Turistas

13:23


Tem filmes que não adianta resistir, um dia eles aparecem diante de nós e somos obrigados a ver. Agora mesmo, me apareceu Turistas, um filme de terror-tortura filmado no Brasil e que por isso gerou uma onda de polêmica e algumas tentativas de boicote no país. Levando em conta que não me interesso muito por filmes tortura e que não acho que vale o momento sublime da sala de cinema, não tinha visto até que apareceu na tv, em horário propício. O filme está passando.

Oito turistas entre ingleses e americanos estão a passeio numa praia perto da Bahia. Depois de uma noitada de álcool, funk, areia e aditivos, todos acordam pela praia selvagem sem bagagens. Em paralelo, um grupo se organiza com perversidade no olhar. Roubados, os jovens decidem ir à vila e buscar ajuda, até que encontram um suposto amigo brasileiro que os ajudaria a sair da cidade. Claro que ainda há muita coisa pra acontecer.

Entre críticas superficiais sobre o país, prostitutas de festa e estrangeiros tentando se dar bem, o filme não traz nada de novo ou interessante além de carnificina e nojeira. Não se constrói uma boa história, não há retrato do país nem de longe, é só mais um filme como O Albergue ou Jogos Mortais. O arrependimento do amigo brasileiro faz com que alguns se salvem, mas provavemlente ele morrerá até o fim da trama. O medo, claro, está presente na possibilidade de fazer o mal, personificado num grupo de toturadores com alguma prática médica, conforme a História mostra. A idéia é retirar órgãos dos turistas como uma vingança ao uso inescrupuloso de nossas belezas.

Enquanto eu gosto de filmes de terror e suspense de diversos tipos, fico me perguntando: o que ganhamos ao ver um filme desse? Não muito, além de visões do paraíso perdido que nos cerca. Uma seqüência, entretanto, prende nossa atenção: a perseguição embaixo d´água. Os três sobreviventes da estória fogem de um perseguidor entre os buracos de ar e formados pelas pedras de um leito de rio, embaixo de cavernas e grutas. A falta de ar e o nado constante dos quatro nos deixa tensos o tempo todo, como se nós estivéssemos sufocando com eles.

Os turistas continuarão a aparecer por aqui pelos mesmos motivos do filme, violência existe no mundo todo e o aqui não há retrato disso como característica do país. Pensar que um filme como este pode gerar uma polêmica por ferir nosso orgulho ufanista é ser muito pequeno e levar a sério demais Hollywood. Pra coroar a surrealidade da obra, a música final é aquela doce e enjoada de Buchecha, cantada por Adriana Calcanhoto, que não faz sentido com nada do filme... exceto por ser brasileira.

HISTÓRIAS SEMELHANTES

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