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Café: extra-forte


Hoje é um daqueles dias que nos mudam para sempre. Sabe quando você se pega parado pensando e tem a certeza de que naquele momento, alguma coisa mudou? Alguma coisa muito forte, ainda que você não saiba direito o que é, apenas sinta. Hoje foi a noite em que eu vi Na Natureza Selvagem.


É um daqueles filmes que você pede muito pra que não acabe, porque a estória tomou um rumo tão interessante, te despertou tantos desafios e questões e é tão bem feito que não precisa acabar. Quando acabar, não tenha dúvida, vai ter deixar pensando por milênios. Na Natureza Selvagem, que eu insisto em digitar No Coração Selvagem(o livro de Clarice que não li - Perto do Coração Selvagem), de tão coração que ele é, trata da história de um garoto americano que, ao se graduar na faculdade, resolve desaparecer da vida de seus pais e de sua irmã para viver sua própria vida, rumo ao Alasca.

O mais importante desse filme é assistí-lo. Não vou pesquisar na internet sua trajetória, porque sei que deve ser cheio de prêmios. O filme é baseado na história real de Alexander Supertramp, como gostava de se chamar, ou Christopher McCandless e é narrado por sua irmã Carine. A viagem de Alexander Supertramp é de conhecimento. É uma experiência extrema, onde ele busca o isolamento total da sociedade, mas, para chegar nisso, invade a privacidade e entra ainda mais nela. Alexander conhece muitas pessoas em seu caminho de andarilho, trabalha e vive relacionamentos mais íntimos do que o que tinha com seus pais. O isolamento que ele busca é justamente da família que ele rejeita, que não o compreende, mas o aceita. E ele não os compreende, não os aceita e não os perdoa.
Emile Hirsch
Enquanto Alexander vive seus dilemas e põe em questionamento as pessoas que passam por sua vida - e aí temos que brindar à fantástica atuação destes coadjuvantes - trechos e mais trechos de autores fundamentais são citados por ele, são os livros que lhe fazem companhia e ajudam durante suas viagens, Tolstói, Byron, Thoreau entre outros. E, mesmo para quem nunca tenha lido a maioria destes autores, seus trechos nos fazem refletir e percebemos que também começamos a nos questionar durante a exibição. Solidão, morte, felicidade, amor, família, amigos. São significados muito particulares e que, cada uma dessas palavras, já carrega um imenso potencial. No filme, encontramos com Alexander uma parte de suas definições e saímos dele, reconhecendo que o que descobrimos ainda é muito pouco para atestarmos qualquer coisa. Por isso saí calada. Saí com um nó na garganta e uma agonia, como essas em que tentamos dizer as coisas e sabemos que não vamos conseguir, porque o nó vai se desatar e um rio correrá dos nossos olhos. Então, saímos calados, pensando...pensando... até que vamos digerindo tudo aos poucos e conseguimos um sorriso. Esse é o resultado de um bom filme.

Na Natureza Selvagem é dirigido por Sean Penn, que depois de trilhar uma carreira de ator inquestionável, se desenvolve com o mesmo potencial na direção. Para Emile Hirsch, o protagonista, nada além de muito aplauso. Ele, só com esse filme, se tornou um dos melhores atores de sua geração. Como trata-se também de um road movie, conseguimos imagens surpreendentes dos Estados Unidos, aquelas que raramente vemos em seus filmes. É uma obra que trata de pessoas, de suas vidas, de suas emoções e descobertas. As pessoas que atravessam a vida de Alexander durante seu percurso não apenas admiram sua coragem, sem compreender seu motivo, como, de alguma forma, se identificam com ele e o ajudam, afinal, estamos sempre a procura de quem somos. E os atores que interpretam estes passantes garantem esse resultado tão íntimo e próprio de todos, do sentimento. O filme consegue não se firmar apenas com uma história bem contada, mas sua equipe, em todos os setores merece prêmios. Os gráficos deste filme, os textos citados com letra corrida, condizem muito bem com a história contada, já que foi extraída de um diário-livro e vemos o protagonista escrevendo e lendo todo o tempo. A montagem, que volta e meia altera o percurso do contar da história vai construindo seus personagens de forma que, ao final do filme, conseguimos um apanhado de todos muito bom, até daqueles que pouco aparecem, mas dão sentido à trama e tornam-se fundamentais.
O real Alexander Supertramp
Acredito que Clarice, que escreveu Perto do Coração Selvagem iria se identificar bastante Na Natureza Selvagem deste filme, ainda que o universo dele gire em torno de um jovem rapaz. Como Clarice, em seus textos, esse filme, ainda que parta de um diário e de impressões próprias a um indivíduo, entra em nossas vidas como se nós fôssemos também protagonistas de sua história. Nunca sabemos realmente o que nos muda, ou como nós mudamos. Sentimos e vemos no olhar das pessoas que nos conhecem e algumas delas podem até dizer: tem alguma coisa diferente em você, não sei o que é, só sei que tem. Espero que todos que vejam esse filme descubram algumas respostas que ele nos provoca com seus questionamentos. Da minha parte, reconheço um aumento considerável da saudade de meus amores e a identificação com um pedaço da aventura de Alexander, aquela em que nos permitimos ir em busca de conquistar nossos objetivos, ainda que enfrentemos os obstáculos do caminho.

