calcanhoto, que não faz sentido com nada do filme... exceto por ser brasileira.
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E então, estávamos mais uma vez na boemia. Numa fila de festa e minha irmã apertada para ir ao banheiro. Do nosso lado, apenas um lugar se mostrou plausível: o Hotel. No bairro em que estávamos, todos os ambientes de hospedagem eram um tanto suspeitos. Haviam dois Hotéis para Solteiros, cujas entradas eram definidas por homens estranhos com caras de más intenções e nada muito limpo, desde a porta até o corredor que se seguia.

O Hotel não era para solteiros. Pelo menos, não era sua indicação. No corredor da fila, desviamos dos amigos e entramos pelas portas de vidro. Um salão amplo e vazio, com poucas luzes e um balcão no fundo. O barulho da tv indicava um programa de sexta à noite de grandes emissoras. De alguma forma, os eventos da rua não influenciavam no silêncio do ambiente. Um homem velho, um senhor branco e simpático, com olhar beirando o sombrio, levantou-se da cadeira e nos atendeu com um sorriso. Boa noite, dissemos. Boa noite. Podemos usar o sanitário? Aqui não tem sanitários, vão no 105. Então podemos ir ao sanitário. Vão ao 105. Com o terror instaurado do quarto 105, como dos quartos onde pessoas morrem de forma macabra, seguimos por um corredor estreiro e fomos escada acima.

No primeiro andar, diversas portas. Éramos duas garotas e resolvemos nos separar. No fundo do corredor em que estava, saiu um homem similar ao recepcionista, baixo, branco, estranhamente educado e com olhar cansado, mas bastante receptivo. Minha irmã percebeu o senhor e, diante de sua agonia em usar o banheiro e sair logo, não se deu conta de um possível problema: onde é o 105, por favor? A esta altura já estávamos no meio do corredor, o senhor se aproximando. É logo aí, ao lado de vocês. Ao nosso lado, grandes sacos de pano no chão brancos, uma entrada estreita, diferente dos outros quartos. Duas portas abertas. A primeira, à frente, parecia ser um setor de serviços, uma despensa de limpeza. Ele indicou: o quarto é aí do lado. Entrei na frente, ela me seguiu. O quarto estava desmontado, como se uma limpeza fosse iminente, mas nunca feita. O quarto não era pequeno e fui atrás do banheiro. Com um olho na frente e outro atrás, entrei, minha irmã me acompanhou, mas pude observar o ambiente. O banheiro, escuro, mais escuro ficou, quando minha irmã apagou a luz. Quase em pânico, mas fingindo calma universal, falei: Marcela, a luz. Ao que ela acende, percebemos outra luz se acendendo: o velho do corredor acendeu a luz da entrada do quarto. Fiquei esperando ele entrar, vigiando a porta, enquanto minha irmã fazia xixi. Esperei pela entrada do velho com o machado, esperei Jack Nicholson e o guri no triciclo, as gêmeas e até a música dos Carpenters do quarto 1408. Estava pronta para tudo, menos para o sumiço repentino do bom velhinho.

Não apagamos a luz. Saímos muito rápido e depois de um calmo trocar de muito obrigada e boa noite, conseguimos fugir do Alicante Hotel. Na rua, os sons de volta, a fila e o mesmo lugar. Decidimos que era hora de ir embora.
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Por falta de condições físicas para postar coisas legais, mando esse texto razoável sobre o Serras da Desordem. De antemão, informo que era uma resenha para a pós e que me faltou um pouco de inspiração. Aceito críticas. :)


O documentário brasileiro vem tratando da inovação da linguagem e da presença mais visível do autor como nunca. Agora admite-se com menos embaraço a parcialidade fundamental do diretor e seu ponto de vista, sepultando de vez o entendimento do real absoluto, da verdade única vista nas telas apenas com a apresentação do fato registrado. Descobrir se o que está passando na tela é real ou um fato encenado é uma questão recorrente e o documentário, categoria do cinema a experimentar as transições e extrapolar os limites desta dualidade, inova a cada instante, variando em sua linguagem e outros atributos para nos garantir uma interpretação do que acreditamos ser real e documentado.

