No ar rarefeito

20:10

Hoje está fazendo dezoito graus, venta e chove. Já estou me tremendo, tentando decidir em que momento vou levantar da cadeira pra pegar as meias e sair correndo pra debaixo do edredon. Fico imaginando o frio que devia fazer no Everest quando Jon Krakauer viveu lá experiências de vida e morte.

Krakauer todo mundo sabe quem é: o cara que escreveu Na Natureza Selvagem, que virou o filme obra prima de Sean Penn. Partindo do que se encontrou sobre Alexander Supertramp, o escritor relatou a história desse menino-homem que buscou no Alaska se reconhecer vivendo com muito pouco.

No ar rarefeito veio no mesmo ano. Krakauer foi convidado pela revista Outside a escalar o Everest e escrever sobre o surgimento do alpinismo comercial na montanha. As equipes pagavam, eram clientes de empresas que lhes garantiam uma experiência no topo do mundo. Como alpinista experiente, o convite veio como a realização de um antigo sonho. Entretanto, a matéria acabou não sendo suficiente e o livro relata a experiência que culminou numa tragédia quando uma tempestade alcançou alguns dos alpinistas no cume. Diversos fatores, pequenas circunstâncias que vão alarmando e preparando um imenso problema são aí descritos numa narrativa no presente e em primeira pessoa, mas já nos antecipando um final infeliz.

O livro é uma saga; nos prende da primeira à ultima página e ficamos entre a vontade de subir a montanha e nos manter em segurança, porque à medida que se toma a decisão de ser um alpinista responsável, há ainda muito que contar com a sorte, já que tudo ao redor implica em risco de vida. Mas, muito mais profundo, o livro nos mostra as motivações das pessoas que estavam nas expedições, um pouco de suas vidas, o que os levou a assumir os riscos, o que e como enfrentaram as situações que viveram.

Ser um alpinista não é como andar de skate, correr numa bicicleta, praticar rali. Ser aplinista é constantemente se pôr à prova, vencer as barreiras da altura, as enfermidades que daí podem surgir, viver no limite do corpo e da mente. Não há espaço para muitas reflexões ou pensar nos problemas do dia a dia. Há cansaço, dor e tenacidade. A preocupação é estar bem o suficiente para os próximos passos. É essa a impressão deixada pelo livro, de pessoas guerreiras que fazem da vida, esse esporte.

A escrita é ágil e o livro acontece muito rápido. Eu fiquei levemente obcecada com a história por fazer pensar mais uma vez nas decisões que tomamos e como cada uma delas, por menor que seja, implica em resultados impactantes. São escolhas muito parecidas com as do jovem McCandles (Supertramp) na Natureza e muito presentes nesse livro, são fruto de uma coragem que domina o medo de pessoas comuns que vão aquirindo outras qualidades à medida que se enfrentam e vivem no extremo do mundo. Ali, o que deixa de ser um desafio vira uma obrigação que se demandou à própria vida e que cabe a nós refletir se nos levamos tão a sério como algumas pessoas desse relato.


*Pesquisando um pouco mais sobre o tema, verifiquei que Anatoli Boukreev, um dos alpinistas de então, também escreveu um livro contando sua versão dos fatos e, de repente também alcança uma boa leitura. Vale a pena também, depois de ler, buscar os vídeos e filmes que tratam do Everest, para ter uma idéia além de nossa imaginação, de como é a escalada, o que há ao redor, como é um acampamento base e os acampamentos avançados... enfim, concretizar o que abstraímos com nosso pequeno arsenal imaginativo.

HISTÓRIAS SEMELHANTES

1 comentários

  1. Numa boa... voce sabe que nao libero esse tipo de coisa... "Krakauer todo mundo sabe quem é: o cara que escreveu Na Natureza Selvagem, que virou o filme obra prima de Sean Penn." Que mundinho pequeno esse seu hein!?!? Ou sera que nao teve outro clichezao bala pra aplicar!?!?! Sorry, mas nao admito uma menina inteligente e que melhora a cada dia em tudo que pensa e escreve, dar uma escorregada dessas... Menos baby, menos...

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