Jean Seberg

10:38


Estou lendo um livro divertido sobre cinema. Acho até que ele é mais divertido para quem não tem formação e doença pela sétima arte, que encontrará várias curiosidades bacanas e ótimas indicações de filmes: O caderno de Cinema de Marina W. A autora já escreveu outros livros e está anos-luz em popularidade em seu blog em relação ao meu pobrezinho aqui, mas não é isso que importa agora.

Uma das indicações é o obrigatório Acossado (1960, Jean Luc Godard). Godard é um dos homens mais importantes do cinema, um dos fundadores da Cahiers du Cinema (revista francesa sobre cinema nascida nos anos 60), junto com François Truffaut (dirigiu Jules e Jim e A noite Americana e outros tantos), e mais alguns importantes cineastas que não citarei, já que isso não é uma aula. Eles são os criadores da Nouvelle Vague, uma vanguarda artística francesa que mudou os hábitos e a linguagem de fazer filmes. A Nouvelle faz parte daquele turbilhão de novidades desta geração (Neo-realismo Italiano, Cinema Novo, Cinema Direto, o ano de 68 em todos os lugares do mundo... mas vamos parar por aí).

Acossado conta a história de Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo), um ladrão de carros que acaba matando um policial e tem que sair da França. No meio da história, encontra Patricia Franchini, uma namorada americana que vende jornais pelos Champs Elysèes. Ao tempo que Michel tenta resolver seu impasse e quer levar Patricia para a Itália, ela fica na dúvida, pois pretende ascender à carreira de jornalista e ainda há outras complicações que deixarei em aberto, bem como o sensacional final da trama.

Se lemos simplesmene a sinopse, não entendemos a dimensão do filme que transformou a história do cinema. Há que assistí-lo e entender o momento em que ele surgiu, como o filme foi feito e sentir a estranheza, pois ainda hoje é um filme marcante.

Jean Seberg é Patrícia essa garota que apenas de olhar para seu rosto, já sentimos vontade de conhecê-la. Há um mistério naquele olhar meigo, ela não é simplesmente doce, ela tem algo mais, ela parece observar a todo instante, é uma mulher de opinião... No meio das opiniões de Marina W., fiquei sabendo mais da vida da atriz e fui investigar .

A atriz teve uma vida que ninguém imaginaria ao vê-la nesse filme. Ela casou-se quatro vezes, se envolveu com os Panteras Negras, teve dois filhos e um deles, uma garota, morreu em decorrência de uma overdose da mãe, dois dias depois de nascida em 1970. A mãe, a cada dia de aniversário de nascimento da filha, tentava se matar, até que conseguiu, em 1979. Uma vida turbulenta, envolvida em lutas sociais e que acaba em tragédia, com uma mulher cheia de potencial e um dos marcos do cinema mundial.

A história de Jean Seberg, ao tempo que nos entristece, nos faz pensar em quão complexa foi sua geração, em como deveria ser ao mesmo tempo interessante e crítico viver tantas tranformações em pouco tempo, quebrar tantas regras sociais, viver esse romper de situações com tanto preconceito, se envolver em movimentos que necessariamente mudariam o mundo, estar neste mesmo mundo que muda a todo instante e como uma ação em uma ponta deste espaço conversa com outra, no outro extremo.

Por fim, Jean escreveu dois livros: Como escapar de si mesmo (ao que a pesquina informa, um manual para suicídio) e Blue Jean - um ensaio sobre a esquizofrenia. Em uma das frases que pesquei da atriz, ela diz que o filme que mais gostou de fazer foi Lilith (Robert rossen, 1964), que vou procurar para assistir. E a última coisa: pra quem viu O bebê de Rosemary (Roman Polanski, 1968), lembrará totalmente da referência ao corte de cabelo de Jean em Mia Farrow.


Filmes:

Acossado (À bout de souffle)
Diretor: Jean-Luc Godard
1960, 90 min.
País: França

Jules e Jim (Jules et Jim)
Diretor: François Truffaut
1962, 105 min.
País: França

A Noite Americana (La Nuit américaine)
Diretor: François Truffaut
1973, 115 min.
País: França, Itália

Lilith
Diretor: Robert Rossen
1964, 114 min.
País: Estados Unidos

O bebê de Rosemary (Rosemary's baby)
Diretor: Roman Polanski
1968, 136 min.
País: Estados Unidos

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