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Café: extra-forte

Hoje eu percebi que até na arte há limites. Estava aqui me atualizando na internet, porque nunca sei os horários dos telejornais, quando me deparei com a mais nova bizarra e grotesca, de extremo mau gosto, instalação nos Estados Unidos. Uma mulher, mestranda em artes em Yale, perdeu nove meses de sua vida se inseminando artificialmente, engravidando e abortando em seguida. Não suficiente em fazer isso sozinha, ela insiste em mostrar pro mundo, através de vídeos dos abortos e outros registros.

A matéria saiu em um blog do Globo que eu nem tinha intenção em entrar, mas a chamada me atraiu. Eu entendo que a arte contemporânea não precisa de definições e que cada um se vire pra gostar e interpretar e metaforizar em cima do que se veja, mas há que se pensar numa questão ética quando tratamos de um tema como o aborto. É incompreensível inclusive como um espaço de arte dá vazão a esse tipo de expressão. É discutível como uma pessoa com idéias como essa é admitida numa universidade tão tradicional e cheia de valores. Que não sejam os valores... não é nem estético.

Numa semana em que o Brasil assiste às investigações acerca do assassinato da menina Isabella, cujos pais parecem tão conformados que incomoda, fico me perguntando: o que está acontecendo com as pessoas? Uma menina tão nova ser assassinada pela família daquele jeito e nignuém se desespera? Uma trajetória de desequilíbrio e violência do pai e da madrasta e a mãe da menina ainda permite os encontros? E só faz rezar? Nada contra as religiões... mas tenha a paciência! O que percebemos disso tudo é que os brasileiros outros se incomodam muito mais com a situação do que os envolvidos. Basta ver a multidão na porta do casal, as pedras lançadas e a audácia do advogado em citar Jesus Cristo.

Entrei nos sites de notícia para ver o caso de Isabella, que já acho surreal de tão frio e sórdido, e me defronto com essa imbecil dizendo que arte é fazer abortos e mostrar ao público e ninguém...sei lá... prende essa mulher? Não entendo o que acontece com a arte, com expressão pública... não entendo essa contemporaneidade e comportamentos como esses. Enfim.
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Às vezes a gente enche o saco das coisas. Não é tpm, não, é um cansaço de tudo que não funciona, do processo de chegar a fazer com que funcionem, nunca no tempo que queremos.

Hoje estive conversando com uma amiga baiana sobre nossas besteiras do dia-a-dia e de como elas nos irritam. Ontem tive um dia complicadíssimo, cheio de ir e vir, numa cidade onde a chuva nunca pára de cair... ela sempre cai e cai indefinidamente. E as agonias só se acumulavam, lembranças de momentos ruins, objetivos não alcançados, paqueras desnecessárias, saudades, uma vontade de rosto conhecido. Achando que tudo isso acabaria ontem mesmo, acordo num humor do cão, só querendo ser paparicada um pouquinho, mesmo sabendo que isso é impossível. Ainda: roupa e pratos a lavar, almoço pra fazer, água pra comprar. A independência custa caro, às vezes.

Disse a ela que o que eu mais queria hoje era ser mulherzinha, ao invés de super-mulher. Mesmo sendo a mulher maravilha de alguns amigos, preciso de um cineminha à tarde, um namoro de mãos dadas e conversa no ouvido, café e, pra finalizar perfeitamente, uma sandália linda de presente. Tudo pode parecer besteira e futilidade, mas são detalhes que fazem a diferença no imaginário feminino e alimentam nossos corações e mentes com carinhos e gentilezas. Mas, como diz uma outra super-mulher amiga que também mora só e em terra fria, preciso abrir meu coração e minha cabeça para essas coisas e rir dos detalhes surreais. Tenho ela para trocarmos experiências e dividir as angústias. Somos heroínas de terras quentes, do calor humano e de ruas conhecidas de olhos vendados.

Acho que, no resumo da ópera, é só o tempo fechado que arde os olhos, guarda-chuva aberto em rua movimentada e frio de casaco que cansa tudo de uma vez. É só o começo de um dia cinza depois de noite mal dormida. Vou tentar chocolate e Instantâneos de Felicidade pra animar o espírito e dar coragem pra acordar de novo.


Depois de um breve intervalo entre esse primeiro texto e o momento atual, vemos que as coisas mudam muito rapidamente. Acho que nós, mocinhas da nova geração, somos muito "volúveis" com nossos sentimentos... mudamos muito rapidamente... como o tempo, eu diria.

Agora o sol está tentando ganhar das nuvens e antes dele, eu já havia ligado os Beatles (não precisei dos entorpecentes citados anteriormente), limpei a casa, comprei água e decidi lavar roupas amanhã... mas continuo não sabendo o que comer. Mais umas vez alguém olha pra você na rua e as paqueras desnecessárias começam a se tornar divertidas de novo...

O engraçado é que o texto faz parecer que estou em Londres (minha idéia de lugar frio e cinza) ou em algum lugar que só chove, mas é o Rio com frente fria. O porteiro acabou de me avisar de uma nova possibilidade de apê aqui no prédio e vamos ver o que acontece.

Quanto a parte do namorico com gentilezas... continuo querendo isso. Enquanto não tenho, vou estudar um pouquinho que ganho mais e volto a ser a Mulher Maravilha de todos os dias. :)
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Henri Cartier-Bresson, 1969
Boulevard Diderot, Paris

Voltar pra casa é legal. Rever todo mundo, encontrar as pessoas... mesmo na correria do pouco tempo, deu pra fazer alguma coisa. Fica um sentimento engraçado. Quando estamos chegando é uma alegria de ver rostos ansiosos por você e você por eles... ao tempo que quando vamos embora, não é mais um desespero, mas uma espera, mais um momento de lembrança e saudade. Sem tanto drama, com mais tranquilidade e leveza. Depois que escancaramos a porta de casa e colocamos as sacolas para fora, ir e vir vira visita de gente que já é da casa.

Voltei ao Rio. Vim logo para um trabalho que apareceu, caiu como uma luva em meus tempos mortos. Estou acompanhando no Centro Cultural Banco do Brasil, a Mostra ACIE - Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil, quinta edição este ano. A mostra apresenta 16 filmes brasileiros, entre eles os ótimos: A Casa de Alice, Santiago, Jogo de Cena, Tropa de Elite e O Cheiro do Ralo que concorrem às categorias clássicas de festivais e mostras. Meu trabalho é apresentar estes filmes e pedir ao público que vote para a categoria Júri Popular.

O legal é que vou conhecendo pessoas de todo o tipo, como quando eu estagiava na GPW - videolocadora. Encontrar o público é bacana, porque percebemos pontos de vista distintos do que estamos acostumados em nossas críticas exigentes e arrogantes. Quem trabalha ou estuda cinema não libera os filmes, mas não percebemos que nossa opinião não quer dizer muita coisa... não fazemos o filme para nós, afinal de contas. Acabo ouvindo opiniões completamente opostas às minhas e procuro investigar o olhar das pessoas nestes filmes... às vezes acabo concordando com elas e baixo minha guarda.

Entre as sessões dos filmes que não assisto, fico perambulando pelo CCBB, tomo café, converso com os funcionários e bisbilhoto a livraria. Numa dessas passeadas, me deparei com o catálogo da exposição Instantâneos de Felicidade. A expo aconteceu no fim do ano passado, é da Coleção Maison Européenne de la Photographie - Paris e reuniu fotografias que significavam momentos de grandes alegrias, situações únicas e bonitas. Dei uma olhada no catálogo em promoção, enrolei daqui e dali, acabei comprando. Tem Sebastião Salgado, Henri Cartier-Bresson, Pierre Verger e vários outros fotógrafos que não conheço. São imagens muito bonitas e que te deixam pensando... naturalmente me encantei com elas e acabei sorrindo junto com a alegria de seus personagens, feito menina apaixonada. É uma pena ter perdido a exposição, mas o catálogo garante as fotos, um resumo da vida dos fotógrafos e mais alguns detalhes.

Minhas aulas começam na segunda e já tô agoniada pra voltar a estudar oficialmente. Conto com a ajuda de todos os nossos santos dos quatro cantos para cumprir as metas da semana... encontrar outro trabalho e um lugar legal pra morar nos próximos meses. Vamos ver o que acontece. Prometido para breve: críticas de filmes e mais coisas interessantes.
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Hoje foi meu último dia no Festival É Tudo Verdade deste ano. O que pude descobrir com os filmes que assisti só perde para a quantidade de idéias que apareceram nesse ínterim. Quando trabalhava em Salvador, estava muito longe do cinema, do fazer, ver, estudar, conhecer gente. Claro que aqui as oportunidades surgem com muito mais freqüência e facilidade e a conseqüência disso é que nossa cabeça começa a funcionar.

Conheço muita gente que não suporta o cinema brasileiro. Desse tanto, muito mais da metade não assiste documentário. De país nenhum. Uma outra parte diz que não é filme. Não vou defender o documentário aqui, acho que é um gênero importante como todos os outros, com suas características e não por isso mais pobre em relação aos demais. Mas este festival apenas de documentários tem uma riqueza de informações, formas, estéticas, que lota salas de cinema e provoca acirradas discussões, sobre seus temas e, mais importante, sobre a forma. Um dos problemas nas discussões sobre estes filmes é, muitas vezes, a importância é dada ao tema em detrimento do ponto de vista. Ainda assim, conseguimos alcançar o formato e estar mais perto da equipe e não do assunto.