Se o filme não chegou aí ainda, visite o site.
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Ontem fiquei na dúvida do que ia restar do meu domingo de ócio e Páscoa; o tempo não ia nem vinha e as praias, como sempre, muito cheias. Resolvi conhecer o Centro Cultural Banco do Brasil e aproveitei pra ver as exposições que estavam rolando.

O CCBB fica na esquina da Igreja da Candelária, no Centro do Rio, aquela da chacina em 93, quando mataram quase dez crianças e jovens moradores de rua. Aquela mesma chacina em que um dos sobreviventes foi Sandro, o sequestrador do ônibus 174, anos depois. Só aqui eu soube o que siginficava isso tudo, já que vi os moradores de rua, a Igreja da Candelária e entendi a linha que o 174 fazia (Gávea – Central do Brasil).

As exposições que estão rolando por aqui são: Família Ferrez e Os Trópicos – Visões a partir do Centro do Globo. Ia tudo bem comigo no ônibus que dava no centro da cidade até que o cobrador disse, quando eu perguntei se estava perto: você vai pro CCBB, né? Então, se você der sorte e o sinal fechar, você salta na porta, se não... só depois da Candelária. É óbvio que ao ouvir Candelária, “chacina” apareceu na minha cabeça e pensei, como menina de classe média besta: meninos de rua, assalto e o fim do meu circuito cultural num dos marcos de violência da cidade, mas evitei sofrer muito. Fiz cara de “droga, me lenhei” e falei pro cobrador: relaxe, vou dar sorte. Ele riu e continuamos nosso percurso. 

Como sou realmente uma pessoa de sorte, agradeci milhões ao cobrador e motorista, Deus, Todos os Santos e Orixás e pulei de alegria do ônibus para o portão do CCBB. É um prédio grande e amplo, com teatros, cinemas, auditórios, salões de exposição e um café. A exposição Os Trópicos já começa no andar 1 (aqui no Rio eles abstraíram o "térreo"). De cima a baixo, no centro do prédio há uma abóbada toda ornamentada com uma peça imensa que fizeram para compor. Há os bancos para sentar e deitar no centro, para observarmos. É uma visão interessante.

Subi para a exposição. Peças artesanais, fotografias, pinturas, tecidos, roupas, música, vídeo-instalações, documentário. Algumas são do Museu Etnográfico de Berlim e outras coletadas pelo mundo: Etiópia, África do Sul, Brasil, Espanha, Indonésia, Suíça e mais uns aí. É dessas exposições que você passa um tempão e tenta guardar tudo na memória. Claro que com a que eu tenho, pouco fica. O que mais surpreendeu foi o vídeo sobre Ruanda. Filmado lá, tratava em sete capítulos, do genocídio de 1995. Como sabemos, mais de 500.000 pessoas foram assassinadas a facão, a grande maioria da etnia tutsi.

