Notícias II

18:09

Hoje eu peguei ônibus pra ir ao trabalho. Faço isso algumas vezes e cada uma tem um gosto diferente que quem acostumou-se ao automóvel aproveita pouco. Claro que o conforto e a pretensa segurança do carro são incomparáveis, mas perdemos alguns detalhes do dia-a-dia...

Entenda o que eu quero dizer: moro perto da praia e quando vou de coletivo, vejo o mar. Não me preocupo tanto com o trânsito, já que não sou a motorista e minha função enquanto cliente é sentar e esperar chegar em meu destino. Então, quando sento ao lado do mar, é o maravilhoso espetáculo da praia mais bonita e sujinha da cidade - Itapuã. Você esquece a poluição e se contenta com o vai e vem das ondas lhe abrindo o dia para os desafios do cotidiano. Quando sento, como hoje, do outro lado, me contento em olhar as pessoas.

Enquanto as observo, imagino suas vidas, famílias, trabalho, as histórias de cada uma e claro, suas roupas. Não há como negar, me interesso mesmo por isso, gosto de me vestir e de ver o que as pessoas usam. Mas não é disso que vamos tratar.

No caminho fiquei pensando nas notícias que leio diariamente. Está acontecendo um crescimento absurdo da violência no país e, em particular, em Salvador. Os assassinatos aumentaram mais de 30% em relação ao ano passado, todos os dias carros são roubados e furtados e nunca se assaltou tanto nos transportes coletivos. Quando nos voltamos aos índices de crescimento econômico e desenvolvimento nacionais, estamos no azul. Se não culpamos a economia, culpemos o governo que organiza o crime com suas corrupções dando exemplos, os serviços de segurança aos cidadãos que servem para dirimir, mas nunca prevenir ou a educação que não existe.

Fui até o trabalho pensando nisso enquanto olhava os figurinos e os personagens e tentei encontrar diversas justificativas para se assaltar um ônibus, já que nunca se conseguirá muito dinheiro e que aqueles que os roubam, utilizam os mesmos transportes diariamente. A miséria é tão gritante que:

1. as necessidades do assaltante devem ser muito urgentes para que 72 ou 30 reais as satisfaçam:
comida ou droga;

2. perdeu-se a total noção de respeito ao próximo que realmente está próximo:
a maioria das pessoas que usa o transporte coletivo mora em bairros populares, exatamente onde as famílias dos assaltantes estão. Eles acabam por assaltar o vizinho ou o primo;

3. o desafio: esta é a mais ousada e talvez absurda hipótese, mas pode ser que o assaltante queira apenas ver se é capaz, como num batismo, de realizar um assalto e partir para a evolução da categoria.

Claro que estas são questões já debatidas por muita gente que anda nos coletivos e que eu, por não andar tanto, acabo tornando a coisa casual, por assim dizer. O que acontece é que não sou a única pessoa que a cada passageiro que entra fica querendo saber se é um mau-encarado ou uma pessoa tranquila, sempre há o momento de insegurança, até que o indivíduo passe por você.

O que tem ficar claro nesta terra com leis que ninguém cumpre é que independente de governo ou objetivos políticos, a segurança deve reinar, pois só assim os trabalhadores terão paz em suas atividades, gerando mais renda para o país e incrementando ainda mais a nossa tão querida economia. O grande problema é que uma coisa sempre está atrelada a outra: se não juntarmos ao menos a alimentação e a educação, não há como acabar com a violência. Mas a alimentação depende de emprego e para tanto, saúde. Esta rede que todos conhecemos parece só não ser bem compreendida por aqueles que as deviam promover, e aí, nada funciona.

E agora, José?

HISTÓRIAS SEMELHANTES

1 comentários

  1. Oi, Tati.
    Tudo beleza por lá :)

    Me avise quando for ver Simpsons!


    Quanto a esse seu último post, estou desde sexta ou sábado querendo comentar, querendo dizer alguma coisa, querendo responder ao "E agora, José?".

    Não sei. Não sei mesmo.

    Só o que me ocorre é fazer o tal trabalho de formiga, ajudando quem estiver por perto, quem estiver ao alcance. E espalhar a idéia, e esperar que outros façam o mesmo.

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