Esta foi a noite de Procura-se e O aborto dos outros. Enquanto o primeiro tenta resgatar a memória de um artista, o outro trata da questão do aborto. O que estes dois filmes têm em comum é a coragem de seus autores, que defenderam perante um público crítico e, muitas vezes, chato, seu ponto de vista, sua soberania frente ao produto de suas criações tão originais.


Procura-se

Mário Rocha é um cantor dos anos 60, amigo de Wanderléa, um gênio da música psicodélica brasileira. Precursor dos Mutantes, Novos Baianos, Doces Bárbaros, do Tropicalismo e de qualquer manifestação artística musical do gênero, suas músicas e filmes em que aparece são sempre manifestações da vida hippie e, diria até, dos marginais artistas dos anos 70. O filme vem por depoimentos de amigos, familiares, contemporâneos, artistas, construir a imagem de um gênio esquecido e desaparecido do mundo.

Os filmes em super-8 que ajudam na composição desse documentário são todos datados e representam as manifestações de um aglomerado hippie que convivia com Mário. Vemos seu disco, ouvimos ensaios, conhecemos a família, até uma pessoa da platéia, quando foi sentar-se pra ver o filme, falou: vamos ver o filme do Mário, como uma amiga íntima ou conhecida de outros carnavais.

Tudo vai muito bem no filme de biografia, de conclusão de curso do pessoal da ECA, até que, quando chegamos nos minutos finais uma surpreendente reviravolta nos faz pensar que estamos num trote de 1° de Abril. Os créditos confirmam a brincadeira e o filme ganha dimensões ilimitadas, sorrisos e aplausos de muita adimração. A platéia, ainda incrédula, insiste nas perguntas sem querer ouvir a mesma resposta do jovem diretor. A pergunta que não ouvi foi: por quê você fez assim? Mas, acredito que a resposta que ele não precisou dar foi: Porque eu quis.

Ainda no debate, a cada nova pergunta eu ria mais e mais, surpresa com o final como todos, não posso dizer que escapei da brincadeira, mas compreendi e me diverti bastante. Nos olhares de todos para o diretor, uma mistura de admiração e incredulidade. Nos olhos do diretor para todos, a certeza de que o filme atingiu seu objetivo e um sorriso de canto de boca era percebido. E, aparentemente tranqüilo, vencia as perguntas do pessoal, ainda preocupados com o tema, que, no fim das contas, nem importava tanto.


O Aborto dos Outros

Sim, este é mais um filme de aborto. Não, ele não é polêmico. Diante de uma sala cheia, a única coisa que a diretora diz na abertura de seu filme é a mais desnecessária: conta uma história de uma amiga na adolescência que fez um aborto e ela a recriminou na época.

Há pouco tempo escrevi sobre 4 meses, 3 semanas e 2 dias, um filme romeno que trata do aborto clandestino que uma jovem realiza com a ajuda da amiga. Recém-lançado nos cinemas brasileiros, Juno, outra ficção, conta o caso de uma adolescente americana que engravida e resolve ter a criança e entregá-la para adoção. O tema da gravidez não programada é recorrente e suas razões são óbvias. Aqui no Brasil, onda há leis que proibem o aborto, muitas mulheres morrem por optarem fazê-lo na clandestinidade. As informações sobre as possibilidades de realizá-lo dentro da lei são escassas e poucas pessoas estão aptas a dá-las corretamente.

O Aborto dos Outros é um documentário que exibe e relata as experiências de mulheres que realizaram abortos em diferentes situações e por diversas razões. Encontramos também, depoimentos de médicos que concordam com o aborto e argumentam. Tirando a infelicidade da abertura na fala da diretora, seu filme é muito bem feito e sensível. Ao tempo que percebemos a dor das envolvidas e sua força e determinação no que vão fazer ou fizeram, nos incomodamos com a frieza dos procedimentos.

A idéia de correr o risco de engravidar e pensar na possibilidade do aborto é sempre uma questão delicada pra mim e, ainda que não tenha passado pela experiência, é recorrente em meus pensamentos. O procedimento do aborto me abala tanto quanto de um estupro. Imaginar a interrupção de uma vida, as dores físicas, o sofrimento do corpo é tão forte quanto a marca que deve ficar para a vida. E nesse filme, ver as pernas abertas das mulheres e saber o que vai acontecer, ver o líquido amniótico de uma adolescente escorrer por suas pernas e saber que a criança não vai nascer, é muito triste. Ver uma menina que, além de estuprada, vai fazer o aborto já é chocante o suficiente. Mas, ao mesmo tempo que lido com a agonia, sou atraída para o tema e, volta e meia, aparece um filme como esse e estou do lado para conhecer mais.

Dos aspectos fílmicos, só me incomodei com a ausência dos pares. Claro que não esperamos que o estuprador apareça ou que o marido violento participe, mas onde a culpa não é masculina e poderíamos ouvir sua voz, ela não aparece. Entendo que seja um filme de mulher, mas não precisamos calar a voz dos homens para tanto. Os únicos momentos em que eles estão são de depoimentos abalizados, médicos e professores. Sem querer pesar a importância das falas científicas num filme que tenta partir apenas dos processos e não da polêmica, o filme se fecha sem maiores problemas e nos encaminhamos ao debate.

Da minha parte, já estava satisfeita para ir pra casa, morrendo de frio e esperando as palavras finais, mas as mulheres defensoras da pátria amada resolveram falar mais e mais e, mais uma vez, os homens poucas vezes tiveram seu momento. Afinal, quem vai discutir um tema desses com várias participantes de órgãos de proteção às mulheres? Tudo ia bem, até que apareceu uma senhora que interpretou o filme sob uma ótica mais defensora da vida e ainda assim, a favor do aborto, que conseguiu confundir todos. E ela perguntava por que a diretora havia escolhido aqueles personagens, por que não outros, por que não fez daquele jeito e começou uma longa fala sobre, resumindo, por que a diretora não fez outro filme. Depois de muito ouvir, de pedir para que os exaltados se acalmassem e parassem de atirar pedras com olhares para esta senhora, a diretora respondeu: porque eu quis fazer assim. Palmas surtiram da platéia como um grande xelp à descontente senhora. Um outro garoto perguntou sobre ponto de vista, já que faltam falas no filme que sejam a favor da proibição total do aborto e uma resposta similar apareceu.

É uma pena que este debate tenha se perdido para seu conteúdo, mas temas polêmicos se sobressaem às formas, paciência. A única coisa que me deixa triste é idéia que ela deixou marcada no início de sua noite: que seu filme foi a redenção para a culpa que sentia por ter recriminado a amiga. Mas, ainda assim, vencer um debate com a coragem de defender uma obra tão autoral é sempre interessante, ainda que esperado.

No fim da noite já estava cansada pelos filmes e alegre pelos debates loucos, mas pude perceber que é cada vez mais forte a autoria presente nos documentários, a vontade de fazer e a simplicidade das abordagens. Não adianta querer abraçar o mundo com as mãos, como já disse aqui e estes dois documentaristas entenderam isso muito bem. A finalidade de um festival é essa, ampliar nossos horizontes para o ver, conhecer e fazer filmes. Descobrir novas idéias e entender que o universo da construção em cinema é muito amplo e ainda há talentos a serem descobertos, como esses dois e eu, que de repente me descubro por aí.
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A despeito do que meus amigos conhecedores de Bob Dylan me disseram acerca de seu filme, venci seus preconceitos com a minha ignorância e fui ao cinema. A conclusão que cheguei junto a meu companheiro de jornada cinematográfica foi a de que se fosse um filme sobre os Beatles, seria bem melhor. O problema não está em Bob Dylan e seu inquestionável talento, mas na lacuna de conhecimento sobre ele em minha trajetória. O que posso dizer do filme, portanto, concerne muito mais ao aspecto fílmico do que ao que tentou representar.

O filme trata principalmente do momento em que se acredita haver uma transição musical e de comportamento do cantor. É bem aquela música que Elis Regina canta, Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude, tá em casa, guardado por Deus, contando vil metal... E, enquanto vemos todos os atores que o interpretam se revezarem na tela para expressar seus motivos, o que notamos é que o problema não está simplesmente na transformação do estilo do artista, mas em uma mudança de pensamento ou no seu próprio descrédito em tudo, agora finalmente revelado e cuspido na frente de todos. E os atores, muito bem escolhidos e dirigidos, conseguem ser um único Bob Dylan, sendo todos controversos e absolutamente diferentes entre si, na fala, no comportamento, no olhar. Cada um expressa um momento na carreira do cantor – com os filhos, drogas, viagens, crença, reclusão – mas, alternados na sequencia lógica do filme, ao tempo que nos apresentam os vários aspectos de sua vida, se repetem na questão da aceitação popular, sempre alta e contraditória.

Para mim, cuja infância foi recheada de Beatles e Rolling Stones, Bob Dylan passou apenas nas coletânias de sucesso, como aquele cd que todo mundo tem para dizer que gosta e conhece. Aproveitando a deixa, relembro do trailer do filme do Martin Scorsese sobre os Stones a ser lançado em breve, que parece ser muito bom. Para quem pouco conhece Bob, como eu, fica um espaço vazio nos vai-e-véns da história, nos embates políticos e até nos personagens que o circundam. O que fica em segundo plano é mais assimilado e é a partir disso que vamos tecendo os reais motivos para conhecê-lo melhor. Bob Dylan é o cantor da geração Nixon e Kennedy, da Guerra do Vietnã, onde desacreditar em seu país era no mínimo, plausível, como hoje aliás, ainda é. Desde cedo, enfrentando politicamente as injustiças sociais com suas canções, acredito que ele não viu mais como seguir desta forma e, assim como o mundo mudava radicalmente, as músicas acompanhavam o ritmo. Elvis tinha passado, os Beatles foram contemporâneos e também controversos, a música norte-americana tomava outro rumo, assim como os idealismos e as ilusões que se desfaziam.

