Saga

20:15

I
Ausência

Estou numa casa que não é a minha. Ouço músicas novas, estranho a falta de meu barulho costumeiro, ocupo outros espaços.

O dono desta casa não está. Possivelmente ele chegará na minha saída e não saberei como é viver com ele. A proposta não era essa, em todo caso. Estou aqui como pouso provisório para retomar a mais uma nova jornada de um ano de novas jornadas. Cada jornada significa a conquista de um novo território, onde um dos objetivos é se enxergar neste ambiente e transformá-lo em casa.

Na casa em que eu estou há um clima diferente. Um clima que combina bastante comigo, mas com uma versão de mim no futuro, como uma pessoa que estou tentando construir para ser. Há a falta óbvia de algumas coisas que seriam mais próximas de mim futura e há, por outro lado, uma infinidade de coisas que acho que já sou e de grandes descobertas e identificações. Mas fico pensando o que esta outra pessoa pensa de alguém utilizar seus espaços.

Uso sua sala, sua música, sua internet. Abro sua geladeira, vejo seus livros e ímãs, utensílios de cozinha e shampoos. E essa vida de outra pessoa começa a me parecer bacana. É uma casa que incentiva os estudos, a vontade de produzir, de ver, conhecer, investigar.

O apartamento em que eu morava era menor. Um quarto e sala com o básico que uma pessoa precisa para viver bem. Mas era um apartamento vazio... feito para locações, com uma cara que não era cara de ninguém... um apanhado de coleções moráveis. Se nos deixarmos levar por essa coleção que não nos estimula a nada, paramos tudo feito os pratos brancos da cristaleira ou os quadros da bailarina de antigamente. Algumas vezes fui levada por esse marasmo, outras tantas consegui me libertar e produzir movimento.

Acredito que esta saída abrirá as portas para a pessoa do futuro. O intervalo na casa deste amigo é mais uma experiência que podemos deixar passar sem pensar ou investir nela e sentir tudo o que é possível. Eu invisto. E esse objetivo da busca vai me levar a um novo lugar, uma nova morada. Esta nova casa vai ser a casa da nova experiência, mais um passo em busca do mundo. São as energias renováveis que nos transtornam e transformam. É a mudança, o fim de um tempo quase presente, já não estivesse passando por nós.

HISTÓRIAS SEMELHANTES

1 comentários

  1. ai ai viu dona reuter...vc e seus textos que parecem que arrancam da minha cabeça p/ papel..hehehe

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