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Café: extra-forte

Eis que fui pegar ônibus. Eram quase nove da manhã, o sol brilhava no céu e o mar convidava para curtir. Assumindo a responsabilidade do trabalho, fingi que não era comigo e fui ao ponto de ônibus. Quando fui atravessar a rua, meu ônibus passa e eu abstraio essa situação, mesmo estando atrasada, prefiro não me estressar e perder o dia bonito só por causa do transporte público. Pressa para quê? A vida é assim, pensei.
Atravessei e esperava. Esperava numa boa, me distraindo com tudo, até que vi as três meninas negras sentadas no banco. Elas estavam muito juntas, deviam ter uns vinte e poucos anos e parecia que faziam questão da proximidade; uma delas estava deitada, com a cabeça no colo da outra, que mexia no cabelo. As roupas simples, mas as unhas dos pés e mãos de um rosa choque lindo, que destacava ainda mais a beleza de suas peles. Todos os passantes olhavam para as meninas de comportamento esquisito. Pareciam três irmãs, vindas não sei de onde, sérias, que olhavam desconfiadas e falavam baixinho, uma no ouvido da outra. Eu evitava olhar, mas elas me atraíam de uma forma que eu só me distraía com a tentativa de ler os letreiros dos ônibus.
Depois de uns vinte minutos com o vento e o cheiro do mar me provocando, o Lauro de Freitas azul aparece e entro. Para o bem da nação estava vazio e escolhi o lado oposto ao do mar para sentar. A bem da verdade, eu até sentei do lado do mar, mas além do menino ao meu lado ter me olhado de uma forma muito esquisita - até agora não sei se ele me odiava, paquerava ou estranhava - a criatura da frente fez o favor de brincar de sauna e fechou a janela. Olhei com cara de 'droga' e fui pro outro lado. Pelo menos o menino deve ter agradecido. Acho que tem dias que não queremos ninguém perto de nós e tinha espaço de sobra no ônibus... ele deve ter se perguntado "meu deus, tanto lugar no mundo pra essa menina sentar e ela escolhe logo aqui? Só pode ser pirraça..."

Me mudei e sentei. No banco de trás tinha um cara. Ele parecia com um cara do trabalho, mas, como ele me olhou de forma estranha também - juro que não sei o que se passa - nem olhei no rosto dele e sentei. Ele ouvia coisas no mp3 player e estava encostado na janela com o braço para o lado de fora. Eu descobri isso porque a mão da criatura ficava ameaçadoramente na MINHA janela, sem tocar, mas tomando a lateral. Como eu sou o tipo da pessoa que fica vendo a vida do lado de fora dos transportes, via a hora dele me estapear toda ou fazer cócegas... aí comecei a pensar em que reação teria se ele fizesse algo do tipo. Imagine você, no ônibus, num dia lindo, sentada, vendo a vida passar, e uma mão enorme a te ameaçar? De início achei que ele tava jogando meleca fora, daquele jeito que todo mundo sabe fazer, aí me concentrei e analisei os movimentos e não, ele não era tão podre. Ele tava só recebendo o vento na mão...

Nesse ínterim, a outra mão surge, enorme, apoiada no topo do assento ao meu lado. Um choque, claro. Percebi que ou ele toca violão ou não entende de unhas. A mão tinha unhas enormes e me assustei. Para desviar da situação, olhei pra janela e um alívio esfriou meu corpo: ela já não estava lá. Já pensou se as duas estivessem?

É claro que ele nem deve ter percebido toda a situação surreal que causou... só sei que ele levantou e sentou numa cadeira mais à frente. Quando foi minha vez de sair, ele ainda estava lá e não resisti: olhei bem para as duas mãos, ameaçadoramente, como todo mundo tinha feito comigo durante o caminho.
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“Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sôbre o Amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino”.
Juscelino Kubitschek
Brasília, 02 de outubro de 1956.


Assim pensava o JK, no auge de sua esperança e fé na nação, no crescimento e progresso que Brasília traria. Ele, como Lúcio Costa, Bernardo Sayão, Niemeyer, Burle Marx e muitos outros que, na cidade planejada para ser o coração do país pensavam que teríamos o que merecíamos e que os candangos que estavam construindo e vivendo pelo país se orgulhariam do que a cidade nação deveria ser.