Conhecer um pouco a obra de Bob Dylan tem um aspecto positivo; ao passo que as músicas cobriam os eventos na tela, eu recordava um ou outro trecho e reconhecia a importância do cantor e sua qualidade musical e, ainda que não seja muito fã de sua voz, a harmonia entre música e letra se faz sempre natural. O filme é estranho, mas fez recordar Zelig, de Woody Allen, com a construção documental de um personagem que não existe ou existiu em vida. Acredito que Não estou lá procura criar um Bob Dylan a partir da compilação de vários momentos de sua vida, mas aglomera um emaranhado de confusões e os desavisados encontram monotonia e um eterno jogo de entendimento, para descobrir trechos de músicas em falas e momentos chaves de um artista admirado por todos.

Ainda que o roteiro se perca um pouco tentando abraçar o mundo com as mãos, temos que dar vivas a fotografia do filme, que, para cada Bob Dylan criou um conceito, com as atuações muito bem marcadas e coloridas devidamente. Assistimos a surpreendente transformação de Cate Blanchet, Cristian Bale e Ben Whishaw (lembram de O Perfume?) a lembranca do Heath Ledger, a manutenção da atuação de Richard Gere (que consegue ser o mesmo em todos os filmes) a trilha sonora, como não deixaria de ser e as supostas entrevistas documentais que, de tão bem feitas, parecem mais reais do que o filme, mesmo sendo mais falsas do que qualquer verdade dita por estes personagens. Acredito ainda que, ao contrário dos meus amigos conhecedores e seus preconceitos contra Cate Blanchet se tornar Bob Dylan, existe uma chance de se identificarem muito mais com o filme e com as histórias do que a minha ignorância impediu de associar. O maior demérito talvez seja esse, confundir os leigos e entregar a glória aos cultos.
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Hoje é um daqueles dias que nos mudam para sempre. Sabe quando você se pega parado pensando e tem a certeza de que naquele momento, alguma coisa mudou? Alguma coisa muito forte, ainda que você não saiba direito o que é, apenas sinta. Hoje foi a noite em que eu vi Na Natureza Selvagem.


É um daqueles filmes que você pede muito pra que não acabe, porque a estória tomou um rumo tão interessante, te despertou tantos desafios e questões e é tão bem feito que não precisa acabar. Quando acabar, não tenha dúvida, vai ter deixar pensando por milênios. Na Natureza Selvagem, que eu insisto em digitar No Coração Selvagem(o livro de Clarice que não li - Perto do Coração Selvagem), de tão coração que ele é, trata da história de um garoto americano que, ao se graduar na faculdade, resolve desaparecer da vida de seus pais e de sua irmã para viver sua própria vida, rumo ao Alasca.

O mais importante desse filme é assistí-lo. Não vou pesquisar na internet sua trajetória, porque sei que deve ser cheio de prêmios. O filme é baseado na história real de Alexander Supertramp, como gostava de se chamar, ou Christopher McCandless e é narrado por sua irmã Carine. A viagem de Alexander Supertramp é de conhecimento. É uma experiência extrema, onde ele busca o isolamento total da sociedade, mas, para chegar nisso, invade a privacidade e entra ainda mais nela. Alexander conhece muitas pessoas em seu caminho de andarilho, trabalha e vive relacionamentos mais íntimos do que o que tinha com seus pais. O isolamento que ele busca é justamente da família que ele rejeita, que não o compreende, mas o aceita. E ele não os compreende, não os aceita e não os perdoa.
Emile Hirsch
Enquanto Alexander vive seus dilemas e põe em questionamento as pessoas que passam por sua vida - e aí temos que brindar à fantástica atuação destes coadjuvantes - trechos e mais trechos de autores fundamentais são citados por ele, são os livros que lhe fazem companhia e ajudam durante suas viagens, Tolstói, Byron, Thoreau entre outros. E, mesmo para quem nunca tenha lido a maioria destes autores, seus trechos nos fazem refletir e percebemos que também começamos a nos questionar durante a exibição. Solidão, morte, felicidade, amor, família, amigos. São significados muito particulares e que, cada uma dessas palavras, já carrega um imenso potencial. No filme, encontramos com Alexander uma parte de suas definições e saímos dele, reconhecendo que o que descobrimos ainda é muito pouco para atestarmos qualquer coisa. Por isso saí calada. Saí com um nó na garganta e uma agonia, como essas em que tentamos dizer as coisas e sabemos que não vamos conseguir, porque o nó vai se desatar e um rio correrá dos nossos olhos. Então, saímos calados, pensando...pensando... até que vamos digerindo tudo aos poucos e conseguimos um sorriso. Esse é o resultado de um bom filme.

Na Natureza Selvagem é dirigido por Sean Penn, que depois de trilhar uma carreira de ator inquestionável, se desenvolve com o mesmo potencial na direção. Para Emile Hirsch, o protagonista, nada além de muito aplauso. Ele, só com esse filme, se tornou um dos melhores atores de sua geração. Como trata-se também de um road movie, conseguimos imagens surpreendentes dos Estados Unidos, aquelas que raramente vemos em seus filmes. É uma obra que trata de pessoas, de suas vidas, de suas emoções e descobertas. As pessoas que atravessam a vida de Alexander durante seu percurso não apenas admiram sua coragem, sem compreender seu motivo, como, de alguma forma, se identificam com ele e o ajudam, afinal, estamos sempre a procura de quem somos. E os atores que interpretam estes passantes garantem esse resultado tão íntimo e próprio de todos, do sentimento. O filme consegue não se firmar apenas com uma história bem contada, mas sua equipe, em todos os setores merece prêmios. Os gráficos deste filme, os textos citados com letra corrida, condizem muito bem com a história contada, já que foi extraída de um diário-livro e vemos o protagonista escrevendo e lendo todo o tempo. A montagem, que volta e meia altera o percurso do contar da história vai construindo seus personagens de forma que, ao final do filme, conseguimos um apanhado de todos muito bom, até daqueles que pouco aparecem, mas dão sentido à trama e tornam-se fundamentais.
O real Alexander Supertramp
Acredito que Clarice, que escreveu Perto do Coração Selvagem iria se identificar bastante Na Natureza Selvagem deste filme, ainda que o universo dele gire em torno de um jovem rapaz. Como Clarice, em seus textos, esse filme, ainda que parta de um diário e de impressões próprias a um indivíduo, entra em nossas vidas como se nós fôssemos também protagonistas de sua história. Nunca sabemos realmente o que nos muda, ou como nós mudamos. Sentimos e vemos no olhar das pessoas que nos conhecem e algumas delas podem até dizer: tem alguma coisa diferente em você, não sei o que é, só sei que tem. Espero que todos que vejam esse filme descubram algumas respostas que ele nos provoca com seus questionamentos. Da minha parte, reconheço um aumento considerável da saudade de meus amores e a identificação com um pedaço da aventura de Alexander, aquela em que nos permitimos ir em busca de conquistar nossos objetivos, ainda que enfrentemos os obstáculos do caminho.

Se o filme não chegou aí ainda, visite o site.
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Ontem fiquei na dúvida do que ia restar do meu domingo de ócio e Páscoa; o tempo não ia nem vinha e as praias, como sempre, muito cheias. Resolvi conhecer o Centro Cultural Banco do Brasil e aproveitei pra ver as exposições que estavam rolando.

O CCBB fica na esquina da Igreja da Candelária, no Centro do Rio, aquela da chacina em 93, quando mataram quase dez crianças e jovens moradores de rua. Aquela mesma chacina em que um dos sobreviventes foi Sandro, o sequestrador do ônibus 174, anos depois. Só aqui eu soube o que siginficava isso tudo, já que vi os moradores de rua, a Igreja da Candelária e entendi a linha que o 174 fazia (Gávea – Central do Brasil).

As exposições que estão rolando por aqui são: Família Ferrez e Os Trópicos – Visões a partir do Centro do Globo. Ia tudo bem comigo no ônibus que dava no centro da cidade até que o cobrador disse, quando eu perguntei se estava perto: você vai pro CCBB, né? Então, se você der sorte e o sinal fechar, você salta na porta, se não... só depois da Candelária. É óbvio que ao ouvir Candelária, “chacina” apareceu na minha cabeça e pensei, como menina de classe média besta: meninos de rua, assalto e o fim do meu circuito cultural num dos marcos de violência da cidade, mas evitei sofrer muito. Fiz cara de “droga, me lenhei” e falei pro cobrador: relaxe, vou dar sorte. Ele riu e continuamos nosso percurso. 

Como sou realmente uma pessoa de sorte, agradeci milhões ao cobrador e motorista, Deus, Todos os Santos e Orixás e pulei de alegria do ônibus para o portão do CCBB. É um prédio grande e amplo, com teatros, cinemas, auditórios, salões de exposição e um café. A exposição Os Trópicos já começa no andar 1 (aqui no Rio eles abstraíram o "térreo"). De cima a baixo, no centro do prédio há uma abóbada toda ornamentada com uma peça imensa que fizeram para compor. Há os bancos para sentar e deitar no centro, para observarmos. É uma visão interessante.

