O Curioso Caso de Benjamin Button

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Poucas vezes temos a oportunidade de ver atores se transformando tanto em apenas um filme. Através de truques cinematográficos, vemos histórias de vida sendo contadas diante de nós e entre as boas atuações e a maquiagem, quase ficamos perdidos no encantamento da trama. Assim é O Curioso Caso de Benjamin Button.

A história que vemos é a de um homem que nasce com todas as características de um idoso: problemas de saúde, rugas, tudo o que entendemos como pertencentes à terceira idade. O bebê, abandonado por um pai horrorizado nas escadas de uma casa de repouso, passa uma parte da vida morando com idosos e sendo tratado quase como um igual. Com o passar do tempo e da vida, vai rejuvenescendo e tornando-se cada vez mais o Brad Pitt que conhecemos. O drama nos prende até o fim pois, além da bonita e surreal história de amor com Daisy (Cate Blanchet), esperamos o fim da fantasia, queremos descobrir qual será o destino de Benjamim Button.

A história é narrada a partir de um diário de Benjamin, em posse de uma senhora Cate Blanchet, também extremamente bem maquiada, num quarto de hospital em New Orleans em seus minutos finais. Daisy pede a filha que leia o conteúdo e a partir daí, entramos na história propriamente dita, contada em flashbacks, enquanto – no tempo presente – o Katrina avança pela cidade em noticiários de televisão. A relação entre o Katrina e o enredo não existe, ficando apenas como marco temporal, uma indicação do ano em que se passa a trama e uma lembrança para os espectadores da devastação. Inclusive, não é necessária de todo a narração da filha (Julia Ormond) do casal, já que são apenas pausas da história, momentos de suspiros das personagens.

O filme imprime uma aura de fábula, quando já no início conta-se de uma construção de um grande relógio para a estação de trem da cidade. Estamos em 1918 e o fim da guerra traz alívio e a dor da perda de muitos filhos da pátria. O responsável pelo relógio, outro pai que perde o filho, constrói o instrumento em tempo regressivo para que se lembre sempre da tentativa de que com a volta do tempo, traga também em retorno os mortos de guerra. É nesse clima de tristeza e fantasia que nasce Benjamin, como um trote do destino, velho de nascença.

Quem dirige o filme é David Fincher, aquele mesmo de Seven e Clube da Luta, ambos com Brad Pitt. No roteiro, ninguém menos que o autor de outra história incomum, Forrest Gump (Eric Roth), agora reponsável pela obra baseada no homônimo conto de Fitzgerald. Ficamos com um filme de história que, como Forrest, conta com o apoio de uma forma singular de narrar, onde fatos inusitados acontecem e as explicações nem sempre correspondem ao que entendemos como realidade, mas, ainda assim, acompanhamos as trajetórias. É neste clima de biografia que vemos a vida de Benjamin acontecer; de um senhor de poucos anos a um jovem ou até criança octogenário. A passagem de sua vida e o encontro com as pessoas que a cruzam as transforma, marcando em cada uma força e vontade de viver, de aproveitar o tempo que temos e dele extrair o máximo. Assim são os romances do protagonista, assim é o amor impossível por Daisy.

A vontade de acompanhar a história do filme não passa nem quando chegamos próximos do fim. Como um bom livro, fica a vontade de tentar estender a história, de ler mais devagar, de aproveitar a beleza do filme, suas cores e os marcos de quase um século retratado. Esperamos que o amor do casal protagonista perdure, como percebemos os percalços e as formas de superação de Benjamin como lições de quem teve uma vida de complicações mas soube percebê-la com a sabedoria que só o tempo traz. Benjamin já nasce com ela.


Título Original: The Curious Case of Benjamin Button
EUA, 2008 - 166 min
Direção: David Fincher
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