Maravilhosidades da Netflix - Começou o ano (de novo!)?

10:18

Pense comigo: janeiro não conta, verão. Fevereiro então, só depois que o carnaval passar. Aí, achamos que o ano ia começar em março, que parece ser um dos meses mais longos (e maravilhosos) do ano, mas ele trouxe a semana santa. Abril chegou com tudo, todos os feriados e basicamente passamos uma semana atrás da outra com um dia a menos. Só me resta concluir que o ano começa agora, nesta primeira semana de maio que já inaugura com um feriado, o dia do trabalho. As indicações desta semana também falam sobre isso, então, sem mais delongas, eis as Maravilhosidades para começar esse ano confuso:

Capacetes Brancos (2016, de Orlando Von Einsiedel) – 41 minutos
Começando já com uma porrada, vamos para o documentário que ganhou o Oscar na categoria de Curtas e tem tudo a ver com o dia do trabalho. Capacetes Brancos conta a história de um grupo de resgate de vítimas de bombardeamentos na Síria. Estes homens estão em plantão sem folgas e em constante risco de vida sob escombros, resgatando pessoas enquanto os Estados Unidos, a Rússia e o próprio governo local atacam as cidades sírias. Acho, no mínimo irônico, que se premie nos Estados Unidos esses filmes de guerra onde quem premia é quem ataca, mas essa nação é ‘especial’ e nós sabemos disso há bastante tempo. Em todo caso, o filme vale muito a pena, porque expõe esses heróis que não buscam reconhecimento, mas salvar seus conterrâneos, familiares, amigos, qualquer um que necessite apoio. Impressionante e emocionante, não busca resultados e nem acusar vítimas e algozes, mas somente expor a vida desses homens, seu treinamento e suas tragédias domésticas.

Cara gente branca (2017, de Justin Simien) – 30min/episódio – 10 episódios
Série recém-lançada na Netflix, com dez episódios curtos, você assiste de uma só vez e depois enfrenta aquela crise existencial de ‘o que fazer agora’. Samantha White (Logan Browning) é estudante e residente na universidade de Winchester, nos Estados Unidos e é locutora de um programa de rádio que critica as relações entre brancos e negros em sua comunidade. Ela mora em uma república para negros e se relaciona com um Gabe (John Patrick Amedori), um estudante de cinema, branco, criando resistência entre seus amigos, em sua maioria, ativistas. Esta é apenas uma das questões abordadas, como as relações de poder, a violência e diferenciação policial com relação a negros e muito mais. Claramente é uma crítica a uma sociedade racista como sabemos ser a americana – cujas semelhanças vemos aqui – e vemos os episódios como aconteceu em 13 razões, cada um com foco em um personagem, sua história particular e como ela se relaciona com a história principal. Espere bons diálogos, entre comédia e drama, estereótipos dos dois lados e personagens que se tornam mais complexos a cada episódio. Referências culturais identificam o preparo dos roteiristas, que buscavam fugir da crítica social rasa. Provavelmente terá segunda temporada, já que essa garantiu um final com continuação e deve incomodar muita gente branca de bem. Baseado no filme homônimo de 2014.

Ela (2013, de Spike Jonze) – 126 minutos
Estreia de Maio na Netflix, um dos melhores filmes de 2013. Joaquim Phoenix é Theodore, um homem que desenvolve um relacionamento estritamente virtual e aí encontraremos grandes semelhanças com nossas vidas e formas com que nos relacionamos com amigos, família e amores, em torno de redes sociais e de como estamos dependentes de nossos aparelhos como se fossem extensões de nós mesmos. Grande filme, que trata também de solidão e de como, muitas vezes, escolhemos, sem perceber, essa forma de viver. O filme ainda conta com Amy Adams, Kristen Wiig, Rooney Mara, Chris Pratt e Scarlett Johansson. Levou o Oscar de melhor roteiro original (Spike Jonze, se não lembra quem ele é, te ajudo: Quero ser John Malkovich (1999), Adaptação (2002),  Onde vivem os monstros (2012)). Brilhante, imperdível e tem crítica especial no Café, clica aqui!

Karate Kid – A hora da verdade (1984, de John G. Avildsen) – 126 minutos
Como toda videolocadora que se preze, há que manter seus filmes dos anos oitenta. Karatê Kid é um de nossos favoritos da sessão da tarde e não poderia faltar. As sequências também seguem na Netflix, mas importante mesmo é ver o primeiro. As relações escolares, o eterno bullying americano na adolescência, o mentor, ninguém menos que o Senhor Miyagi (Pat Morita) que ajuda Daniel (Ralph Macchio) a mais do que se vingar e aprender a se defender, mas ser um atleta, uma pessoa justa que joga limpo. Ótimo filme, aula de roteiro, vale rever e estranhar o fato de não estar dublado - talvez eu visse assim mesmo, em homenagem aos 'velhos tempos'. Do mesmo diretor do primeiro Rocky (1976), caso você precise de mais argumentos.

O leitor (2008, de Stephen Daldry) – 124 minutos
Para terminar bem essa semana, te mando um grande filme, desses que te deixam pensando por algumas semanas. O Leitor conta a história entre o fim de um relacionamento de Michael (David Kross / Ralph Fiennes) com Hanna (Kate Winslet), uma mulher sombria, dura e sensível no pós-segunda guerra mundial e o que acontece dez anos depois, quando eles se encontram no tribunal em que ela se defende da acusação de ter cometido crimes de guerra. Impressionante, humano e tenso, é impossível levar o filme até o final com certezas inabaláveis. Grandes performances de Kate Winslet (que levou o Oscar e o Globo de Ouro), Ralph Fiennes e David Kross. Do mesmo diretor de Billie Elliot (2000) e As Horas (2002).

HISTÓRIAS SEMELHANTES

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