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Café: extra-forte

Resolvi tomar vergonha na cara e ir restaurando este quase estático blog. A partir desta semana aparecerão críticas de filmes e outras coisas guardadas nas gavetas ou espalhadas em outros sites mundo afora...

Entendi que, mudando tanto como eu estou conseguindo, o blog merece refletir isso também. Haverá mais cinema, estudos, besteiras e várias outras coisas obscuras...

É isso. Foi só um recadinho. Não se preocupem, terá um monte de fofocas sobre minha vida longe de minhas pessoas.

:)
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Foto minúscula do Cristo na chegada ao Rio


Cheguei ao Rio de Janeiro. Em visita permanente, de mala e cuia, caí em Copacabana. Vim a estudos e trabalho, vim pra ficar. Mas, com toda a beleza e maravilha que a cidade carrega, a saudade de Salvador ainda supera em muito a vontade de ouvir carioquês.

Com o coração mais do que apertado, saí da minha terra, essa aí de que já reclamei tanto e vim pra cá... dizem que basta você sair de seu território para amá-lo ainda mais. É verdade... mas não pelo território em si, e sim pelo reconhecimento do espaço, das pessoas, da energia, da família, das religiões... Salvador é minha, afinal de contas.

O Rio é uma cidade linda e não há maior clichê. É cidade de todas as coisas que todo mundo sempre fala e as praias são muito cheias. As mulheres são lindas, têm bundas fantásticas e eu, pessoa normal que sou, fico tímida nas praias.

Dei a sorte de aterrissar com minha irmã a tiracolo e neste fim de semana fui recebida por Mari, uma amiga baiana que mora em Friburgo. Sushi também veio para um aniversário e consegui uma primeira semana muito engraçada.

É uma barra largar todo mundo de vez e ir pra um canto desconhecido, mas carregando todo mundo no coração, levo a certeza de que fiz a coisa certa e de que reconheço em cada uma das minhas pessoas, amigas e amores uma importância indescritível na minha formação. No máximo, vou chorar um pouco...ou muito e ligo desesperadamente pra ouvir a voz de alguém. Por enquanto tá tudo bem... tô conseguindo levar.

A faculdade é ótima e não vejo a hora do curso começar. Já tenho fila de livros me esperando e filmes para ver. Falando em filmes, vocês deviam ver o "Caderno 2" daqui... chega dá preguiça de ler. Muitas opções, muitos cinemas, teatros e eu perdi o show da Maria Bethania. Mais virão. Essa semana tem lançamento de filme pra ir e cara-de-pau pra catar emprego. Já estou olhando os classificados pra o próximo aluguel e soube que devo ter trabalho com isso... mas tudo se resolve!

Está tudo bem. Preciso tirar fotos e gastar rios de dinheiro nos passeios culturais de turista. Mando fotos na próxima sessão...
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ou

...uma versão soteropolitana de cinema paradiso contada por uma menina baiana apaixonada por cinema...


Ela passou e a porta se fechou levada pelo vento, lentamente, como se prezasse pelo silêncio de quem ainda não chora de saudade. Era seu primeiro dia numa terra estranha. Na noite seguinte, quando fosse dormir, ela sabia que seria um novo quarto. Tinha medo do que a solidão faria com seus desejos antigos, vivia tudo intensamente e os prazeres da última noite ainda soavam como os primeiros acordes daquele amor de menina adolescente que ela ainda não escapara.



Do outro lado da parede estavam todas as suas boas memórias. Sua recordação da família unida no hall do aeroporto, quando se deu conta de que precisava olhar mais uma vez, naqueles trinta segundos antes de entrar na sala de embarque, ainda sem a certeza de que realmente precisava passar por tudo aquilo, ela já sabia que todas aquelas relações jamais seriam as mesmas. Toto finalmente deixava a Sicília.



