2011

18:35

Fui pra Disney quando tinha 15 ou 14 anos. Fui com as melhores amigas num pacote turístico padrão e foi nossa primeira viagem juntas. E na Disney vimos aquele desfile com os fogos de artifício no céu. Confesso que não me disse muita coisa, porque o desfile era muito longo e chato, então o encanto foi quebrado ali mesmo.


Todo São João que consigo passar em família envolve fogos. Desde muito pequena essa é a nossa maior festa, com uma tradição gostosa de muita comida, música boa e estouros coloridos. Meu pai já sofreu acidente com fogos, mas segue feliz nessa teimosia e acabamos nos juntando a ele e somos aí, crianças novamente.

Este Ano Novo passei no Rio com outros amigos. Fizemos um esquema tranqüilo, comemos bem, bebemos e quando estava pertinho de meia noite, fomos ao Aterro do Flamengo ver os fogos. Não gosto de Ano Novo. Não me sinto muito animada, rola uma nostalgia não sei de quê e é sempre um aperto no peito. Normalmente passo em família, que ameniza um pouco a situação já que nos entendemos no olhar e conhecemos nossos comportamentos e necessidades, mas morando longe tem sido cada vez mais raro.

Na festa desse ano, tudo seguiu nos conformes e lá no Aterro, no meio de um monte de gente desconhecida, com chuviscos de água e confetes coloridos, os fogos finalmente fizeram seu espetáculo e o tempo passou sem que eu percebesse tanto.

No meio daquela multidão de roupas brancas, esperanças difusas e muita bebida, quando as maiores luzes pareciam chover sobre nós todos, como crianças nos encantávamos, nos apaixonávamos e víamos naquela pintura estridente o brilho das cores tocando nosso coração pelo olhar. Ontem eu consegui entender sentindo, o porquê dos fogos, das luzes e cores, a importância de queimar dinheiro desta forma, tão repetida no mundo inteiro em qualquer grande celebração.

É que é justamente naquele momento que todos param o que estão fazendo, param de pensar e ficam bestas mesmo, olhando, admirando, se aquecendo por dentro numa celebração contínua e conjunta, ainda que sentida diferentemente por cada um. E a multidão se entusiasma a cada novo estrondo, como uma surpresa sabida e bem vinda, festejada como um nascimento, o renascimento da juventude, da esperança, da ingeuidade, da inocência. O ano que vem nos permite isso tudo, afinal de contas. É bem ali, naquela meia noite que somos capazes de sonhar sinceramente, sem a auto-crítica apontando na esquina. E nesse meio tempo, ainda descobrimos na outra margem da baía de Guanabara que podíamos ver ainda mais luzes e cores, em Niterói. Esse espetáculo duplo nos manteve por 25 minutos em pé, elegendo quais eram os mais bonitos, ouvindo suspiros e, ainda que algum aperto no peito me soprasse, respirava manso dentro de mim, distraído, sereno.

Voltamos para casa também no meio de toda a turma da praia, num clima abafado, mas ouviam-se felizes e altos Feliz Ano Novo!, com saudações, palmas e abraços. Como uma celebração branca e baiana de Yemanjá, seguíamos todos em paz, esperando de coração, um ano melhor.

HISTÓRIAS SEMELHANTES

4 comentários

  1. Lindo, prima! E sigo esse ano tb em busca de um ano bom, de um bom ano, ou seja lá como ele quiser ser, a ordem nao importa, que seja! Vou postar as fotos da virada em familia, fizemos até um video, te mando pacote completo depois pra você sentir! =)

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  2. Como é bom parar e ler o que você escreve filha, é um momento que paro e me encanto, lindo tudo . espero que seus planos se realizem ao longo do ano novo, e estamos aqui a espera da sua vinda para desfrutarmos um pouco mais perto da sua companhia.
    Beijos de mamis

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  3. Tenho uma prazer oculto de achar blogs interessantes ao colocar uma palavra ou algo que queria no google e ele sem querer me direcionar pra algum lugar.
    De repente, me vi direcionada ao teu sítio, as tuas palavras... Encantei-me, de verdade.
    Gostei do que escreve, dos teus pensamentos sobre certos assuntos.
    Além do nome bem propício: café: extra forte.
    (Gosto de café também.)

    Logo, me sentiem casa por aqui. Acostume-se com minhas visitas.

    Um beijo.

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  4. Opa, desculpa-me. Comentei com o meu blog antigo.
    Agora sim, esse é o meu sítio.

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