Subi para a exposição. Peças artesanais, fotografias, pinturas, tecidos, roupas, música, vídeo-instalações, documentário. Algumas são do Museu Etnográfico de Berlim e outras coletadas pelo mundo: Etiópia, África do Sul, Brasil, Espanha, Indonésia, Suíça e mais uns aí. É dessas exposições que você passa um tempão e tenta guardar tudo na memória. Claro que com a que eu tenho, pouco fica. O que mais surpreendeu foi o vídeo sobre Ruanda. Filmado lá, tratava em sete capítulos, do genocídio de 1995. Como sabemos, mais de 500.000 pessoas foram assassinadas a facão, a grande maioria da etnia tutsi.

O que importa neste filme é a forma. Ele não era um documentário de depoimento ou uma ficção, como Hotel Ruanda (2004). O filme tratava não do epicentro do conflito, mas das montanhas, onde algumas famílias viviam das plantações de café – a principal economia do país. Crianças, jovens, idosos, mulheres. Mostrou-se o massacre, como era impossível não fazê-lo, mas desfocado, para que víssemos as ações criminais mas não passássemos por mais desconforto além do inevitável. Mostrava ainda, o vazio após o incidente e a tristeza nos olhos das pessoas. Foi um filme que me prendeu, parei para ver todos os capítulos. Eram dois telões com imagens simultâneas, com a montagem combinada que tornava dois vídeos em um só. Como era de se esperar, não saí me sentindo bem do vídeo, mas entendi a proposta e aprendi com ela e com a história que foi contada. 


Depois de muito caminhar nos Trópicos, achei que conseguiria ver os Ferrez tirando fotos. Vi, mas cansada do monte de cultura que tinha engolido de uma só vez. A fotos dos Ferrez são muito boas e antigas, datam até os anos 60 do último século e, em sua maioria, são paisagens do Brasil de norte a sul. O que mais me interessou nessa exposição foram as fotos de família e quando eram fotografadas pessoas. Para mim, as fotos tornavam-se muito mais interessantes, porque víamos como as pessoas andavam, se vestiam e se portavam diante das câmeras. Muito mais legal que as paisagens, não querendo diminuí-las. 

Saindo de lá, mais terrorismo. O taxista infame da porta do CCBB me informou que eu teria que pegar o ônibus pertinho da Candelária, que era pra eu ter cuidado e andar atenta. Ele praticamente disse: você vai ser assaltada. Mais uma vez, contei com a ajuda do pessoal do plano astral e fui em frente. Quando cheguei no ponto, vi que as pessoas de rua realmente moram ali e não são poucas, mas ficam mais longe, do outro lado da rua e estavam tranquilas, deitadas ou quietas. Peguei meu coletivo e segui para casa, sem crises. Estou gostando desta terra.

Observação fundamental: Juro que pensei em comprar o livro da Expo dos Trópicos para mostrar ao povo da pátria amada, mas era 60 reais e fiquei tímida. :P
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"Esse cara tinha que pôr o pé aí?"
Carlos Drummond de Andrade
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Entender do que trata o Amarelo Manga é perceber o Brasil sob um viés radical e crítico. Cláudio Assis trouxe para nós o que há de sujo e pobre em Recife, uma das capitais de potencial de efervescência cultural do país. Este não é simplesmente um filme de apresentação do grotesco, mas um retrato de nós que não queremos colocar em nossos álbuns.

Atualmente, o cinema brasileiro vive um momento de retomada. Bastante visado, esse período procurou transcrever para as telas o que se vê no cotidiano. Houve Cidade de Deus (2002), Carandiru (2003), Amarelo Manga, apenas citando os mais violentos e de mais sucesso e/ou polêmica. O interessante é perceber que a violência destes filmes é o que mais marca o espectador; ao assistir um filme americano, passaria desapercebida. Por que, então, a nossa violência nos assusta?

Porque não a queremos como nossa. Não a entendemos como parte de nós, agravada por condições sub-humanas de existência mínima. A violência em Amarelo Manga é da classe pobre, dos mestiços, dos escravos revoltos, das classes perigosas¹. A classe média, tão próxima dessa condição, a repudia, sustentando-se no tênue fio da esperança de um dia fazer parte da facção abastada.

Em Amarelo Manga, o diretor tenta nos mostrar a classe perigosa vista de dentro, de quem faz parte dela. São os moradores do Texas Hotel - que nada mais é, senão uma rememoração dos antigos cortiços - os da favela, o faz-tudo do hotel, o padre sem fiéis, a dona do bar, o açougueiro, sua mulher. Pessoas sem esperança de qualquer ascensão na vida social, que assumem o que são, sem nem entender como. Esta é componente da identidade nacional, em grande parte rejeitada pelas classes privilegiadas. Há uma aceitação da classe pobre, mas não a assimilação do que ela é e de que ela faz parte do todo, um tanto por não aceitar suas origens e outro por simplesmente não entendê-las e aí entra o preconceito com a adoção do conceito de classe perigosa, surgindo em meados do século dezenove na França e incrustado erroneamente na carne brasileira.

Ao que se sabe, a classe pobre se formou no país enquanto colônia, a partir de um setor já marginalizado em sua metrópole. Imigrantes aportaram aqui e alguns conseguiram realizar fortunas, já outros, permaneceram tal qual em Portugal. Havia ainda os escravos e os colonos. A cada setor cabia sua função. Ao branco pobre livre, o trabalho informal, o descaimento para o crime – seja por subsistência ou vadiagem – ou uma vida de favores, o escambo com os colonos, causando uma dependência, um vírus que até hoje contamina nossa identidade. Ainda aqui percebemos o filme; o jeitinho brasileiro ou o favor de outrora funciona no câmbio de um necrófilo com um policial, um cadáver por maconha.

O hotel, moradia de maior parte dos personagens não passa de um cortiço tal qual Aluísio Azevedo descreve ou relembrando as antigas pensões do início do século. Abriga toda a sorte de pessoas e lá é quase onde todos se encontram. Texas Hotel, nome dado ao curta, que é uma prévia do filme em questão, simboliza a decadência de uma cidade em ruínas, ou uma versão que quase nunca assistimos em filmes, as ruínas que nunca são reformadas, porque ninguém as vê. É redundante mencionar que esse ninguém é uma exclusão da maior parte da população do país.

O filme ainda aponta, e aí entra uma questão polêmica, dois pontos a se pensar: a circularidade que a rotina daquelas pessoas faz em suas vidas e a percepção de uma camada social visitada por ela mesma, esse é um dos poucos filmes onde não encontramos luta de classes, posto que só vemos uma. A circularidade é marcada no início e fim do filme, com a dona do bar, que significa o amarelo manga, cor-título do filme e da atriz. Notamos que essa rotina anuncia a ruptura com os demais filmes, onde é perceptível o almejo às grandes ambições e desejos; aqui nada foge ao viável, cotidiano nosso, previsível. O visitar de uma classe social por ela mesma. Ora, é sabido que o filme não é feito por alguém do povo, é um classe média. Mas sabemos também que é possível realizar um filme que alie uma classe social com sua característica própria, ainda que nela não se esteja inserido. O Cláudio Assis o faz. Transporta, com seu foco ficcional, a realidade para a tela, trazendo, claro inserções autorais, mas mantendo-se fiel a sua proposta, que é eviscerar a sociedade, denunciando-a.

Esse panorama da pobreza é, por fim, realidade do país em todos os seus estados. Em Recife, Cláudio Assis a interpretou, assustando espectadores mais sensíveis à luz quase apagada do fim do túnel do cotidiano ou apenas trazendo-a para fora, para a emergência luz do dia. É um choque visceral e instintivo. Tendo suas cores – o vermelho sangue e do sangue, o verde escuro, o jogo com claro e escuro, o amarelo, o filme espelha as escoriações sociais que nos permitimos esconder para um convívio ameno.

¹CHALOUB, Sidney. Cortiços in Cidade Febril – Cortiços e Epidemias na Corte Imperial Ed. Companhia das Letras. (pp.20-21)
*texto de 2002
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Eu vim, mas só porque não teve jeito...
Estava eu aqui, deitada no sofá, lendo a revista da tv do jornal O Globo, quando, na página sete, me deparo com uma aberração. Para quem tem esse exemplar do fim de semana passado, verá aí uma entrevista com o Marcelo Tas, que lançou um programa de tv na Bandeirantes nas noites de domingo. Obviamente não estamos tratando dele, mas da coluna ao lado de sua entrevista, intitulada: Saúde & Beleza.

Tudo ia bem com minha leitura do Marcelo Tas, quando leio "Lipoaspiração de Beverly Hills" e o que me chama mais atenção nesta propaganda em formato de cartão é a loira de biquíni que a acompanha. Ela segura um pote e pense no que tem dentro: sua própria e escandalosa GORDURA! Fiquei pensando que não seria possível tamanho mau gosto assim, escancarado e analisei bem de pertinho. Na propaganda logo abaixo desta há mais um cartão da "Lipoescultura Beverly Hills" e vemos um homem e duas mulheres, agora vestidos, com tarja nos olhos, como fazem com os menores na televisão, segurando sacos cheios de GORDURA!