Ela não conversara muito com ele durante a última noite. Ele demonstrava pouco sua dificuldade de lidar com a ausência dela, mas ela sabia que ele não teria mais ninguém para curar suas crises durante a madrugada. Ele a amava, não como ela queria, mas na medida que ela precisava. Ela pedia fidelidade, ansiava por manter contato diário, sofria com a possibilidade do ciúme, sentia seu primeiro amor escorrendo pelo rosto e secando. Ele sorria, leve como quem dá nas mãos de quem ama uma rosa retirada do jardim da própria alma, leve por saber que as vidas continuam e as mudanças precisam acontecer e não poderia ser diferente, leve por enxergar nos olhos dela o reflexo daquilo que ele acreditava ser o melhor de si mesmo. Leve como quem sente a beleza de um coração disposto a amar novamente porque fora isso que aprendera ao viver sua primeira história de amor.



Ela temia o que seria dito nos últimos instantes, o que ele faria, como reagiria, tudo era sempre tão imprevisível, intenso, natural, ela admirava a direção que ele dava a cada cena acidentalmente calculada. Assim deveria ser a vida: um plano sequência filmado com base em um roteiro pensado e escrito no set de filmagem. Estava decidida. Ela reagiria em silêncio, e esperaria um beijo ao final. Mas se ele não desse, ela sorriria.



Quando se despediram pela manhã, ele ainda reagia como quem pretende ligar no dia seguinte para ir ao cinema. Antes de descer do carro ele deu um abraço e um beijo. “É tão difícil ficar sem você, O teu amor é gostoso demais, Teu cheiro me dá prazer, Quando estou com você, Estou nos braços da paz”. Foi cuidadoso com as mãos e com a boca, que é a maneira que ele utiliza para demonstrar carinho e dizer o que sente. “Nunca se esqueça, nem um segundo, que eu tenho o amor maior do mundo”. Beijou sem parar o braço dela. “Meu coração pulou, você chegou me deixou assim, com os pés fora do chão, pensei: que bom, parece enfim acordei, pra renovar meu ser, faltava mesmo chegar você, assim, sem me avisar, pra acelerar, um coração que já bate pouco, de tanto procurar por outro, anda cansado, mas quando você está do lado, fica louco de satisfação”. Abraçou ela deitada em seu colo. “Já me fiz a guerra, por não saber que esta terra encerra, meu bem querer, e jamais termina meu caminhar, só o amor me ensina, onde vou chegar”. Ela chorou assustada com o prazer e a segurança que sentia. “Me leva amor... Por onde for, quero ser seu par”.

E ela limpou os olhos, tocou os lábios dele e deu um beijo calmo. E o olhou profundamente.

Ele sorriu e disse calmamente suas últimas palavras: “Não olhe para trás. Nunca mais volte e me procure. Não ligue para mim. Ame profundamente e intensamente a si mesma. E mostre para o mundo o que uma mulher de verdade pode fazer quando sabe amar.”

Ela ganhou um último beijo. Desceu do carro calada. Ele pediu uma foto com ela dando tchau. Era uma foto triste. E ele brincava com a tristeza, na tentativa de não tornar as coisas assim tão tristes. Ele sofria muito mais do que ela. Ela sorriu e fez pose. Deu as costas e atravessou o portão.

Ele dissera tudo aquilo de forma dura e sincera, como alguém que realmente espera se tornar apenas uma boa lembrança. Ela chorava aliviada. Já sabia que aquelas seriam as últimas palavras de Alfredo. Estava a caminho da Roma tropical. Iria trabalhar com cinema, contar histórias, começar uma nova vida. Estava feliz e realizada.

O único final verdadeiramente feliz é aquele que ainda não aconteceu. E ela jamais respeitaria a previsibilidade dos 90 minutos de duração de um filme como se fosse a imponderabilidade da vida.

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Pessoas da minha idade costumam pensar na questão aborto x gravidez. Evitamos ao máximo a possibilidade de enfrentar uma decisão como essa que, qualquer que seja a escolha, é como um ponto de virada nos filmes, mudará o destino do enredo para sempre.

Enquanto eu e minhas amigas temos a primeira decisão do aborto em caso de má formação ou violência sexual, quando pensamos que poderíamos engravidar do namorado, a dúvida se instala e a moral entra em xeque. O que fazer? Adiar planos de carreira em prol de uma gestação acidental ou impedir um nascimento provocado por nós? A sinceridade íntima de cada um diz o que fazer e ela nem sempre corresponde à idéia de decisão que tínhamos antes.

