First Position

12:49

Primeira Posição é um documentário sobre ballet. No primeiro dia do Festival, com as outras salas cheias em Botafogo, assisti ao filme com mais 8 pessoas na sala. É natural, se pensarmos na especificidade do tema, mas garanto que se as pessoas tivessem visto o trailer antes, lotariam a sessão.
Eu não fiz balé quando era criança. Aliás, fiz acho que umas duas semanas e vi que não era pra mim. A repetição dos movimentos, aquela rigidez e disciplina que devemos assumir quando pequenos não me servia e rapidinho descobri isso. Lembro a professora me mandando fazer o plié 300 vezes e de como eu ficava com cara de pra quê repetir tanto. Hoje, acho o ballet lindo, vou a espetáculos e sempre me dá uma vontade imensa de estudar dança.

Neste filme, acompanhamos seis jovens entre nove (isso, NOVE) e dezenove anos que participam do Youth American Grand Prix de ballet, a mais prestigiada competição de dança que vai premiar com medalhas, troféus e bolsas de estudos das melhores escolas do planeta. Nessa competição são cinco mil jovens de todo o mundo, cerca de 300 vão à final em NY e algumas dezenas são premiados. E o que nos marca mais é a determinação, a persistência com o objetivo e a perseverança que essa turma tem desde muito cedo.

Procurando saber mais do diretor, vi que ela, Bess Kargman é uma ex-bailarina e este, seu primeiro filme. Isso foi fundamental, porque permitiu um conhecimento inato do assunto, garantindo as cenas incríveis, as entrevistas fluidas e o acompanhamento íntimo do grupo. O filme tem um ritmo incrível, conseguindo manter o foco em todos os personagens em igual medida, nos deixando apaixonados por eles, por seu balé e suas histórias de vida, entendendo seus desejos, suas necessidades. O balé é a vida pra eles e eles têm conhecimento disso de forma muito clara e tranquila.

Quando você sabe o que quer da vida – e isso não é tão nítido de perceber quanto parece – é mais fácil encontrar um foco para atingir seus objetivos. Não que a trajetória seja simples e direta, mas parece ser mais difícil se deixar vencer. Temos a história de Joan Sebastian, um bailarino de família pobre na Colômbia que saiu de lá para os Estados Unidos para realizar o sonho. Lá, vive com certa dificuldade, sem luxos e festas, concentrado apenas em garantir a subsistência para pagar as aulas. Não há como não se apaixonar por ele, a vontade que temos é de nós mesmos lhe darmos uma bolsa de estudos. Com ela, ele ainda ajudaria a família. Michaela, uma jovem de Serra Leoa que viu os pais serem assassinados na guerra civil do país, foi adotada por uma família americana que também custeia seu treino. A força do olhar dessa menina, a doçura que ela conseguiu manter e sua superação, nos faz pensar em como a nossa vida é muito mais fácil e como não nos esforçamos o suficiente. Aqui, vamos além da dança.

As transições das histórias, as mudanças da competição e os personagens se intercalam orgânica e plasticamente. Saímos das aulas de dança e entramos nas apresentações, vivemos o dia a dia desses jovens e suas famílias, viajamos com eles e ainda notamos como a pressão do teste acontece em cada participante. Tudo isso, o filme nos dá uma perspectiva que parece ser de 360 graus sem cansar. A câmera tem uma liberdade de movimento que foi conseguida com uma produção competente, pois fica claro que aquele espaço é restrito aos dançarinos. Com uma equipe enxuta e experiente, First Position é premiado em todos os festivais que participa.

Saímos do filme encantados com aquelas histórias, nos emocionando como num filme de ficção, mas com o adicional de serem pessoas de verdade, em histórias reais. Saímos do filme pensando em nossas vidas, no que fazemos de nossos ideais e em como corremos atrás de nossos objetivos, se estamos acomodados, se fazemos realmente o que queremos, se estamos buscando e investindo em nossos sonhos. E tudo isso com apenas um documentário sobre balé.

O site lindo do filme lindo está aqui.
E o site do Festival do Rio com a programação está aqui!

HISTÓRIAS SEMELHANTES

2 comentários

  1. Que droga, Tati! Agora fiquei com vontade de ver esse. É sempre realmente admirável essas pessoas que já sabem desde cedo o seu objetivo na vida. Mas, acho que para aqueles que não sabem ao certo, há sempre infinitas chances, portas e caminhos para serem descobertos, e isso pode ser igualmente fascinante!

    Bjos!
    E nos esbarramos em alguma sessão do Festival.

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