Agonia

23:29


Acabei o livro. Comprei sábado de tarde e acabei hoje, segunda. Toda vez que eu acabo um livro, sinto alguma coisa que me percorre o corpo, mas que na verdade é puramente mental. É como se naquele momento exato da última palavra da última frase estivesse a resposta que vínhamos buscando desde a página um. Mas não, na verdade não é isso, o negócio é que como todo filme muito bom, ficamos com aquela expressão de quem acabou de conhecer alguma coisa diferente. Mas, como todo filme que acaba e livro que se lê, quase uma tristeza nos diz: agora eu já sei, a surpresa se foi.

Esse livro veio como uma surpresa boa. Caiu em mim uma matéria sobre seu autor, como se ele fosse uma pessoa que eu poderia ser: físico, 26 anos, primeiro romance. Pensei em fazer física um dia e me perguntei como seria o primeiro romance de um físico que, não suficiente, ganhou o prêmio mais importante da literatura italiana. Comprei, comecei a ler na manhã de domingo e o levei até mais da metade até a noite. Li mais um pouco hoje de manhã, como uma necessidade urgente de dar segmento à história. Fui pro trabalho com outro livro na bolsa, na tentativa de impedir que o final daquele chegasse logo. No trabalho, um senso crítico se apoderou de mim e começou a questionar o livro, se era realmente bom, se eu não o estaria aumentando, criando ilusões em cima de uma obra menor. O negócio é que quando me vi em casa, deixei a tv de lado, o computador e fui de encontro a ele, entre a agonia de ver as páginas indo embora e a delícia da história acontecer.

A Solidão dos Números Primos, conta a história de duas crianças que se conhecem numa escola. As duas carregam uma tristeza latente fruto de tragédias que não podem ser esquecidas. E crescem ao avançar das páginas. Não vale falar mais do que isso; é uma história de duas pessoas, num universo que poderia ser o nosso, com uma linguagem simples e rápida, sem muitos adjetivos. Há um motivo muito bonito para o título.

Agora que o livro se foi e será relido em breve com mais calma, verificando e ouvindo internamente cada frase, ficou aquele vazio da vontade de falar e falar sobre ele e sentir com alguém aquela experiência naquele mundo fictício. Enquanto isso não acontece, vivo os personagens em minha cabeça, recriando as situações, entendendo seus sentimentos, até sendo um pouco como eles.

*A Solidão dos Números Primos, Paolo Giordano. Editora Rocco.

HISTÓRIAS SEMELHANTES

1 comentários

  1. Não me contenho: o autor ainda é bonito demais. Vi fotos.

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