Esta é uma noite de insônia. Fui dormir na hora errada, entretida nos contos de Maupassant e são quase quatro da manhã. Enquanto minha mente se torturava em pensamentos de dúvidas eternas e cruéis (sabe aquelas decisões que devemos, mas nunca nos atrevemos a tomar?), os minutos passavam. Desisti e acendi a luz.
Estou no meu inferno astral. Domingo é meu aniversário e meu fevereiro não foi dos melhores. esta é a segunda noite seguida de mal dormir e amanhã tem trabalho.
Hoje fui ver o mar. Parei o carro em Praia do Flamengo e fiquei vendo a chuva chegar. Era como uma imensa cortina cinza que, ao invés de sujar, limpava de doce as águas salgadas. Enquanto o aguaceiro vinha, eu esperava. A água batia no meu rosto e me molhava a roupa. Deu vontade de tirar tudo e correr pro mar. Passou. Voltei pro carro, fechei o vidro e me tranquei.
A água molhava o vidro e o mar era todo pingos de chuva. O céu era cinza. Uma tranqüilidade meio triste me foi tomando o espírito. Não sei se da chuva no mar, do cinza do céu ou de mim, apenas. Liguei o carro esperando alguém que nunca veio. Cheguei em casa sem esperar mais nada, tomei banho, comi e dormi na hora errada.