Serras da Desordem conta a história de Carapiru, um índio encontrado na mata por uma comunidade no sertão baiano após o massacre de sua família. O que o filme traz de diferente é a forma como desenvolve a trama. Misturando ações encenadas por não atores, imagens de arquivo e atuais, o filme tenta diminuir a quantidade de depoimentos, focando na montagem acelerada e significativa. Imagens-símbolo da atualidade e das causas para a demarcação do território indígena nos remetem aos filmes de Godfrey Reggio (trilogia "qatsi", de produção de Francis Ford Coppola), que firmam-se apenas na música e montagem, deixando para o espectador a interpretação para a modernidade e o caos que nos cerca. Por outro lado, a encenação de Carapiru de sua história insere o questionamento da fidelidade do fato revisto na tela e de sua importância.

Santiago é hoje o documentário brasileiro mais autoral já feito e é justamente nele que questionamos todo o real inscrito. João Moreira Salles quer que seu público conheça o mordomo de sua casa e, com visitas a ele após anos de trabalho, descobrimos um personagem que fica preso ao filme que o diretor quer fazer, a uma fidelização que este tinha com o Santiago de seu imaginário. O Santiago real é mostrado nos intervalos, quando aceita ser dominado aos desejos e intuições do cineasta e o obedece como o mordomo de outros tempos. Em Serras da Desordem não é diferente: Andrea Tonacci toma as rédeas do que quer expor e comanda a vida de Carapiru, reencenando seus hábitos e dominando sua fala, que ouvimos tão pouco.

Dócil como o bom selvagem de Rousseau, Carapiru está sempre rindo ou com olhar vazio, de alguém que perdeu seu espaço e vive em um meio que lhe é indiferente. Não há como saber os detalhes do acontecimento, mas a encenação de Carapiru identificada nas primeiras seqüências e que traduzem o nosso ideal de índio inserido na natureza e sendo parte integrante dela, é confirmada final, como uma possível homenagem a Flaherty e seu Nanook. Aqui, a voz de Tonacci indica o ação! cinematográfico, compreendido logo no início para espectadores atentos ou acostumados a este tipo de intervenção.

A passividade do índio é o facilitador para o diretor, que aproveita sua história para nos fazer lembrar de um problema que pouco é resolvido no país. A questão indígena é tratada como pano de fundo, o trabalho da FUNAI, a vigilância fraca, o desmatamento clandestino e o espaço do índio. Enquanto Carapiru se apresenta, vemos como ele é tratado, com a tentativa de incorporação ao mundo civilizado e o retorno aos seus, agora protegidos em uma território especial.

Serras da Desordem
é filme de experimentação, é a descoberta de uma situação que não temos o costume de acompanhar e seu mérito está em nos fazer crer, a partir de uma história verídica, todo o acontecido, agora encenado por seus protagonistas reais. Apesar de ser um filme extenso e por vezes cansativo, conhecer Carapiru e entrar em sua intimidade pelo olhar do outro quase incomoda, quando pensamos que ele quase não nos compreende e o estamos observando, como voyeurs de uma personalidade distinta, de um tempo passado e espaço desconhecido. A câmera indica o exótico em seu dia-a-dia e o investigamos a partir dela, tirando conclusões com base em uma opinião apresentada pelo diretor. Tanta subjetividade não impede o espectador da experiência com o personagem real do filme, ao contrário, a sinceridade com a voz final do diretor reme a autoria e sua tentativa de recriar o real, para que possamos visualizar o acontecido e não ficar presos apenas em uma narrativa oral, com imagens criadas com base em nosso imaginário sobre o tema.
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A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade

* * *

Estava aqui, procurando coisas sobre meu companheiro aí de cima. Descobri um site oficial, cuja abertura é um filme de David Neves e Fernando Sabino. Depois do filme procurei mais coisas sobre o poeta e não encontrei... Mistérios a parte, minha surpresa foi imensa quanto ao filme. Primeiro por ter Drummond como a única voz, ele conta sua história e suas impressões da vida, de Minas e do Rio. Segundo por ser um filme de Fernando Sabino! Quanta coisa bacana não era esperada... e conhecemos mais o Drummond, que ainda brincava muito e ria e era uma dessas pessoas aparentemente normais que andam por aí. O filme é meio devagar, admito, mas vale a pena, porque o poeta se desenvolve nele e vemos muito mais do que suas palavras escritas.
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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