4 meses, 3 semanas e 2 dias, de Cristian Mungiu trata de um filme romeno, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, em 2007. Aqui a história é como muitas que conhecemos e torcemos para não viver, uma menina engravida e resolve realizar um aborto clandestino e conta com a amiga para lhe ajudar. A sinopse do filme é universal, entretanto, estar na Romênia comunista implica em uma outra noção da realidade, um pouco distante de nós. A clandestinidade torna-se a regra para qualquer conforto e a pobreza impera.

Em meio aos preparos para o aborto está Otília, protagonista do filme, que busca condições seguras para resolver o problema da amiga Gabita. Gabita contrata por indicação um homem que realiza os abortos em gestações superiores a três meses, ainda que diga a todos que está grávida há apenas dois. O acúmulo de informações desencontradas desencadeia problemas que as meninas não esperavam enfrentar, mas, que juntas, acreditam ser possível resolvê-los de alguma forma.

Ao sair do filme, extasiados pelo prazer de ver uma obra como poucas - de interpretação dos atores à fotografia e montagem - nos sentimos pesados e pensativos pela situação apresentada. O realismo, impossível de ser mostrado com mais crueza e veracidade em outros trabalhos e cinemas internacionais, parece ser a única opção para este que veio de tão longe. A importância de diversificar nosso cinema se fortalece com esses produtos, indicando outros olhares tão ou mais importantes aos quais nos acostumamos. Saímos percebendo a necessidade de nós meninas vermos filmes como esse e de todos assim também o fazerem, pois esta é uma realidade social que não se prende à Romênia de qualquer época. Um professor de cinema uma vez me disse que para fazermos um bom filme, devemos fazer um que conte a história de nossa aldeia. Acredito em sua idéia, pois esta é a única forma de torná-lo universal.

Outra questão que me surgiu depois do filme, foi quando busquei seus trailers na internet. Tive a oportunidade de vê-los com legendas em inglês e francês. São dois produtos diferentes e que não retratam o filme como quando o assistimos. Estes trailers me chamaram atenção porque não conhecia o filme antes de assistí-lo e depois que vi, percebi como podemos ter outra idéia de como este seria ao ver os trailers. E seria completamente diferente. Enquanto o tralier francês é extremamente recortado e rápido, aquele em inglês é quase um drama americano, com tantas transições. Esqueçam os trailers e corram ao cinema. Como sempre acontece com bons filmes, a sala estará vazia e silenciosa.

Trailers, caso se interessem:
Inglês no IMDB:
www.imdb.com/video/trailer/me708447451/

Francês no site para o Festival de Cannes:
www.bacfilms.com/site/432/flash.html
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Todo ano, novas promessas são feitas, metas e objetivos... vamos começar a lista deste ano, aleatoriamente:

1. Correr na orla de segunda a sexta;
2. Não comer fast food;
3. Estudar e me especializar em algo cinematográfico;
4. Trabalhar na área e ganhar dinheiro;
5. Curtir meus amigos o máximo que conseguir;
6. Ler, ao menos, 30 livros;
7. Escrever críticas de filmes.

São metas mais reduzidas que as dos anos anteriores, mas creio que sejam mais difíceis de cumprir. Será que conseguirei?
:)
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De uns tempos pra cá, percebi que não gosto destas festas de fim de ano. Me sinto mal e nem é por toda a questão sociológica, econômica... é porque não gosto mesmo. Gosto dos dias seguintes. Gosto do dia 25/12 e 01/01, porque são os momentos mais tranquilos, onde toda a obrigação do festejo se foi e ficou a curtição de ser ainda feriado.

Esse ano foi quase assim. Meu 25 foi conturbadíssimo, mas meu 01 foi tranquilidade, de praia e conversas compridas...

Enfim, desejo àqueles passantes por aqui, muita paz, compreensão, cultura, conhecimento e amor nesse ano. Emprego e dinheiro é sempre bom. É isso. Que consigamos cumprir nossas metas para o ano ou, pelo menos, grande parte delas. Depois conto as minhas.

Beijos e abraços!
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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