Maravilhosidades da Netflix - Semana Nove!

12:37

Vivemos um momento histórico e sabemos disso. Talvez seja uma das poucas coisas de que temos certeza ultimamente. Com nossa profunda e complexa crise política, é muito difícil discutir com os amigos de opiniões diferentes explicando-lhes que opiniões não necessariamente são carregadas de bandeiras coloridas. Podem não ter cor nenhuma, podem nem ser bandeiras, inclusive. Assim, se estiver um pouco cansado dessa dicotomia forçada que a grande mídia tenta produzir e que os mais distraídos parecem comprar, te mando escolhas certeiras e outro assunto para debater. Um pouco de cinema nunca fez mal a ninguém e as discussões aqui não encerrarão amizades com certeza, mas estimularão o intelecto, a curiosidade e ampliarão a forma de pensar. Não esqueça a política e embarque nela junto, pois é importante pelo menos tentar entendê-la. Quando cansar, passa aqui, que te ajudo.

A pele que habito (2011, de Pedro Almodóvar) – 120 min
Escolha certa para começar o fim de semana com coragem. Almodóvar sempre estará nas listas, faz parte do Olimpo dos grandes diretores, como Hitchcock, Kubrick, Allen, Polanski, Scorsese, Kurosawa, Godard, Truffaut...me perdi. Antonio Banderas é Robert, um cirurgião plástico que faz pesquisas genéticas avançadas de reconstrução de tecido humano a partir de pele sintética. Viúvo, vive com Vera Cruz (Elena Anaya), uma mulher enclausurada, cuja obsessão o impede de libertá-la e para isso, solicita a ajuda de Marilia (Marisa Paredes). Esse é só um trecho da história, cuja sinopse completa estragaria maiores surpresas. Um dos melhores filmes de Amodóvar já feitos, com alta carga de suspense e humor negro, apuro estético como poucos e narrativa tensa até o fim. Surpreendente, se não viu ainda, corre, nem precisa ver o trailer. Quanto menos se souber melhor sairá. Olha a crítica aqui!

Enquanto somos Jovens (2014, de Noah Baumbach) – 97 min
Um respiro depois do suspense. Este é um filme despretensioso. Dirigido por Noah Baumbach, veio na sequência de Frances Ha, para mim ainda o melhor filme do diretor, muito provavelmente por uma identificação com a protagonista e sua história. Em todo caso, este parece nada, se visto sem muita atenção. Aparentemente besta em sua estrutura, vai trazer comparativos interessantes do choque de gerações entre os jovens – aqueles que estão entre os 20 e 30 anos – e os que acabaram de sair dali, entrando nos quarenta. Como não vivemos nada parecido com a geração de nossos pais e a aceleração das tecnologias e mudanças de comportamento não permitiram o amadurecimento de antes, parece que nunca sabemos se ainda somos ‘jovens’ ou se já entramos na categoria ‘adulto’, como se as duas coisas não pudessem coexistir e/ou se o amadurecimento corresse mais lentamente (ou se quiséssemos ser jovens por mais tempo). A dualidade é vista nessa comédia, em que há gente perdida demais, entre uma coisa e outra. Leve, interessante, não espere muito, assim o filme fica melhor. Com Naomi Watts, Ben Stiller e Adam Driver, que desponta em produções independentes, esteve em Frances Ha e na série da HBO, Girls. Também tem crítica! \o/

Now: in the wings on a world stage (2014, de Jeremy Whelehan) – 97 min
Kevin Spacey e Sam Mendes se unem aqui, neste documentário-making of da turnê internacional da peça Ricardo III, de Shakespeare. Tudo acontece antes do ator encarnar Frank Underwood em House of Cards, e ter a oportunidade de assistir às montagens das peças nos maiores teatros do planeta deve ter sido uma das experiências da vida de muitos daqueles atores. O filme extrapola o sentido primeiro de making of, documentário e ficção, ao tempo que traz tudo de uma vez. Para além desse hibridismo o filme cativa por mostrar o lado ‘ser humano comum’ dos atores experientes e menos consagrados na mesma medida. O senso de equipe-família que a convivência intensa proporciona, os luxos de uma apresentação teatral com ares de blockbuster e a montagem, nos deixam boquiabertos. Estava buscando referências do ator por conta de House of Cards – cujo roteiro foi baseado também nesta tragédia e em Macbeth – e encontrei esta pérola, que traz muita coisa de uma só vez. Há mais surpresas na relação com House of Cards, mas não conto aqui.

O jogo da imitação (2014, de Morten Tyldum) – 114 min
Grande filme, conhecido da maioria das pessoas, concorreu ao Oscar no ano passado e é melhor que muitos dos que competiram esse ano. Baseado em fatos reais, conta a história de Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático homossexual que tentou desvendar os códigos inimigos das comunicações trocadas na Segunda Guerra, a fim de garantir informações estratégicas aos Estados Unidos em vista de vencê-la. Reprimido por sua sexualidade, tentou encontrar formas de conviver profissionalmente sob imensa pressão e sublimando sua vida pessoal, cuja opção sexual não era aceita como normal. Concorreu a 8 Oscars, levando melhor roteiro adaptdado e perdendo melhor ator para outro sensacional, Eddie Redmayne (Teoria de Tudo, A Garota Dinamarquesa). Com Keira Knightley, Matthew Goode, te prende até o último momento.

Celeste and Jesse Forever (2012, de Lee Toland Krieger) – 92 min
Na linha comédia romântica, um filme bacana, desses que dá vontade de rever. Nem sempre as coisas acontecem quando queremos ou esperamos. Aliás, quase nunca, vamos ser sinceros. Aqui não é diferente e essa semelhança com a ‘vida real’ é o grande gancho do filme. Esta é a história de dois amigos que tiveram um relacionamento, estão separados e agora voltaram a ser amigos. Parece familiar? Pois. O filme vai um pouco além e o casal tem uma química boa, que nos faz querer participar daquele momento. Vale pro finalzinho do domingo, ali, antes de dormir. Com Rashida Jones, Andy Samberg e Elijah Wood. Surpreendentemente, o diretor Lee Toland Krieger fez este antes de A incrível história de Adaline, um filme bem ruim. Vai entender.

HISTÓRIAS SEMELHANTES

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