Maravilhosidades da Netflix - 6a semana!

18:18

Semana passada coloquei um filme com Di Caprio porque ele está concorrendo ao Oscar de melhor ator. Agora segue um filme do diretor de O Regresso, Alejandro González Iñárritu. É um drama sério e duro, mas tem outros no caminho, para dar uma equilibrada. A semana passou muito rápido e me atropelou novamente, andei meio perdida no reino dos livros, então as críticas estão um pouquinho atrasadas, mas compenso esses dias. J

Enquanto isso, segue a previsão do tempo para o fim de semana:

A difícil arte de amar (1986, Mike Nichols) – 108 min

Jack Nicholson, Meryl Streep e Jeff Daniels. Pronto, pode ver. O drama conta a história do relacionamento entre Rachel (Streep) e Mark (Nicholson), de uma forma tão realista, que parece algo nosso ou a vida de alguém que conhecemos. Os anos 80 foram especiais para o cinema, trouxeram desde comédias que ficaram marcadas na infância da minha geração a outros como este, que vi anos depois e encontrei as músicas que minha mãe ouvia tanto, que passaram a fazer parte da minha vida. Mike Nichols é o diretor de Closer (2004) e Uma secretária do Futuro (1988), outros grandes filmes. O roteiro é baseado no romance de Nora Ephron, que também o adapta para o cinema. Essa era incrível, olha o currículo: Harry e Sally (1989), Sintonia de Amor (1993), Mensagem para você (1998), Julie e Julia (2009) e outros na mesma linha. São comédias românticas leves, algumas das minhas favoritas, na verdade. Mas o fato é que este filme é mais sério – menos bobo, alguns diriam – com um elenco incrível. Se você está na casa dos 30, vai ver muitas roupas, músicas, tecnologias de seus pais e familiares. É um ótimo retrato de época e do ‘reposicionamento’ da mulher em sociedade.

Biutiful (2010, Alejandro González Iñárritu) – 148 min
Aviso rápido: esse é forte. E lindo. O diretor, como disse lá em cima, é o mesmo de O Regresso...e de Birdman (2014), Babel (2006), 21 gramas (2003) e Amores Brutos (2000). Todos eles carregam atores de peso, tão bons quanto seus enredos, sua forma específica de filmar, um tipo de cinema que se transforma e evolui a cada obra. Em Birdman ele trouxe uma cinematografia especial – além de fazer renascer Michael Keaton –  graças à parceria com Emmanuel Lubezki, o diretor de fotografia que sozinho carrega 2 Oscars e outros 126 prêmios. Se estiver em dúvida sobre assistir um filme e quiser uma forma diferente de buscar – que não seja por Diretor, Ator ou Roteirista – vai atrás do Fotógrafo como esse. Me perdi: Rodrigo Prieto (O Lobo de Wall Street, Argo, Brokeback Mountain) é outro grande diretor de fotografia e é quem divide a parceria com o diretor em Biutiful. Aqui, Uxbal (Javier Bardem) está no olho do furacão: está doente, tem um dom especial, mas vive com problemas grandes demais em sua família, com a mulher e a criação dos filhos numa Barcelona que não vemos nos filmes de Woody Allen. O filme abraça grandes questões sobre vida e morte, fé, educação, moral. Vale cada minuto por todos os motivos, mas não é água com açúcar. 

Qual o nome do bebê? (2012, Alexandre de La Petellière e Matthieu Delaporte) – 109 min
Para aliviar a barra, chega este francês engraçado e leve que, como O Deus da Carnificina (2011, Polanski), se passa todo dentro de um apartamento. Vincent (Patrick Bruel) vai a um jantar na casa da irmã e lá, enquanto conversam sobre a vida, surge a questão de qual é o nome do bebê que ele e a mulher esperam. Esse é o mote para uma comédia leve e que brinca com piadas de mau gosto com diálogos divertidos, rápidos e inteligentes que se aprofundam em questões que envolvem todo o grupo. Patrick Bruel é um nome das comédias francesas. Valérie Benguigi é Elisabeth, a irmã de Vincent e com este filme, leva o César de atriz coadjuvante. Ela havia já abocanhado com o mesmo papel o Moliére, a versão do César para o teatro e nos deixou cedo demais, aos 47 anos, em 2013.  

Perfume (2006, Tom Tykwer) – 147 min
Para acelerar os batimentos cardíacos, outra adaptação, agora da literatura para o cinema. Perfume é um filme diferente. Quem me conhece, sabe que gosto de filmes estranhos.  Sendo gosto uma forma subjetiva e ‘estranho’ um adjetivo que segue a mesma linha, vou especificar: gosto de filmes que tendem um pouco pro bizarro, pro implícito, pro subliminar, para aquele olhar desconfiado que damos ao encontrar alto estranhamente atraente. Gosto, por isso, de David Lynch e Stanley Kubrick, os prefiro a Spielberg. Gosto de Polanski e Scorsese, mas entre um e outro, fico com o primeiro pela mesma razão e sensação. Tom Tykwer consegue um pouco das duas coisas. O primeiro filme que vi dele é um super famoso ‘alternativo’, Corra Lola, Corra (1998), bacana, brinca com as alternativas, naquela ideia de histórias baseadas no ‘e se’. Mas o que me prendeu mesmo foi Paraíso(2002). Esse filme tem algo diferente, uma história de amor escrita por Kieslowski, com Cate Blanchet e Giovani Ribisi e é tudo o que eu vou falar sobre ele. Perfume chega com um peso ainda maior: Jean-Baptiste (Ben Wishaw) nasceu com um dom especial, um senso olfativo acima da média e com isso, é especialista em perfumes. Sua obsessão é encontrar a essência perfeita e um mundo obscuro se descortina – como em todos os filmes sobre obsessões, esse também escorre para o sombrio. Com uma fotografia e atores em performances extraordinárias (Wishaw, Allan Rickman, Dustin Hoffman), foi um dos melhores de 2006. 

Buena Vista Social Club (1999, Wim Wenders) – 105 min
Buena Vista foi o documentário que abriu as portas para a música cubana para muita gente. Ry Cooder junta um grupo de músicos e compositores brilhantes do país e juntos saem em uma turnê que toma o mundo. Com esta missão, o filme acompanha o resgate, trazendo a glória de tempos passados de volta. O filme é uma delícia não só pela música, mas por seus personagens, suas histórias, o quando a história de Cuba invade aquelas vidas e as transforma. Wim Wenders, em tese, não deve ser apresentado. O diretor faz tanto filmes de ficção quanto documentários com uma qualidade narrativa inquestionável e aqui não é diferente. Menos denso do que suas produções alemãs e mais leve pela característica tanto dos personagens que retrata quanto pela música, é o final ideal dessa lista. Para quem tem dúvidas ainda, cito os mestres presentes: Ibrahim Ferrer, Rubén González, Compay Segundo, Eliades Ochoa e Omara Portuondo. Comprei o disco, tenho o dvd e é uma alegria vê-lo na locadora, livre aí para todo mundo. É curto demais para o prazer que proporciona.

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