Eu não posso ser a única pessoa desta terra ensolarada a se assustar com isso... enfim. Foi um desabafo. Mas uma pergunta ainda me cutuca o espírito: Por que os infelizes donos das clínicas acharam interessante pôr as gorduras das pessoas ao lado delas? Elas estão orgulhosas de terem sugado sua gordura numa maquininha? Elas acham que devem compartilhar sua gordura com o resto do país?

Definitivamente, estas propagandas são infinitamente piores do que a primeira da coluna que as acompanha, com uma dentadura imensa em seu cartão e a frase: "Recupere o prazer de comer falar e sorrir".
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Ontem foi dia de ver filme. Enquanto o trabalho não chega, faço meu papel de aprendiz de crítica de cinema, assistindo aos filmes e escrevendo sobre eles aqui e em nosso site. O site não dá grana, mas evita gastar. Temos acesso às cabines de imprensa e a possibilidade de dizer o que achamos do filme para que nossos leitores decidam por aí, se quiserem, se assistirão ou não aos filmes. Ontem assisti A Família Savage e Um Amor de Tesouro, ambos com estréias previstas para sexta-feira, 21/03. A foto que acompanha o post corresponde ao estado de ânimo de nossos colegas ao sair da sessão.

Curiosidade: diferente de Salvador, algumas cabines de imprensa daqui são realizadas nos próprios escritórios das distribuidoras, o que significa que elas têm uma sala de cinema bem menor... é como se fôssemos a um cine de 50 lugares. É interessante a experiência. Por isso que na foto não parece um corredor de cinema. :)

Ah! Meu amigo Café é o que faz cara de japinha na foto. Ele é baiano e estuda cine aqui também.


Um Amor de Tesouro

O título não seria tão ruim quanto o filme, caso a tradução fosse exata. Um Amor de Tesouro (Fool's Gold) é a mais nova comédia romântica em cartaz nos cinemas nacionais. Acreditando que a parceria Kate Hudson – Mathew McConaughey faria sucesso independente do roteiro, a equipe do filme achou possível realizar mais este filminho de sessão da tarde.

Ao que tudo indica, a parceria romântica não é de todo mal, mas a impressão que se tem em seus intermináveis 113 minutos é que o filme foi feito em meio à greve de roteiristas e um deles resolveu, em protesto, fazer um trote com o cinema hollywoodiano. Falas desnecessárias, tramas secundárias sem razão de existir ou com pouco desenvolvimento e atuações forçadas engendram o quadro. Como sempre, a química entre o casal protagonista permanece, como vista em Como Perder um Homem em 10 Dias, mas o foco é constantemente desviado para a aventura fraca que envolve o enredo.

Ben Finnegan (Mathew McConaughey) e Tess Finnegan (Kate Hudson) formam um casal de caçadores de tesouros, em crise conjugal, que busca resgatar o acervo de jóias da Coroa espanhola do século XVIII, supostamente naufragado no Caribe. Em meio a viagem em um iate de um milionário (Donald Sutherlad) que pretende reconquistar sua filha adolescente e fútil, encontram um grupo rival com os mesmos interesses. Realizado para o verão americano, Um Amor de Tesouro promete emoção, diversão, corpos sarados e romance, mas cumpre pouco.

Assim como em Piratas do Caribe verificamos que a faixa etária para o filme é preferencial para adolescentes – ainda que seja uma boa trilogia de aventura para todas as idades – este filme tenta seguir a mesma linha. Vilões fracos e caça ao tesouro com a certeza da vitória são os primeiros clichês. Sabemos também que a mocinha ficará com o mocinho e que o bandido perecerá. O que não compreendemos é como o diretor dos sucessos Doce Lar e Hitch – Conselheiro Amoroso cai em tão desanimada produção, ainda que algumas poucas falas sejam auspiciosas e cordiais. Caso você não tenha o que fazer e não queira pensar, veja o filme, uma boa fotografia, impecável figurino e algumas risadas em face ao ridículo são certos.

Um Amor de Tesouro estréia sexta nos cinemas. Você lê mais no Drops.
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Pois é... mais um dia na terra maraviosa. Hoje foi dia de filme. O Drops vai receber uma enxurrada de novos textos sobre os filmes que entrarão em cartaz essa semana. Enquanto escrevo sobre eles em parceria com meu digníssimo amigo Café, cada um em seu território, resolvi fazer uma sopinha para alimentar e ser feliz.

Tudo muito simples, tudo muito rápido:

1. Veja o que tem na geladeira. se tiver duas verduras, já tem sopa!!

2. Limpe as verduras, descasque (porque ninguém gosta de agrotóxico) e coloque numa panela com água e caldo de alguma coisa (carne, legumas, peixe, galinha, tanto faz...).

3. Enquanto as verduras cozinham, pegue uma panela menor, refogue no azeite de oliva (porque é melhor que qualquer outro óleo e o cheiro é fantástico) alho e cebola e jogue, na seqüência, pimentão, tomate e tempero verde. Salgue e prove.

4. Junte uma coisa na outra e espere terminar de cozinhar.

5. Bote um pouco num prato bonitinho, tire uma foto e coloque aqui! :)

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Enquanto decido se saio de casa ou não... mostro as fotos da minha janela carioca. A previsão do tempo promete chuva o dia todo e, por enquanto, míseros 22 graus que me deixam com mais preguiça do que já possuo e a disposição de um elefante em corrida. Creio que hoje serão ligações em vista do novo apê, conversa e textos sobre os filmes vistos. Claro: calça de pano e camisão. O clima tá muito gostoso, ao contrário da semana passada, em que 30 graus era o sonho de todo mundo nas ruas calorentas. Mas ainda assim, dá pra ver uns psicopatas fazendo caminhadas durante o dia. Essas aí são as pessoas normais. Eu juro que vi os maratonistas psicopatas mais cedo. :P

Agora me diga se não é ruindade uma coisa dessas: como é que deixam o pobre do Drummond pegar chuva desse jeito? Um senhor de idade, figura intelectual e de caráter venerável na sociedade brasileira ficar lá...entregue... nem um guarva-chuva lhe oferecem!!!!
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Depois de eu afirmar mais uma vez que sou garota de Ipanema, ontem fui passar uma tarde lá, numa galeria chamada Laura Alvim. Lá tem Café, Cine, Livraria e Expoosição de alguém que fiquei preguiçosa de ver. Na verdade não sabia se poderia ver porque o espaço tava em reformas. Enfim. Assisti Persépolis e Senhores do Crime, dois bons filmes cujas críticas aparecerão em breve. No intervalo deles, um chocolate quente com pão de queijo.

Ontem estava meio tímida com esse negócio de fotos e a sessão de Persépolis vi sozinha... resultado, não tirei fotos minhas, mas do chocolate... :) Tava gostoso, por sinal, parecia chandelle quente.Eu tava tentando fazer fotos mega, mas precisaria de um tripezinho pra fazer bonito de verdade. Essa é mais uma foto do chocolate. O espaço é bem bonitinho, é pequeno, de fora você não dá nada por ele... mas é a cara do pessoal cult.

Ohh...acabou!! Lembra da história de adivinhar o futuro na borra do café no fim da xícara? A inspiração veio daí. Gostoso.

Essa foto ficou massa, diga aí! Até eu me surpeendi! É uma fontezinha que tem no fundo do espaço. Essas cadeiras e mesas ficam entre as salas de cinema e na frente fica o balcão do café. A água continua custando R$ 2,80.
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Não me recordo exatamente porque escrevi dois textos sobre o mesmo filme. Aqui temos reflexões acerca do filme A Queda! As últimas horas de Hitler. O primeiro texto procura fazer uma análise do filme pesando aí seu aspecto histórico. O segundo é um texto de impressões. Tenham paciência e leiam. :)

A Queda!

12 dias para o fim da guerra de 1939. Berlim é devastada a cada hora pela invasão do soviético Exército Vermelho. No centro da capital que uma vez conseguiu dominar toda a Europa, em um bunker, está Adolf Hitler, exibindo nada mais que seus cinqüenta e cinco anos. O líder do Terceiro Reich decai a olhos vistos, enquanto Eva Braun, sua esposa, tenta manter uma falida felicidade.

A Queda! As Últimas Horas de Hitler é quase um filme comum. Aos desavisados, apenas o título chama atenção. Será mais um filme de guerra? Como estará a atuação deste novo Hitler? Há um fascínio que percorre sutilmente as guerras mundiais. A grandiosidade das atrocidades permitidas, o desejo promíscuo de assistir as mazelas, a crueldade. Por que, então, mais um filme destes? Porque este não é mais um filme.

Para além do desejo do olhar, da curiosidade por acontecimentos mundiais trágicos, está a liderança. Todos os grandes líderes tiveram filmes a seu respeito. Hitler dominou muito mais a Segunda Guerra Mundial do que toda a tropa dos Aliados ou Mussolini e Hiroito juntos. Todos foram grandes homens, dimensionando o ‘grande’ com seu poder e não, caráter, mas o principal motivo da supremacia hitlerista decorre do Holocausto. O filme, contudo, não aborda sequer campos de concentração. O que interessa é a intimidade do bunker, os momentos finais do líder, seu comportamento, a fragilidade das pessoas concentradas à espera do fim.

Ao início do filme, uma voz off inaugura o tema. É Traudl Junge, a última secretária de Hitler, numa gravação concedida dois anos atrás. A ingênua mulher nos introduz ao filme, quando a primeira seqüência é sua admissão ao cargo. Então, Hitler vem a conhecê-la, com tanta educação e gentileza que estranha ao espectador o ditador, personagem conhecido de outros filmes.

