Uma Manhã Gloriosa

11:00


Apenas pelo cartaz, já temos uma idéia de como será o filme. Dois âncoras televisivos: Harrison Ford sério, Diane Keaton sorrindo jocosamente para ele. No meio, uma garota entre telefones e papéis com uma expressão atrapalhada no rosto. Sem nem olhar os grafismos, já dá pra ter uma noção do que vem pela frente: comédia romântica.
Não tão romântica se partirmos para a definição do ‘gênero’ (menino conhece menina etc, etc.. são felizes para sempre), já que a história não trata disso. Aqui uma produtora de TV perde o emprego em New Jersey e é contratada para trabalhar na mesma função em NY, ganhando menos, num programa fraco. Ela é a produtora executiva do Daybreak, um programa de entretenimento matutino parecido com os que temos na televisão brasileira. Notícias, futilidades, frivolidades e, por que não, imbecilidades.
O conflito se instaura quando nossa heroína, no primeiro dia de trabalho demite o âncora galã-estúpido e precisa encontrar outro em pouquíssimo tempo. A solução está no personagem de Harrison Ford, um jornalista premiado anos atrás que, claro e como qualquer pessoa faria, recusa a oferta. Nesse embate, contratualmente ele é obrigado a fazer o programa e os problemas só aumentam.
O filme tem boas idéias que explora pouco: é estranho como a roteirista de O Diabo Veste Prada não investiu tanto em pequenas e ótimas seqüências – a mocinha vai a NY procurar trabalho, vai procurar lugar pra morar, as cenas dela com o mocinho tinham fôlego, poderiam ser continuadas e mais embasadas... e ficamos presos nesses embates Harrison Ford x Diane Keaton, Harrison Ford x Rachel McAdams, Rachel McAdams x mundo... o roteiro enfraquece e até com todos os problemas na cabeça, você percebe que está no cinema e a ilusão vai embora. A atuação de todos é extremamente caricata – entendo que é o estilo do filme – mas ultrapassa em muito essa idéia e esvazia os personagens.
Esta não é uma comédia escrachada, não é Mike Meyers ou Jim Carey, não segue por aí – mas tem cenas que até os envergonhariam porque ficam entre o escracho e o plausível e não funcionam. A própria postura de nossa protagonista, como li em uma crítica, beira o despreparo profissional; uma produtora executiva tem que ser atenta, firme, prática, objetiva. Não deveria ser a garota perdida que derruba coisas o tempo inteiro e tem uma primeira atitude firme para amolecer no que sobrou da história. Houve alguma transformação no personagem, é visível, como nos outros dois de que falamos, no final todos vão em busca do mesmo objetivo. Agora, depois disso tudo, me diga uma coisa: se você recebesse a oferta dos sonhos, diria não? 
Acho que este filme está perto de uma versão pobre de Bridget Jones em seus momentos de ridículo na televisão. Eles tiveram muito e fizeram pouco, baseando-se na credibilidade da equipe: diretor de Notting Hill, roteirista de Diabo Veste Prada, o próprio elenco... e juntando tudo, ainda não funcionou bem. Em todo caso, para mim, há momentos de identificação com a transformação do personagem, a pressão do trabalho – apesar de nossas ‘produções’ serem diferentes, a mudança de endereço, mas acabam aí. O perfil é realmente diferente.
É óbvio que é um filme bobo. Pelo cartaz, pelo trailer, não tem pra onde correr. Não espere demais, faça como eu: esteja estressada e cansada - porque qualquer coisa leve, boba vai ser ótima e pensar demais nesses momentos não vale mesmo a pena. Se fôssemos voltar aquela história do Sessão da Tarde, esse certamente não ficaria entre os melhores.

HISTÓRIAS SEMELHANTES

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