O que importa neste filme é a forma. Ele não era um documentário de depoimento ou uma ficção, como Hotel Ruanda (2004). O filme tratava não do epicentro do conflito, mas das montanhas, onde algumas famílias viviam das plantações de café – a principal economia do país. Crianças, jovens, idosos, mulheres. Mostrou-se o massacre, como era impossível não fazê-lo, mas desfocado, para que víssemos as ações criminais mas não passássemos por mais desconforto além do inevitável. Mostrava ainda, o vazio após o incidente e a tristeza nos olhos das pessoas. Foi um filme que me prendeu, parei para ver todos os capítulos. Eram dois telões com imagens simultâneas, com a montagem combinada que tornava dois vídeos em um só. Como era de se esperar, não saí me sentindo bem do vídeo, mas entendi a proposta e aprendi com ela e com a história que foi contada. 


Depois de muito caminhar nos Trópicos, achei que conseguiria ver os Ferrez tirando fotos. Vi, mas cansada do monte de cultura que tinha engolido de uma só vez. A fotos dos Ferrez são muito boas e antigas, datam até os anos 60 do último século e, em sua maioria, são paisagens do Brasil de norte a sul. O que mais me interessou nessa exposição foram as fotos de família e quando eram fotografadas pessoas. Para mim, as fotos tornavam-se muito mais interessantes, porque víamos como as pessoas andavam, se vestiam e se portavam diante das câmeras. Muito mais legal que as paisagens, não querendo diminuí-las. 

Saindo de lá, mais terrorismo. O taxista infame da porta do CCBB me informou que eu teria que pegar o ônibus pertinho da Candelária, que era pra eu ter cuidado e andar atenta. Ele praticamente disse: você vai ser assaltada. Mais uma vez, contei com a ajuda do pessoal do plano astral e fui em frente. Quando cheguei no ponto, vi que as pessoas de rua realmente moram ali e não são poucas, mas ficam mais longe, do outro lado da rua e estavam tranquilas, deitadas ou quietas. Peguei meu coletivo e segui para casa, sem crises. Estou gostando desta terra.

Observação fundamental: Juro que pensei em comprar o livro da Expo dos Trópicos para mostrar ao povo da pátria amada, mas era 60 reais e fiquei tímida. :P
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"Esse cara tinha que pôr o pé aí?"
Carlos Drummond de Andrade
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Entender do que trata o Amarelo Manga é perceber o Brasil sob um viés radical e crítico. Cláudio Assis trouxe para nós o que há de sujo e pobre em Recife, uma das capitais de potencial de efervescência cultural do país. Este não é simplesmente um filme de apresentação do grotesco, mas um retrato de nós que não queremos colocar em nossos álbuns.

Atualmente, o cinema brasileiro vive um momento de retomada. Bastante visado, esse período procurou transcrever para as telas o que se vê no cotidiano. Houve Cidade de Deus (2002), Carandiru (2003), Amarelo Manga, apenas citando os mais violentos e de mais sucesso e/ou polêmica. O interessante é perceber que a violência destes filmes é o que mais marca o espectador; ao assistir um filme americano, passaria desapercebida. Por que, então, a nossa violência nos assusta?

Porque não a queremos como nossa. Não a entendemos como parte de nós, agravada por condições sub-humanas de existência mínima. A violência em Amarelo Manga é da classe pobre, dos mestiços, dos escravos revoltos, das classes perigosas¹. A classe média, tão próxima dessa condição, a repudia, sustentando-se no tênue fio da esperança de um dia fazer parte da facção abastada.

Em Amarelo Manga, o diretor tenta nos mostrar a classe perigosa vista de dentro, de quem faz parte dela. São os moradores do Texas Hotel - que nada mais é, senão uma rememoração dos antigos cortiços - os da favela, o faz-tudo do hotel, o padre sem fiéis, a dona do bar, o açougueiro, sua mulher. Pessoas sem esperança de qualquer ascensão na vida social, que assumem o que são, sem nem entender como. Esta é componente da identidade nacional, em grande parte rejeitada pelas classes privilegiadas. Há uma aceitação da classe pobre, mas não a assimilação do que ela é e de que ela faz parte do todo, um tanto por não aceitar suas origens e outro por simplesmente não entendê-las e aí entra o preconceito com a adoção do conceito de classe perigosa, surgindo em meados do século dezenove na França e incrustado erroneamente na carne brasileira.