Bruno Ganz, o último Hitler do cinema, encena com tanta humanidade que quase duvidamos do senhor na tela. Claro, sabemos ser Hitler sim, tem a dureza dos discursos inflamados, a frieza na punição dos ‘traidores’, o desprezo pelo seu próprio povo e o orgulho pelo genocídio judeu, este apenas citado em sua própria voz. Mas, ao tempo que conseguimos a identificação, vemos ternura no olhar. A seus próximos, Eva Braun e sua secretária, existe um carinho, paciência e gentileza, jamais conhecidas. Essa privacidade do bunker, moradia de todos, é escancarada aos espectadores. Somos o grande irmão da decadência do poder totalitário, da grandiosa ideologia, agora se esfarelando em suicídios no alto escalão.

A descrença em uma possível religião é suplantada facilmente no radicalismo da ideologia política. O Nacional Socialismo é a única solução para o país, para o mundo e, como imperador, Hitler ostentava seu poder com a máquina ideológica amparada na propaganda. Com o fim da guerra e de qualquer possibilidade de soerguimento, os governantes mais fiéis às pregações de seu salvador se viram sem saída, restando-lhe a morte como única alternativa. Assim, suicídios aconteceram como um mecanismo natural, a pacífica aceitação da morte em Eva Braun e Hitler, A família Goebbels e muitos outros. A questão que fica é da necessidade desta História na estória do filme; a quantidade de suicídios que presenciamos na sala de cinema anestesia o sentimento da morte; por outro lado, não há como omitir a morte crua que a decadência de um regime como o acontecido proporciona. A banalidade da morte na guerra seria a justificativa para estas ações se repetirem no filme. Hitler afirma diversas vezes da indiferença que tem ao povo alemão, a ele não interessa salvaguardar suas vidas, como não interessa a de ninguém mais naquele momento; seu suicídio é certeiro e só lhe importa a extinção do corpo.

A ambientação do filme é precisa. Enquanto a vida no bunker é sentida com a eletricidade oscilante a cada bombardeio, em todo o exterior, não há mais Berlim. A capital da potência alemã rui, com seus míseros soldados remanescentes e civis, vítimas sempre. A polícia, entre o desespero da sobrevivência e os desvarios de uma cidade sem lei, autoriza e desautoriza mortes, de acordo com a compulsória entrada para o meio armado. A destruição da cidade, dos monumentos e espaços berlinenses é sentida; efeitos especiais e ausência de trilha sonora valorizam ainda mais a obra. A música aparece apenas enfatizando a tristeza, filhos de poderosos a serem assassinados muito em breve por seus pais, cantam em coro músicas da pátria agora incapaz. Ainda, festas para criar uma ilusão já desmistificada, ruídos nos discos de música aí tocados, entre bombas e tiros, muita bebida e um fingimento infeliz de que tudo acabará bem.

Aos dias finais de Hitler, sua decadência física evidencia um fim inexorável. A maquiagem cada vez mais pálida, envelhecendo, o tom monocromático em Hitler, cabelos e bigode grisalhos, enquanto em Eva as cores permanecem. Eva (Juliane Köhler) é personagem emblema da fantasia, o surrealismo das festas naquela prisão cinza, em fins de vida e guerra, a paciente aceitação da morte como única alternativa sem melodramas. Hitler, seu oposto e complemento. A tristeza pelo fim, a esperança de um levante quase ressuscitador de seus batalhões, o nervosismo e gritos já esperados no personagem fictício e real que foi, os tremores nas mãos; a fragilidade.

Toda a idéia criada deste Hitler e de sua mulher é percebida por Traudl. O filme é muito do ponto de vista desta mulher, baseado em suas memórias, a introdução e conclusão passam por sua voz, a convivência com um ditador diferente do que se conhece, a alienação desta única e fechada visão, sua apreensão do nazismo e das ações do líder. Aqui, como provavelmente aconteceu na ‘vida real’, Traudl (Alexandra Maria Lara) é o exemplo da obediência e fascínio pelo líder. Ela não é radical, apenas exerce seu ofício, com o olhar ingênuo que vemos na atriz e na senhora que aparece ao fim, na etapa quase documental a que se propõe, nos últimos minutos do rolo. Há a feliz consonância da atriz com seu personagem real, o olhar é o mesmo. O filme não se exime dos crimes do homem, mas assume uma culpa pela visão pequena e inocente, na voz da verdadeira Traudl. Outros personagens são evocados na obra, os históricos mais conhecidos Himmler, Speer, Goebbels, mas também o médico Dr. Shenck, cuja humanidade superava a própria sobrevivência.

É um filme longo, cujos 154 minutos poderiam ser reduzidos, mas a visão realista de um líder, além das maquiagens do nervosismo e dos reclames a que estamos acostumados em outras obras, realça a película. A fragilidade dos homens de ferro, dos amorais governantes, genocidas e criminosos não os romantiza, mas humaniza, no sentido menos utópico e idealista da palavra.

***

Quando vi A Queda.

Quando fui assistir A Queda! As últimas horas de Hitler, estava muito cansada. Não é justificativa pra minha opinião do filme, apesar de eu concordar que o moral do espectador influi plenamente no seu conceito da obra. Cansada estava, estressada estou, mas, ainda assim, resolvi ver mais um filme desses da Segunda Guerra. De tempos em tempos os cineastas acham válido reviver momentos históricos, ainda mais dessa guerra, com personagens tão fortes e carismáticos.

Para além do contexto histórico, minha maior curiosidade era ver o Hitler da vez. Já vi diversos atores personificando o homem, para a sátira ou drama. E, pela aclamação que este último teve – não vi trailer, só ouvi poucas e desconfiadas vozes e vi as fotos – sendo finalmente um filme alemão, resolvi investir. Me dei bem, claro.

O Hitler do Bruno Ganz é provavelmente o melhor de todos os tempos. O último que me lembro de ter assistido é, na verdade, dos primeiros já feitos. Líder da Tomania, Hynkel, paródia brilhante de Chaplin em O Grande Ditador, foi o que mais me marcou até então. Hynkel era o discurso de Hitler, sua caricatura, seus trejeitos. Claro que a comédia da situação suaviza a tragédia real, mas, até ali se evidencia o sofrimento dos reprimidos e a vida fútil da contrapartida do governo. É curioso pensar que Charles Chaplin era terminantemente contra o cinema sonoro. Para ele, a mistificação se acabaria, quando dessem vozes aos personagens, contudo, em sua fantástica estréia sonora, a primeira oportunidade de falar foi dada ao ditador; motivos justificados na obra.

Mas, retornando ao Hitler de hoje, pude vê-lo como um homem, além das facetas exploradas em todas as mídias. Claro, o personagem forte, cruel, maquiavélico e inteligente continua, somando agora com uma certa ternura, o carinho por seus próximos, a fragilidade diante do inevitável, o medo e nervosismo. Ao invés do monstro, foi nos dado o homem. É isso que os espectadores confundem quando saem da trama. Uns criticam dizendo que romantizaram ainda mais o mito, que quase se apaixonam e temem pela vida e boa saúde do genocida; tomando partido. Outros dizem que o filme é uma piada sem graça, de monotonia desnecessária e suicídios anestesiantes – realmente muito freqüentes na obra. A grande questão na verdade é que este é um filme de guerra, mas sob nova ótica.

O ponto de vista aqui não é dos campos de concentração e apenas da exploração histórica de cenas mais trágicas. A emoção que se procura é aquela da aceitação da fragilidade do inimigo. Todos sabemos que ali dentro não há heróis ou mocinhos, não deve haver, pelo menos. Até o médico, Dr. Shenck, não deveria estar ali como mártir. O que interessou ao diretor e sua equipe foi evidenciar o fim destinado àquelas pessoas, suas dificuldades, ignorâncias, radicalismos, sofrimentos, questionamentos. Ali, havia Traudl Junge, a secretária do ditador, sem nem saber direito o que se passava no governo, até gostando do emprego que tinha. Claro que ela se assume culpada. Ignorância é culpa aqui também, é fechar os olhos para o óbvio e estridente que se anuncia.

Saí me questionando acerca do filme. Sabemos nós que as boas obras são aquelas intermináveis, que circundam nossos pensamentos, tentando se recriar na mente. Saí pensando muito no filme, mesmo tendo entrado em outra sessão na mesma noite. Resolvi escrevê-lo para reafirmar ou ratificar minhas opiniões e descobri um novo filme, melhor do que o experimentado. Valem os dois textos, as reflexões e as novas descobertas. Vale, acima de tudo, o filme.

Textos de Junho de 2005
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Ontem fomos ao Cine Odeon. É um desses cinemas antigos da cidade, grande, bonito, de uma época de ouro que não mais corresponde, mas conserva a magnitude. Está acontecendo o Festival Estação Piauí, que reúne em 3 dias, filmes legais e temas para debates. Ontem vimos Vocação do Poder, do Eduardo Escorel. O filme trata da candidatura de alguns vereadores do Rio de Janeiro. O detalhe é que eles todos são marinheiros de primeira viagem e percebemos seu despreparo, angústias, discurso... muito bacana. Na seqüência, debate com a Soninha da MTV que é candidata a candidata à prefeitura de Sampa, o Eduardo Escorel e João Moreira Salles. Eles falaram sobre mídia e poder político. Caso se perguntem porque o João tava lá: ele fez Entreatos, filme sobre a campanha vencedora do Lula em seu primeiro mandato de presidente. abaixo, fotinhas nossas.