Brasília, coração do país, foi construída para gerir os mandos e desmandos da vastidão de culturas, nações e populações brasileiras. A arquitetura e as artes se voltaram para o progresso dos 50 em 5 e o país viveu duas décadas de efervescência cultural e política, ensino de qualidade e outras benfeitorias. O aumento de nossa dívida externa foi perdoado pelo interesse e desafio em fazer uma nação crescer em plena América do Sul, Latina, única de idioma português e dimensões continentais.

O que entristece é o óbvio. Com tanta vontade, deu-se o pior. Brasília está suja e podre. Seus odores se espalham por todo o país. Seus prédios estão repletos do ideal do progresso – em suas paredes, pinturas e estruturas, mas no convívio só há desmame, descaso e atraso. Sem precisar tratar do estampido contaminador da corrupção, só nos resta uma saída: sair. Evadir do país ou dizimar a escória política que nos rege. Enquanto nos encontramos entre a covardia de desistir e a loucura de continuar, mais e mais tiram, mais e mais matam e roubam. E as caridades aumentam, porque a culpa é nossa. Nós elegemos e mantemos.

Mas continuamos acreditando no deixe estar. Deixe estar que tudo vai ser bom e certo um dia, que a justiça deixará de ser cega e enxergará de vez as veleidades daqueles que estranhamente possuem demais e são tão poucos. Deixe estar que nossas necessidades básicas de ser humano serão supridas sem precisarmos pedir por favor e gritar. E aí, deixemos estar logo tudo de vez, deixemos sessões fechadas de eleições corruptíveis de cassação, impostos usurpadores aprovados mais uma vez e mais uma vez para nada, porque deveriam ir à Saúde e lá nem se viu a cor. A única cor freqüente é a do sangue, nas raivas nos rostos daqueles em filas de hospitais e clínicas, daqueles que perderam seus amores sem atendimento médico e daqueles que assistem televisão e vêem jornais, lêem jornais e vêem parentes dos outros morrendo, se preocupam com os seus próprios e pedem pra sempre ter condições de não sofrer das mazelas. Esse é só um aspecto.

E nem podemos rezar direito, já que na maioria das vezes, também precisamos pagar pra isso.
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Era sábado. Depois do cumprimento das atividades familiares, me vi livre pra encontrar as pessoas de sempre e pôr as histórias em dia. Combinei de encontrar uma amiga assim que essa saísse do trabalho e pronto, resolvido. A amiga dormiu exausta e fiquei com o controle da televisão, pai, mãe e cachorros... paciência. Era sábado, eu estava tranquila, ficaria em casa numa boa... também não tinha muita opção. O resultado de tudo foi a produção de uma geléia de morango deliciosa que fiz com base no gostosíssimo programa de tv culinário de Jamie Oliver, que passa num canal fechado.

Tenho um fraco por programas de cozinha e receitas... tenho o costume de assisti-los e roubar umas dicas simples que deixam os pratos super ultra mega saborosos. Jamie Oliver é um britânico que começou seus programas de tv com a apresentação das receitas numa cozinha simples, com um monte de utensílios bacanas, dicas importantes, tudo aparentemente fácil de fazer. Na seqüência, um convidado chegava e se deliciava. Pude perceber a evolução de seu programa, quando ele foi passear pela Itália, aprendendo a cozinhar outras delícias. Cada episódio era interessantíssimo, pois mesclava a feitura dos pratos com a exposição casual da cultura italiana.