Ao que se sabe, a classe pobre se formou no país enquanto colônia, a partir de um setor já marginalizado em sua metrópole. Imigrantes aportaram aqui e alguns conseguiram realizar fortunas, já outros, permaneceram tal qual em Portugal. Havia ainda os escravos e os colonos. A cada setor cabia sua função. Ao branco pobre livre, o trabalho informal, o descaimento para o crime – seja por subsistência ou vadiagem – ou uma vida de favores, o escambo com os colonos, causando uma dependência, um vírus que até hoje contamina nossa identidade. Ainda aqui percebemos o filme; o jeitinho brasileiro ou o favor de outrora funciona no câmbio de um necrófilo com um policial, um cadáver por maconha.

O hotel, moradia de maior parte dos personagens não passa de um cortiço tal qual Aluísio Azevedo descreve ou relembrando as antigas pensões do início do século. Abriga toda a sorte de pessoas e lá é quase onde todos se encontram. Texas Hotel, nome dado ao curta, que é uma prévia do filme em questão, simboliza a decadência de uma cidade em ruínas, ou uma versão que quase nunca assistimos em filmes, as ruínas que nunca são reformadas, porque ninguém as vê. É redundante mencionar que esse ninguém é uma exclusão da maior parte da população do país.

O filme ainda aponta, e aí entra uma questão polêmica, dois pontos a se pensar: a circularidade que a rotina daquelas pessoas faz em suas vidas e a percepção de uma camada social visitada por ela mesma, esse é um dos poucos filmes onde não encontramos luta de classes, posto que só vemos uma. A circularidade é marcada no início e fim do filme, com a dona do bar, que significa o amarelo manga, cor-título do filme e da atriz. Notamos que essa rotina anuncia a ruptura com os demais filmes, onde é perceptível o almejo às grandes ambições e desejos; aqui nada foge ao viável, cotidiano nosso, previsível. O visitar de uma classe social por ela mesma. Ora, é sabido que o filme não é feito por alguém do povo, é um classe média. Mas sabemos também que é possível realizar um filme que alie uma classe social com sua característica própria, ainda que nela não se esteja inserido. O Cláudio Assis o faz. Transporta, com seu foco ficcional, a realidade para a tela, trazendo, claro inserções autorais, mas mantendo-se fiel a sua proposta, que é eviscerar a sociedade, denunciando-a.

Esse panorama da pobreza é, por fim, realidade do país em todos os seus estados. Em Recife, Cláudio Assis a interpretou, assustando espectadores mais sensíveis à luz quase apagada do fim do túnel do cotidiano ou apenas trazendo-a para fora, para a emergência luz do dia. É um choque visceral e instintivo. Tendo suas cores – o vermelho sangue e do sangue, o verde escuro, o jogo com claro e escuro, o amarelo, o filme espelha as escoriações sociais que nos permitimos esconder para um convívio ameno.

¹CHALOUB, Sidney. Cortiços in Cidade Febril – Cortiços e Epidemias na Corte Imperial Ed. Companhia das Letras. (pp.20-21)
*texto de 2002
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Eu vim, mas só porque não teve jeito...
Estava eu aqui, deitada no sofá, lendo a revista da tv do jornal O Globo, quando, na página sete, me deparo com uma aberração. Para quem tem esse exemplar do fim de semana passado, verá aí uma entrevista com o Marcelo Tas, que lançou um programa de tv na Bandeirantes nas noites de domingo. Obviamente não estamos tratando dele, mas da coluna ao lado de sua entrevista, intitulada: Saúde & Beleza.

Tudo ia bem com minha leitura do Marcelo Tas, quando leio "Lipoaspiração de Beverly Hills" e o que me chama mais atenção nesta propaganda em formato de cartão é a loira de biquíni que a acompanha. Ela segura um pote e pense no que tem dentro: sua própria e escandalosa GORDURA! Fiquei pensando que não seria possível tamanho mau gosto assim, escancarado e analisei bem de pertinho. Na propaganda logo abaixo desta há mais um cartão da "Lipoescultura Beverly Hills" e vemos um homem e duas mulheres, agora vestidos, com tarja nos olhos, como fazem com os menores na televisão, segurando sacos cheios de GORDURA!

