Uma breve história do tempo.

23:30

Um passarinho pousou na minha janela. Era domingo nublado. O dia de preguiça, tv e sofá foi interrompido por essa visita inusitada: morando no térreo, quase não vemos passarinhos. Ele pousou na minha janela e ficou me encarando, me provocando pra ver o que eu faria.

Eu fiz o que tinha que ser feito: fiquei encarando o passarinho pra saber o que ele faria. Ele ficou lá, parado, volta e meia fingia que ia voar, tentando me testar. Achava ele que eu ia correr para ver que caminho ele tomaria. E eu ficava ali, parada, vendo ele sacudir as asas, se exibindo. Desliguei a tv.

O passarinho passou a tarde comigo, nessa brincadeira boba que nos deixa felizes. Dei água e ele se esbaldou. Tentei alcançá-lo, mas se assustou. Nesse tempo todo, quase não me dei conta de que o passarinho precisava voar. Quando menos esperava, ele ia longe, pelo céu cinza e sem vento. E o meu domingo de preguiça, tv e sofá foi transformado pela beleza dos pequenos gestos.

HISTÓRIAS SEMELHANTES

2 comentários

  1. De certa forma, ainda bem que este tipo de coisa não acontece todo dia. Fosse assim, talvez não houvesse sensibilidade para estas coisas em nós...

    Belo post este, Tati. Muito bonito. =)

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