Maravilhosidades da Netflix – Ressaca de Carnaval!

23:11

O meu Carnaval esse ano foi bem diferente. Baiana que sou, não consegui ir a Salvador e a festa carioca não me empolga na mesma medida. Confesso que o calor dos 800 graus me desmoraliza também, então fiquei escondida em casa, nos cinemas e de vez em quando dava uma volta em um bloquinho ou outro, na casa dos amigos, só para dizer que saí mesmo. Foi ótimo, precisava desse descanso e de um tempo para colocar as leituras e filmes em dia. Em alguns momentos me achei meio louca e deslocada, mas acho que isso deve acontecer com mais gente do que eu... espero, pelo menos.

Com isso, para salvar a turma da ressaca da maior festa do Brasil, segue uma listinha bem diversa interessante para gastar no fim de semana:

Amy (2015, Asif Kapadia) – 128 min
Documentário que concorre ao Oscar esse ano, Amy trata da vida de Amy Winehouse, que infelizmente entrou para o clube dos cantores icônicos que morreram aos 27 anos (Jimmy Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin, Kurt Cobain). Amy ia muito além do perfil problemático de menina drogada que a mídia insistia em construir. O filme retrabalha sua imagem, não a eximindo de seus problemas, mas ampliando o perfil, nos apresentando uma personagem complexa, uma mulher extremamente talentosa que não conseguiu se sustentar, no sentido simbólico do termo. É um grande concorrente ao Oscar, senão o favorito. Você sairá triste do filme, mas é aquela coisa Romeu e Julieta, né? Não tem jeito. Vale a pena e te digo ainda mais aqui!

Apertem os cintos – o piloto sumiu! (1980, Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker)
Extremo oposto ao primeiro filme, até para aliviar a vida, chega essa comédia bocó, despretensiosa e engraçada dos anos 80. Acho que não passava na sessão da tarde, era filme de passar à noite. Tem que gostar das piadas à la Leslie Nielsen, sexistas, mas bobas e ingênuas – os anos 80 não tinham lá muita noção. É filme meio paspalho mesmo, mas os diálogos são tão nonsense que, se você baixar o senso crítico, se diverte demais. Se não gostar mesmo assim, é compreensível. Só não julga muito. Tem ótimas tiradas, como a do piloto automático. Mas ainda assim, é daqueles filmes de verão da época que hoje viraram cult.

Orgulho e preconceito (2005, Joe Wright) – 129 min
Romance romântico, texto de Jane Austen. Já assisti a esse filme umas 98394839 vezes e é lindo, não enjoável. Isso porque a narrativa clássica de uma história de amor quase de príncipe encantado aqui é contada com diálogos brilhantes e grandes interpretações de Keira Knightley (a mocinha de Piratas do Caribe) e Mathew Macfadyen, seu par. O texto da escritora preenche a produção muito bem executada, provavelmente a melhor adaptação dos romances de Austen feita. É aquele estilo clássico mesmo do cinema, que amolece nossos corações, nos faz rir, de vez em quando pinta uma lágrima envergonhada que secamos sem ninguém perceber. E ainda é Jane Austen, uma das escritoras que buscava a valorização do gênero ou, ao menos, sua percepção no mundo a colocando como sujeito, como protagonista, ainda que a época não a favorecesse. Passa direto na TV paga, mas agora tem também na nossa locadora. Aproveita o dia dos namorados gringo aí e assiste.

Gênio Indomável (1997, Gus Van Sant) – 126 min
Na categoria drama, coloquei Gênio Indomável porque alguns amigos me confessaram esses dias que deixaram o filme passar por eles. Matt Damon e Ben Affleck se tornaram quem são hoje no Cinema por causa desse filme – eles não só atuam, como o escrevem. Robin Williams é o psicólogo do problemático Will Hunting (Damon), um gênio autodidata da matemática que é descoberto por acaso ao resolver uma equação na universidade em que trabalha como servente. É uma história de redenção do melhor tipo, vencedor de 2 Oscars e completo, esse também é para ser visto de tempos em tempos. Se ainda está em dúvida, lembra que o diretor é o mesmo de Elefante (2003) e Milk (2008).

Veludo Azul (1986, David Lynch) – 120 min
Para terminar, um filme lado b americano. David Lynch é um diretor controverso e inteligentíssimo. Como acontece com Tarantino, prefiro seus primeiros trabalhos aos últimos, ainda que os dois sejam completamente diferentes um do outro. Lynch é um cara de mistérios, algum surrealismo e uma veia que poderia somar Buñuel, Salvador Dalí, Diane Arbus e qualquer coisa de Stephen King – e ainda assim, ele seria diferente. Neste filme de suspense, Jeffrey (Kyle MacLachlan) investiga um crime quando encontram uma orelha em um jardim. Isabella Rossellini é Dorothy, uma cantora que parece ter algum envolvimento no crime, a partir do que Sandy (Laura Dern) lhe informa. Dern é musa de Lynch e MacLachalan está em Twin Peaks (1990), umas das melhores séries que já vi na vida, para quem gosta desse clima sombrio/estranho, também do diretor. Esse filme levou não sei quantos prêmios e ao assisti-lo você terá uma experiência única. David Lynch é sedutoramente viciante.

Curtiu a seleção? Conte-me mais sobre isso! ;)

HISTÓRIAS SEMELHANTES

1 comentários

  1. Assistindo o ultimo da lista!!!! Domingo tá uma delicia assim... ❤️

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