Ainda houveram apresentações ao vivo, em um teatro e agora ele apresenta um programa de uma horta, ou uma casa de campo com um quintal cheio de segredos. O de ontem foi o morango. Ele fez uns três pratos com o morango, entre eles a geléia. Depois ele jogou a geléia num arroz doce, mas não precisamos evoluir tanto... segue o preparo:

1. Pegue todos os morangos que existirem na sua geladeira. Na minha tinha um potinho, mas pra sair bonito na foto coloquei tudo num prato. O Jamie fez com dois quilos de morango. Corte os moranguinhos para a etapa posterior ser mais fácil de realizar;

2. Para cada quilo, 150 gramas de açúcar comum, cristalizado. Nada dessa coisa de açúcar refinado que faz muito mal para nossa preservadíssima saúde. Joga lá na vasilha dos morangos cortados;


3. Essa é a parte mais divertida. Quando passamos por momentos de raiva e sentimos vontade de destruir as coisas, xingar, dar murros e tapas... lave bem as mãos e mate os morangos: espremas-os o máximo que conseguir. Uns pedacinhos continuarão lá, não se preocupe, mas triture com vontade. É nojento, mas é muito gostoso de fazer;

4. Joga toda a morangada batida e de aspecto duvidoso numa panela, mexa só de vez em quando, tire as espumas que aparecerem quando as bolhinhas da fervura surgirem e deixa lá por 20 minutos em fogo médio;



5. Deixe esfriar para não queimar a língua, bota num pão, torrada, biscoito ou similar e se divirta! Não esquece um cafezinho pra acompanhar. Fica bom, viu!? Não dura tanto quanto aquelas que compramos nos mercados, mas não tem química nenhuma envolvida, o sabor é muito mais leve e autêntico. Claro que deve ir à geladeira.

No fim da história, fiquei vendo Memórias de uma Gueixa pela segunda vez. O filme, apenas um curto parêntese, vale a pena. Apesar da vergonha de ser falado em inglês, o idioma original da terra dos olhos puxados, trata de uma forma bacana do papel destas mulheres na sociedade oriental. Trata ainda da beleza, da vaidade e da inteligência femininas. Não é um filme para um sábado à noite, mas não faz mal assistir de vez em quando...
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A maior dificuldade do ser humano contemporâneo é, possivelmente, manter-se ético. Claro que a moral, um dos componentes da Ética é uma variante cultural que parte da definição dos princípios fundamentais de bem e mal, certo e errado, mas ainda assim, com a globalização e internacionalização dos grandes valores, é possível traçar um perfil humano de fazer o bem e fazer o mal.

Por exemplo: os governantes de todo o mundo não devem tomar dinheiro que vem da arrecadação fiscal para uso próprio. A arrecadação fiscal serve para a manutenção do Sistema de governo e do aprimoramento dos setores sociais de que se responsabiliza, como Saúde, Educação, Transportes, Alimentação e Emprego. A CPMF, um imposto cujo P de Provisório já se tornou Permanente, apregoa que sua renda deve ser destinada a sanar um dos problemas nacionais que se tornou a Saúde. A CPMF arrecada por ano, mais de quatro bilhões de reais e a Saúde pública do Nordeste mata pacientes por não atendimento, visto as condições alarmantes de instalações hospitalares e vínculos empregatícios cruéis.

Nossos governantes são os mestres na arte da enganação e de seu fator conseqüente direto: o assassinato. Sejamos práticos: quando os governantes criam salários estapafúrdios que lhes satisfaçam, abarrotam dinheiro em cuecas e malas, contratam laranjas e não conseguem identificar legalmente sua renda e bens, eles, por dedução e comprovação, roubam dinheiro nosso. Com isso, acidentes nos Transportes acontecem, a Saúde não dá saúde a quem dela carece, os Empregos não crescem juntamente com a economia nacional, a Educação, menos letal de todos os quesitos, fica à mercê de milagres dos educadores comprometidos com um sonho de país melhor e a Alimentação inexiste. Pessoas morrem de fome, violência, acidentes e falta de atendimento médico. Claro está, portanto, que todos os corruptos, corruptores e até corruptíveis de nossa nação deveriam estar presos sem CPI ou qualquer prerrogativa de protelação de pena, mas com um julgamento sumário, público e direto.