Eu não posso ser a única pessoa desta terra ensolarada a se assustar com isso... enfim. Foi um desabafo. Mas uma pergunta ainda me cutuca o espírito: Por que os infelizes donos das clínicas acharam interessante pôr as gorduras das pessoas ao lado delas? Elas estão orgulhosas de terem sugado sua gordura numa maquininha? Elas acham que devem compartilhar sua gordura com o resto do país?

Definitivamente, estas propagandas são infinitamente piores do que a primeira da coluna que as acompanha, com uma dentadura imensa em seu cartão e a frase: "Recupere o prazer de comer falar e sorrir".
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Ontem foi dia de ver filme. Enquanto o trabalho não chega, faço meu papel de aprendiz de crítica de cinema, assistindo aos filmes e escrevendo sobre eles aqui e em nosso site. O site não dá grana, mas evita gastar. Temos acesso às cabines de imprensa e a possibilidade de dizer o que achamos do filme para que nossos leitores decidam por aí, se quiserem, se assistirão ou não aos filmes. Ontem assisti A Família Savage e Um Amor de Tesouro, ambos com estréias previstas para sexta-feira, 21/03. A foto que acompanha o post corresponde ao estado de ânimo de nossos colegas ao sair da sessão.

Curiosidade: diferente de Salvador, algumas cabines de imprensa daqui são realizadas nos próprios escritórios das distribuidoras, o que significa que elas têm uma sala de cinema bem menor... é como se fôssemos a um cine de 50 lugares. É interessante a experiência. Por isso que na foto não parece um corredor de cinema. :)

Ah! Meu amigo Café é o que faz cara de japinha na foto. Ele é baiano e estuda cine aqui também.


Um Amor de Tesouro

O título não seria tão ruim quanto o filme, caso a tradução fosse exata. Um Amor de Tesouro (Fool's Gold) é a mais nova comédia romântica em cartaz nos cinemas nacionais. Acreditando que a parceria Kate Hudson – Mathew McConaughey faria sucesso independente do roteiro, a equipe do filme achou possível realizar mais este filminho de sessão da tarde.

Ao que tudo indica, a parceria romântica não é de todo mal, mas a impressão que se tem em seus intermináveis 113 minutos é que o filme foi feito em meio à greve de roteiristas e um deles resolveu, em protesto, fazer um trote com o cinema hollywoodiano. Falas desnecessárias, tramas secundárias sem razão de existir ou com pouco desenvolvimento e atuações forçadas engendram o quadro. Como sempre, a química entre o casal protagonista permanece, como vista em Como Perder um Homem em 10 Dias, mas o foco é constantemente desviado para a aventura fraca que envolve o enredo.

Ben Finnegan (Mathew McConaughey) e Tess Finnegan (Kate Hudson) formam um casal de caçadores de tesouros, em crise conjugal, que busca resgatar o acervo de jóias da Coroa espanhola do século XVIII, supostamente naufragado no Caribe. Em meio a viagem em um iate de um milionário (Donald Sutherlad) que pretende reconquistar sua filha adolescente e fútil, encontram um grupo rival com os mesmos interesses. Realizado para o verão americano, Um Amor de Tesouro promete emoção, diversão, corpos sarados e romance, mas cumpre pouco.

Assim como em Piratas do Caribe verificamos que a faixa etária para o filme é preferencial para adolescentes – ainda que seja uma boa trilogia de aventura para todas as idades – este filme tenta seguir a mesma linha. Vilões fracos e caça ao tesouro com a certeza da vitória são os primeiros clichês. Sabemos também que a mocinha ficará com o mocinho e que o bandido perecerá. O que não compreendemos é como o diretor dos sucessos Doce Lar e Hitch – Conselheiro Amoroso cai em tão desanimada produção, ainda que algumas poucas falas sejam auspiciosas e cordiais. Caso você não tenha o que fazer e não queira pensar, veja o filme, uma boa fotografia, impecável figurino e algumas risadas em face ao ridículo são certos.

Um Amor de Tesouro estréia sexta nos cinemas. Você lê mais no Drops.
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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