Meu primeiro Bukowski

15:12

Estou vivendo um momento muito particular desta trajetória. Como previsto, as dificuldades pra encontrar um apartamento persistem, mantenho vivo meu posicionamento (cada vez mais) crítico sobre meus atuais conterrâneos e, por conta de algumas questões menores, minha tolerância à imbecilidade anda bastante reduzida.

Resolvi que precisava investir neste momento e descolei dois autores: Gore Vidal e Charles Bukowski. Terminei Factotum (Bukowski) há algumas semanas. O livro aconteceu num flash, a literatura corrida, sem muitos floreios e sobre o que é contemporâneo nos faz passar de uma página a outra sem perceber. É a história de Chinaski, um rapaz que vive seus vinte e poucos anos percorrendo os EUA a custa de bebidas, mulheres e cigarros. Vive e mora como dá, em vielas e apartamentos como vários que já visitei por aqui. Chinaski trabalha para o momento, para o mínimo necessário. É o fim da Segunda Guerra e ele só para pra pensar nisso quando percebe a dificuldade cada vez maior de conseguir trabalho.

O que importa nisso tudo é a forma como Bukowski constrói seu personagem. É uma pessoa ordinária, cuja vida passaria despercebida, como alguém que passa por nós ao atravessarmos a rua, é aquele que se escora no boteco e passa a noite entre um gole e outro, vendo quadris camabaleando. A identificação ainda assim acontece e é aí que está a graça: Chinaski não se importa tanto com o mundo ou com o que pensam dele. Sabe do que é capaz e até onde vai sua mediocridade e inteligência. É avesso à modéstia, essa palavra infame que torna tanta gente um pouco mais cínica.

Chinaski é a crítica à sociedade americana e seus valores falseados. É muito do que nossa sociedade vive também. É o não à guerra com a indiferença de quem não vê razão pra tanta mobilização. É a dificuldade de seguir certas normas, apenas por não acreditar nelas. E ele não as segue.

Percebi que minha intolerância não é só minha... é de Bukowski, de Gore Vidal, de Martin Page e, para a minha surpresa, de Marcelo Janot*. É desses atuas e dos que estou para conhecer e me divertir com a concordância das mesmas idéias em outras formas de expressão. Agora inicio Kalki, de Gore Vidal... vamos ver o que acontece.

Indico totalmente para quem tem momentos em que não acredita na capacidade das pessoas de serem estúpidas: Factotum, Charles Bukowski.

*Mais tarde, neste blog. :)

HISTÓRIAS SEMELHANTES

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