Não é radical pensar assim, mas humano. No Oriente Médio, aquele que rouba tem sua mão decepada; em Portugal, qualquer governante que está sob suspeita de corrupção é automaticamente afastado do cargo e sua remuneração cortada até que se comprove sua condição e, na China, meu país preferido em atitudes contra infratores, os corruptos são condenados à pena de morte e morrem com um tiro na cabeça cuja bala é paga pela família do ladrão. Aqui, cuja maioria da população sofre da culpa católica ou de sei lá que outra bondade surreal, nada se faz e, quando muito, apóia-se quem rouba, mas faz. Aqui, mesmo sabendo quem são os corruptos, construímos suas campanhas políticas a troco de grandes remunerações, aceitamos politicamente suas trapaças, entendendo que nossos shows musicais acontecerão de forma mais tranqüila, garantimos a segurança de nossos artistas comprando policiais, compramos terrenos do Estado e de Áreas de Proteção Ambiental, como quem compra os votos e reescreve os nomes nos papéis das urnas, garantimos, por fim, nossa satisfação mesmo que esse nossa advenha de uma parcela reduzida de cidadãos.

Com tantos focos da sociedade carentes quanto a incidência das queimadas nas matas de nosso país nesses últimos dias, lembramos que tanta revolta por coisas certas que não existem, gera a violência nas ruas e nos corações da civilidade. Mas aí, ao mesmo tempo, lembramos dos bandidos que se fantasiam de policiais, dos policiais que viram bandidos, dos bombeiros que viram bandidos, dos médicos que matam seus pacientes realizando cirurgias mutiladoras, professores de escolas carentes do norte do país incitando suicídio e pensamos que, por mais católicos ou qualquer coisa que sejamos, não adianta rezar ou pedir perdão, mas gritar, fechar ruas e implorar para que algo seja feito. Parar Transporte, parar Saúde, parar Educação. Com o país parado, esperamos que os governantes corruptos pelo menos tenham a decência de se movimentar um pouco a nosso favor.
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Hoje eu peguei ônibus pra ir ao trabalho. Faço isso algumas vezes e cada uma tem um gosto diferente que quem acostumou-se ao automóvel aproveita pouco. Claro que o conforto e a pretensa segurança do carro são incomparáveis, mas perdemos alguns detalhes do dia-a-dia...

Entenda o que eu quero dizer: moro perto da praia e quando vou de coletivo, vejo o mar. Não me preocupo tanto com o trânsito, já que não sou a motorista e minha função enquanto cliente é sentar e esperar chegar em meu destino. Então, quando sento ao lado do mar, é o maravilhoso espetáculo da praia mais bonita e sujinha da cidade - Itapuã. Você esquece a poluição e se contenta com o vai e vem das ondas lhe abrindo o dia para os desafios do cotidiano. Quando sento, como hoje, do outro lado, me contento em olhar as pessoas.

Enquanto as observo, imagino suas vidas, famílias, trabalho, as histórias de cada uma e claro, suas roupas. Não há como negar, me interesso mesmo por isso, gosto de me vestir e de ver o que as pessoas usam. Mas não é disso que vamos tratar.

No caminho fiquei pensando nas notícias que leio diariamente. Está acontecendo um crescimento absurdo da violência no país e, em particular, em Salvador. Os assassinatos aumentaram mais de 30% em relação ao ano passado, todos os dias carros são roubados e furtados e nunca se assaltou tanto nos transportes coletivos. Quando nos voltamos aos índices de crescimento econômico e desenvolvimento nacionais, estamos no azul. Se não culpamos a economia, culpemos o governo que organiza o crime com suas corrupções dando exemplos, os serviços de segurança aos cidadãos que servem para dirimir, mas nunca prevenir ou a educação que não existe.

Fui até o trabalho pensando nisso enquanto olhava os figurinos e os personagens e tentei encontrar diversas justificativas para se assaltar um ônibus, já que nunca se conseguirá muito dinheiro e que aqueles que os roubam, utilizam os mesmos transportes diariamente. A miséria é tão gritante que:

1. as necessidades do assaltante devem ser muito urgentes para que 72 ou 30 reais as satisfaçam:
comida ou droga;

2. perdeu-se a total noção de respeito ao próximo que realmente está próximo:
a maioria das pessoas que usa o transporte coletivo mora em bairros populares, exatamente onde as famílias dos assaltantes estão. Eles acabam por assaltar o vizinho ou o primo;

3. o desafio: esta é a mais ousada e talvez absurda hipótese, mas pode ser que o assaltante queira apenas ver se é capaz, como num batismo, de realizar um assalto e partir para a evolução da categoria.

