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A maior dificuldade do ser humano contemporâneo é, possivelmente, manter-se ético. Claro que a moral, um dos componentes da Ética é uma variante cultural que parte da definição dos princípios fundamentais de bem e mal, certo e errado, mas ainda assim, com a globalização e internacionalização dos grandes valores, é possível traçar um perfil humano de fazer o bem e fazer o mal.

Por exemplo: os governantes de todo o mundo não devem tomar dinheiro que vem da arrecadação fiscal para uso próprio. A arrecadação fiscal serve para a manutenção do Sistema de governo e do aprimoramento dos setores sociais de que se responsabiliza, como Saúde, Educação, Transportes, Alimentação e Emprego. A CPMF, um imposto cujo P de Provisório já se tornou Permanente, apregoa que sua renda deve ser destinada a sanar um dos problemas nacionais que se tornou a Saúde. A CPMF arrecada por ano, mais de quatro bilhões de reais e a Saúde pública do Nordeste mata pacientes por não atendimento, visto as condições alarmantes de instalações hospitalares e vínculos empregatícios cruéis.

Nossos governantes são os mestres na arte da enganação e de seu fator conseqüente direto: o assassinato. Sejamos práticos: quando os governantes criam salários estapafúrdios que lhes satisfaçam, abarrotam dinheiro em cuecas e malas, contratam laranjas e não conseguem identificar legalmente sua renda e bens, eles, por dedução e comprovação, roubam dinheiro nosso. Com isso, acidentes nos Transportes acontecem, a Saúde não dá saúde a quem dela carece, os Empregos não crescem juntamente com a economia nacional, a Educação, menos letal de todos os quesitos, fica à mercê de milagres dos educadores comprometidos com um sonho de país melhor e a Alimentação inexiste. Pessoas morrem de fome, violência, acidentes e falta de atendimento médico. Claro está, portanto, que todos os corruptos, corruptores e até corruptíveis de nossa nação deveriam estar presos sem CPI ou qualquer prerrogativa de protelação de pena, mas com um julgamento sumário, público e direto.

Não é radical pensar assim, mas humano. No Oriente Médio, aquele que rouba tem sua mão decepada; em Portugal, qualquer governante que está sob suspeita de corrupção é automaticamente afastado do cargo e sua remuneração cortada até que se comprove sua condição e, na China, meu país preferido em atitudes contra infratores, os corruptos são condenados à pena de morte e morrem com um tiro na cabeça cuja bala é paga pela família do ladrão. Aqui, cuja maioria da população sofre da culpa católica ou de sei lá que outra bondade surreal, nada se faz e, quando muito, apóia-se quem rouba, mas faz. Aqui, mesmo sabendo quem são os corruptos, construímos suas campanhas políticas a troco de grandes remunerações, aceitamos politicamente suas trapaças, entendendo que nossos shows musicais acontecerão de forma mais tranqüila, garantimos a segurança de nossos artistas comprando policiais, compramos terrenos do Estado e de Áreas de Proteção Ambiental, como quem compra os votos e reescreve os nomes nos papéis das urnas, garantimos, por fim, nossa satisfação mesmo que esse nossa advenha de uma parcela reduzida de cidadãos.

Com tantos focos da sociedade carentes quanto a incidência das queimadas nas matas de nosso país nesses últimos dias, lembramos que tanta revolta por coisas certas que não existem, gera a violência nas ruas e nos corações da civilidade. Mas aí, ao mesmo tempo, lembramos dos bandidos que se fantasiam de policiais, dos policiais que viram bandidos, dos bombeiros que viram bandidos, dos médicos que matam seus pacientes realizando cirurgias mutiladoras, professores de escolas carentes do norte do país incitando suicídio e pensamos que, por mais católicos ou qualquer coisa que sejamos, não adianta rezar ou pedir perdão, mas gritar, fechar ruas e implorar para que algo seja feito. Parar Transporte, parar Saúde, parar Educação. Com o país parado, esperamos que os governantes corruptos pelo menos tenham a decência de se movimentar um pouco a nosso favor.

HISTÓRIAS SEMELHANTES

1 comentários

  1. também me indigna a situação caótica de descaso total em que vivemos nesse país. mas discordo em alguns pontos. não acredito que parar o país resolva alguma coisa. pelo contrário, falta movimento de todos os setores da sociedade. ações e projetos sociais independentes. alternativas dignas para tanta bagunça. políticas públicas. compromisso dos cidadãos. outra coisa: o exemplo da china é para nos causar tanto asco quanto aquele motivado por um outro crime qualquer. corrupção e criminalidade jamais serão curadas com violência. achar que pena de morte resolve alguma coisa é ledo engano. o que precisamos é espalhar mais flores pelos jardins...

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