Do café do Cine Odeon. Fiquei tímida de ir pra rua tirar fotos e a máquina ser levada pelo vento...

Cela com o cardápio do Café. Água: R$ 2,80!

Agora me diga: pra quê um prédio tão alto? Só pode ser pra fazer inveja nos outros.
Vista da frente do cine... não tinha muito o que fazer.

Fachada do Cine Odeon. De noite é mais bonito! Reparou na luz divina? É do poste mesmo...
yo!
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Estamira, de Marcos Prado, conta a história de uma mulher que carrega o título do filme e vive de um dos aterros sanitários do Rio de Janeiro. Paciente de um instituto de saúde mental público, Estamira conta suas verdades no filme, entre alucinações e encontros com familiares e amigos.

Não adianta se perguntar o que surpreende mais neste documentário. A intimidade da equipe de filmagem com a protagonista é tão absurda que nos perguntamos se realmente a câmera está ali. Estamira está sempre à vontade e conversa fartamente. A transição entre as imagens granuladas em preto-e-branco e as atualíssimas limpas coloridas contrastam, não apenas com o choque de ver a miséria em sua versão mais crua, mas com os intervalos dos discursos da protagonista. O granulado nos remete a um espaço, ao lixão, ao tempo que mostra a vida no aterro, mulheres, crianças e homens em busca de comida e outros bens ainda úteis, descartados pela maioria. A cada descarregamento de caminhão mais e mais pessoas se juntam, como em Ilhas das Flores (Jorge Furtado, 1989), ao lado de animais. Um cadáver humano aparece e, como a crueza da vida das pessoas, é só mais lixo jogado fora. Ao isolamento do preto-e-branco, Estamira aparece colorida e falante, numa imagem limpa que nos impregna ainda mais de uma realidade que não estamos acostumados a ver.

Estamira é um personagem, é uma mulher real e que passou por muitas atrocidades em sua vida. Prostituta, casada, separada, estuprada, mãe, avó, filha de mãe doente, abandonada e tão abaixo da linha de pobreza que nem esta se enxerga mais, o que lhe restou foi a dúvida se há excesso de lucidez em sua vida ou a necessidade dela freqüentar outros percursos mentais para suportar o dia-a-dia. A equipe a acompanhou durante dois anos e neste tempo há a estabilidade, os momentos de raiva e a certeza que, além de amar seu trabalho, depois de sua morte será finalmente feliz.

Outra certeza de sua vida é a não existência de Deus. No decorrer do filme, vemos um de seus netos lhe perguntando se Deus existe e ela, aos berros, indica que não, que não é possível existir um deus que permita as atrocidades já cometidas, os assaltos, a violência, a pobreza. E toda a ruindade do mundo não é culpa dele, ela garante, mas do ‘trocadilo’, que é a entidade do mal ou as pessoas ruins que passaram na sua vida para destruí-la de alguma forma. É interessante perceber que o ‘trocadilo’ é sugestivo quando ao significar algo, indica uma outra coisa, sendo dúbio – o trocadilho – e aí, a verdade se dissipa. Não seria essa a brincadeira do termo? Quando Estamira trata destes assuntos sempre se exalta, mas não estaria ela correta em seu arroubo? Não deveríamos também gritar sobre as mazelas, injustiças, ficar com raiva?

Percebemos, entretanto, os delírios desta guerreira. Como numa possessão, passa momentos em outro plano, murmurando delírios em palavras estranhas que não reconhecemos. Vemos seu olhar percorrer o vazio, como se estivesse procurando algo e encontra, mas não vemos nada. Mas aí surge outra surpresa: ao retornar de uma visita ao instituto de doença mental, rejeita os remédios que lhe indicaram, porque reconhece neles seu poder ‘dopante’. Nos informa que não usará os remédios, como o Diazepan que certa vez lhe receitaram e que entregou aos médicos, dizendo para utilizarem em outro paciente que não ela. Estamira não quer se dopar, quer se saturar de vida.

O discurso de Estamira é lógico neste sentido e a coerência de sua língua portuguesa surpreende ainda mais. Estamira erra pouco. O que nós pensamos das condições de sua vida e de seu colega – um senhor que também passa a vida no aterro – nos leva a um tipo específico da sociedade, onde o idioma não se faz culto. Erro. Os dois são limpos em seu linguajar e gosto; uma das cenas mais surpreendentes do filme é quando esse senhor canta. Sua voz é tão bonita e clara que nos perguntamos por que ele não canta durante o filme todo...

Enquanto há o duelo da crítica em falar do filme ao invés de se prender no personagem, percebo que a atração que Estamira personagem provoca é superior às qualidades do filme ou talvez seja essa sua maior qualidade, seu brilho. O filme nos prende e nos faz evitar piscar, para apreender ainda mais da mulher que, apesar de viver na sujeira, tem um sorriso limpo e olhar firme.

Estamira é vomitório de palavras, é a tentativa de se descobrir e melhorar seu espaço. Ela sabe que não consegue, porque seu Deus morreu e o ‘trocadilo’ está aí, escondido pelos cantos escuros do mundo. Sua lucidez é tamanha que nos perguntamos sobre sua ‘loucura’. Estamira me remeteu automaticamente a Clarice Lispector. Estamira, como Clarice em “Um Sopro de Vida” está em sua última chance de descoberta. E Clarice não pára em seu discurso, poucos são os intervalos, os assuntos vão se atropelando e acumulando e cada frase é uma bomba de filosofia e sentimento. É visceral e tenta dar conta do pouco tempo que lhe resta para ser ela mesma, em toda a sua plenitude infinita. E, enquanto vamos lendo e buscamos digerir e tatuar as palavras de Clarice em nossa essência e descobrir-nos a partir de sua descoberta, ela nos manda mais e mais, para não pararmos, para absorvermos o máximo, o excesso, o que vai além de qualquer limite. Assim também é Estamira. Sua força é tão grande que nem ela suporta a velocidade de suas palavras, em seus ápices, nem respira. E não respiramos com ela, queremos ver até onde ela vai, até onde é possível, até quanto ela agüenta? E ela agüenta tudo, ela tenta se agüentar e quando se satisfaz, se cala. E pára. E retorna, como num ciclo, a cada provocação. Estamira é sofrimento, é riso, é dor. Estamira é além, é o símbolo de uma força que muitos desconhecem, que parte da dor constante dos desprivilégios da vida, mas que não desiste, resiste. Estamira é um tapa na cara de nossas queixas, nos faz rever motivos, sentimentos, questões e relações. Como Clarice.
Publicado em outubro de 2007, no Drops de Anis
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Resolvi tomar vergonha na cara e ir restaurando este quase estático blog. A partir desta semana aparecerão críticas de filmes e outras coisas guardadas nas gavetas ou espalhadas em outros sites mundo afora...

Entendi que, mudando tanto como eu estou conseguindo, o blog merece refletir isso também. Haverá mais cinema, estudos, besteiras e várias outras coisas obscuras...

É isso. Foi só um recadinho. Não se preocupem, terá um monte de fofocas sobre minha vida longe de minhas pessoas.

:)
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Foto minúscula do Cristo na chegada ao Rio


Cheguei ao Rio de Janeiro. Em visita permanente, de mala e cuia, caí em Copacabana. Vim a estudos e trabalho, vim pra ficar. Mas, com toda a beleza e maravilha que a cidade carrega, a saudade de Salvador ainda supera em muito a vontade de ouvir carioquês.

Com o coração mais do que apertado, saí da minha terra, essa aí de que já reclamei tanto e vim pra cá... dizem que basta você sair de seu território para amá-lo ainda mais. É verdade... mas não pelo território em si, e sim pelo reconhecimento do espaço, das pessoas, da energia, da família, das religiões... Salvador é minha, afinal de contas.

O Rio é uma cidade linda e não há maior clichê. É cidade de todas as coisas que todo mundo sempre fala e as praias são muito cheias. As mulheres são lindas, têm bundas fantásticas e eu, pessoa normal que sou, fico tímida nas praias.

Dei a sorte de aterrissar com minha irmã a tiracolo e neste fim de semana fui recebida por Mari, uma amiga baiana que mora em Friburgo. Sushi também veio para um aniversário e consegui uma primeira semana muito engraçada.

É uma barra largar todo mundo de vez e ir pra um canto desconhecido, mas carregando todo mundo no coração, levo a certeza de que fiz a coisa certa e de que reconheço em cada uma das minhas pessoas, amigas e amores uma importância indescritível na minha formação. No máximo, vou chorar um pouco...ou muito e ligo desesperadamente pra ouvir a voz de alguém. Por enquanto tá tudo bem... tô conseguindo levar.

A faculdade é ótima e não vejo a hora do curso começar. Já tenho fila de livros me esperando e filmes para ver. Falando em filmes, vocês deviam ver o "Caderno 2" daqui... chega dá preguiça de ler. Muitas opções, muitos cinemas, teatros e eu perdi o show da Maria Bethania. Mais virão. Essa semana tem lançamento de filme pra ir e cara-de-pau pra catar emprego. Já estou olhando os classificados pra o próximo aluguel e soube que devo ter trabalho com isso... mas tudo se resolve!

Está tudo bem. Preciso tirar fotos e gastar rios de dinheiro nos passeios culturais de turista. Mando fotos na próxima sessão...
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ou

...uma versão soteropolitana de cinema paradiso contada por uma menina baiana apaixonada por cinema...