Claro que estas são questões já debatidas por muita gente que anda nos coletivos e que eu, por não andar tanto, acabo tornando a coisa casual, por assim dizer. O que acontece é que não sou a única pessoa que a cada passageiro que entra fica querendo saber se é um mau-encarado ou uma pessoa tranquila, sempre há o momento de insegurança, até que o indivíduo passe por você.

O que tem ficar claro nesta terra com leis que ninguém cumpre é que independente de governo ou objetivos políticos, a segurança deve reinar, pois só assim os trabalhadores terão paz em suas atividades, gerando mais renda para o país e incrementando ainda mais a nossa tão querida economia. O grande problema é que uma coisa sempre está atrelada a outra: se não juntarmos ao menos a alimentação e a educação, não há como acabar com a violência. Mas a alimentação depende de emprego e para tanto, saúde. Esta rede que todos conhecemos parece só não ser bem compreendida por aqueles que as deviam promover, e aí, nada funciona.

E agora, José?
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menino voltando da escola, Filipinas
Tenho passado as últimas semanas me integrando de tudo o que acontece no mundo. O marasmo do trabalho exige que eu busque na internet refúgio e informações para preencher o dia sem acreditar que estou perdendo o tempo realizando as atividades de rotina. O resultado disso é que continuo a me perguntar se é importante apreender tanta informação sobre o que acontece em todos os lugares.


Acredito que a questão mais importante em se aperceber dos fatos da atualidade está no que fazemos com cada notícia que recebemos. Assistimos a telejornais, lemos impressos e revistas e a internet é um sem-fim da compilação de tudo isso e mais um pouco. Mas, se apenas passamos o olho em tudo só para ter o que conversar sem realmente pensar no que nos foi dito de nada serve. Não podemos simplesmente concordar com tudo o que os jornalistas resumem.


Anteontem vi um comercial do Banco do Brasil. Um vídeo muito bem feito, com narração, música e coletânea de imagens 'vamos salvar o mundo', cujo slogan era o número 3, três atitudes que você pode ter por dia para melhorar/salvar o lugar que vivemos. Motivador emocional, o vídeo que dura entre 30 segundos e 1 minuto, nos faz realmente pensar em pequenas ações que podemos realizar diariamente. A Corrente do Bem (Pay it Forward, 2000), filme de Mimi Leder, trata da mesma proposta e apesar de ser um melodrama chato, também promove idéias interessantes.

As razões desta preocupação parecem ter dominado a mídia nos últimos anos. Aquecimento global tornou-se motivo para até políticos virarem astros de cinema. É de bom-tom tratar do assunto, ainda que você seja um estadunidense e sua nação não aceite as políticas de economia global para preservação do meio ambiente. Mas, quando paramos para pensar que Leonardo Di Caprio e Al Gore estão fazendo documentários-campanha, que todos os dias algum ambientalista está nas tvs nos alertando dos desastres futuros, a National Geographic publica um artigo imenso sobre o destino trágido de New Orleans e vemos os índices pluviométricos do sul asiático, realmente levamos algo pra pensar em casa.

Não digo com isso que me tornarei a nova ativista e que somarei 30 e não as três atitudes do Banco do Brasil, mas que me mantenho tentando preservar e economizar no que posso e que me paro refletindo sobre o que eu posso fazer, naquilo que está a meu alcance para fazer parte da turma que se preocupa.

Mais importante que pensar nas campanhas de uns e outros políticos pela preocupação do momento, é necessário que pensemos em nós e como a vida de pessoas muito parecidas com a gente está acontecendo neste momento nos lugares de crise. As notícias não devem ser apenas ouvidas e perdidas nas ondas do rádio ou nas emissões televisivas, mas pensadas como questionadoras da situação que vivemos. Do contrário, para quê saber?

Mumbai, Índia
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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