Ela passou e a porta se fechou levada pelo vento, lentamente, como se prezasse pelo silêncio de quem ainda não chora de saudade. Era seu primeiro dia numa terra estranha. Na noite seguinte, quando fosse dormir, ela sabia que seria um novo quarto. Tinha medo do que a solidão faria com seus desejos antigos, vivia tudo intensamente e os prazeres da última noite ainda soavam como os primeiros acordes daquele amor de menina adolescente que ela ainda não escapara.



Do outro lado da parede estavam todas as suas boas memórias. Sua recordação da família unida no hall do aeroporto, quando se deu conta de que precisava olhar mais uma vez, naqueles trinta segundos antes de entrar na sala de embarque, ainda sem a certeza de que realmente precisava passar por tudo aquilo, ela já sabia que todas aquelas relações jamais seriam as mesmas. Toto finalmente deixava a Sicília.



Ela não conversara muito com ele durante a última noite. Ele demonstrava pouco sua dificuldade de lidar com a ausência dela, mas ela sabia que ele não teria mais ninguém para curar suas crises durante a madrugada. Ele a amava, não como ela queria, mas na medida que ela precisava. Ela pedia fidelidade, ansiava por manter contato diário, sofria com a possibilidade do ciúme, sentia seu primeiro amor escorrendo pelo rosto e secando. Ele sorria, leve como quem dá nas mãos de quem ama uma rosa retirada do jardim da própria alma, leve por saber que as vidas continuam e as mudanças precisam acontecer e não poderia ser diferente, leve por enxergar nos olhos dela o reflexo daquilo que ele acreditava ser o melhor de si mesmo. Leve como quem sente a beleza de um coração disposto a amar novamente porque fora isso que aprendera ao viver sua primeira história de amor.



Ela temia o que seria dito nos últimos instantes, o que ele faria, como reagiria, tudo era sempre tão imprevisível, intenso, natural, ela admirava a direção que ele dava a cada cena acidentalmente calculada. Assim deveria ser a vida: um plano sequência filmado com base em um roteiro pensado e escrito no set de filmagem. Estava decidida. Ela reagiria em silêncio, e esperaria um beijo ao final. Mas se ele não desse, ela sorriria.



Quando se despediram pela manhã, ele ainda reagia como quem pretende ligar no dia seguinte para ir ao cinema. Antes de descer do carro ele deu um abraço e um beijo. “É tão difícil ficar sem você, O teu amor é gostoso demais, Teu cheiro me dá prazer, Quando estou com você, Estou nos braços da paz”. Foi cuidadoso com as mãos e com a boca, que é a maneira que ele utiliza para demonstrar carinho e dizer o que sente. “Nunca se esqueça, nem um segundo, que eu tenho o amor maior do mundo”. Beijou sem parar o braço dela. “Meu coração pulou, você chegou me deixou assim, com os pés fora do chão, pensei: que bom, parece enfim acordei, pra renovar meu ser, faltava mesmo chegar você, assim, sem me avisar, pra acelerar, um coração que já bate pouco, de tanto procurar por outro, anda cansado, mas quando você está do lado, fica louco de satisfação”. Abraçou ela deitada em seu colo. “Já me fiz a guerra, por não saber que esta terra encerra, meu bem querer, e jamais termina meu caminhar, só o amor me ensina, onde vou chegar”. Ela chorou assustada com o prazer e a segurança que sentia. “Me leva amor... Por onde for, quero ser seu par”.

E ela limpou os olhos, tocou os lábios dele e deu um beijo calmo. E o olhou profundamente.

Ele sorriu e disse calmamente suas últimas palavras: “Não olhe para trás. Nunca mais volte e me procure. Não ligue para mim. Ame profundamente e intensamente a si mesma. E mostre para o mundo o que uma mulher de verdade pode fazer quando sabe amar.”

Ela ganhou um último beijo. Desceu do carro calada. Ele pediu uma foto com ela dando tchau. Era uma foto triste. E ele brincava com a tristeza, na tentativa de não tornar as coisas assim tão tristes. Ele sofria muito mais do que ela. Ela sorriu e fez pose. Deu as costas e atravessou o portão.

Ele dissera tudo aquilo de forma dura e sincera, como alguém que realmente espera se tornar apenas uma boa lembrança. Ela chorava aliviada. Já sabia que aquelas seriam as últimas palavras de Alfredo. Estava a caminho da Roma tropical. Iria trabalhar com cinema, contar histórias, começar uma nova vida. Estava feliz e realizada.

O único final verdadeiramente feliz é aquele que ainda não aconteceu. E ela jamais respeitaria a previsibilidade dos 90 minutos de duração de um filme como se fosse a imponderabilidade da vida.

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Pessoas da minha idade costumam pensar na questão aborto x gravidez. Evitamos ao máximo a possibilidade de enfrentar uma decisão como essa que, qualquer que seja a escolha, é como um ponto de virada nos filmes, mudará o destino do enredo para sempre.

Enquanto eu e minhas amigas temos a primeira decisão do aborto em caso de má formação ou violência sexual, quando pensamos que poderíamos engravidar do namorado, a dúvida se instala e a moral entra em xeque. O que fazer? Adiar planos de carreira em prol de uma gestação acidental ou impedir um nascimento provocado por nós? A sinceridade íntima de cada um diz o que fazer e ela nem sempre corresponde à idéia de decisão que tínhamos antes.

4 meses, 3 semanas e 2 dias, de Cristian Mungiu trata de um filme romeno, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, em 2007. Aqui a história é como muitas que conhecemos e torcemos para não viver, uma menina engravida e resolve realizar um aborto clandestino e conta com a amiga para lhe ajudar. A sinopse do filme é universal, entretanto, estar na Romênia comunista implica em uma outra noção da realidade, um pouco distante de nós. A clandestinidade torna-se a regra para qualquer conforto e a pobreza impera.

Em meio aos preparos para o aborto está Otília, protagonista do filme, que busca condições seguras para resolver o problema da amiga Gabita. Gabita contrata por indicação um homem que realiza os abortos em gestações superiores a três meses, ainda que diga a todos que está grávida há apenas dois. O acúmulo de informações desencontradas desencadeia problemas que as meninas não esperavam enfrentar, mas, que juntas, acreditam ser possível resolvê-los de alguma forma.

Ao sair do filme, extasiados pelo prazer de ver uma obra como poucas - de interpretação dos atores à fotografia e montagem - nos sentimos pesados e pensativos pela situação apresentada. O realismo, impossível de ser mostrado com mais crueza e veracidade em outros trabalhos e cinemas internacionais, parece ser a única opção para este que veio de tão longe. A importância de diversificar nosso cinema se fortalece com esses produtos, indicando outros olhares tão ou mais importantes aos quais nos acostumamos. Saímos percebendo a necessidade de nós meninas vermos filmes como esse e de todos assim também o fazerem, pois esta é uma realidade social que não se prende à Romênia de qualquer época. Um professor de cinema uma vez me disse que para fazermos um bom filme, devemos fazer um que conte a história de nossa aldeia. Acredito em sua idéia, pois esta é a única forma de torná-lo universal.

Outra questão que me surgiu depois do filme, foi quando busquei seus trailers na internet. Tive a oportunidade de vê-los com legendas em inglês e francês. São dois produtos diferentes e que não retratam o filme como quando o assistimos. Estes trailers me chamaram atenção porque não conhecia o filme antes de assistí-lo e depois que vi, percebi como podemos ter outra idéia de como este seria ao ver os trailers. E seria completamente diferente. Enquanto o tralier francês é extremamente recortado e rápido, aquele em inglês é quase um drama americano, com tantas transições. Esqueçam os trailers e corram ao cinema. Como sempre acontece com bons filmes, a sala estará vazia e silenciosa.

Trailers, caso se interessem:
Inglês no IMDB:
www.imdb.com/video/trailer/me708447451/

Francês no site para o Festival de Cannes:
www.bacfilms.com/site/432/flash.html
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Todo ano, novas promessas são feitas, metas e objetivos... vamos começar a lista deste ano, aleatoriamente:

1. Correr na orla de segunda a sexta;
2. Não comer fast food;
3. Estudar e me especializar em algo cinematográfico;
4. Trabalhar na área e ganhar dinheiro;
5. Curtir meus amigos o máximo que conseguir;
6. Ler, ao menos, 30 livros;
7. Escrever críticas de filmes.

São metas mais reduzidas que as dos anos anteriores, mas creio que sejam mais difíceis de cumprir. Será que conseguirei?
:)
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De uns tempos pra cá, percebi que não gosto destas festas de fim de ano. Me sinto mal e nem é por toda a questão sociológica, econômica... é porque não gosto mesmo. Gosto dos dias seguintes. Gosto do dia 25/12 e 01/01, porque são os momentos mais tranquilos, onde toda a obrigação do festejo se foi e ficou a curtição de ser ainda feriado.

Esse ano foi quase assim. Meu 25 foi conturbadíssimo, mas meu 01 foi tranquilidade, de praia e conversas compridas...

Enfim, desejo àqueles passantes por aqui, muita paz, compreensão, cultura, conhecimento e amor nesse ano. Emprego e dinheiro é sempre bom. É isso. Que consigamos cumprir nossas metas para o ano ou, pelo menos, grande parte delas. Depois conto as minhas.

Beijos e abraços!
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Tati Reuter Ferreira

Baiana, curadora de projetos audiovisuais, escritora e crítica de cinema. Vivo de café, livros, cinema, viagens e praia. E Pituca.


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